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Economia

Dólar cai e Bolsa varia com conflito no Oriente Médio

ATUALIZADA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar está caindo nesta segunda-feira (20), enquanto investidores acompanham a escalada do conflito no Oriente Médio.

Os recentes ataques entre Estados Unidos e Irã continuam pressionando os mercados, embora sinais de uma possível trégua tenham aliviado a aversão ao risco. Nesta sessão, o preço do petróleo Brent está estável, cotado a US$ 88 por barril.

Às 11h07, a moeda americana recuava 0,44%, cotada a R$ 5,087. No mesmo horário, a Bolsa de Valores apresentava leve alta de 0,04%, alcançando 173.789 pontos.

A Guarda Revolucionária do Irã declarou que atingiu alvos militares dos EUA em toda a região do Oriente Médio após bombardeios americanos em cidades iranianas.

Este é o nono dia consecutivo de confrontos, que interromperam o cessar-fogo estabelecido no mês passado devido a acusações mútuas sobre o controle iraniano do Estreito de Hormuz.

A atual fase do conflito foca na via marítima, que transporta cerca de 20% do petróleo mundial. O bloqueio do Estreito pelo Irã e os ataques a navios fizeram o preço do petróleo oscilar, caindo para US$ 70 por barril após o cessar-fogo e subindo para cerca de US$ 90 no último fim de semana.

Hoje, o petróleo Brent mantém estabilidade próximo a US$ 88 por barril.

Sinais de negociações para um acordo têm acalmado os mercados, gerando cautela entre investidores.

Tanto os Estados Unidos quanto o Irã demonstraram interesse em retomar conversas para definir uma trégua permanente.

Um representante iraniano declarou à agência Reuters que mediadores ofereceram a Teerã uma proposta para conter a escalada do conflito, sugerindo um cessar-fogo de dez dias para tentar restaurar o acordo temporário firmado no mês passado.

Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmou que o país recebeu propostas para diminuir as tensões, mas não entrou em detalhes. O presidente Masoud Pezeshkian declarou que o Irã está em uma “guerra em larga escala” contra os EUA.

Segundo a agência AFP, o ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, deve viajar ao Paquistão, que atua como mediador no conflito.

O governo de Donald Trump sinalizou uma abertura cautelosa para novas negociações. O secretário de Estado de Washington, Marco Rubio, disse que estaria satisfeito se essa porta se abrisse, mas ressaltou que o comportamento do Irã precisa mudar para que os EUA mudem sua postura.

Por outro lado, os houthis do Iêmen, aliados do Irã, anunciaram um bloqueio naval à Arábia Saudita, criando uma nova frente de conflito contra os EUA e ampliando os riscos ao fornecimento global de energia e comércio, além do Golfo.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, comenta que “a tensão entre EUA e Irã permanece sem uma solução definitiva, mas sinais recentes de diálogo ajudam a conter reações fortes nos ativos de risco globais”.

Ele acrescenta que no Brasil, “o desempenho do mercado depende menos do cenário externo e mais da incerteza em torno do ciclo de corte de juros”.

O Boletim Focus desta segunda-feira revelou que economistas reduziram a previsão de inflação para este ano pela terceira semana consecutiva, mas em ritmo mais lento.

Analistas consultados pelo Banco Central esperam que o IPCA termine 2026 em 5,15%, ligeiramente abaixo da previsão anterior, mas ainda acima do limite da meta, que é 3% com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Para a taxa Selic em dezembro, a expectativa permanece em 14% ao ano, um pouco abaixo do atual patamar de 14,25%.

Shahini destaca que “o mercado espera um corte da Selic para 14% já na próxima reunião, mas a curva de juros não está tão otimista para o longo prazo, indicando dúvidas sobre até onde o ciclo de afrouxamento avançará. Isso mantém câmbio e Bolsa sensíveis a qualquer ruído, interno ou externo”.

Hoje, os juros futuros apresentam pequenas altas, com a taxa do DI para janeiro de 2028 em 14,115%, alta de 0,01 ponto, e o contrato para janeiro de 2035 em 14,62%, com elevação de 0,03 pontos.

No mesmo horário, o rendimento do título público americano de dez anos subiu ligeiramente para 4,564%.

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