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As misteriosas crateras que ameaçam ‘engolir’ moradores de vilarejos da Croácia

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Quase cem buracos surgiram de repente no intervalo de um mês. Cientistas investigam o estranho fenômeno geológico.

O buraco que se abriu no jardim de Nikola Borojević tinha mais de 30 m de largura e 15 m de profundidade — Foto: ALAMY via BBC

Aconteceu de repente e sem aviso prévio. Onde deveriam ter nascido os primeiros brotos de batata atrás do pomar, no espaçoso jardim de Nikola Borojević, havia agora um enorme buraco.

Com 30 metros de largura e 15 metros de profundidade, ele rapidamente se encheu de água. E não foi o único.

No espaço de algumas semanas, dezenas de buracos parecidos se abriram ao redor dos vilarejos Mečenčani e Borojovići, no nordeste da Croácia.

O que estava do lado de fora da casa de Borojević, em Mečenčani, apareceu em 5 de janeiro, apenas seis dias depois de um terremoto de magnitude 6,4 atingir a área em torno da cidade vizinha de Petrinja.

Foi o terremoto mais forte que atingiu a Croácia em mais de quatro décadas, matando sete pessoas e destruindo milhares de casas.

Embora se saiba que deslizamentos e crateras podem ser causados ​​por terremotos, assim como outros fenômenos geológicos estranhos, como liquefação — quando o solo sólido começa a se comportar como líquido —, o grande número de buracos que apareceram nos vilarejos surpreendeu e intrigou os especialistas.

Um mês após o terremoto, havia quase 100 crateras espalhadas por uma área de 10 km², com novos buracos se abrindo a cada semana.

O buraco no jardim de Borojević é agora o maior da área. Quando apareceu, tinha 10 metros de largura, mas começou a crescer quase imediatamente.

“Minha esposa ficou em casa a manhã toda, olhando de vez em quando pela janela”, conta Borojević. “Por volta das 14h, ela notou algo estranho no jardim. Saímos e havia um buraco enorme em nosso pomar.”

Nos três meses seguintes, o buraco triplicou de tamanho. Mas os Borojevićs tiveram sorte.

Outras crateras na região foram abertas a poucos metros da entrada das casas dos moradores, e uma delas apareceu embaixo de uma residência, levando as autoridades a considerar desocupar ambos os vilarejos.

Outros buracos surgiram em florestas e campos agrícolas adjacentes, onde um deles, de acordo com rumores locais, quase engoliu um fazendeiro e seu trator.

O número excepcionalmente alto de crateras num único lugar chamou a atenção de geólogos locais e estrangeiros, ansiosos para entender como o terremoto pode ter levado ao colapso do solo.

“Ninguém esperava o aparecimento de tantas crateras”, conta o sismólogo Josip Stipčević, do Departamento de Geofísica da Faculdade de Ciências de Zagreb, capital croata.

Intensa atividade sísmica

 

A Croácia está localizada em uma área de intensa atividade sísmica, na qual a pequena placa tectônica do Adriático colide com a placa da Eurásia, causando uma série de falhas ativas, explica Stipčević.

Antes do terremoto de 29 de dezembro de 2020, o país havia sido atingido por outros nove tremores, com magnitude superior a 6, desde o início do século 20.

O último grande terremoto que havia acontecido na falha tectônica Pokupsko-Petrinja — ao longo da qual ocorreu o mais recente — foi em 1909.

O abalo de 1909 ocorreu a apenas 23 km a noroeste do epicentro daquele que fez a terra tremer no fim de 2020. E também atraiu a atenção dos sismólogos da época.

O renomado geofísico croata Andrija Mohorovičić analisou os sismógrafos do terremoto de 1909 em Pokupsko e concluiu que as ondas sísmicas viajam a velocidades diferentes conforme passam por diferentes camadas da Terra.

Sua observação levou à descoberta de uma camada intermediária que separa a crosta terrestre do manto, conhecida hoje como descontinuidade de Mohorovicic, ou simplesmente Moho.

Atualmente, pesquisadores estão estudando a mesma região na esperança de entender como o terremoto fez com que tantos buracos aparecessem repentinamente.

Alguns buracos se abriram de forma alarmante perto das casas — e agora os cientistas esperam descobrir quais áreas são seguras — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Alguns buracos se abriram de forma alarmante perto das casas — e agora os cientistas esperam descobrir quais áreas são seguras — Foto: GETTY IMAGES via BBC

As crateras não são a consequência mais comum de abalos sísmicos fortes, mas podem surgir, especialmente em áreas com cavidades subterrâneas ocultas.

