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Austrália fecha fronteira estadual pela 1ª vez em 100 anos por covid-19

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Número de casos de covid-19 de Melbourne aumentou nos últimos dias, o que levou autoridades a adotarem medidas rígidas de distanciamento social

Austrália: o estado de Vitória relatou 127 infecções novas por covid-19 de domingo para segunda-feira (James Ross/Reuters)

A fronteira entre os dois Estados mais populosos da Austrália fechará a partir de terça-feira por tempo indeterminado, disse o premiê do Estado de Vitória, Daniel Andrews, nesta segunda-feira, devido a um surto local de coronavírus.

A decisão marca a primeira vez em que a divisa com a vizinha Nova Gales do Sul foi fechada em 100 anos – autoridades impediram a circulação entre os dois Estados em 1919, durante a pandemia de gripe espanhola.

O número de casos de Covid-19 de Melbourne, a capital de Vitória, aumentou nos últimos dias, o que levou as autoridades a imporem ordens rígidas de distanciamento social em 30 subúrbios e a colocar nove torres de moradias públicas em isolamento total.

O Estado relatou 127 infecções novas por Covid-19 de domingo para segunda-feira, seu maior aumento de um dia desde que a pandemia começou, e também uma morte, a primeira do país em mais de duas semanas, o que elevou o total nacional a 105.

“É a decisão sensata, a decisão certa neste momento, dados os desafios significativos que enfrentamos para conter o vírus”, disse Andrews aos repórteres em Melbourne ao anunciar o fechamento da fronteira.

Mas a interdição provavelmente será um golpe na recuperação econômica da Austrália, que ruma para sua primeira recessão em quase três décadas.

Andrews disse que a decisão de fechar a fronteira, que entra em vigor às 23h59 de terça-feira, foi tomada juntamente com o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, e com a premiê de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian. A única outra divisa interna de Vitória, com o Estado da Austrália do Sul, já está fechada.

A Austrália está se saindo melhor do que muitos países durante a pandemia de coronavírus, já que teve pouco menos de 8.500 casos até o momento, mas o surto de Melbourne causou alarme. O país relatou uma média de 109 casos diários na semana passada – na primeira semana de junho a média foi de somente 9 casos diários.

 

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Johnson teme que Reino Unido perca poder e mágica se Escócia se separar

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Escócia depositou 55% dos votos contra a independência em 2014, mas Partido Nacional Escocês, que governa a semi-autônoma nação, quer outro pleito

Boris Jonhson: “A união do Reino Unido é, para mim, a maior parceria política que o mundo já viu” (WPA Pool / Base de fotógrafos/Getty Images)

O primeiro-ministro Boris Johnson alertou nesta segunda-feira que o Reino Unido ficará mais fraco se o laço que une suas quatro nações for quebrado, em sua última rejeição à crescente pressão pela independência da Escócia.

Discordâncias entre as nações constituintes britânicas –Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte e Inglaterra– sobre a gestão da pandemia de coronavírus danificaram relações que já estavam tensionadas pelo Brexit.

É especialmente o caso da Escócia, que votou contra sair da União Europeia e onde as pesquisas mostram que o apoio pela independência por pouco supera o apoio pela união de 300 anos com a Inglaterra.

“A união do Reino Unido é, para mim, a maior parceria política que o mundo já viu”, disse Johnson às emissoras, ao ser questionado sobre o que a união significa para ele.

“Seria uma pena perder o poder e a mágica dessa união.”

A Escócia depositou 55% dos votos contra a independência em um referendo de 2014, mas o Partido Nacional Escocês, que governa a semi-autônoma nação, quer outro pleito. Embora os eleitores escoceses tenham apoiado a permanência na UE, o Reino Unido, como um todo, votou pela saída.

O Partido Conservador de Johnson, que governa todo o Reino Unido e decide a política em áreas que não foram devolvidas à Escócia, apoia agressivamente a união e rechaça qualquer pedido por outro referendo.

No entanto, Johnson e outros ministros importantes visitaram a Escócia nas últimas semanas, falando bastante sobre a força e os benefícios da relação.

