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Anvisa suspende a fabricação e venda de tônico capilar contra calvície

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Loção contra queda de cabelo foi suspensa por não cumprir com o que é prometido no rótulo, segundo a entidade

Ao contrário do que afirma rótulo, loção não estimula crescimento capilar, segundo Anvisa (Foto: Luciano Munhoz/SAÚDE é Vital)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a fabricação, distribuição, divulgação, comercialização e o uso do produto Sanctio Tônico Capilar, da marca brasileira Yeva Cosmetiques. Estamos falando de uma loção contra queda de cabelo e calvície produzida pela Laccos Indústria de Cosméticos Ltda.

A suspensão ocorreu devido à fabricação e venda do tônico estarem em desacordo com o registro da Anvisa. O cosmético, que promete reduzir e prevenir a queda dos fios, contém em seu rótulo a frase “Estimula o crescimento capilar”. Porém, após análise em testes de eficácia, foi constatado que ele não cumpre essa função, segundo a entidade.

A notificação determina que a empresa recolha o estoque existente no mercado. A orientação do órgão é de que os consumidores entrem imediatamente em contato com o serviço de atendimento ao cliente da marca e do fabricante para que sejam instruídos a respeito da retirada e substituição dos produtos.

SAÚDE entrou em contato com a Yeva para ouvir o posicionamento da marca, mas ainda não tivemos resposta. Fonte: Saúde

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Dosagem 90% eficaz de vacina de Oxford foi erro; AstraZeneca admite

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Administração de meia dose inicial foi erro, segundo farmacêutica; forma de administração da vacina gerou dúvidas entre analistas e na comunidade científica

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Instituto Estáter: estratégia de isolamento é ineficaz contra covid

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Com equipe dedicada à coleta e organização de dados globais, Pércio de Souza diz ser urgente apostar em campanhas de conscientização

Coronavírus: como aposta de médio e longo prazo, isolamento não resolve e tem efeito perverso, para instituto (Getty Images/Getty Images)

O estranho ano de 2020 está perto de terminar e tudo indica que a covid-19 será a 3ª doença mais letal no Brasil. Deve representar 13% das mortes. Nesse momento, são 170 mil mortos pelo vírus. Nessa triste estatística, as doenças cardiovasculares são as mais mortais, com 388 mil óbitos, seguidas do câncer, que já provocou o falecimento de 245 mil pessoas até agora. Sempre que os dados sobre a covid-19 mostram piora no contágio, aumenta a perspectiva da quarentena, do lockdown. Ficou consolidado na cabeça das pessoas — não só aqui, mundo afora — que essa é a forma de combate ao vírus.

Só que quem olha os dados de perto tem tranquilidade em afirmar que o isolamento e a redução forçada da mobilidade da população não são e não deveriam ser encaradas como uma saída definitiva contra a pandemia. Muito menos, a única. Ao contrário, os dados mostram que pode provocar o efeito pêndulo que tem levado países poupados inicialmente pela infecção, fruto de um lockdown precoce, a serem assolados no momento da flexibilização.

“A politização e interferência de debates ideológicos têm impedido uma avaliação pragmática da melhor forma de enfrentar a infecção. Esta radicalização tem levado a análises simplistas onde se isola a variável ‘lockdown contra SARS-CoV-2’ e se despreza as outras variáveis da equação”, comenta Pércio de Souza, empresário, sócio-fundador da boutique de fusões e aquisições Estáter e presidente do Instituto Estáter, que tem uma equipe dedicada ao assunto desde março deste ano.

O pior de tudo, para ele, é que esse contexto impede uma análise crítica em busca da resposta para a pergunta: isso está mesmo funcionando? “Isso para não destacar que estão quase que impedidas as considerações sobre o impacto nas outras áreas da saúde, nas crianças vulneráveis que perderam escola, efeitos psicológicos e as consequências na economia real.”

Sem conseguir perceber se a estratégia é ou não eficaz, governos e sociedade civil, de forma geral, não trabalham naquilo que, para Pércio, deveria ser a grande questão: campanhas de informação e conscientização. Não se trata, pura e simplesmente, de evitar o lockdown, mas de abordar suas falhas e atacar os problemas.

