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Amazônia se transforma em savana mais lentamente do que o previsto, diz pesquisa

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Floresta responde ao clima regional mais seco de maneira gradual e heterogênea

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A Amazônia está se transformando em uma savana de maneira transitória e mais lenta do que o previsto por acadêmicos. É o que aponta o estudo “Ecosystem heterogeneity determines the ecological resilience of the Amazon to climate change” (“A heterogeneidade do ecossistema determina a resistência da Amazônia às mudanças climáticas”, na tradução livre), publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

 

De acordo com a publicação, liderada por Naomi Levine, do departamento de Biologia da Universidade de Harvard, mesmo sendo extremamente importante no planeta, a sensibilidade do clima amazônico permanece incerta aos acadêmicos; enquanto alguns acreditam em uma repentina mudança, como odieback (uma doença que causa a morte das partes periféricas das árvores, sendo uma das principais causadoras de mudanças climáticas), outros creem que o bioma da região não só permanecerá intacto, como poderá crescer.

A análise chefiada por Levine sugere outra possível direção nas pesquisas: “Especificamente, nossa análise sugere que, ao contrário das previsões existentes, tanto de estabilidade (do ecossistema) ou perda catastrófica de biomassa, a Floresta Amazônica responde imediatamente ao clima regional mais seco, mas de maneira gradual e heterogênea”, explica o texto.

Neste sentido, ecossistemas como os da Floresta Amazônica demonstraram ser mais sensíveis a mudanças climáticas do que se previa nos estudos mais tradicionais, mas ao avaliar a resposta individual das plantas da região a um entorno mais seco, a conclusão foi de que as transições de uma floresta úmida com alta concentração de biomassa para uma floresta seca, similar à savana, são contínuas, e não repentinas – mesmo em um ecossistema mais sensível. Deve-se lembrar, no entanto, que o desmatamento e outras ações humanas podem acelerar este processo.

Metodologia – Para chegar aos resultados do estudo, os pesquisadores analisaram dados referentes às plantas individualmente, confrontando a metodologia adotada por modelos que estimavam os efeitos do clima mais seco em todo o ecossistema. A pesquisa também levou em consideração as características da superfície, a dinâmica da vegetação e a hidrologia.

Segundo a pesquisa, a vulnerabilidade ou resistência da floresta tropical depende da duração das estações secas, do tipo de solo, mas também, de maneira relevante, das dinâmicas entre as plantas e árvores do ecossistema. Além disso, a heterogeneidade e biodiversidade da floresta amazônica a faz mais resistente do que consideravam alguns modelos à falta de água, o que permite uma resposta mais gradual aos períodos de seca.

(Da redação)

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Estudo de Oxford indica imunidade de, ao menos, seis meses ao coronavírus

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A análise com dados de 12 mil pessoas ajuda a entender melhor a resposta imune para a covid-19

Um novo estudo conduzido pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, com 12 mil pessoas, indica que a imunidade ao novo coronavírus dura, ao menos, seis meses. Ou seja, quem já teve covid-19 provavelmente estará protegido de uma reinfecção por um semestre. “Esta é uma notícia realmente boa, porque podemos ter certeza de que, pelo menos no curto prazo, a maioria das pessoas que teve covid-19 não a terá de novo”, afirma David Eyre, professor do Departamento de Saúde Populacional de Nuffield em Oxford, um dos líderes do estudo, segundo a Reuters.

A conclusão do estudo de Oxford está em linha com outro estudo divulgado há algumas semanas e traz novas evidências a respeito da imunidade ao coronavírus, ainda que não seja uma análise conclusiva sobre o assunto.

No estudo, que ainda não foi analisado por pares (um importante processo de validação na comunidade científica), os testes de anticorpos indicaram que 1.246 participantes tinham criado anticorpos contra a covid-19. Durante o período do estudo, de abril a novembro, somente três pessoas foram reinfectadas pelo novo coronavírus. No entanto, elas não apresentaram sintomas.