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Governo do Líbano renuncia após explosão e fúria nas ruas

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Governo do presidente Hassan Diab e todo o gabinete apresentaram renúncia. Em crise, país terá o terceiro primeiro-ministro em um ano

Premiê do Líbano, Hassan Diab: renúncia nesta segunda-feira, 10 (Mohamed Azakir/Reuters)

Dias após uma explosão que matou 160 pessoas na semana passada, o governo do Líbano renunciou nesta segunda-feira, 10. O primeiro-ministro Hassan Diab e todo o seu gabinete apresentaram sua renúncia.

Ontem e ao longo das últimas horas, outros três ministros já haviam renunciado, além de membros do Parlamento. Ao comunicar sua renúncia, Diab chamou a explosão de “crime” e disse que o caso era resultado de uma corrupção histórica no país.

A explosão no Líbano aconteceu na última terça-feira, 4, no porto da capital Beirute, desencadeada por uma carga de nitrato de amônio que estava no local desde 2013. Autoridades do porto haviam informado à Justiça sobre a carga e os riscos do material, mas medidas não foram tomadas ao longo de vários anos.

Além das 158 vítimas, há mais de 60 desaparecidos e mais de 6.000 pessoas feridas, além de diversos moradores que tiveram as casas destruídas pela explosão — que foi ouvida a mais de 100 quilômetros do local.

Com a renúncia do atual governo, o Líbano terá seu terceiro primeiro-ministro em um ano. O próprio Hassan Diab tinha menos de um ano como premiê, tendo assumido a liderança do governo somente em dezembro passado.

Neste fim de semana, protestos com milhares de pessoas aconteceram em Beirute pedindo a renúncia do governo e responsabilização das autoridades pela explosão e pela crise. Houve confrontos entre policiais e manifestantes e alguns prédios públicos chegaram a ser ocupados. Manifestantes também arremessaram pedras e vidro nos policiais, enquanto a polícia jogou bombas de efeito moral sobre as multidões.

O acidente aconteceu em meio a uma das maiores crises econômicas da história do Líbano, que já vinha deste antes da pandemia do novo coronavírus.

Protestos no ano passado

Com a queda do governo, uma nova eleição deve ser convocada para estabelecer o novo premiê do Líbano. A última eleição no país aconteceu em 2018, quando venceu a coalizão liderada pelo antigo premiê Saad Hariri, o Future Movement (movimento do futuro, em inglês).

Hariri renunciou em outubro do ano passado, quando uma onda de protestos contra o governo e a crise econômica no país já havia varrido as ruas do Líbano, levando à queda do governo. Filho do ex-premiê Rafic Hariri, assassinado em 2005, Saad Hariri pertence a uma das famílias mais tradicionais do Líbano e já havia sido premiê em 2011.

Após a queda, Diab tomou posse. Seu governo é criticado por não ter passado leis que evitassem a fuga de capitais do país, o que agravou a crise financeira e a desvalorização da moeda — desde os protestos de outubro passado, a libra libanesa já se desvalorizou mais de 70%. Diab, por sua vez, acusa a classe política do país de impedir seus planos de reforma.

As estimativas apontam que a economia do Líbano deve encolher 12% neste ano. Caso as previsões se confirmem, será um dos piores resultados desde a guerra civil (1975-1990), marcada por conflitos entre libaneses de diferentes religiões e invasões territoriais de Israel.

O conflito com Israel também oficializou uma divisão de poder que perdura até hoje no Líbano. Ficou definido que o presidente seria sempre cristão, o primeiro-ministro, um muçulmano sunita (a corrente majoritária do islã), e o porta-voz, um muçulmano xiita.

Já era um sistema que não favorecia escolhas baseadas em critérios técnicos para postos-chave no governo, e abria as portas para conversas palacianas pouco ortodoxas. Nos últimos anos, o xadrez político ficou ainda mais complexo, o que acabou exercendo um papel relevante no desastre econômico.

“O aumento do poder de grupos radicais xiitas como o Hezbollah, que recentemente passou a ocupar vários assentos no parlamento, afugentou os investidores do Golfo e de outros países, que alimentavam uma parte da economia libanesa”.

