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2.201 casos: em 4 dias, Brasil dobra o número de pessoas com coronavírus

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Em apenas um dia foram mais de 300 casos confirmados. São Paulo registra 40 mortes e o Rio de Janeiro, 6

Testes: o governo aumentou a capacidade de testagem para definir medidas para frear o avanço da Covid-19. (Pedro Vilela / Correspondente/Getty Images)

O Brasil chegou a 2.201 infectados pelo coronavírus (causador da doença Covid-19), segundo balanço diário divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira, 24. Em apenas um dia foram mais de 300 casos confirmados.

A partir desta terça, começou em São Paulo e no Rio de Janeiro a adoção da quarentena para todos os habitantes. Esta é a maior experiência de lockdown já vista (no termo em inglês usado para a paralisação das atividades). Os dois estados são os únicos que registraram mortes pela doença. São 40 vítimas em SP e 6 no RJ.

A velocidade de contágio do coronavírus tem avançado cada vez mais rápido no país. A marca dos 600 infectados foi superada em 19 de março. Em 21 de março já foram registrados 1.128 casos. Quatro dias depois, o coronavírus chegou ao patamar de 2.000 casos.

Segundo o Ministério da Saúde, este aumento significativo já era esperado. “Nós estamos acompanhando isso [o aumento no número de casos] e nós estamos ficando abaixo dos 33% que deveria aumentar por dia, como visto em outros países”, disse o secretário-executivo do ministério João Gabbardo, em entrevista coletiva nesta terça-feira

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em entrevista coletiva na semana passada, disse que os números iriam aumentar exponencialmente até o fim de junho. “Estamos imaginando que vamos trabalhar com espirais ascendentes entre abril, maio e junho. Passaremos de 60 a 90 dias de muito estresse e teremos sobrecarga”, disse.

Segundo estimativas do ministro, em julho os casos deverão entrar em recessão e em agosto e setembro o cenário deverá estar voltando a patamares menores. “Desde que a gente construa a chamada imunidade em mais de 50% das pessoas”, afirmou.

Todos os estados brasileiros têm pelo menos um caso da doença. Apesar das estatísticas diferentes em cada região, o Ministério da Saúde reconheceu na última semana que há a transmissão comunitária do coronavírus em todo país. Quando chega a esta categoria, é impossível saber de onde veio a infecção.

Leitos de UTI

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em entrevista coletiva na semana passada, disse que os números iriam aumentar exponencialmente até o fim de junho. “Estamos imaginando que vamos trabalhar com espirais ascendentes entre abril, maio e junho. Passaremos de 60 a 90 dias de muito estresse e teremos sobrecarga”, disse.

Segundo estimativas do ministro, em julho os casos deverão entrar em recessão e em agosto e setembro o cenário deverá estar voltando a patamares menores. “Desde que a gente construa a chamada imunidade em mais de 50% das pessoas”, afirmou.

Todos os estados brasileiros têm pelo menos um caso da doença. Apesar das estatísticas diferentes em cada região, o Ministério da Saúde reconheceu na última semana que há a transmissão comunitária do coronavírus em todo país. Quando chega a esta categoria, é impossível saber de onde veio a infecção.

Leitos de UTI

Para o enfrentamento ao coronavírus, o Ministério da Saúde divulgou um balanço de como está a situação de leitos de UTI no país. Segundo a pasta, o Brasil tem 55.000 leitos, o que dá uma taxa de 2,62 por 10 mil habitantes.

Países europeus que enfrentam a epidemia estão em situação pior que a brasileira. Segundo o governo, a França tem 7.000 leitos e uma taxa de 1,05 a cada 10 mil habitante, enquanto a Itália tem 5.000 leitos e uma taxa de 0,83 a cada 10 mil habitantes.

A melhor situação entre os europeus é a Alemanha que tem 25.000 leitos de UTI e uma taxa de 3,02 por 10 mil habitantes. Uma das explicações pela qual o país tem alto número de infectados mas poucas mortes.

Vacinação gripe

O governo federal antecipou o começo da campanha de vacinação contra a gripe para esta segunda-feira, 23, em todo o país. A imunização será feita em etapas. Esta primeira é voltada para pessoas acima de 60 anos e profissionais da saúde. Para aumentar a segurança, ela está sendo feita em locais abertos e com distanciamento entre as pessoas.