O levantamento de Oxford aponta ainda que, entre 11.052 pessoas analisadas, apenas 89 sem anticorpos tiveram quadros de covid-19 com manifestação de sintomas, enquanto outros 76 tiveram quadros infecciosos assintomáticos.

Apesar do estudo ter uma das maiores amostragens em testes de imunização, ainda não está claro para os pesquisadores de Oxford qual porcentagem das pessoas infectadas efetivamente criam anticorpos contra a covid-19. O esforço da comunidade científica mundial para entender a covid-19 ainda não acabou.

 

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Vacina desenvolvida pela Sinovac é incluída no programa da China

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De acordo com estudo publicado na terça-feira (17), a vacina da Sinovac gerou resposta imunológica rápida em seus dois primeiros estágios de testes

(Thomas Peter/Reuters)

O primeiro lote da vacina contra covid-19 da farmacêutica chinesa Sinovac com o Instituto Butantan acaba de chegar em São Paulo. Na terceira fase de testes, o imunizante ainda não obteve autorização para ser aplicada no Brasil. No entanto, a vacina já vem sendo aplicada em grupos de alto risco na província da China oriental sob o esquema de uso emergencial.

A notícia, publicada nesta quinta-feira pelo South China Morning Post, informa que o imunizante foi incluído no programa de uso de emergência da China. De acordo com a publicação, não se sabe exatamente quantos cidadãos receberam a dose da vacina.

A justificativa de Pequim para o uso da vacina – que ainda não teve sua eficácia comprovada -, foi de que sua aplicação foi restrita a indivíduos do grupo de alto risco. Esse grupo incluí, além de profissionais de saúde da linha de frente, funcionários de escolas, supermercados e transportes públicos.

De acordo com estudo publicado na terça-feira (17), a vacina da Sinovac gerou resposta imunológica rápida em seus dois primeiros estágios de testes. O resultado positivo dos testes, realizados na China, Brasil, Indonésia e Turquia, apoiou a aprovação do uso emergencial da CoronaVac na país. Os resultados provisórios dos testes clínicos da fase final da vacina ainda não foram divulgados.

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K2-141b, o planeta onde chove pedra, os ventos são supersônicos e os oceanos são feitos de lava

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Bem-vindo ao planeta K2-141b, uma ‘super-Terra’ tão quente que a rocha vaporiza e chove do céu, os oceanos são feitos de lava e os ventos atingem velocidades supersônicas; e você pensou que 2020 na Terra era difícil!

Há muitos anos, a Terra não era muito diferente de K2-141b — Foto: Nasa

Em K2-141b, a chuva é feita de rochas, há um oceano de lava com mais de 100 km de profundidade e os ventos sopram a uma velocidade quatro vezes maior que o som.

“Este é um planeta muito emocionante, com clima extremo, chuva mineral e neve e vento supersônico”, diz o astrônomo Tue Giang Nguyen à BBC.

“Não é um lugar feliz para se viver, mas é um planeta legal para estudar coisas estranhas“, acrescenta seu colega, o professor Nicolas Cowan.

Junto com uma equipe de astrônomos da Índia e do Canadá, eles publicaram um novo artigo com as últimas descobertas em K2-141b, um planeta rochoso como a Terra … ou talvez não exatamente como ela.

O planeta está 'escondido' na constelação de Aquário, a cerca de 202 anos-luz de distância — Foto: Getty Images via BBC

O planeta está ‘escondido’ na constelação de Aquário, a cerca de 202 anos-luz de distância — Foto: Getty Images via BBC.

Bem-vindo ao ‘planeta lava’

K2-141b, também conhecido pelo nome mais poético de EPIC 246393474.01, fica a 202 anos-luz da Terra, na constelação de Aquário.

Este é um mundo incandescente e inóspito, onde o tempo realmente voa: K2-141b orbita tão perto de sua estrela que um ano termina em menos de sete horas.

Sua estrela é o que os astrônomos chamam de “anã laranja” — consideravelmente mais fria que o nosso Sol — e é tão opaca que não pode ser vista da Terra.

K2-141b “é um planeta de lava”, dizem os cientistas que analisam e interpretam os dados no Instituto Indiano de Educação e Pesquisa Científica (Calcutá, Índia), Universidade de York (Toronto, Canadá) e Universidade McGill (Montreal, Canadá).

