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quarta-feira, 22/04/2026

Brasil: mais desconfiança em notícias de jornais que em mensagens de amigos

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Em Brasília

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
FOLHAPRESS

Quase metade (48%) dos brasileiros que usam a internet não confiam nas notícias vindas de veículos de jornalismo profissional. Esse número é maior do que os que desconfiam das informações que recebem de amigos ou familiares nas redes sociais (39%) ou por meio de aplicativos de mensagens (42%).

Porém, só 36% dos usuários dizem que conferem sempre se as informações que recebem nesses aplicativos ou nas redes sociais são verdadeiras, e 28% verificam na maioria das vezes. Ainda assim, 14% dos internautas afirmam que raramente ou nunca checam a veracidade dessas informações.

Esses dados vêm do painel TIC, uma pesquisa feita com usuários de internet no Brasil pelo Comitê Gestor da Internet, pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). A Folha de S.Paulo teve acesso exclusivo a esses dados antes da divulgação oficial.

A pesquisa foi feita com entrevistas online de 5.250 pessoas com 16 anos ou mais, durante agosto e setembro de 2025. A margem de erro varia de acordo com a pergunta e o grupo pesquisado.

Renata Mieli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), afirma que os resultados preocupam, pois mostram que a opinião pública se constrói de forma frágil. “As pessoas confiam mais em quem fala para elas do que na verdade da informação”, explica. Segundo ela, muitos preferem consumir notícias que não passam pela conferência dos profissionais do jornalismo, que são responsáveis pelo conteúdo e por manter a qualidade mínima.

Essa é a primeira vez que o painel TIC estuda os hábitos sobre acesso, verificação de notícias e o uso das redes sociais.

O levantamento mostra que a maioria das pessoas obtém notícias pelo digital: 60% acessam notícias várias vezes ao dia ou pelo menos diariamente por aplicativos de mensagens; 52% por vídeos curtos como TikTok; e 50% por sites ou aplicativos de vídeos.

Esses números são maiores do que os dos que acessam notícias frequentemente pela TV (45%), sites ou portais de notícias na internet ou podcasts (37%), canais de notícias 24 horas (34%), rádios (28%), jornais ou seus sites (26%) e revistas (22%).

A pesquisa também mostra que o acesso varia conforme a renda e escolaridade. Por exemplo, 58% dos entrevistados das classes A e B acessam diariamente sites ou portais de notícias, contra 33% da classe C e 27% das classes D e E.

Muitos brasileiros já conhecem as ferramentas de inteligência artificial generativa: 47% já usaram o ChatGPT; 42% a IA do WhatsApp; 30% a Gemini e 14% o Copilot.

Os dados indicam que 65% da população consome notícias todos os dias, mas entre os jovens de 16 a 24 anos esse percentual cai para 46%. Esse comportamento está ligado a um fenômeno chamado “evitar notícias” causado pela percepção de excesso de notícias negativas ou saturação de informações.

Quem mais consome notícias diariamente são os adultos de 45 a 59 anos, com 79%.

Muitos usuários são indiferentes à possibilidade de receber informações falsas. Entre os que não checam as notícias, 34% concordam totalmente com a frase: “não vale a pena pesquisar se as informações que recebo são verdadeiras”, e 30% concordam com “hoje em dia as informações são tão manipuladas que não vale a pena pesquisar se são verdadeiras ou falsas”.

As principais razões para não verificar as informações são: esquecer de conferir (36%), falta de tempo (33%), desinteresse (33%) e estar certo sobre a veracidade da informação (31% acham que é verdade, 25% que é falsa).

Cinco plataformas são as mais usadas diariamente, para qualquer finalidade: WhatsApp (54% usam quase o tempo todo e 91% diariamente), Instagram (73%), YouTube (73%), Facebook (57%) e TikTok (50%).

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