A partir do dia 16 de abril serão vacinados doentes crônicos, professores (rede pública e privada) e profissionais das forças de segurança e salvamento. A partir de 9 de maio vai incluir crianças de 6 meses a menores de 6 anos, pessoas com 55 a 59 anos, gestantes, pessoas com deficiência, povos indígenas e funcionários do sistema prisional.

Até o fim da tarde de terça-feira, 1.478.650 de pessoas foram imunizadas contra a gripe em todo o país. No total, o Ministério da Saúde vai disponibilizar 75 milhões de doses durante toda a campanha.

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Saúde

É possível pegar o coronavírus mais de uma vez?

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Países asiáticos divulgaram casos de possível reinfecção pelo novo coronavírus em alguns pacientes. Veja o que essa informação pode significar na prática

Tudo indica que não é possível se reinfectar, mas precisamos de mais estudos para responder essa questão com 100% de certeza. (Ilustração: Fido Nesti/SAÚDE é Vital)

No finalzinho de fevereiro, uma notícia vinda do Japão causou temor: autoridades do país nipônico anunciaram que uma guia turística tinha se recuperado totalmente da Covid-19 e, dias depois, os sintomas retornaram. Exames mostraram que ela voltou a testar positivo para o coronavírus (Sars-CoV-2). Um episódio parecido aconteceu na Coreia do Sul.

Na China, onde a pandemia iniciou, os relatos são mais fortes: ao menos 100 indivíduos que se curaram da doença voltaram a apresentar resultados positivos para a presença dessa ameaça microscópica. Será que o corpo não cria imunidade contra esse vírus, o que favoreceria uma reinfecção?

A verdade é que o mundo está aprendendo dia após dia com o coronavírus. Compreender como os pacientes se comportam até a alta é uma das questões-chave dessa história, pois isso tem o potencial de modificar as políticas públicas adotadas até o momento.

De acordo com a evidência científica atual, a probabilidade de uma reinfecção é remota. Quem aposta nisso é o médico Anthony Fauci, líder da força-tarefa contra o coronavírus dos Estados Unidos e um dos maiores especialistas do mundo em doenças infecciosas.

Numa entrevista para o programa The Daily Show, do canal da televisão americana Comedy Central, ele afirmou: “Se esse vírus age como qualquer outro que conhecemos, uma vez que você é infectado e se recupera, cria uma imunidade que protege de futuras infecções por esse mesmo agente”.

Como explicar então esses casos na Ásia?

O coronavírus é uma família com vários integrantes. Alguns deles infectam humanos, como é o caso Sars-CoV-2, responsável pela pandemia atual. Outros preferem morcegos, bois ou galinhas. E a experiência mostra que essa turma têm a capacidade, sim, de atazanar o mesmo ser vivo mais de uma vez. “Reinfecções não são eventos tão raros entre os coronavírus”, observa o virologista Paulo Eduardo Brandão, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.

Por outro lado, segundo as pesquisas disponíveis, tudo leva a crer que esse risco de um bate e volta com o Sars-CoV-2 é bem baixo. Basta levar em conta que já são mais de 1 milhão de casos no mundo todo e ao redor de 100 relatos não confirmados de reinfecção em três países. “As análises também indicam que o novo coronavírus não possui uma alta taxa de mutações, o que certamente é importante”, acrescenta o imunologista Eduardo Finger, diretor do Laboratório de Pesquisa Experimental do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na capital paulista.

Para entender direitinho porque a taxa de mutação dos vírus é relevante quando pensamos na criação de uma resposta imune sustentada, vamos usar como exemplo dois vilões muito comuns: o influenza e o sarampo.

Comecemos com o influenza, o causador da gripe: sabe-se que ele se modifica o tempo todo. Isso significa que nosso sistema de defesa perde a capacidade de reconhecê-lo com certa velocidade. Essa, aliás, é a razão de tomarmos a vacina contra a gripe todos os anos: os subtipos de influenza em circulação na nova temporada de frio costumam ser diferentes daqueles que pintaram no ano anterior.

A mesma coisa não acontece com o sarampo. Por ser um vírus mais estável, basta ter contato com ele uma vez (ou, de preferência, vacinar-se) para que o corpo o detecte e o ataque toda vez que o encontrar. Na maioria das vezes, duas doses do imunizante durante a infância são suficientes para oferecer proteção pelo resto da vida.

Outra possibilidade: uma interpretação inadequada dos exames

Talvez o que esteja sendo visto como reinfecção, na verdade, seja uma conclusão precipitada dos testes de diagnóstico da Covid-19. Um dos métodos mais utilizados hoje no mundo se chama PCR (sigla em inglês para reação em cadeia da polimerase). Essa técnica rastreia a presença de pequenos trechos do código genético do vírus em amostras de um paciente.