É também uma “super-Terra”, porque embora não seja muito maior que o nosso planeta, sua massa é cerca de cinco vezes maior (ou seja, a atração gravitacional do K2-141b é cinco vezes maior do que a da Terra).

Embora o K2-141b tenha sido descoberto em 2018 pela “missão K2” do Telescópio Espacial Kepler, os pesquisadores só agora estão começando a descobrir suas maravilhas.

Imagine uma paisagem de magma e rochas geladas e você terá uma ideia aproximada de como é a superfície de K2-141b — Foto: Getty Images via BBC

Imagine uma paisagem de magma e rochas geladas e você terá uma ideia aproximada de como é a superfície de K2-141b — Foto: Getty Images via BBC

 

Então, como é o clima?

Embora K2-141b gire em torno de sua estrela em questão de horas, ele não gira em torno de seu eixo, como a Terra.

“Isso significa que dois terços do planeta estão sempre expostos à luz em um dia eterno, e as temperaturas ali podem chegar a até 3.000ºC”, diz Cowan.

Já o lado oposto está sempre no escuro e as temperaturas despencam para -200ºC.

Essas mudanças drásticas de temperatura resultam em condições climáticas extremas … e o que os astrônomos chamam de “chuva rochosa”.

Imagine o ciclo da água na Terra por um minuto: a água evapora do solo, forma nuvens na atmosfera, chove para reabastecer lagos e oceanos e o processo recomeça.

“Bem, em K2-141b é a mesma coisa, mas com pedras”, diz Cowan.

'Como chuva, mas com pedras e ventos supersônicos' — Foto: INPHO via BBC

‘Como chuva, mas com pedras e ventos supersônicos’ — Foto: INPHO via BBC

‘Estranho e emocionante

“O que é preciso ter em mente é que, neste planeta, tudo é feito de rocha“, afirma.

O calor no lado diurno do planeta é “tão ridiculamente intenso que a rocha se vaporiza e os minerais sobem para sua fina atmosfera. É estranho, mas emocionante”.

“Mas literalmente não há atmosfera no lado noturno do planeta, que é superfrio e congelado em estado sólido”, acrescenta.

Essa mudança drástica de pressão e temperatura entre o lado claro [quente] e o lado escuro [frio] do planeta gera ventos supersônicos — estamos falando de velocidades de até 5 mil km/h.

Estes “transportam o vapor de rocha para o lado noturno do planeta, onde se condensa em gotas de rocha”, diz Cowan.”Basicamente, você acaba com chuva de rocha, e às vezes até neve de rocha, caindo no oceano de magma abaixo”, acrescenta.”Este estudo é o primeiro a fazer previsões sobre as condições meteorológicas no K2-141b”, diz Nguyen, que está animado com o que pode ser detectado “a centenas de anos-luz de distância com telescópios de próxima geração”.

Muito pode ser aprendido com planetas distantes — Foto: Getty Images via BBC

Muito pode ser aprendido com planetas distantes — Foto: Getty Images via BBC

Devemos nos importar?

Tudo isso é muito interessante, mas por que isso importa para nós, terráqueos?

“Estudar o K2-141b pode nos ajudar a entender mais sobre o passado da Terra, já que ela já foi um mundo envolto em magma”, diz Nguyen, o autor principal do estudo.

“Os planetas de lava nos dão um raro olhar neste estágio da evolução planetária“, afirma Cowan. “Todos os planetas rochosos, incluindo a Terra, começaram como mundos derretidos, mas depois esfriaram e se solidificaram rapidamente.”

Portanto, descobrindo mais sobre o K2-141b, poderíamos desenvolver um melhor entendimento de como a Terra surgiu. Mas há um incentivo adicional para continuar procurando…

“Pode servir de base para estudos futuros de incontáveis planetas de lava ainda a serem descobertos. É um passo para uma maior exploração de planetas semelhantes à Terra ou de mundos habitáveis além do nosso Sistema Solar”, diz Nguyen.