A análise dos dados da evolução pandêmica, tanto no Brasil como no exterior, demonstra que países e regiões que foram bem-sucedidos pelo lockdown precoce no início do ano estão agora entre os que mais têm sofrido neste segundo semestre. “A falsa sensação de dever cumprido pelo isolamento é seguida de um relaxamento crescente que leva a descuidos e a intensificação da infecção. Estudos recentes mostram que a conscientização e informação são mais importantes para a prevenção do que o isolamento. E isto está faltando”.

O lockdown foi adotado inicialmente como ferramenta para controle da velocidade de disseminação da doença, com objetivo de evitar sobrecarga do sistema de saúde, lembra Pércio. Mas, com o transcorrer do tempo, passou a ser encarado como “única alternativa”, quando na verdade não tem provado ser.

Sem conseguir perceber se a estratégia é ou não eficaz, governos e sociedade civil, de forma geral, não trabalham naquilo que, para Pércio, deveria ser a grande questão: campanhas de informação e conscientização. Não se trata, pura e simplesmente, de evitar o lockdown, mas de abordar suas falhas e atacar os problemas.

A análise dos dados da evolução pandêmica, tanto no Brasil como no exterior, demonstra que países e regiões que foram bem-sucedidos pelo lockdown precoce no início do ano estão agora entre os que mais têm sofrido neste segundo semestre. “A falsa sensação de dever cumprido pelo isolamento é seguida de um relaxamento crescente que leva a descuidos e a intensificação da infecção. Estudos recentes mostram que a conscientização e informação são mais importantes para a prevenção do que o isolamento. E isto está faltando”.

O lockdown foi adotado inicialmente como ferramenta para controle da velocidade de disseminação da doença, com objetivo de evitar sobrecarga do sistema de saúde, lembra Pércio. Mas, com o transcorrer do tempo, passou a ser encarado como “única alternativa”, quando na verdade não tem provado ser.

Neste trabalho, comparou-se as regiões mais e menos afetadas em diversos países no 1º semestre com a situação atual. Com isso, a dinâmica do atraso na curva do contágio fica evidente na comparação entre países e também dentro deles, com dados detalhados. Na Itália, por exemplo, onde a situação foi dramática na região Norte em abril (como Lombardia e Emilia Romana), os óbitos por semana nesse momento estão em patamar equivalente a 45% do pico. Já no Sul, nas localidades menos afetadas no primeiro semestre, os falecimentos semanais estão em 230% do seu pico no 1º semestre. Na Espanha, onde a curva já está arrefecendo, essa fotografia se repete. Nas províncias de Madri e Catalunha que lideraram as infecções no início do ano, o pico dos óbitos semanais ficaram por volta de 30% do pico anterior.

“O que se vê em todos os países é que as regiões que foram menos afetadas no início do ano, protegidas pela estratégia do lockdown, agora estão passando por disseminação mais intensa do vírus pela abertura e liberação das atividades”.

É possível ver isso na Europa, mas há exemplos vizinhos também. Na Argentina, que fez um lockdown severo no início do ano, em 6 de julho o número de óbitos acumulados por milhão de habitantes estava em 35, enquanto o Brasil estava em 313. Agora, o país de origem do craque Messi passou o Brasil nesse indicador: está até dia 23 de novembro com 840 mortos por milhão de habitantes, enquanto o Brasil aparece com 810.

Na Europa, a República Tcheca também foi objeto de lockdown rígido e o retrato traz a mesma informação. Em julho, enquanto o consolidado europeu era de 440 falecimentos a cada milhão de habitantes, o do país sustentou um acumulado de 30 a cada milhão de pessoas. O que houve a partir do 2º semestre? O número disparou e agora está acima da média europeia que subiu para 660 até 23 de novembro. Padrão semelhante aconteceu nos estados americanos como Texas, Florida, Califórnia, entre outros, que viram os números crescerem substancialmente após o relaxamento no final de junho.

Estes exemplos são o que Pércio chama de efeito pêndulo. Ele defende uma campanha constante de conscientização como arma para controle da pandemia. Além de mais barata, na opinião dele, teria mais chances de evitar os picos e ser a estratégia mais adequada para o achatamento da curva — e ainda tende a ter efeitos colaterais muito menores do que o lockdown. “Esta campanha é urgente, porque seguindo o padrão do que está ocorrendo lá foram deveremos ver uma intensificação da contaminação também no Brasil”, diz ele.