“Sabemos que pessoas que receberam alta após o tratamento para a Covid-19 continuam excretando pedaços do coronavírus, o que daria um resultado positivo num teste desses. Isso, por sua vez, poderia ser entendido como reinfecção quando, na verdade, trata-se de uma infecção primária que não se resolveu totalmente”, explica Brandão.

Que fique claro: o PCR é um dos melhores métodos de detecção. Ele é inclusive recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. O problema estaria na interpretação de seus resultados num contexto com milhares de pacientes em atendimento.

Reinfecção ou ainda em recuperação do coronavírus?

Uma terceira explicação para esses relatos nos três países orientais seria o fato de o paciente ainda não estar 100% recomposto da Covid-19 e receber alta antes da hora. Ora, após invadir as células superficiais da boca, dos olhos ou do nariz, o bendito Sars-CoV-2 pode descer pelo sistema respiratório até alcançar os pulmões.

Acontece que o teste de diagnóstico dessa infecção é feito com o auxílio de uma haste flexível com algodão na ponta. Essa ferramenta é introduzida pelo nariz até alcançar o comecinho da garganta. A ideia é esfregar o cotonete ali para retirar um pouco da mucosa, que será analisada no laboratório para ver se há coronavírus ou não no pedaço.

Algumas pessoas que estão se recuperando podem passar por esse exame e não apresentar vírus nessa região das vias aéreas superiores. Mas o agente infeccioso pode estar escondido mais pra baixo, lá nos pulmões. Com o resultado negativo, o sujeito é liberado da internação e, sem os cuidados com a saúde, volta a apresentar os sintomas, uma vez que a carga viral sobe de novo.

Seguindo essa linha de raciocínio, não estaríamos diante de um quadro de reinfecção, mas, sim, de uma doença que não foi devidamente tratada e curada.

Experiência com primatas

Um estudo realizado por um convênio de cientistas chineses acrescentou informações relevantes a essa história. Na experiência, quatro macacos rhesus foram infectados com o novo coronavírus e, após alguns dias, se recuperaram bem. Na sequência, eles tiveram contato novamente com o Sars-CoV-2: nenhum experimentou uma segunda infecção. Nem mesmo quando o vírus foi colocado diretamente no organismo desses primatas.

Apesar de interessante, o trabalho merece ressalvas. “Nós somos próximos de macacos, mas não somos macacos. Há uma série de doenças infecciosas em que o sistema imune deles age de uma maneira diferente do nosso”, pondera Finger. A exposição a um vírus no laboratório também não é a mesma coisa do contato natural, no dia a dia.

Se, por um lado, não dá pra levar as conclusões do trabalho a ferro e fogo, por outro ele aponta para uma luz no fim do túnel. “O experimento sinaliza que uma futura vacina poderá ser efetiva quando estiver disponível”, analisa Brandão.

O que se tira de lição dessa história?

Em primeiro lugar, vale reforçar que cientistas, médicos e autoridades em saúde pública estão aprendendo em tempo real a combater o coronavírus e seus estragos. Portanto, é natural que as recomendações se modifiquem conforme o conhecimento avança e novas peças desse intrincado quebra-cabeça são descobertas.

Caso o risco de reinfecção em larga escala seja verdadeiro e isso fique comprovado por estudos maiores e mais criteriosos (o que não aconteceu até agora), as políticas públicas colocadas em prática atualmente passarão por mudanças. “Esse cenário demandaria um número ainda maior de recursos diagnósticos e exigiria mais do sistema de saúde”, especula Brandão.

Por ora, as evidências indicam que a Covid-19 é mesmo uma doença que só se pega uma vez. O corpo parece que desenvolve, sim, uma memória imunológica para debelá-la caso o coronavírus tente uma segunda invasão. Em meio a um cenário tão desolador, eis ao menos uma boa notícia.

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Saúde

Regulamentada às pressas, consulta médica a distância explode no Brasil

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Diversas operadoras de saúde e hospitais têm notado o aumento da demanda por teleconsultas diante da pandemia de coronavírus

Teleconsulta; consulta médica a distância (recep-bg/Getty Images)

Regulamentada às pressas no País por causa do surto de covid-19, a telemedicina teve nas duas últimas semanas uma explosão em número de atendimentos. As consultas a distância entraram na rotina de hospitais, operadoras e clínicas. Em alguns casos, a demanda pela teleconsulta aumentou sete vezes em 15 dias, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo com empresas que oferecem a modalidade.