“Esses planetas de lava são muito divertidos e nos permitem estudar todo tipo de coisas estranhas” acrescenta Cowan.

Se você não tem acesso a um telescópio multimilionário, mas gostaria de mergulhar em um pouco de astronomia, você ainda pode verificar o K2-141b e seus arredores no catálogo da NASA que oferece um close-up fantástico com modelos cientificamente precisos.

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Vacina de Harvard contra o câncer é 100% eficaz em animais

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A vacina do câncer começou a ser desenvolvida em 2009 e, desde então, tem se mostrado promissora para o tratamento de diversas variações da doença

Câncer: vacina de Harvard foi 100% eficaz em animais (Reprodução/Thinkstock)

Uma vacina contra o câncer pode estar mais perto do que se imagina. Desenvolvida pela universidade americana de Harvard, a imunização é baseada no poder matador de células cancerígenas da quimeoterapia e na eficácia duradoura da imunoterapia. A pesquisa teve 100% de sucesso em camundongos com câncer de mama triplo negativo.

Segundo o coautor do estudo, Hua Wang, o câncer de mama triplo negativo não estimula respostas fortes o suficiente do sistema imunológico, o que faz com que as imunoterapias existentes não consigam combatê-lo, ao mesmo tempo que a quimioterapia “produz um número grande de células cancerígenas mortas”, que o mesmo sistema imunológico pode detectar e formar um tumor como resposta. A vacina, então, seria o melhor dos dois mundos justamente por ter uma abordagem menos agressiva.

A vacina do câncer começou a ser desenvolvida em 2009 e, desde então, tem se mostrado promissora para o tratamento de diversas variações da doença em camundongos, sendo inclusive testada em casos de melanoma no Dana Farber Cancer Institute, nos Estados Unidos.

Com a formulação original da vacina, as moléculas encontradas em diversas células cancerígenas chamadas de antígenos associados a tumores (TAAs, na sigla em inglês), foram incorporadas dentro de um pequeno espaço do tamanho de uma aspirina para que as células dendríticas (que protegem o corpo de invasores, tanto exteriores quanto internos) conseguissem reconhecê-los rapidamente como algo estrangeiro ao corpo humano, criando uma resposta imune para lutar contra o tumor.

Segundo o estudo, os TAAs podem ser isolados de tumores colhidos ou identificados por uma sequência de genomas e, depois disso, manufaturados. Apesar de promissor, o processo para criar vacinas personalizadas para cada tipo de câncer pode ser longo e caro — uma limitação grande no desenvolvimento de uma vacina.

“Um dos fatores críticos que limitam o desenvolvimento de uma vacina do câncer é a seleção dos TAAs, porque, atualmente, temos apenas uma pequena biblioteca de antígenos conhecidos para apenas algumas pequenas linhas específicas celulares de alguns tumores, e é díficil prever qual pode construir uma resposta imune eficaz. Implementar drogas da quimioterapia dentro da vacina pode criar um grande número de células mortas que pode liberar os TAAs direto do tumor para as células dendríticas, cortando a parte longa e cara de produzir um antígeno”, garante Alex Najibi, coautor do estudo.

A ideia do grupo de cientistas, então, foi aplicar essa nova tática de vacina também em casos de câncer de mama triplo negativo. Para isso, primeiro eles adicionaram um componente chamado de Fator Estimulador de Colônias de Granulócitos e Macrófagos (ou fator estimulador de colônias 2), capaz de estimular o desenvolvimento e a concentração das já citadas células dendríticas, o que pegaria os antígenos de tumores e de outros invasores, inserindo neles as células T (linfócitos com capacidade imunológica) presentes em linfonodos e no baço para iniciar uma resposta imunológica.

Outra droga usada na quimioterapia (a doxorrubicina, ou Dox) também foi adicionada, ligada a um peptídeo chamado de iRGD, conhecido por pentrar tumores e ajudar a Dox a atingir os tumores uma vez que é administrada.