Quando questionado se o que defende é a imunidade de rebanho, Pércio é enfático. “Não se trata disso.” Para ele, a grande questão é que o controle da curva gerado pelo lockdown acabou perdido — restaram apenas os efeitos colaterais. Quando a situação finalmente é colocada sob controle, pela falta de campanhas de conscientização que levam a uma conduta despreocupada da população, a consequência do isolamento é perversa.

Raiz do problema

O Instituto Estáter tem liderado campanhas, principalmente de informação e acompanhamento de grupos de risco na população vulnerável, desde o início da pandemia. Pércio aponta que embora os protocolos hospitalares e tratamento tenham evoluído substancialmente, ainda há um problema que se mantém: mortes pela hipóxia silenciosa que levam pacientes a óbitos sem sequer passarem pelas UTIs. Na Espanha e Itália onde consegue-se acompanhar nível de hospitalizações e óbitos semanalmente, pouco se evoluiu neste quesito — seguem acima de 80%.

O problema é também complexo no Brasil pelo grande peso das populações vulneráveis que têm mais dificuldade de atendimento nos hospitais. O Instituto, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Infectologistas (SBI), promoveu a campanha Alert(ar) que apoia a atenção básica de municípios brasileiros em um programa para conscientizar esses grupos de riscos da população vulnerável e organizar a oximetria proativa para evitar mortes sem assistência decorrentes da hipóxia. O trabalho tem mostrado resultados  nas regiões nas quais tem sido aplicado. A SBI está realizando os primeiros estudos sobre esse desempenho.

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Covid-19 pode causar problema pulmonar grave, diz estudo brasileiro

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A fibrose pulmonar é uma doença respiratória crônica que torna os tecidos pulmonares espessos e rígidos, como se eles fossem cobertos por cicatrizes

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Rússia diz que vacina contra covid-19 teve eficácia de 95% após 2º dose

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Os dados da vacina Sputnik V ainda são preliminares e não foram publicados em revista científica

A Rússia também informou que vai cobrar menos por sua vacina Sputnik V do que suas rivais (Tatyana Makeyeva/Reuters)

A Rússia afirmou nesta terça-feira, 24, que sua vacina Sputnik V contra a covid-19, desenvolvida pelo Centro de Pesquisas Gamaleya de Moscou, tem eficácia de 95%.’

Estes são resultados preliminares obtidos com voluntários 42 dias após a aplicação da primeira dose, indicam em um comunicado conjunto o centro Gamaleya, o ministério russo da Saúde e o Fundo Soberano russo envolvido no desenvolvimento da vacina. A pesquisa não foi publicada em nenhuma revista científica.

O comunicado, porém, não explica quantos casos foram usados nos cálculos.

“O preço de uma dose da Sputnik V no mercado internacional será inferior a 10 dólares”, anunciou em um comunicado separado o Fundo Soberano russo, enquanto para os cidadãos russos a vacina será gratuita.

A Sputnik V está atualmente na fase 3 de testes clínicos randomizados com duplo-cego, com quase 40.000 voluntários.

Elogiada pelo presidente Vladimir Putin, a Rússia pouco explicou a documentação científica para a vacina, mas seus criadores reiteraram nesta terça-feira que os dados da pesquisa serão publicados em breve “em uma das principais revistas médicas do mundo e revisados por seus pares”.

Trata-se de uma vacina de “vetor viral”, que utiliza duas injeções de dois adenovírus (um tipo de vírus muito comum, que provoca resfriados, por exemplo) modificados com uma parte do vírus responsável pela covid-19.

Quando o adenovírus modificado penetra nas células das pessoas vacinadas, estas produzem uma proteína típica do SARS-CoV-2, o que permite ao sistema imunológico reconhecer o vírus e combatê-lo, de acordo com o centro Gamaleya.

A concorrência é intensa para desenvolver uma vacina que freie a pandemia de coronavírus que afeta o mundo desde o início do ano.

O grupo farmacêutico britânico AstraZeneca e a Universidade de Oxford publicaram na segunda-feira que sua vacina tem eficácia média de 70%.