Após o devastador terremoto perto da cidade italiana de Áquila, em 2009, dois buracos se abriram imediatamente nas estradas da parte antiga da cidade.

Os especialistas suspeitaram na época que uma escavação anterior de fossas verticais para um canal de esgoto havia enfraquecido a cobertura da caverna subterrânea, contribuindo para o colapso.

Os buracos profundos e largos que ameaçam os dois vilarejos croatas geralmente aparecem em áreas onde a rocha subterrânea foi escavada pela água para formar cavidades e cavernas — e está coberta por uma espessa camada de solo, areia ou sedimentos e, o mais importante, argila.

Com o tempo, a água leva lentamente o material da superfície a partir de suas camadas mais profundas para o subsolo cavernoso.

Se houvesse apenas solo arenoso, esse processo poderia acabar sendo detectado na superfície.

Mas a presença de argila torna esse material da superfície mais resistente e consistente, então, depois de um tempo, um vazio é formado abaixo do solo, mas é praticamente indetectável acima dele.

À medida que a camada superficial se torna estruturalmente mais fraca, ela acaba desmoronando no vazio que está abaixo.

Normalmente, esse processo acontece por um longo período de tempo, mas pode ser acelerado por chuvas intensas, inundações ou até mesmo atividades humanas, como mineração ou bombeamento agressivo de águas subterrâneas.

Eventos estranhos, fatores complexos

 

Após analisar os dados coletados na região ao redor de Mečenčani e Borojovići, os geólogos croatas concluíram que os estranhos eventos resultaram de uma combinação complexa de vários fatores diferentes.

Em primeiro lugar, embora a parte costeira da Croácia pertença ao Carste Dinárico, que abriga milhares de cavernas de calcário profundas e centenas de espécies endêmicas de cavernas, as formações de calcário subterrâneas também se estendem para o interior sob o centro do país.

O terremoto de magnitude 6,4 que danificou cidades no nordeste da Croácia foi o mais forte a atingir o país em 40 anos — Foto: GETTY IMAGES via BBC

O terremoto de magnitude 6,4 que danificou cidades no nordeste da Croácia foi o mais forte a atingir o país em 40 anos — Foto: GETTY IMAGES via BBC

O calcário que forma as cavernas rochosas na fronteira entre o Carste Dinárico e a bacia da Panônia foi depositado no período Mioceno, quando esta área estava submersa e conectada ao que é hoje o mar Mediterrâneo.

“Embora o Carste Dinárico seja principalmente dos períodos Cretáceo e Jurássico, o carste que encontramos aqui é mais jovem e ainda mais poroso e oco”, diz Josip Terzić, hidrogeólogo do Serviço Geológico da Croácia.

“Se limita a algumas pequenas áreas por aqui e perto da cidade de Zagreb.”

Quando a bacia da Panônia se desconectou do Mediterrâneo devido à mudança nas massas de terra há cerca de 11 milhões de anos, ela se tornou um grande lago.

Os rios lentamente o encheram com lodo, areia e cascalho, formando as vastas planícies dos dias atuais.

Consequentemente, cerca de 10 a 15 metros de terra, pedras e argila estão depositados no topo da rocha porosa abaixo dos vilarejos de Mečenčani e Borojevići.

A ameaça, porém, era difícil de detectar. Algumas crateras esporádicas apareceram antes, mas de acordo com os moradores locais, muito raramente.

“É óbvio que os terremotos aceleraram alguns processos já em andamento”, diz Terzić.

Na verdade, o primeiro buraco descoberto começou a abrir depois que um tremor de magnitude 5 atingiu a área um dia antes do maior.

À medida que o terremoto mais forte e os tremores secundários que o acompanharam sacudiram a área, fizeram o solo se deslocar mais de 30 centímetros. Esse deslocamento desestabilizou a situação precária.

“Os terremotos causaram uma tensão dinâmica enorme a essas terras e locais que já estavam num equilíbrio limítrofe e de repente desabaram”, afirma Terzić.

Seu colega, Bruno Tomljenović, geofísico da Universidade de Zagreb, acredita que os terremotos afetaram o movimento da água no subsolo, fazendo-a subir em direção à superfície, passando de áreas de alta pressão para baixa pressão.

Esta hidrodinâmica maior nas passagens subterrâneas acelerou o colapso do material da superfície, explica Tomljenović.

