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sábado, 29/11/2025

Alcolumbre evita ataques, Motta é alvo da esquerda

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Raphael Di Cunto e Victoria Azevedo
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A crise envolvendo o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) evidenciou estratégias distintas entre os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Enquanto Motta assumiu a liderança na revogação do decreto do presidente Lula (PT), tornando-se alvo principal de críticas da esquerda, Alcolumbre optou por uma atitude mais reservada, atuando nos bastidores e permanecendo quase intocado pelos ataques.

A pressão nas redes sociais sobre o presidente da Câmara levou-o a expressar sua insatisfação ao Palácio do Planalto. Em resposta, Gleisi Hoffmann (PT), ministra das Relações Institucionais, e o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), defenderam publicamente Motta contra as críticas pessoais.

Aliados de Motta revelaram que ele ficou excessivamente exposto durante o processo, especialmente por ter decidido pautar o projeto para anular o aumento do IOF, surpreendendo governo e oposição, e por ter divulgado um vídeo nas redes sociais para justificar sua posição.

Nem Motta nem Alcolumbre responderam aos pedidos de comentário feitos por meio de suas assessorias.

Diversos deputados comentaram que a postura de Motta acabou concentrando os ataques na Câmara, poupando o Senado, e sugeriram que a responsabilidade deveriam ser compartilhada também com a Casa alta.

Essa percepção é confirmada pelos dados das redes sociais. A consultoria Bites indicou que Motta foi mencionado em cerca de 1,08 milhão de publicações desde 17 de junho, enquanto Alcolumbre somou 212 mil.

As menções a Motta representaram quase 30% do total de comentários sobre ele durante todo o ano de 2025 e aumentaram significativamente após uma campanha da esquerda que buscava apresentar o presidente Lula como defensor dos mais pobres enquanto o Congresso se posicionaria a favor dos ricos.

Em 2 e 3 de julho, Motta recebeu centenas de milhares de citações nas principais plataformas sociais, um pico inédito até então.

Anteriormente, Motta havia ultrapassado 100 mil menções em um dia somente em 20 de março, quando recebia críticas dos bolsonaristas, que o pressionavam para pautar um projeto de anistia aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Alcolumbre, por sua vez, enfrentou maior atenção em outros momentos, como quando foi alvo dos bolsonaristas por supostas vantagens a um assessor em repasses de emendas.

Enquanto Alcolumbre optou por fechar os comentários em seu Instagram após o aumento das críticas, Motta manteve seu perfil aberto, onde o número de comentários negativos superou em três vezes as curtidas.

Alguns aliados de Motta minimizam a intensidade dos ataques online, destacando que historicamente o presidente da Câmara é mais visado do que o do Senado, e afirmam que a situação fortaleceu politicamente o deputado, elevando sua imagem nacionalmente.

Outro líder político considera desproporcionais as críticas, lembrando que integrantes da base do Lula e de partidos de esquerda também votaram pela revogação do decreto sem receberem ataques semelhantes.

Aliados de Motta acreditam que críticas ao Congresso nas redes podem ser influenciadas pelo governo e alertam para o risco de agravar tensões entre Legislativo e Executivo, justamente quando há necessidade de aprovação de matérias importantes.

As assessorias dos presidentes da Câmara e do Senado ressaltam a boa relação e sintonia entre eles, que costumam viajar e atuar em conjunto, negando qualquer desentendimento. O episódio apenas evidencia estilos distintos de cada um.

Quanto à relação com o governo, integrantes do Executivo demonstram desconforto com a atitude de Motta, especialmente por ele não ter comunicado previamente ministros ou articuladores sobre a decisão de pautar a revogação do IOF.

O presidente Lula considerou a decisão de Motta “absurda”, mas manteve postura distinta para com Alcolumbre, que imediatamente pautou o projeto após aprovação da Câmara.

Alcolumbre reconheceu a legitimidade do Executivo em recorrer ao STF contra a medida, enquanto aliados de Motta criticaram essa ação do governo.

Desde a revogação dos decretos, Lula não manteve contato com os presidentes das Casas. Após aprovação no Senado de uma proposta que aumenta receitas da União com petróleo, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), comunicou o presidente da República sobre a votação e o empenho de Alcolumbre. Como resposta, o presidente pediu que fossem transmitidos seus agradecimentos ao presidente do Senado.

Em entrevista à TV Bahia, Lula declarou a intenção de conversar com Motta e Alcolumbre ao retornar a Brasília, no início da próxima semana.

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