A vacina desenvolvida pela americana Pfizer e alemã BioNTech tem eficácia de 95%, segundo os resultados completos do teste clínico em larga escala, anunciados na semana passada. A empresa americana Moderna anunciou resultados similares (94,5% de eficácia).

A Rússia está disposta a lutar pela liderança na corrida pela vacina e, já em agosto (antes mesmo dos testes clínicos em larga escala), anunciou que a Sputnik V era muito eficaz, o que provocou dúvidas da comunidade científica internacional.

Quão eficaz uma vacina precisa ser?

Segundo uma pesquisa publicada no jornal científico American Journal of Preventive Medicine uma vacina precisa ter 80% de eficácia para colocar um ponto final à pandemia. Para evitar que outras aconteçam, a prevenção precisa ser 70% eficaz.

Uma vacina com uma taxa de eficácia menor, de 60% a 80% pode, inclusive, reduzir a necessidade por outras medidas para evitar a transmissão do vírus, como o distanciamento social. Mas não é tão simples assim.

Isso porque a eficácia de uma vacina é diretamente proporcional à quantidade de pessoas que a tomam, ou seja, se 75% da população for vacinada, a proteção precisa ser 70% capaz de prevenir uma infecção para evitar futuras pandemias e 80% eficaz para acabar com o surto de uma doença.

As perspectivas mudam se apenas 60% das pessoas receberem a vacinação, e a eficácia precisa ser de 100% para conseguir acabar com uma pandemia que já estiver acontecendo — como a da covid-19.

Isso indica que a vida pode não voltar ao “normal” assim que, finalmente, uma vacina passar por todas as fases de testes clínicos e for aprovada e pode demorar até que 75% da população mundial esteja vacinada.

 

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Quem já foi infectado pela covid-19 tomará a vacina?

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A resposta pode estar na observação de comportamentos de outras vacinas e nos dados observados até o momento

Covid-19: quem já teve a doença precisará tomar a vacina? (melitas/)

Diversas vacinas contra o novo coronavírus apresentaram bons resultados nesta semana. Em caso de aprovação, é claro que as doses alcançarão a população — a começar pelos profissionais de saúde, idosos, crianças, grávidas, puérperas, indígenas, professores, doentes crônicos, entre outros, e, no final, chegará ao restante dos cidadãos. Mas a pergunta que não quer calar é: quem já foi infectado pela covid-19 vai precisar tomar a vacina?

A resposta pode estar na observação de comportamentos de outras vacinas. Quando uma pessoa já contraiu o sarampo, ela não precisa ser imunizada contra a doença pois seu corpo já foi capaz, por si só, de criar uma imunidade em relação ao vírus — que não sofre mutações. O mesmo não é verdade para a gripe, por exemplo, que necessita de doses anuais, uma vez que o vírus Influenza é capaz de passar por várias mutações ao longo do tempo.

Ainda não se sabe se o mesmo é verdade em relação à covid-19. Até o momento, o vírus não apresentou mutações em suas cepas para indicar que diversas vacinas com variações infinitas serão necessárias para atacar cada uma das mutações. A duração dos anticorpos do novo coronavírus também não é clara, pelo fato de a doença ainda ser relativamente nova. Alguns estudos apontam que a imunidade à covid-19 pode durar anos, enquanto outros acreditam que eles desaparecem rapidamente após a infecção.

Para a pesquisadora Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), ainda é muito cedo para tentar adivinhar se quem já foi infectado precisará ou não tomar uma dose da vacina quando for aprovada. “Qualquer resposta sobre isso será opinião e não baseado em dados . Muitos protocolos de vacina foram feitos sem excluir a presença de anticorpos para vacinar os voluntários. Este tipo de análise deve ser investigada nesses estudos, e aí sim teremos uma resposta baseada em dados”, afirma.

Jorge Kalil, diretor do laboratório de imunologia do Incor, discorda de Sabino e acredita que “quem esteve doente já está protegido”. “Casos de reinfecção são raros. Não se sabe se estão protegidos por tempo limitado. Somente a observação científica nos dirá. Assim, quem ficou doente, não precisa tomar a vacina. Mas, se tomar, não haverá problema”, diz.