“Além disso, há uma chance de que algumas crateras que desabaram ​​tenham causado mudanças adicionais na hidrodinâmica, fazendo com que a água buscasse novas passagens e causando possivelmente mais sumidouros”, diz Tomljenović.

Um número excepcionalmente grande de abalos também pode ter contribuído para tantos desmoronamentos ao mesmo tempo, diz o geólogo George Veni, diretor do Instituto de Pesquisa Nacional de Cavernas e Cartes, no Novo México, área também conhecida por problemas de cratera, muitas vezes causadas ​​por atividades relacionadas a poços industriais.

Influência humana

A influência humana também aumenta a taxa de formação de crateras repentinas, alerta Veni.

Um relatório recente de cientistas da Universidade de Zagreb afirma que os sistemas de irrigação construídos nas áreas de Mečenčani e Borojevići provavelmente aceleraram o processo de carstificação.

Um número excepcionalmente grande de abalos também pode ter contribuído para tantos desmoronamentos ao mesmo tempo, diz o geólogo George Veni, diretor do Instituto de Pesquisa Nacional de Cavernas e Cartes, no Novo México, área também conhecida por problemas de cratera, muitas vezes causadas ​​por atividades relacionadas a poços industriais.

Influência humana

 

A influência humana também aumenta a taxa de formação de crateras repentinas, alerta Veni.

Um relatório recente de cientistas da Universidade de Zagreb afirma que os sistemas de irrigação construídos nas áreas de Mečenčani e Borojevići provavelmente aceleraram o processo de carstificação.

Mais de 100 buracos de tamanhos variados apareceram na região em menos de um mês, levando a temores pela segurança dos moradores — Foto: ANTONIO ŠEBALJ via BBC

Mais de 100 buracos de tamanhos variados apareceram na região em menos de um mês, levando a temores pela segurança dos moradores — Foto: ANTONIO ŠEBALJ via BBC

Por enquanto, os cientistas não têm dados suficientes para analisar a conexão entre a intensidade e o número de terremotos com o aparecimento dos sumidouros.

“A situação na Croácia pode ser considerada um alerta do que pode acontecer em países com terremotos e áreas que são propensas a crateras repentinas”, diz Veni.

Mas prever onde buracos como estes podem se abrir está longe de ser fácil, afirma o geólogo Mario Parise, especialista em ameaças em ambientes cársticos da Universidade de Bari Aldo Moro, na Itália.

“Por enquanto podemos contar apenas com os dados históricos e documentos para conhecer as áreas mais suscetíveis a esse tipo de processo”, diz ele.

Embora alguns modelos de risco de sumidouros tenham sido propostos na última década, “o desenvolvimento de um sistema de alerta para cratera é um campo no qual muito trabalho precisa ser feito”, acrescenta.

Para Tomljenović, uma das lições das crateras croatas é a necessidade de um microzoneamento sísmico mais intensivo para detectar áreas dentro das regiões povoadas que são especialmente vulneráveis ​​às perigosas consequências de terremotos.

Ele e seus colegas estão tentando fazer isso usando tomografia de resistividade elétrica e levantamento de refração sísmica na área de Mečenčani e Borojevići, na esperança de identificar locais que podem ser considerados seguros, e aqueles que ainda estão sujeitos a crateras.

O buraco no jardim de Borojević continuou a crescer depois que apareceu — e pode custar centenas de milhares de euros para ser tapado — Foto: GETTY IMAGES via BBC

O buraco no jardim de Borojević continuou a crescer depois que apareceu — e pode custar centenas de milhares de euros para ser tapado — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Mas a ameaça de novas crateras aparecerem no próximo ano ainda está na mente de muitos moradores.

Mudanças no lençol freático ao longo do ano, combinadas com novos tremores à medida que a falha tectônica se assenta, podem levar a mais colapsos, de acordo com Stipčević.

Enquanto isso, o enorme buraco repleto de água ainda está no jardim de Borojević — e se tornou até uma atração turística local.

Seis meses após o terremoto, a expectativa é de que os esforços para tapar as crateras comecem em breve.

“É também um negócio complicado”, diz o geotécnico Davor Ljubičić, que está coordenando o grupo de trabalho geotécnico da unidade de crise da defesa civil.

“Muito perto destes dois vilarejos está a fonte de abastecimento de água comunitária Pašino vrelo, assim como uma série de poços particulares. Então, é preciso ter muito cuidado ao escolher o material para cobrir os buracos.”

Usar cimento ou o material errado para tapar os buracos pode poluir as fontes de água potável locais, por isso os engenheiros pretendem cobri-los com pedras grandes e, em seguida, preencher o restante com pedras menores e cascalho, explica Mario Bačić, engenheiro civil da Universidade de Zagreb.

