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sábado, 29/11/2025

Anistia é condição para acabar com tarifaço, afirma Eduardo após fala de Tarcísio

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RICARDO DELLA COLETTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou nesta sexta-feira (11) que qualquer negociação sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil depende de uma “anistia ampla, geral e irrestrita”.

O comentário foi feito no X (ex-Twitter) logo após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ter se reunido com o chefe da embaixada americana em Brasília, Gabriel Escobar.

Tarcísio é um possível candidato à Presidência da República em 2026 pelo grupo ligado a Bolsonaro, que está inelegível até 2030 e deve ser julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no processo relacionado à tentativa de golpe. Se for condenado, Bolsonaro pode receber até 40 anos de prisão.

Também nesta sexta-feira, Donald Trump afirmou que não pretende conversar agora com o presidente Lula (PT) sobre as sobretaxas, mas pode considerar diálogo em outro momento.

Eduardo Bolsonaro ressaltou que qualquer acordo sem o Brasil dar um passo em direção à democracia será um acordo injusto, pois essa tentativa já foi feita muitas vezes e os americanos conhecem essa história.

Ele acrescentou que suspender as sobretaxas agora, chamadas por ele de Tarifa-Moraes, poderia levar a uma eleição sem oposição em 2026 e à prisão perpétua de Bolsonaro, defendendo que a ação forte de Trump foi a única forma de preservar a liberdade nos últimos anos, diferentemente de censura, prisões e regulações das redes sociais vistas anteriormente.

Eduardo concluiu dizendo que não é possível pedir ao presidente Trump ou a qualquer autoridade internacional séria para tratar o Brasil, que ele considera uma ditadura, como uma democracia. Portanto, é preciso uma anistia ampla para começar um diálogo, caso contrário, será a “Brazuela”.

Depois de se licenciar como deputado, Eduardo mudou-se para os Estados Unidos para trabalhar pela imposição de sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e contra o governo Lula.

Essa declaração nas redes sociais aconteceu logo após o encontro de Tarcísio com Escobar, quando o governador defendeu a negociação com os americanos.

Tarcísio afirmou: “Vamos abrir diálogo com as empresas paulistas, baseados em dados e argumentos bem fundamentados, para encontrar soluções eficazes. É fundamental negociar, narrativas não resolverão o problema. A responsabilidade é de quem governa.”

Aliados do governador indicam que ele deseja se posicionar como um mediador possível. Escobar é o responsável pelos assuntos da missão dos EUA no Brasil, que está sem embaixador desde o começo da gestão Trump.

O governo Lula associa as consequências econômicas do tarifaço à oposição, incluindo Tarcísio, que é aliado de Bolsonaro.

O aumento das tarifas ao Brasil imposto por Trump expôs o dilema político de Tarcísio, que tenta se equilibrar entre a lealdade a Bolsonaro e o respeito à Justiça e à democracia.

Segundo avaliações de líderes partidários, deputados e membros da equipe do governador, a imagem de Tarcísio entre os apoiadores de Bolsonaro pode ser prejudicada se ele não apoiar as medidas de Trump nem encarar as tarifas como consequência da perseguição antidemocrática a Bolsonaro.

Por outro lado, se apoiar as barreiras comerciais impostas pelos EUA, ele poderá perder apoio do mercado financeiro, do setor agropecuário e de eleitores fora da base bolsonarista.

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