O governo do Distrito Federal precisará cortar 10% das suas despesas até o final do ano para equilibrar as contas. Essa decisão vem após um acordo entre as administrações de Celina Leão e Luiz Inácio Lula da Silva para ajudar o Banco de Brasília (BRB).
O secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, explicou que será necessário reduzir cerca de R$ 4 bilhões em gastos. A meta é renegociar contratos e tomar outras medidas para que as contas estejam positivas no segundo semestre e alcançar um superávit de R$ 2 bilhões em dezembro.
Valdivino destacou que até o fim de 2026 o objetivo é transformar o déficit recorrente do governo em um superávit de pelo menos 5% da receita líquida.
Em 2025, o Distrito Federal fechou o ano com um rombo de R$ 1 bilhão, e nos primeiros quatro meses de 2026, o déficit chegou a R$ 1,9 bilhão. Foram arrecadados R$ 13,4 bilhões, enquanto as despesas empenhadas somaram R$ 15,3 bilhões, o que mostra um aumento de 8,19% em comparação ao ano anterior.
Valdivino afirmou que os esforços já reduziram o déficit, e espera que até julho o valor esteja equilibrado. Ele também disse que o período eleitoral não será um obstáculo para o ajuste fiscal, pois a prioridade é o equilíbrio econômico.
O acordo que permite a ajuda ao BRB foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e inclui restrições orçamentárias para o governo do Distrito Federal. Entre as medidas está a proibição de concursos públicos, criação de cargos que aumentem despesas, reajustes salariais e benefícios extras para servidores públicos e militares. Essas restrições valerão até que o empréstimo tomado com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) seja pago ou o Distrito Federal alcance nota A+ na capacidade de pagamento (Capag).
Atualmente, a nota do Distrito Federal é C. O governo buscava flexibilização para conseguir autorização da União para o empréstimo, que não terá garantia federal, mas terá um limite ampliado de crédito.
O teto atual para operações de crédito está em cerca de R$ 900 milhões, mas com a negociação, o Distrito Federal poderá pegar um empréstimo entre R$ 6 bilhões e R$ 6,5 bilhões. Segundo Valdivino, com os dados de abril, o limite será de R$ 6,4 bilhões, podendo chegar a R$ 6,57 bilhões com os números de maio, próximo ao valor solicitado ao FGC.
Valdivino concluiu afirmando que, com essa operação finalizada, o BRB estará recuperado, saudável e forte novamente.