E não vai ser barato. Tapar o buraco no quintal de Borojević pode custar cerca de 200 mil euros US$ 1,2 milhão na cotação atual). “Eu poderia transformá-lo em um viveiro de peixes”, brinca o morador.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

Aconteceu

Por que a Coreia do Norte começou a lançar tantos mísseis de repente?

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Foto fornecida pelo governo da Coreia do Norte mostra o teste de um míssil no dia 17 de janeiro Foto: Agência Central de Notícias da Coreia do Norte

Mais dois testes foram realizados nesta terça-feira. Kim Jong-un aprendeu que as explosões são a melhor maneira de chamar a atenção de Washington, especialmente quando a situação global já está instável

A Coreia do Norte começou o ano novo com a convocação de uma reunião do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, o único partido do país, durante a qual muito pouco foi dito sobre os Estados Unidos. Aquele silêncio sobre o assunto não durou muito.

Kim Jong-un, o ditador norte-coreano, lançou seis mísseis balísticos em quatro testes de armamentos desde 5 de janeiro. Em um mês, foram quase tantos mísseis quanto a Coreia do Norte lançou em todo o ano passado. Nesta terça-feira, os militares sul-coreanos confirmaram que o Norte disparou mais dois mísseis de cruzeiro, em seu quinto teste de 2022.

A mensagem era clara: o líder norte-coreano sente que está sendo ignorado e quer pressionar o governo de Joe Biden a prestar atenção ao seu país de economia pobre.

Individualmente, os testes podem não ter grandes novidades – eles envolveram mísseis que já foram testados ou armas que ainda estão em desenvolvimento. Mas juntos, sinalizam que Kim planeja usar 2022 para tirar o governo Biden de seu sono diplomático.

Kim precisa que Washington faça concessões econômicas para melhorar a economia devastada de seu país. Ao longo dos anos, ele aprendeu que a melhor maneira de chamar a atenção de um presidente americano é com armas. E que o melhor momento para fazê-lo é quando o mundo tem menos condições de arcar com a instabilidade.

Por esse ângulo, 2022 parece um ano promissor.

A China está ocupada se preparando para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim no próximo mês. A Coreia do Sul elege um novo presidente em março. A Rússia insinua uma possível invasão da Ucrânia e mantém o governo Biden em suspense.

Durante uma reunião do Politburo na quarta-feira passada, Kim sugeriu que seu governo poderia mais uma vez começar a testar mísseis de longo alcance e dispositivos nucleares, após suspender tais testes antes de sua reunião de cúpula de 2018 com o então presidente Donald Trump.

— O objetivo de Kim é tornar rotineiros os voos de mísseis balísticos de curto alcance, como um fato da vida sem repercussões. A partir daí, ele passará para provocações maiores, retomando testes de mísseis de médio e longo alcance, intervalados por um teste nuclear, como fez em 2017 — disse Lee Sung-yoon, especialista em Coreia do Norte na Escola Fletcher da Universidade Tufts, em Boston.

Naquele ano, a Coreia do Norte testou o que chamou de bomba de hidrogênio e também lançou três mísseis balísticos intercontinentais. Foi também o ano em que Trump assumiu o cargo nos Estados Unidos. A Coreia do Sul tinha acabado de destituir sua presidente.

Quarta-feira foi a segunda vez que Kim ameaçou suspender a moratória sobre mísseis de longo alcance e testes nucleares. Depois que sua diplomacia com Trump terminou sem um acordo em 2019, ele disse que não se sentia mais obrigado ao compromisso. Mas ele não voltou a realizar esses testes, e seu país logo precisou lidar com a pandemia de coronavírus.

Este ano também marca o início da segunda década de Kim no poder, e os testes oferecem-lhe  uma chance para reafirmar sua autoridade. Desde que assumiu, ele se concentrou em fortalecer o arsenal do país, para assim validar o governo dinástico de sua família, apresentando-se como o protetor da Coreia do Norte contra invasões estrangeiras.

A Coreia do Norte por ora se concentra em testar mísseis que podem carregar o que chama de armas nucleares “menores, mais leves e táticas”. Esses tipos de armas não representam uma ameaça direta aos Estados Unidos, mas podem aumentar a influência de Kim junto a Washington, colocando aliados americanos como Coreia do Sul e Japão sob ameaça nuclear.