O que se sabe é que farmacêuticas como a Moderna e a Sanofi não aceitaram pessoas que já haviam contraído o SARS-CoV-2 para participar da fase de testes clínicos de suas vacinas, uma vez que os dados poderiam aparecer alterados de alguma forma. A Novavax, por sua vez, não aceitou nenhum voluntário que havia sido exposto ao vírus.

A resposta para a pergunta feita no início da reportagem, então, não é nem um pouco simples. E como muitas coisas da vida humana, só o tempo dirá.

As vacinas e as boas notícias

Nesta quarta-feira, a vacina desenvolvida pela farmacêutica Pfizer em parceria com a alemã BioNTech apresentou uma eficácia de 95% em testes de fase 3. Segundo a companhia, a taxa de eficácia tem como base 170 casos de covid-19 que foram observados no estudo, sendo que 162 pessoas infectadas estavam recebendo doses de placebo e não da vacina. O resultado, segundo a Pfizer, foi similar em indivíduos apesar de sua faixa etária, raça ou etnia.

O novo resultado traz ainda mais esperança para acabar com uma pandemia que já matou mais de 1,3 milhão de pessoas no mundo todo. A Moderna afirmou nesta segunda-feira, que sua vacina foi capaz de reduzir as infecções em 94,5%. Se em alguns casos ambas as vacinas forem tomadas em conjunto, as chances de uma proteção mais eficaz podem aumentar ainda mais.

Outro estudo publicado na The Lancet apontou que a Coronavac, também testada no Brasil, é segura e foi capaz de criar anticorpos em 97% de 700 voluntários que participaram da fase de testes 1 e 2 na China.

Quem terá prioridade para tomar a vacina?

Nenhuma vacina contra a covid-19 foi aprovada ainda, mas os países estão correndo para entender melhor qual será a ordem de prioridade para a população uma vez que a proteção chegar ao mercado. Um grupo de especialistas nos Estados Unidos, por exemplo, divulgou em setembro uma lista de recomendações que podem dar uma luz a como deve acontecer a campanha de vacinação.

Segundo o relatório dos especialistas americanos (ainda em rascunho), na primeira fase deverão ser vacinados profissionais de alto risco na área da saúde, socorristas, depois pessoas de todas as idades com problemas prévios de saúde e condições que as coloquem em alto risco e idosos que morem em locais lotados.

Na segunda fase, a vacinação deve ocorrer em trabalhadores essenciais com alto risco de exposição à doença, professores e demais profissionais da área de educação, pessoas com doenças prévias de risco médio, adultos mais velhos não inclusos na primeira fase, pessoas em situação de rua que passam as noites em abrigos, indivíduos em prisões e profissionais que atuam nas áreas.

A terceira fase deve ter como foco jovens, crianças e trabalhadores essenciais que não foram incluídos nas duas primeiras. É somente na quarta e última fase que toda a população será vacinada.

Em entrevista ao MIT Technology Review, o epidemiologista Marc Lipsitch, de Harvard, afirmou que faz mais sentido vacinar os mais velhos primeiro, a fim de evitar mais mortes, e depois seguir em frente para outros grupos mais saudáveis ou para a população geral.

Um estudo realizado em setembro deste ano, por exemplo, fez um modelo de como a covid-19 poderia se espalhar em seis países — Estados Unidos, Índia, Espanha, Zimbábue, Brasil e Bélgica — concluiu que, se o objetivo é reduzir as taxas de mortalidade, adultos com mais de 60 anos devem ser priorizados na hora da vacinação.

Quão eficaz uma vacina precisa ser?

Segundo uma pesquisa publicada no jornal científico American Journal of Preventive Medicine uma vacina precisa ter 80% de eficácia para colocar um ponto final à pandemia. Para evitar que outras aconteçam, a prevenção precisa ser 70% eficaz.

Uma vacina com uma taxa de eficácia menor, de 60% a 80% pode, inclusive, reduzir a necessidade por outras medidas para evitar a transmissão do vírus, como o distanciamento social. Mas não é tão simples assim.

Isso porque a eficácia de uma vacina é diretamente proporcional à quantidade de pessoas que a tomam, ou seja, se 75% da população for vacinada, a proteção precisa ser 70% capaz de prevenir uma infecção para evitar futuras pandemias e 80% eficaz para acabar com o surto de uma doença.