Por resistência principalmente de conselhos regionais de medicina, atendimentos online não eram permitidos no Brasil até março. No dia 19, com a escalada da covid-19 e a necessidade de reduzir a ida desnecessária a prontos-socorros, o Conselho Federal de Medicina (CFM) liberou, temporariamente, atendimentos virtuais para triagem e monitoramento de pacientes em isolamento. No dia 20, o ministério editou portaria em que regulamentava a prática.

Centros médicos que já ofereciam a modalidade mesmo sem aval do CFM tiveram alta expressiva. No Hospital Albert Einstein, o número de teleconsultas diárias saltou de 80 para 600. “Cerca de 450 delas são por sintomas de covid-19 e as outras 150 são de outras doenças. Estávamos com 100 médicos nesse projeto, mas estamos contratando e devemos chegar a 500”, diz Sidney Klajner, presidente do Einstein.

Entre os pacientes que usam a plataforma de telemedicina do hospital estão beneficiários da Amil e da Care Plus. Na primeira os atendimentos aumentaram seis vezes. Na segunda, o número de teleconsultas passou de 100 por mês para 100 por dia. “Já preconizávamos esse tipo de atendimento justamente em situações como essas, em que o deslocamento não é recomendado. Além da parceria com o Einstein para casos de pronto-atendimento, autorizamos todos os médicos credenciados a fazerem consultas a distância”, diz Ricardo Salem, diretor médico da Care Plus.

Outras dezenas de empresas adaptaram suas plataformas para passar a oferecer o serviço. A Doctoralia usou a tecnologia de telemedicina que já tem em outros países e começou a oferecer o atendimento virtual no Brasil no mesmo dia em que a portaria do governo foi editada. Na primeira semana, agendou 5.170 consultas virtuais. Na seguinte, o número passou para 8.855. “Já tivemos 3 mil profissionais cadastrados para atendimento online. Para poder atender pela nossa plataforma, os médicos precisam ter o CRM e o RQE (registro de especialista) validados”, diz Cadu Lopes, CEO da Doctoralia. Ele conta que as especialidades mais buscadas são psiquiatria, dermatologia, urologia e ginecologia.

Na GSC Integradora de Saúde, mais de 3 mil médicos se cadastraram em apenas 48 horas para oferecer o atendimento online. “O objetivo é aumentar a oferta de teleconsulta para tirar pacientes do front dos hospitais. Além de diminuir o risco de colapso do sistema, evita que um paciente se contamine ou seja vetor de transmissão para outras pessoas”, destaca Ana Elisa Siqueira, CEO da GSC.

A rede de clínicas populares Dr.Consulta foi outra que também passou a oferecer atendimento virtual após a regulamentação. Em duas semanas, já foram abertas agendas para profissionais de 20 especialidades e feitas mais de 2 mil consultas online, segundo Renato Pelissaro, diretor de Marketing e atendimento ao cliente da companhia. “A quantidade de atendimentos tem dobrado a cada três ou quatro dias. Vemos que o público da consulta virtual é predominantemente jovem e das classes A e B”, relata.

Mas há idosos que também têm usado o serviço para evitar a ida a um consultório, conta Fabrícia Jung, médica do Dr.Consulta. “São pessoas com doenças crônicas que precisam ser monitoradas, mas com medo de sair de casa. Às vezes só precisam de ajuste de tratamento, troca de receita. Já atendi um paciente de 85 anos e outro de 95 por videoconferência.”

Há jovens que, mesmo fora do grupo de risco, buscam atendimento online para preservar parentes idosos. “Moro com minha mãe, que é idosa, e com meu irmão, que tem problema respiratório. Estava há três dias com sintomas de sinusite, mas não queria ir ao pronto-socorro para não correr risco de me contaminar e trazer o vírus para casa”, diz o gerente de recrutamento e seleção Renan de Carlos Sertorio, de 30 anos, que buscou o atendimento online da Care Plus. “No começo fiquei meio receoso porque não sabia como o médico poderia me examinar. Mas ele fez perguntas precisas, me passou alguns medicamentos e estou 100%.”

Dificuldades

Embora em alta, a falta de regulamentação prévia da telemedicina traz agora insegurança para médicos e pacientes, diz Antonio Carlos Endrigo, diretor de tecnologia da informação da Associação Paulista de Medicina (APM). “A portaria do ministério veio em boa hora, mas como não tínhamos normas prévias, os médicos estão perdidos. Alguns estão usando o que têm à mão para atendimentos, como whatsapp ou skype, mas essas não são as melhores formas de garantir a privacidade dos dados.”