Washington não tomou medidas para atrair Kim e levá-lo a negociar, exceto propor negociações “sem pré-condições”, um pedido morno que a Coreia do Norte rejeitou. Enquanto isso, o país vê as armas como ferramentas para trazer Washington à mesa de negociações. E por essa lógica, quanto mais poderoso o arsenal, mais poder Kim tem.

“A Coreia do Norte espera que, se continuar a demonstrar suas capacidades nucleares, mas confiná-las à Península Coreana, não irá irritar a opinião pública nos Estados Unidos e fortalecerá as vozes que pedem um acordo”, escreveu em artigo recente Cha Du-hyeogn, um dos principais especialistas em Coreia do Norte no Asian Institute for Policy Studies, com sede em Seul.

 

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Suprema Corte se recusa a acelerar contestação aos limites de aborto no Texas

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No mais recente revés para os direitos reprodutivos, a decisão deixa a lei draconiana do aborto em vigor para o futuro próximo

Os três liberais no tribunal discordaram da decisão de quinta-feira. Fotografia: Daniel Slim/AFP/Getty Images

No mais recente revés para os direitos ao aborto no Texas , a Suprema Corte se recusou na quinta-feira a acelerar o processo judicial que contesta a proibição do estado da maioria dos abortos.

Devido a divergências dos três juízes liberais, o tribunal se recusou a ordenar que um tribunal federal de apelações devolvesse o caso a um juiz federal que havia bloqueado temporariamente a aplicação da lei. O tribunal não ofereceu nenhuma explicação para sua ação.

A proibição do Texas provavelmente permanecerá em vigor no futuro próximo, após uma decisão do quinto tribunal de apelações do circuito dos EUA em Nova Orleans de enviar o caso à Suprema Corte do Texas, que é totalmente controlada por juízes republicanos e não precisa agir imediatamente.

Os provedores de aborto pediram ao tribunal superior para revogar a ordem de apelação, que eles disseram nos documentos do tribunal não ter outro objetivo além de atrasar os procedimentos legais e impedir que as clínicas ofereçam abortos além de aproximadamente seis semanas de gravidez.

A lei devastou os cuidados com o aborto no Texas, escreveu a juíza Sonia Sotomayor. “Em vez de impedir um painel do Quinto Circuito de ceder às novas táticas de atraso do Texas, o Tribunal permite que o Estado mais uma vez estenda a privação dos direitos constitucionais federais de seus cidadãos por meio de manipulação processual”, escreveu Sotomayor, acompanhado pelos juízes Stephen Breyer e Elena. Kagan. “A Corte pode olhar para o outro lado, mas eu não.”

O presidente da Suprema Corte, John Roberts, juntou-se aos três liberais em dezembro em uma dissidência que pedia a permissão de um desafio mais amplo à lei e um rápido retorno ao tribunal federal de primeira instância. Roberts não observou sua posição na quinta-feira.

As clínicas temem que seu desafio à lei possa não ser resolvido antes que os juízes decidam em um caso do Mississippi que poderia reverter os direitos ao aborto em todo o país. Essa decisão, que pode anular o caso Roe v Wade de 1973, é esperada para o final de junho.

A lei do Texas que proíbe o aborto quando a atividade cardíaca é detectada, geralmente em cerca de seis semanas – antes que algumas mulheres saibam que estão grávidas – está em vigor desde setembro. No mês passado, o tribunal superior manteve a lei em vigor e permitiu que apenas uma contestação estreita contra as restrições prosseguisse.

Os provedores pensaram que sua melhor chance de um resultado favorável era antes do juiz distrital dos EUA, Robert Pitman, em Austin. Pitman emitiu uma ordem em outubro bloqueando a lei, embora o tribunal de apelações tenha suspendido sua decisão apenas alguns dias depois.

 

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Iêmen: mais de 200 mortos ou feridos após ataque aéreo na prisão

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Hospitais sobrecarregados em Saada após ataque destruir prédios no coração do norte dos Houthi

A imagem de vídeo mostra a destruição em uma prisão Saada no norte do Iêmen depois de ter sido atingida por um ataque aéreo. Fotografia: Ansarullah Media Centre/AFP/Getty Images

 

Mais de 200 pessoas estão mortas ou feridas após um ataque aéreo a uma prisão no Iêmen , e pelo menos três crianças foram mortas em um bombardeio separado, em uma dramática escalada do conflito de longa data no país.

Os rebeldes houthis divulgaram imagens de vídeo horríveis na sexta-feira mostrando corpos nos escombros e cadáveres mutilados do ataque à prisão, que destruiu edifícios na prisão em Saada, no norte do país.