As perspectivas mudam se apenas 60% das pessoas receberem a vacinação, e a eficácia precisa ser de 100% para conseguir acabar com uma pandemia que já estiver acontecendo — como a da covid-19.

Isso indica que a vida pode não voltar ao “normal” assim que, finalmente, uma vacina passar por todas as fases de testes clínicos e for aprovada e pode demorar até que 75% da população mundial esteja vacinada.

 

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Coronavírus sofre 66 mutações em homem imunodeprimido infectado 3 vezes

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Cientistas apontam que medicamentos que homem tomava suprimiam ainda mais a sua imunidade, o que pode tê-lo levado à morte

Coronavírus: doença já matou mais de 1,3 milhão de pessoas (Getty Images/Getty Images)

Aos 45 anos, um homem foi infectado pelo novo coronavírus três vezes neste ano e faleceu devido a complicações agravadas por doenças prévias que ele possuía. O paciente tomava medicamentos imunossupressores, comumente utilizados para a prevenção de rejeição de órgãos transplantados e no tratamento de doenças autoimunes.

A primeira vez em que ele foi diagnosticado com covid-19, usando o teste PCR (tido como o mais eficaz para constatar a doença), o tratamento passado para ele foi cinco dias do anti-inflamatório remdesivir e distanciamento social. O medicamento, desenvolvido pela biofarmacêutica Gilead Sciences, tem apresentado bons resultados contra o vírus e foi aprovado recentemente para uso emergencial.

No sexto dia, ele foi liberado do hospital e até o 68º dia de seu quadro, se manteve em quarentena. No entanto, apesar deste período, ele foi hospitalizado três vezes por dores abdominais e uma vez por fadiga e falta de ar.

O quadro era ainda mais complicado uma vez que o rapaz sofria da síndrome autoimune antifosfolipídica (SAF), na qual o próprio sistema imunológico luta contra as proteínas do sangue, causando coágulos — já comprovadamente um ponto chave para a gravidade dos quadros de SARS-CoV-2.

Segundo um estudo publicado na última semana, realizado pelas universidades de Harvard, pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts e um hospital localizado em Boston, após as admissões hospitalares contínuas, houve uma complicação causada por hipoxemia (baixo nível de oxigênio no sangue), o que “causou uma preocupação para hemorragia alveolar difusa recorrente”, tipo de hemorragia causada no pulmão de um paciente. O tratamento administrado, então, foi feito com doses aumentadas de glicocorticóides, medicamentos esteróides que se ligam ao receptor de cortisol.

O paciente, no 39º dia de sofrimento pela doença, é considerado livre da covid-19 de uma vez por todas. Mas no 72º dia, enquanto internado pela hipoxemia, apesar do teste negativado, a situação não melhorava. O tratamento administrado desta vez envolveu dez dias de remdesivir e, após esse período, não parecia haver mais um caso de reinfecção por covid-19.

Mas o período sem efeitos colaterais não durou muito. No 105º dia após a primeira admissão médica, o paciente apresentou um quadro de celulite infecciosa, uma infecção de pele potencialmente grave. Seis dias depois, a hipoxemia também voltou, o que fez com que o tratamento passasse a envolver níveis baixos de oxigênio. O medo de hemorragia alveolar continuava e a imunosupressão do paciente escalava.

No 128º dia, outro teste de PCR indicou a segunda recorrência de covid-19 — o tratamento usado, novamente, foi o de cinco dias com remdesivir. Em um novo teste, o resultado foi negativo, mas a respiração do paciente não era recuperada e o risco de hemorragia fez com que ele fosse tratado, também, com imunoglobulina, ciclofosfamida de forma intravenosa, doses diárias de ruxolitinib (medicamento voltado para mielofibrose), ainda utilizando, também os glicocorticoides.

No 143º dia após a primeira aparição dos sintomas, o PCR indicou uma terceira infecção pelo SARS-CoV-2. Dessa vez, o paciente recebeu um coquetel de anticorpos contra a espícula do vírus, o Regeneron, usado pelo atual presidente americano Donald Trump durante sua infecção pelo vírus.