Os camundongos com os câncer de mama triplo negativo, assim que receberam a dose com o fator estimulador de colônia 2 e com a Dox-iRGD, tiveram um resultado melhor na penetração da droga em seus tumores, o que aumentou a taxa de células cancerígenas mortas, e reduziu os riscos da produção de tumores metastáticos nos pulmões do que aqueles que receberam uma dose que continha apenas a Dox ligada a uma molécula de peptídeo, ou com o Dox não modificado, ou sem nenhum tipo de tratamento.

As análises mostraram, então, que ambas as partes da vacina — a ligada à imunoterapia e a ligada à quimioterapia — estavam ativas.

Com os bons resultados, os cientistas adicionaram ainda mais um componente para  avacina, uma bactéria sintética chamada de CpG, cujo DNA é conhecido por aumentar a resposta imune dos humanos. Com essa dose da imunização, os camundongos demonstraram um crescimento mais lento em seus tumores e sobreviveram mais tempo do que aqueles que receberam a vacinação sem o componente adicional. Uma dose extra administrada 12 dias depois da primeira foi capaz de aumentar o tempo de sobrevivência em ainda mais tempo.

Mas isso não foi o suficiente para os cientistas.

Eles também queriam entender como a vacina funcionava na área onde os tumores estavam. Daí veio a descoberta de que os tumores tratados com um gel contendo GM-CSF, Dox-iRGD, e CpG aumentaram a quantidade da proteína calreticulina em suas superfícies — um indicador da morte das células. Os animais que receberam a vacina com as três partes mostraram um nível mais alto de células brancas associadas a uma melhora na atividade anticancer e maior tempo de sobrevivência.

Nem isso foi o suficiente. Eles descobriram que administrar um tratamento inibidor capaz de bloquear a invasão do sistema imune com a vacina seria capaz de aumentar ainda mais a sua eficácia. Então os animais receberam uma dose triplíce da vacina, e adicionaram uma injeção anti-PD-1 (ou seja, anti proteína de morte celular). Com essa combinação, o tumor dos camundongos foi reduzido em tamanho e número, e eles sobreviveram 40 dias, enquanto ratos que não foram tratados sobreviveram por 27 dias, e aqueles que receberam somente a dose anti-PD-1 viveram por 28 dias. Para os pesquisadores, a descoberta sugeriu que “a vacina pode ser usada de forma ainda mais eficaz com uma combinação de terapias inibidoras”.

Para entender como a vacina poderia funcionar em pacientes humanos, os cientistas administraram uma dose da vacina após um tumor ser retirado dos camundongos. Com o tratamento, tanto da vacina de três partes em gel quanto na vacina líquida, os animais tiveram uma recorrência de tumores reduzida, sendo que a vacina em gel reduziu significativamente o crescimento de tumores e aumentou os números de sobrevivência. Então, os camundongos receberam uma injeção de células do câncer, e 100% daqueles tratados com a vacina em gel sobreviveram sem o retorno da doença, enquanto os que não foram tratados, morreram.

O próximo passo para os pesquisadores é continuar a estudar a combinação das terapias para produzir vacinas contra o câncer e esperam conseguir produzir uma proteção eficaz para outros tipos de tumores. Eles também querem chegar a fase pré-clínica de testes e, eventualmente, aos testes em humanos. De todo modo, uma boa notícia para a ciência.

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Risco de pegar covid-19 é mais alto em hotéis, academias e restaurantes

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Os pesquisadores das universidades de Stanford e de Northwestern observaram, principalmente, dados de localizações dos indivíduos estudados

Academia: estudo aponta que risco de pegar covid-19 aumenta no local (Asanka Ratnayake/Getty Images)

Um estudo realizado pelas universidades de Stanford e de Northwestern aponta que o risco de contrair o novo coronavírus é maior em hóteis, academias e restaurantes. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram os dados dos smartphones de mais de 98 milhões de pessoas a fim de conseguir criar um modelo que indicasse em quais locais as pessoas correm mais risco de infecção.

Os pesquisadores observaram, principalmente, dados de localizações dos indivíduos estudados, quanto tempo eles passaram nos hóteis, restaurantes e academias, quantas outras pessoas estavam no mesmo local e em quais vizinhanças os estabelecimentos estavam localizados.