Mais ao sul, na cidade portuária de Hodeida, as crianças morreram quando ataques aéreos da coalizão liderada pela Arábia Saudita atingiram uma instalação de telecomunicações enquanto brincavam nas proximidades, disse a Save the Children.

“As crianças estariam brincando em um campo de futebol próximo quando os mísseis atingiram”, disse a Save the Children. Houve também um apagão de internet em todo o país.

Os ataques ocorrem cinco dias depois que os houthis levaram a guerra de sete anos para uma nova fase, reivindicando um ataque de drones e mísseis em Abu Dhabi que matou três pessoas.

Os Emirados Árabes Unidos, parte da coalizão liderada pela Arábia Saudita que luta contra os rebeldes, ameaçaram represálias .

Trabalhadores humanitários disseram que os hospitais ficaram sobrecarregados em Saada após o ataque à prisão, com um recebendo 200 feridos, segundo os Médicos Sem Fronteiras.

Basheer Omar, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha no Iêmen, disse à AFP: “Há mais de 100 mortos e feridos… os números estão subindo”. Outras fontes disseram que 60 foram mortos.

Ahmed Mahat, chefe da missão dos Médicos Sem Fronteiras no Iêmen, disse: “Há muitos corpos ainda no local do ataque aéreo, muitas pessoas desaparecidas. É impossível saber quantas pessoas foram mortas. Parece ter sido um ato horrível de violência.”

O conselho de segurança das Nações Unidas deve se reunir na sexta-feira em uma sessão de emergência sobre os ataques houthis contra os Emirados Árabes Unidos, a pedido do Estado do Golfo, que ocupa um dos assentos não permanentes no conselho desde 1º de janeiro.

Os Emirados Árabes Unidos fazem parte da coalizão liderada pela Arábia Saudita que luta contra os rebeldes desde 2015, em um conflito intratável que deslocou milhões de iemenitas e os deixou à beira da fome.

A coalizão reivindicou o ataque em Hodeida, um porto vital para o país despedaçado, mas não disse ter realizado nenhum ataque a Saada.

A agência de notícias estatal da Arábia Saudita disse que a coalizão realizou “ataques aéreos de precisão … para destruir as capacidades da milícia Houthi em Hodeida”.

A guerra civil do Iêmen começou em 2014, quando os houthis desceram de sua base em Saada para invadir a capital, Sana’a, levando as forças lideradas pela Arábia Saudita a intervir para sustentar o governo no ano seguinte.

As tensões aumentaram nas últimas semanas depois que a Brigada dos Gigantes, apoiada pelos Emirados Árabes Unidos, expulsou os rebeldes da província de Shabwa, minando sua campanha de meses para levar a cidade de Marib mais ao norte.

A guerra civil do Iêmen foi uma catástrofe para milhões de cidadãos que fugiram de suas casas, com muitos à beira da fome no que a ONU chama de pior crise humanitária do mundo.

A ONU estimou que a guerra matou 377.000 pessoas até o final de 2021, direta e indiretamente por fome e doenças.

 

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Boris Johnson é acusado de chantagear deputados do próprio partido

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Diversos conservadores já disseram dispostos a apoiar uma moção de censura de Boris Johnson

Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson (Toby Melville/Getty Images)

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, foi acusado nesta quinta-feira, 20, por deputados de seu partido de chantagear os parlamentares que pedem sua renúncia. William Wragg, vice-presidente da comissão do Partido Conservador, encarregada de lançar uma moção de censura, disse que recebeu várias denúncias de intimidação.

Nos últimos dias, muitos membros do Parlamento sofreram pressões e intimidações por parte de integrantes do governo por seu desejo declarado ou suposto de pedir um voto de desconfiança da liderança do primeiro-ministro”, afirmou. Segundo ele, algumas abordagens seriam o equivalente a “chantagem”.

“É claro que é dever do gabinete garantir os interesses do governo no Parlamento. No entanto, não é sua função violar o código ministerial e ameaçar retirar financiamento de parlamentares”, disse Wragg. “Além disso, são inaceitáveis os relatos que recebi, de que funcionários do governo, assessores especiais e ministros vêm incentivando a publicação de histórias na imprensa para constranger aqueles que não demonstraram confiança no primeiro-ministro.”

Dissidente

Reiterando a denúncia de Wragg, o deputado Christian Wakeford disse que líderes do Partido Conservador ameaçaram retirar o financiamento para a construção de um novo colégio em sua região no norte da Inglaterra, se ele não parasse de criticar Johnson.