Há apenas três meses, a Regeneron divulgou o resultado, à época ainda não revisados por pares, de que o medicamento funcionava em animais, tendo sido bem sucedido nos testes em macacos e hamsters, acrescentando que espera que o medicamento possa funcionar em humanos. Semanas depois, a empresa fechou uma parceria com a Roche, para fabricação e distribuição do farmáco. Nada sobre ele ainda aponta uma eficácia de 100% no tratamento da doença.

No 150º dia, o homem teve de ser entubado, novamente pelo quadro de hipoxemia. Uma amostra de lavagem broncoalveolar (método de diagnóstico do sistema respiratório) realizada no dia seguinte revelou um valor alto no PCR do paciente e uma presença crescente do fungo  aspergillus fumigatus, bastante comum em ambientes hospitalares. Para tratar todos os problemas, ele voltou a receber o remdesivir e a tomar antifúgicos. Quatro dias depois, o homem faleceu de “choque e insuficiência respiratória”.

O quadro apenas confirma a necessidade de saber o histórico prévio dos pacientes e indica ainda mais que, apesar da idade, diversos fatores podem contribuir para quadros fatais da covid-19. Por conta de sua doença autoimune, como citado acima, o paciente já tomava uma série de remédios, como anticoagulantes, corticoides e imunossupressores. A resposta do seu corpo ao vírus pode ter sido profundamente afetada pela quantidade de medicamentos que ele tomava antes de contrair a doença. Com o sistema imunológico já extremamente comprometido, o SARS-CoV-2 foi fatal.

Durante as três infecções do homem, foram encontradas 66 mutações da covid-19 em seu corpo, além de uma evolução viral acelerada. Mudanças nos aminoácidos foram vistas predominantemente nas espículas do vírus, responsáveis por se prenderem no corpo humano durante uma infecção, e que representam cerca de 13% e 2% do genoma viral, mas, nas mudanças observadas, os valores aumentaram para 57% e 38%.

As amostras do vírus coletadas em quatro momentos da infecção do homem mostram que o paciente permaneceu infectado pela mesma cepa do vírus durante todo o processo e o que aconteceu foi que, dentro de seu próprio corpo, o vírus passou por mutações severas e rápidas. Isso não significa que o mesmo acontecerá em toda e qualquer pessoa que for infectada pelo coronavírus.

Os cientistas afirmam no estudo que o caso “enfatiza o potencial de infecções persistentes e de evolução viral acelerada em estados imunocomprometidos”. O caso, entretanto, é extremamente raro e não deve ser levado como um padrão para a covid-19.

Os fatores de risco

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o grupo de risco para a covid-19 é composto de pessoas com mais de 60 anos, com condições prévias de saúde (como diabetes, problemas do coração ou respiratórios).

Um estudo feito por pesquisadores chineses e americanos feito em abril deste ano mostrou que dos 85 voluntários estudados, 72,9% eram homens e tinham idade média de 65,8 anos — o que vai ao encontro do grupo de risco apontado pela OMS.

Com o sistema imunológico já extremamente comprometido, o SARS-CoV-2 foi fatal para o paciente.

Uma explicação para que esse seja o grupo de risco é que, quanto mais velhos, mais enzimas conversoras da angiotensina 2 (ECA2) são produzidas — adultos, por exemplo, produzem mais enzimas do tipo, que podem facilitar a entrada do coronavírus no corpo humano.

Isso não significa, no entanto, que pessoas jovens não podem desenvolver quadros severos da doença. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde no final de março, a maioria das internações de pacientes com a covid-19 ocorreu com pessoas com idades entre 30 e 80 anos.

Trombose, coágulos e covid-19

Há duas semanas, um estudo realizado pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, traçou uma relação entre a trombose e os casos de coronavírus no mundo. Feito com 172 voluntários, o estudo mostrou que pelo menos metade deles estava desenvolvendo anticorpos capazes de provocar a trombose.

No Brasil, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto registraram que  pacientes internados com a forma grave do vírus tiveram a formação de coágulos em pequenos vasos existentes embaixo da língua.

A descoberta, feita em julho, reforçou a teoria de que distúrbios de coagulação sanguínea resultantes de uma resposta inflamatória exacerbada ao SARS-CoV-2 estariam na base dos sintomas mais severos da doença — entre eles insuficiência respiratória e fibrose pulmonar.