O estudo previu que em Chicago, por exemplo, se os restaurantes fossem abertos e voltassem a sua capacidade máxima de ocupação, eles iam gerar mais de 600.000 novas infecções — três vezes mais do que em outras categorias. Cerca de 10% das localizações examinadas foram responsáveis por 85% das infecções previstas. Na hipótese de os locais terem sua ocupação reduzida em 20%, as novas infecções previstas caem mais de 80%.

A ideia dos pesquisadores não é a de que um lockdown precisa ser adotado para evitar o vírus. Segundo eles, máscaras, distanciamento social e capacidade reduzidas nos estabelecimentos em questão podem manter a covid-19 sob controle e evitar novos contágios.

Já a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirmou que “o setor de bares e restaurantes vem adotando uma série de protocolos baseados nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre as principais regras está o uso de máscara, tanto pelos clientes quanto pelos funcionários desses estabelecimentos”. “No Brasil, a realidade vivenciada é muito distinta da apresentada por esse estudo norte-americano. Diferente dos Estados Unidos, onde muitos restaurantes são fechados, com uso de ar condicionado ou sistema de aquecimento, por aqui os restaurantes utilizam espaços abertos, arejados, com mesas nas calçadas”, disse.

Outra pesquisa, outros lugares

Em julho deste ano, a Associação Médica do Texas, nos Estados Unidos, criou uma cartilha para definir quais são os lugares mais perigosos em termos de infecção pelo SARS-CoV-2.

Além de shows lotados (um local até óbvio de contágio pela covid-19), bares, cultos religiosos com mais de 500 pessoas e academias também representam um alto risco para as pessoas. Ir ao shopping, por exemplo, é uma atividade que tem um risco médio de contágio. Já outras tarefas do dia a dia, como receber encomendas, fazer caminhadas ou corridas e abastecer o tanque do carro apresentam riscos menores.

 

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Ciência

Refrigeração de -70ºC e dose dupla podem atrapalhar vacina da Pfizer

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A vacina da Pfizer, com base no RNA mensageiro, é administrada em duas doses para chegar a uma eficácia maior

Pfizer: vacina precisa ser armazenada em temperaturas baixas (Dado Ruvic/Reuters)

A vacina da farmacêutica americana Pfizer em parceria com a alemã BioNTech contra o novo coronavírus apresentou uma eficácia de 90% entre os voluntários que já foram testados até o momento, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 9. Apesar da boa notícia, a imunização produzida pelas companhias pode ter algumas dificuldades em seu caminho em caso de aprovação (emergencial ou não) após a finalização de todas as fases de testes clínicos.

A vacina da Pfizer, com base no RNA mensageiro, é administrada em duas doses para chegar a uma eficácia maior — e as doses precisam ser administradas com uma distância de três semanas entre elas. A companhia também afirma que a vacina é capaz de produzir mais anticorpos neutralizantes da covid-19 uma semana após a segunda dose ser administrada. O que pode levar tempo.

Como fica a Bolsa com o lançamento da vacina? Veja agora a análise das melhores empresas para investir hoje.

Outras companhias também trabalham com uma proteção de duas doses, como é o caso da Moderna, que administra a imunização com um intervalo de quatro semanas, e a da AstraZeneca com a universidade de Oxford, que está, atualmente, testando duas opções, uma com apenas uma dose da vacina e outra com duas doses dadas após dois meses da primeira.

Uma vacina com duas doses requer o dobro de frascos, de siringas, de refrigeradoras, e de visitas clínicas em tempos de limitação de recursos no mundo todo. É preciso também levar em conta que nem todos que foram vacinados com a primeira dose podem se vacinar com a segunda, seja por falta de informação ou por acharem que somente uma já é o suficiente.

Mas a administração de uma vacina em duas doses para aumentar a eficácia não é uma prática exclusiva do SARS-CoV-2, uma vez que vacinas tradicionais, como a do sarampo, da caxumba e da rubéola, utilizam a mesma técnica.