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Vulcão entra em erupção na Indonésia e provoca nuvem gigante de cinzas

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Além da grande nuvem de fumaça, houve um ruído estrondoso, disseram autoridades e testemunhas; veja vídeos

Indonésia: “O som foi como um trovão, durou menos de 30 segundos”, disse um morador (Antara Foto/Sastrawan Ginting/Getty Images)

Na Indonésia, o vulcão Sinabung expeliu uma nuvem de cinzas gigante de 5 quilômetros de altura nesta segunda-feira (10). Essa é a segunda erupção em três dias. Além da grande fumaça, houve um ruído estrondoso, disseram autoridades e testemunhas.

“O som foi como um trovão, durou menos de 30 segundos”, disse um morador à Reuters.

A erupção aconteceu ainda pela manhã no horário local. Após algumas horas, a nuvem gigante encobriu a ilha de Sumatra e lhe deu aspecto de noite.

Os moradores foram aconselhados a ficar fora de um raio de 3 quilômetros do vulcão e a usar máscaras para minimizar os efeitos da queda de cinzas vulcânicas, informou a agência de vulcanologia em comunicado.

Nenhuma vítima foi registrada até o momento e uma autoridade de aviação civil informou que voos ainda operam na região.

Na Indonésia, erupção de vulcão provoca nuvem gigante de cinzas

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Com a lei de segurança, “a noite caiu sobre Hong Kong”

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Lei chinesa permite combate a quatro tipos de crimes contra a segurança do estado: subversão, separatismo, terrorismo e conluio com forças estrangeiras

Hong Kong: Pequim deveria permitir a Hong Kong um elevado nível de autonomia até 2047 (DuKai photographer/Getty Images)

Prisões, candidaturas invalidadas … Um mês após a promulgação da draconiana lei de segurança em Hong Kong, as consequências são inúmeras.
“É como se a noite tivesse caído”, disse Tony Chung, um estudante de 19 anos que foi preso acusado de escrever mensagens nas redes sociais que ameaçavam a segurança nacional.

No mesmo dia, três outros estudantes, incluindo uma garota de 16 anos, foram presos pelas mesmas acusações.

Essas prisões foram feitas no âmbito da lei de segurança imposta por Pequim no final de junho e que levanta temores de um sério declínio das liberdades na ex-colônia britânica.

Nesta segunda-feira, o magnata Jimmy Lai foi detido nesta segunda-feira e seu grupo de imprensa em Hong Kong foi alvo de uma operação de busca e apreensão com base na polêmica lei. Jimmy Lai é dono de duas publicações abertamente pró-democracia e críticas ao governo de Pequim, o jornal Apple Daily e a revista Next Magazine.

A entrada em vigor desta lei – no dia 30 de junho – considerada liberticida por muitos ativistas pró-democracia, desencadeou um verdadeiro terremoto político no território.

Nos termos do acordo de retrocessão com Londres, Pequim deveria permitir a Hong Kong um elevado nível de autonomia até 2047, sob o princípio “Um país, dois sistemas”, que teoricamente garante aos seus habitantes liberdades desconhecidas no resto da China.

A lei de segurança nacional foi aprovada em resposta às enormes, e muitas vezes violentas, manifestações que abalaram o enclave no ano passado, pondo fim a este compromisso.

“Como segundo retrocesso”

Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram sanções contra líderes chineses e de Hong Kong, incluindo a chefe do Executivo local, Carrie Lam.
Apesar das garantias de Pequim de que a lei atinge apenas uma minoria de pessoas, da noite para o dia certas opiniões políticas pacíficas se tornaram ilegais.

“Em uma noite, a mudança foi tão espetacular e importante que foi como um segundo retrocesso”, disse à AFP o advogado Antony Dapiran.
O conteúdo da nova legislação, que põe fim em particular à independência judicial de Hong Kong, foi mantido em segredo por Pequim até ser promulgado.

O texto dá às autoridades novos poderes para reprimir quatro tipos de crimes contra a segurança do Estado: subversão, separatismo, terrorismo e conluio com forças estrangeiras.