A teoria começou a ganhar força em abril, quando pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP em São Paulo encontraram, durante a autópsia de pessoas que morreram em decorrência da covid-19, microtrombos nos vasos mais finos que irrigam o pulmão.

A doença autoimune do paciente pode ter sido um grande fator para a piora em seu quadro e pela falta de uma resposta imunológica forte o suficiente para parar a replicação do vírus.

Isso muda alguma coisa em relação às vacinas?

Não. Ainda continuamos a viver em uma pandemia que matou mais de 1,3 milhão de pessoas e os testes clínicos para vacinas e tratamentos experimentais continuam acontecendo.

A única forma de evitar a doença, atualmente, é ainda pelo uso de máscaras e pelo distanciamento social, além de evitar aglomerações, reuniões e contato com pessoas fora do seu “círculo de quarentena”.

Somente nesta semana, vimos bons resultados em duas das vacinas mais promissoras contra o vírus. A Moderna anunciou nesta segunda que a proteção tem uma eficácia de 94,5%, enquanto a Pfizer, em parceria com a BioNTech, divulgou um resultado final (ainda não publicado em revista científica) de que a sua imunização é 95% eficaz.

A CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês SinoVac, também aumentou o otimismo após um outubro repleto de más notícias. Segundo um estudo publicado na The Lancet, a CoronaVac é segura e foi capaz de criar anticorpos em 97% de 700 voluntários que participaram da fase de testes 1 e 2 na China.

Quem terá prioridade para tomar a vacina?

Nenhuma vacina contra a covid-19 foi aprovada ainda, mas os países estão correndo para entender melhor qual será a ordem de prioridade para a população uma vez que a proteção chegar ao mercado. Um grupo de especialistas nos Estados Unidos, por exemplo, divulgou em setembro uma lista de recomendações que podem dar uma luz a como deve acontecer a campanha de vacinação.

Segundo o relatório dos especialistas americanos (ainda em rascunho), na primeira fase deverão ser vacinados profissionais de alto risco na área da saúde, socorristas, depois pessoas de todas as idades com problemas prévios de saúde e condições que as coloquem em alto risco e idosos que morem em locais lotados.

Na segunda fase, a vacinação deve ocorrer em trabalhadores essenciais com alto risco de exposição à doença, professores e demais profissionais da área de educação, pessoas com doenças prévias de risco médio, adultos mais velhos não inclusos na primeira fase, pessoas em situação de rua que passam as noites em abrigos, indivíduos em prisões e profissionais que atuam nas áreas.

A terceira fase deve ter como foco jovens, crianças e trabalhadores essenciais que não foram incluídos nas duas primeiras. É somente na quarta e última fase que toda a população será vacinada.

Quão eficaz uma vacina precisa ser?

Segundo uma pesquisa publicada no jornal científico American Journal of Preventive Medicine uma vacina precisa ter 80% de eficácia para colocar um ponto final à pandemia. Para evitar que outras aconteçam, a prevenção precisa ser 70% eficaz.

A única forma de evitar a doença, atualmente, é ainda pelo uso de máscaras e pelo distanciamento social, além de evitar aglomerações, reuniões e contato com pessoas fora do seu “círculo de quarentena”.

Uma vacina com uma taxa de eficácia menor, de 60% a 80% pode, inclusive, reduzir a necessidade por outras medidas para evitar a transmissão do vírus, como o distanciamento social. Mas não é tão simples assim.

Isso porque a eficácia de uma vacina é diretamente proporcional à quantidade de pessoas que a tomam, ou seja, se 75% da população for vacinada, a proteção precisa ser 70% capaz de prevenir uma infecção para evitar futuras pandemias e 80% eficaz para acabar com o surto de uma doença.

As perspectivas mudam se apenas 60% das pessoas receberem a vacinação, e a eficácia precisa ser de 100% para conseguir acabar com uma pandemia que já estiver acontecendo — como a da covid-19.

Isso indica que a vida pode não voltar ao “normal” assim que, finalmente, uma vacina passar por todas as fases de testes clínicos e for aprovada e pode demorar até que 75% da população mundial esteja vacinada.

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sábado, 28 de novembro de 2020

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