A imunização da Pfizer (umas das dez em última fase de testes segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde) pode ter até 1,3 bilhão de doses produzidas no ano que vem — e 100 milhões até o final deste ano, levando em conta que serão necessárias duas por pessoa. Uma esperança em meio a tempos difíceis.

O fato de a vacina ser produzida com a tecnologia inédita do RNA mensageiro também pode afetar também, de certa forma, a distribuição da vacina.

As vacinas de RNA elas precisam ser armazenadas em temperaturas muito baixas, de cerca de -70ºC, enquanto vacinas de DNA podem ser guardadas em temperatura ambiente. Se a vacina da Pfizer for aprovada, transportá-la para outros países poderá ser um empecilho.

Mas existe uma vantagem em usar este metódo. Com o RNA mensageiro, não há necessidade de cultivar um patógeno em laboratório, uma vez que é o organismo que faz todo o trabalho — o que pode permitir que a vacina seja fabricada mais rapidamente. Para produzi-la, não é necessário nenhum ingrediente como ovo de galinha, usado para a produção da imunização contra a gripe. E elas podem ser produzidas em grandes quantidades de forma mais rápida.

Como estamos?

Das 47 em fases de testes, apenas 10 estão na fase 3, a última antes de uma possível aprovação. São elas a chinesa da Sinovac Biotech, a também chinesa da Sinopharm, a britânica de Oxford em parceria com a AstraZeneca, a americana da Moderna, da Pfizer e BioNTech, a russa do Instituto Gamaleya, a chinesa CanSino, a americana Janssen Pharmaceutical Companies e a também americana Novavax.

Quem terá prioridade para tomar a vacina?

Nenhuma vacina contra a covid-19 foi aprovada ainda, mas os países estão correndo para entender melhor qual será a ordem de prioridade para a população uma vez que a proteção chegar ao mercado. Um grupo de especialistas nos Estados Unidos, por exemplo, divulgou em setembro uma lista de recomendações que podem dar uma luz a como deve acontecer a campanha de vacinação.

Segundo o relatório dos especialistas americanos (ainda em rascunho), na primeira fase deverão ser vacinados profissionais de alto risco na área da saúde, socorristas, depois pessoas de todas as idades com problemas prévios de saúde e condições que as coloquem em alto risco e idosos que morem em locais lotados.

Na segunda fase, a vacinação deve ocorrer em trabalhadores essenciais com alto risco de exposição à doença, professores e demais profissionais da área de educação, pessoas com doenças prévias de risco médio, adultos mais velhos não inclusos na primeira fase, pessoas em situação de rua que passam as noites em abrigos, indivíduos em prisões e profissionais que atuam nas áreas.

A terceira fase deve ter como foco jovens, crianças e trabalhadores essenciais que não foram incluídos nas duas primeiras. É somente na quarta e última fase que toda a população será vacinada.

Quão eficaz uma vacina precisa ser?

Segundo uma pesquisa publicada no jornal científico American Journal of Preventive Medicine uma vacina precisa ter 80% de eficácia para colocar um ponto final à pandemia. Para evitar que outras aconteçam, a prevenção precisa ser 70% eficaz.

Uma vacina com uma taxa de eficácia menor, de 60% a 80% pode, inclusive, reduzir a necessidade por outras medidas para evitar a transmissão do vírus, como o distanciamento social. Mas não é tão simples assim.

Isso porque a eficácia de uma vacina é diretamente proporcional à quantidade de pessoas que a tomam, ou seja, se 75% da população for vacinada, a proteção precisa ser 70% capaz de prevenir uma infecção para evitar futuras pandemias e 80% eficaz para acabar com o surto de uma doença.

As perspectivas mudam se apenas 60% das pessoas receberem a vacinação, e a eficácia precisa ser de 100% para conseguir acabar com uma pandemia que já estiver acontecendo — como a da covid-19.

Isso indica que a vida pode não voltar ao “normal” assim que, finalmente, uma vacina passar por todas as fases de testes clínicos e for aprovada e pode demorar até que 75% da população mundial esteja vacinada.

 

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segunda-feira, 23 de novembro de 2020

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