Discurso de ódio contra o governo, apoio a sanções estrangeiras ou perturbação da ordem pública também compõem a lista de crimes.
As primeiras prisões ocorreram em 1º de julho, aniversário da devolução de Hong Kong à China.

Alguns dias depois, escolas e bibliotecas foram forçadas a retirar livros de suas prateleiras. Os professores foram instruídos a não levantar questões políticas nas aulas.

A polícia local goza de amplos poderes de vigilância, sem a necessidade de uma decisão judicial para agir.

Nesta segunda-feira, o magnata da imprensa pró-democracia Jimmy Lai foi preso junto com outras seis pessoas, todas acusadas de conluio com forças estrangeiras.

Já no âmbito desta onda de repressão, em julho as autoridades invalidaram 12 candidaturas do movimento pró-democracia para as próximas eleições legislativas.

As autoridades argumentaram que alguns desses candidatos criticaram a lei de segurança e se recusaram a reconhecer a soberania chinesa.
Mais tarde, Lam decidiu adiar as eleições por um ano por causa da pandemia de COVID-19.

Nesse contexto, o New York Times transferiu de Hong Kong para Seul seu serviço digital.

Gwyneth Ho, um dos candidatos desqualificados, disse à AFP: “Agora estamos em território desconhecido.”

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Trump diz que seria uma “boa ideia” ter seu rosto no Monte Rushmore

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Trump respondeu a reportagem do The New York Times afirmando que membros do governo questionaram a Dakota do Sul para estampar o presidente no monumento

Monte Rushmore: escultura com os rostos de quatro dos maiores presidentes americanos na história (Pierre PERRIN/Gamma-Rapho/Getty Images)

O presidente americano Donald Trump repercutiu em seu Twitter uma nova polêmica envolvendo seu nome. O mandatário dos Estados Unidos afirmou em postagem no domingo, 9, que seria uma “boa ideia” ter seu rosto no Monte Rushmore, lendário monumento em homenagem a presidentes americanos.

“Com base em todas as coisas conquistadas durante esses 3 anos e meio, talvez mais do que qualquer presidência, parece uma boa ideia”, escreveu Trump.

O comentário veio depois de o jornal The New York Times publicar reportagem afirmando que aliados de Trump teriam chegado a contatar e pressionar o governo da Dakota do Sul, onde fica o monumento, para averiguar quais seriam os procedimentos para ter um novo rosto no local. A Dakota do Sul é governada por Kristi Noem, também do Partido Republicano.

Embora tenha postado sobre o caso, Trump chamou a matéria do The New York Times de fake news e disse que “nunca sugeriu” que fosse homenageado no Monte Rushmore. A negativa veio antes do tuíte em que chamou a possibilidade de “boa ideia”.O Monte Rushmore foi inaugurado em 1927 e tem os rostos esculpidos dos presidentes George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt and Abraham Lincoln.

Em 2018, quando Noem concorria ao cargo de governadora no estado, uma reportagem publicada pelo jornal Argus Leader, veículo da Dakota do Sul, aponta que Trump já havia dito à então candidata que era seu sonho ter o rosto no Monte Rushmore.

“Ele disse ‘Kristi, venha aqui. Aperta a minha mão”, contou Noem na ocasião. “Eu apertei a mão dele, e eu disse ‘Sr. presidente, o senhor deveria vir à Dakota do Sul algum dia. Temos o Monte Rushmore”, disse a então candidata. “E ele continuou: ‘Você sabia que é meu sonho ter meu rosto no Monte Rushmore?”. “Eu comecei a rir”, ela disse. “Ele não estava rindo, estava totalmente sério.”

Dos atuais presidentes no monumento, cada um tem feitos importantes na história americana. Washington foi o primeiro presidente estadunidense e Jefferson, autor da declaração da independência, sendo um dos fundadores (os Founding Fathers) dos EUA moderno e terceiro presidente. Já Roosevelt é elogiado por sua defesa da liberdade de expressão, ao mesmo tempo em que ficou marcado pela chamada política do Big Stick, de controle a países da América Latina, e pela construção do Canal do Panamá. Lincoln, por sua vez, liderou o país durante a Guerra Civil Americana, tendo como feito ter conservado o país unido e a abolição da escravidão findada a guerra.