As declarações de Wakeford foram colocadas em dúvida ontem por alguns conservadores, já que o deputado, na quarta-feira, 19, desertou para o Partido Trabalhista, o maior da oposição no Reino Unido. De acordo com Wakeford, as ameaças o fizeram questionar seu lugar dentro do Partido Conservador.

Assediado por “fogo amigo”, Johnson – que já foi chamado de “morto ambulante” por Roger Gale, um veterano deputado conservador – ignorou as denúncias de chantagem durante visita a um centro de diagnóstico médico no sudoeste da Inglaterra. “Não vi nenhuma evidência que corrobore qualquer uma dessas alegações”, disse o premiê, embora tenha acrescentado que investigará as denúncias.

As acusações são a última bomba a cair no colo de Johnson, acusado pela oposição de mentir para o Parlamento sobre as festas organizadas na sede do governo, em Downing Street, durante o período de confinamento da pandemia.

Embora ele tenha se desculpado, na semana passada, Johnson negou ter infringido qualquer regra e pediu a todos que aguardassem as conclusões de uma investigação interna, conduzida pela funcionária de alto escalão Sue Gray, que pode ser publicada nos próximos dias.

Diversos conservadores, no entanto, já perderam a paciência com o premiê e se disseram dispostos a apoiar uma moção de censura. Mas, para que o processo siga adiante, 54 deputados do partido – 15% dos 360 parlamentares da bancada – precisam apoiar a medida. De acordo com estimativas da imprensa britânica, quase 60 já criticaram publicamente o premiê, mas apenas 30 demonstraram publicamente disposição em derrubá-lo.

Se sobreviver à moção de censura, Johnson estaria imune a uma nova votação pelos próximos 12 meses. No entanto, de acordo com o jornal Guardian, a liderança do Partido Conservador analisa uma mudança de regra para encurtar esse período para 6 meses.

No momento em que pesquisas dão ao Partido Trabalhista uma rara vantagem de mais de 10 pontos porcentuais, a deserção de Wakeford e as críticas de veteranos deputados conservadores assustaram alguns aliados de Johnson. Ontem, o secretário de Saúde, Sajid Javid, admitiu o desconforto com o pedido de renúncia feito por David Davis, ex-ministro do governo, na quarta-feira.

“Em nome de Deus, vá embora”, disse Davis ao premiê durante sessão do Parlamento. Javid reconheceu que o momento é delicado. “A declaração foi prejudicial, é claro. Preferia que ele não tivesse dito algo assim”, afirmou. “Mas o primeiro-ministro foi ao Parlamento e pediu desculpas.”

Medidas

Tentando recuperar apoio político, Johnson anunciou, na quarta-feira, o levantamento de várias restrições impostas na Inglaterra contra a variante Ômicron – cuja onda está diminuindo no país. De acordo com o premiê, o teletrabalho será flexibilizado e as máscaras não serão mais obrigatórias, assim como o passaporte sanitário para acesso a grandes eventos.

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Promovido por Biden, projeto de reforma eleitoral não avança no Senado

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Para impedir a votação do projeto, republicanos empregaram a regra da “obstrução”, que exige a cooperação de pelo menos 60 dos 100 membros do Senado

Reforma eleitoral proposta por Biden não avança no Senado dos EUA (CHIP SOMODEVILLA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images/AFP)

O projeto de reforma eleitoral promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, foi barrado de avançar no Senado nesta quarta-feira, 19. O objetivo da lei era defender o direito de voto para as minorias. Essa foi a quinta vez em menos de um ano que os republicanos bloqueiam a tentativa dos democratas em avançar com a pauta.

Para impedir a votação do projeto, republicanos empregaram a regra da “obstrução”, que exige a cooperação de pelo menos 60 dos 100 membros do Senado para manter os projetos de lei vivos. Atualmente, o Senado está dividido em 50 democratas e 50 republicanos. Sem senadores republicanos quebrando fileiras, os democratas não conseguiram ultrapassar o limite de 60 votos necessário para levar o projeto à votação.

O líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, um democrata, propôs reformular a regra de obstrução, reduzindo o limite de 60 votos para 50. Porém, dois democratas, os conservadores Joe Manchin e Kyrsten Sinema, votaram contra a mudança de regras.

Estados controlados pelos republicanos aprovaram projetos de lei que, segundo especialistas, foram projetados para suprimir o voto nas eleições federais, especialmente entre eleitores negros hispânicos e pobres. Democratas e ativistas pelos direitos do sufrágio defenderam o projeto de lei como uma resposta necessária aos esforços republicanos para restringir o voto.

