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sábado, 29/11/2025

Campanha da direita minimiza conflito entre ricos e pobres de Lula e foca em inflação e gastos públicos

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BRUNO RIBEIRO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Estratégias de comunicação associadas a políticos da direita acreditam que a mobilização feita pelo PT com o tema “ricos contra pobres”, lançada recentemente pelo partido nas redes sociais, provavelmente não voltará a ter impacto além de seus apoiadores. Entretanto, já planejam contra-ataques à abordagem.

Uma metodologia inclui desconstruir a noção de que a elevação de impostos estabelecida pelo governo federal atinge exclusivamente os super-ricos, argumentando que o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) aumenta o preço do financiamento para a compra de bens como geladeiras e motos, além de dificultar a importação de produtos básicos, como farinha para pão.

Outro foco está em criticar a falta de empenho da gestão para diminuir os gastos públicos, ressaltando o desperdício financeiro em vez de um ajuste fiscal rigoroso.

Além disso, a oposição pretende questionar o uso da inteligência artificial nas campanhas do PT, sugerindo que essa estratégia tenta enganar as pessoas ao não utilizar atores reais.

Numa das produções mais comentadas da última semana, feita com IA, aparece uma multidão diversa caminhando por uma estrada de terra com sacos grandes nas costas etiquetados como “impostos”. Entre eles, figuras brancas trajando ternos carregam sacos menores com facilidade.

A legenda do vídeo afirma: “É hora de dividir o ônus no Brasil de maneira justa: quem tem mais paga mais. Quem tem menos paga menos. E quem apoia o povo concorda com essa ideia”.

De forma reservada, um especialista do ramo ouvido pela Folha indicou que a resposta não estará nas mãos das principais lideranças direitistas, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

A participação dessas figuras poderia fortalecer o discurso de esquerda, que pretende caracterizá-los como representantes do grupo conhecido como “BBBs” (bilionários, bancos e apostas), expressão usada pela campanha petista.

Em vez disso, o contra-ataque, que já começou, é feito por líderes do segundo escalão, que ocasionalmente saem de seus círculos habituais apresentando vídeos sem imagens geradas por IA.

“Tem aquela TV que você deseja comprar em parcelas? O governo do Lula quer que fique mais caro”, declarou, em um vídeo postado no Instagram em 3 de novembro, o secretário estadual de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai, figura de destaque que articula entre bolsonaristas e empresários do agronegócio paulista.

“A esquerda afirma que o IOF incide apenas sobre milionários, mas oculta a verdade: quando a dona Maria financia a geladeira, ela paga IOF. O motoboy que compra um capacete no AliExpress também paga IOF”, ressaltou, na rede X (antigo Twitter), o deputado estadual cearense Carmelo Neto, presidente nacional do PL Jovem.

Outro consultor ouvido indicou que a esquerda enfrenta um momento de baixa motivação em suas bases, refletido na queda da popularidade do presidente Lula. Em meio a esse cenário, a campanha do PT consegue mobilizar seus apoiadores, pressionando o governo.

Segundo essa fonte, o tom classista adotado pode ser percebido como radical e afastar eleitores do centro político.

Na quinta-feira (3), a disputa inclusiva entre classes saiu das redes e chegou às ruas. O MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), ligado ao deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), cotado para integrar o ministério de Lula, invadiu o saguão do banco Itaú BBA, parte do Itaú Unibanco, para protestar contra a taxação dos super-ricos.

No ambiente digital, simpatizantes da ação comemoraram com frases como “é hora de os ricos pagarem a conta”, enquanto influenciadores e parlamentares de direita responderam afirmando que as instituições bancárias “tiveram lucros recordes” durante os governos petistas.

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