Proximidade com a Dakota do Sul

Trump vem estabelecendo laços fortes com a Dakota do Sul e o Monte Rushmore. Além da admiração já demonstrada pelo monumento, Trump escolheu o local para fazer seu discurso de 4 de julho neste ano, data em que os americanos comemoram a Independência do país. O discurso, na ocasião, foi criticado por causar aglomeração em meio à pandemia do novo coronavírus, que chega nos EUA mais de 5 milhões de casos.

Noem, a governadora da Dakota do Sul, também vem se aproximando do presidente e sendo apontada como uma potencial substituta a Mike Pence no cargo de vice-presidente.

Trump concorre neste ano à reeleição à presidência americana contra o democrata Joe Biden. Por enquanto, ele está cerca de sete pontos atrás nas pesquisas nacionais e perdendo em estados decisivos. A escolha de Noem poderia trazer uma mulher à chapa. Do outro lado, o próprio Biden está sendo pressionado a anunciar uma vice mulher. A eleição americana acontece em 3 de novembro.

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Nos EUA, escolas reabrem enquanto casos de covid-19 continuam a crescer

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Alguns estados do país começaram a reabrir escolas nas últimas semanas, mas segurança para as aulas ainda é questionada

Escola na Virgínia: reabertura levanta questionamentos sobre o risco de disseminação maior da covid-19 (Kevin Lamarque/Reuters)

Os Estados Unidos começaram a reabrir escolas, mas a volta às aulas nos EUA acontece enquanto diversas regiões do país ainda enfrentam seus picos de casos da covid-19. Uma projeção da Universidade de Austin, no Texas, mostrou que, em algumas regiões, uma escola de cerca de 500 alunos poderia receber na volta às aulas mais de dez jovens infectados com o novo coronavírus.

Mais de 80% dos americanos moram em um condado em que ao menos uma pessoa possivelmente irá à escola estando infectada com o coronavírus, segundo o levantamento. Há mais de 3.000 condados (os counties) nos EUA. A data base da projeção foi a semana de 31 de julho.

Os estudantes com a doença, assim, poderiam cada qual passar a covid-19 para um ou mais colegas, além de parentes e outras pessoas de suas comunidades, aumentando as taxas de contágio em uma região.

As projeções mudam a depender dos estados. Os EUA vivem uma segunda onda do coronavírus quase sem ter finalizado a “primeira onda”. Enquanto o começo da pandemia atingiu mais os estados da costa Leste do país, como Nova York, os novos picos de contágio recentes estão em estados do Sul, como Texas e Flórida, e da costa Oeste, como a Califórnia.

Nos condados com maior risco, como Miami, na Flórida, Nashville, no Tennessee, e Las Vegas, em Nevada, a probabilidade é que ao menos cinco alunos infectados compareçam às aulas em uma escola de 500 pessoas. Isso porque, nessas áreas, a estimativa é que uma em cada 70 pessoas esteja atualmente com covid-19.

Loja com material escolar para a volta às aulas nos EUA: álcool em gel e máscaras entraram na lista obrigatória

Loja com material escolar para a volta às aulas nos EUA: álcool em gel e máscaras entraram na lista obrigatória (Mike Blake/Reuters)

É o que os pais americanos temem que aconteça nas escolas americanas reabertas agora, segundo reporta o jornal The Washington Post. Uma das soluções apontadas pelo próprio estudo da Universidade de Austin, sobretudo em locais que já controlaram o coronavírus, é o uso de turmas menores e que fiquem isoladas do restante da escola.

Se uma turma de dez pessoas assistir a aulas junta mas não entrar em contato com o resto da escola, em vários distritos há, ao menos nessa primeira semana de aula, chance de que zero alunos compareçam às aulas com coronavírus.

O estudo não consegue quantificar o que aconteceria nos meses subsequentes. A projeção é feita para uma primeira semana de aulas.