“Eu sei que não é 1965. É isso que me deixa tão indignado. É 2022 e eles estão descaradamente removendo mais locais de votação de condados onde negros e latinos estão super-representados”, disse o democrata Cory Booker, de Nova Jersey, no Senado.

O projeto de lei de direitos de voto que foi aprovado pela Câmara, mas enterrado pelo Senado, teria estabelecido padrões mínimos de votação federal para que qualquer eleitor registrado pudesse solicitar uma cédula por correio. Também teria estabelecido pelo menos duas semanas de votação antecipada e expandido o uso de urnas que tornam a votação mais conveniente em muitas áreas.

A legislação dos democratas ainda tentava remover o partidarismo da forma como os distritos congressionais são redesenhados a cada década. Atualmente, o “gerrymandering” favorece o campo para qualquer partido que esteja no poder em vários estados.

“Estou profundamente desapontado que o Senado não tenha defendido nossa democracia. Estou desapontado, mas não dissuadido”, disse Biden no Twitter, após a votação. “Continuaremos avançando na legislação necessária e pressionando por mudanças nos procedimentos do Senado que protegerão o direito fundamental ao voto”, acrescentou.

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Banco central russo sugere proibição total de criptomoedas no país

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A fim de assegurar a manutenção das políticas monetárias nacionais, o banco central da Rússia sugere tornar ilegal o comércio, a mineração e o uso de criptomoedas no país

Investidores institucionais russos não devem ter permissão para investir em criptoativos (Sputnik/Alexei Druzhinin/Reuters)

A Rússia deve banir as criptomoedas, segundo o banco central do país em um relatório divulgado nesta quinta-feira, 20.

O relatório, “Criptomoedas: tendências, riscos, medidas”, foi apresentado durante uma entrevista coletiva online com Elizaveta Danilova, diretora do Departamento de Estabilidade Financeira do Banco da Rússia.

O relatório diz que as criptomoedas são voláteis e amplamente utilizadas em atividades ilegais, como fraudes. Ao oferecer uma saída para as pessoas retirarem seu dinheiro da economia nacional, elas correm o risco de prejudicá-la e dificultar o trabalho do regulador de manter políticas monetárias ideais, diz o relatório.

O relatório, “Criptomoedas: tendências, riscos, medidas”, foi apresentado durante uma entrevista coletiva online com Elizaveta Danilova, diretora do Departamento de Estabilidade Financeira do Banco da Rússia.

O relatório diz que as criptomoedas são voláteis e amplamente utilizadas em atividades ilegais, como fraudes. Ao oferecer uma saída para as pessoas retirarem seu dinheiro da economia nacional, elas correm o risco de prejudicá-la e dificultar o trabalho do regulador de manter políticas monetárias ideais, diz o relatório.

A mineração de criptomoedas, que cresceu na Rússia nos últimos anos e até ganhou alguns sinais de aprovação do parlamento do país no ano passado, também foi criticada.

A mineração cria uma nova oferta de criptomoedas, por isso estimula a demanda por outros serviços de criptomoedas como corretoras e “cria um gasto não produtivo de eletricidade, o que prejudica o fornecimento de energia a edifícios residenciais, infraestrutura social e objetos industriais, bem como a agenda ambiental da Federação Russa”, disse o relatório.

A “solução ideal” seria proibir a mineração de criptomoedas na Rússia, disse o regulador no relatório.

O banco central planeja monitorar as transações de criptomoedas por residentes russos e coordenar com os países onde as corretoras de criptomoedas estão registradas para obter informações sobre transações de usuários russos, diz o relatório.

O regulador acredita que, no futuro, o aprimoramento da infraestrutura bancária atual, bem como a implementação do rublo digital, uma moeda digital emitida por bancos centrais (CBDC) atualmente em andamento pelo Banco da Rússia, irá satisfazer a necessidade dos russos por opções de pagamento digital rápidas e baratas, efetivamente dando a eles as vantagens de cripto sem cripto.

Quanto ao apelo de investimento dos criptoativos, isso pode ser substituído pelos ativos digitais, que serão emitidos na Rússia sob a lei de ativos digitais, em vigor desde 2020, disse o Banco da Rússia.

Anteriormente, o Banco da Rússia disse que os russos realizam mais de 5 bilhões de dólares em transações de criptomoedas ao ano, mas não esclareceu como esse número foi calculado.

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