No Brasil, que tem mais de 2,8 milhões de casos de coronavírus, a maior parte dos estados ainda não definiu uma data precisa para a volta às aulas presenciais. Uma autorização de permissão de retorno a escolas particulares no Rio de Janeiro neste mês também foi derrubada pela Justiça. Em São Paulo, que concentra o maior número de alunos do país, o governador João Doria (PSDB) anunciou nesta sexta-feira, 7, que o retorno às aulas presenciais ficou para outubro.

Nos Estados Unidos, com a reaproximação da volta às aulas, uma série de protestos de rua contra a reabertura das escolas e pedindo mais segurança no processo tomaram as ruas nas últimas semanas, organizados por alunos, professores e trabalhadores em diversos estados americanos. Dentre os cartazes nos atos, muitos pedem uma abordagem mais equitativa nas reflexões sobre a reabertura, com o temor de que escolas em bairros mais pobres e minorias sociais e raciais sejam mais impactos pela volta às aulas.

Enquanto o número de casos de coronavírus era de 23 a cada 10.000 pessoas brancas nos EUA no começo de julho, para negros e latinos a taxa de contágio é superior a 60 pessoas. A média do país era de 38 casos a cada 10.000 habitantes no mesmo período.

Um dos casos emblemáticos que acendeu a discussão sobre a volta às aulas e a outras atividades nos EUA — e em outros países do mundo com alta em casos, como o Brasil — aconteceu entre as próprias autoridades americanas nesta semana.

O governador de Ohio, Mike DeWine, só descobriu que estava com coronavírus quando fez um teste para se encontrar com o presidente Donald Trump. Não fosse a reunião e a obrigatoriedade do teste para o compromisso, DeWine talvez nunca soubesse que estava com covid-19 e seguisse podendo infectar outras pessoas.

Protestos pedindo equidade na volta às aulas na Califórnia: preocupação sobre a segurança de minorias sociais nas escolas reabertas

Protestos pedindo equidade na volta às aulas na Califórnia: preocupação sobre a segurança de minorias sociais nas escolas reabertas (Mike Blake/Reuters)

As férias de verão americanas acontecem entre maio e agosto, o oposto do ano letivo no Brasil — pelo fato de os Estados Unidos estarem no hemisfério Norte. Assim, o ano letivo foi interrompido perto do fim no começo da pandemia. Agora, passadas as férias de verão, as escolas começam um novo ano letivo neste mês de agosto.

Os planos de volta às aulas diferem em cada localidade. A maioria dos locais na Califórnia afirmaram que vão manter aulas majoritariamente online nestes primeiros meses, incluindo alguns dos maiores distritos do estado, como San Diego e Los Angeles. Já a cidade de Nova York vai reabrir as escolas, mas gradualmente, com aulas só de uma a três vezes por semana e rodízio de alunos.

Estados como o Arizona, Colorado, Mississippi e outros já adiaram o retorno às aulas para meados de agosto ou mesmo setembro em meio à alta de casos.

O presidente Donald Trump tem insistido que as escolas abram no cronograma previsto, à medida em que alguns governadores adiam os prazos.

Ao mesmo tempo em que há preocupação sobre o contágio na volta às aulas, as aulas feitas à distância vêm prejudicando o aprendizado dos alunos, sobretudo crianças mais jovens e minorias sociais, que têm menos acesso à internet, equipamentos e pouco auxílio dos pais. Alunos perto de sair da escola, no Ensino Médio, também tende a evadir em meio à pandemia.

A tendência, tanto nos EUA quanto em outros países, é que as escolas adotem o chamado ensino híbrido, com parte das aulas em pequenos grupos nas escolas e parte ainda online. Também não está claro, cientificamente, se crianças e jovens transmitem ou se infectam com o coronavírus da mesma forma que os adultos — há estudos iniciais que indicam que os mais jovens podem transmitir menos a doença, embora isso ainda não esteja comprovado de forma segura o suficiente para garantir a segurança dos procedimentos.

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terça-feira, 11 de agosto de 2020

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