Procurado, o CFM afirmou que concluiu em fevereiro a consulta pública para atualizar a resolução de 2002. Não disse quando o documento deve ser concluído e publicado.

Fique atento

Especialistas ressaltam que os atendimentos médicos a distância devem seguir uma série de protocolos e regras para torná-los mais seguros. Confira:

– Privacidade: Prefira serviços que tenham plataformas próprias para a consulta em vídeo. Ferramentas bem conhecidas, como WhatsApp ou Zoom, podem ser práticas, mas, como não foram feitas para essa finalidade, têm maior risco de vazamento de dados.

– Profissionais: Confirme as credenciais do médico que fará seu atendimento. No site dos conselhos regionais de Medicina é possível checar se o número do registro bate com o nome do médico. Também é possível verificar nos sites de sociedades médicas se o médico possui título de especialista para a área em que atua.

– Documentos: Exija que as prescrições de medicamentos sejam enviadas com a assinatura certificada digitalmente. O mesmo vale para os atestados médicos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Brasil

Proteja-se contra o coronavírus: que cuidados ter com encomendas e prestadores de serviço que chegam à sua casa

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Delivery é melhor opção que a ida às ruas, mas especialistas recomendam atenção com fornecedores e higienização dos produtos que vêm de fora

O dia a dia do isolamento para quem pode ficar em casa, evitando a disseminação do coronavírus, é repleto de dilemas: se acabou a comida e não dá para cozinhar em casa, é seguro pedir que um restaurante entregue? É melhor ir ao mercado, à padaria e à farmácia ou encomendar os itens que faltam? Como minimizar os riscos do delivery? E o que fazer se, mesmo diante da consciência de se suspenderem obras e serviços não essenciais no momento de pandemia, não der para esperar aquele reparo na parte elétrica ou hidráulica e outros ajustes emergenciais?

Para especialistas de plantão, as ordens do dia nesse contato inevitável com o mundo externo são manter a tranquilidade, ajustar o ideal à realidade possível, ter boas práticas de comportamento para garantir a própria segurança e, sobretudo, usar o bom senso:

— É importante trabalhar com o conceito de risco versus benefício. Em geral, em casos como os de obras urgentes, por exemplo, o risco potencial de contato com o coronavírus é bem menor do que o benefício alcançado com o serviço prestado — explica o médico infectologista Paulo Santos, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

O médico recomenda que se tenham, nesses casos, alguns cuidados preventivos básicos, como suspender a visita se o colaborador apresentar sintomas gripais e pedir que ele higienize as mãos logo ao chegar à sua casa. E solicitar o uso de máscara cirúrgica e limpar todo os cômodos pelos quais ele circulou, depois? Para Paulo Santos, é exagero.

Na linha do “mais segurança, menos desespero ou exagero”, algumas práticas podem ser incorporadas à rotina. Sim, o delivery é uma boa opção a sair e se expor nas ruas. Cuidando da limpeza frequente das mãos — não levando-as a olhos e boca —, mantendo a distância de mais de um metro dos colaboradores e certificando-se da seriedade do trabalho de fornecedores e prestadores de serviços, dá para seguir os próximos dias em segurança.

— É claro que não tem como visitar os lugares para ver como o alimento está sendo preparado, mas procurar empresas em que você confia e que tenha boas referência no mercado, neste momento, é importante — diz Cristiane Almeida, chefe do serviço de Nutrição do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

Há mais de dez anos trabalhando no instituto, Cristiane lida diariamente com a orientação de cuidados severos com os alimentos para se evitar infecções hospitalares. Tais “boas práticas”, dispostas na Resolução 216, de 2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), valem para restaurantes e outros provedores de serviços de alimentação, propondo atenção a condições higiênico-sanitárias desses serviços.

— No caso de alimentos, os riscos de contaminação e infecção se dão em todas as etapas, do preparo à entrega, por isso a atenção deve ser redobrada — afirma Cristiane. — Tudo isso que agora estamos reforçando para toda a população é o que sempre recomendamos a esses prestadores de serviços. Todo nutricionista é um pouco educador.

Dicas para se proteger ao receber encomendas ou serviços de colaboradores:

Busque empresas legalmente registradas, que você já conhece e com boas referências no mercado. Se o restaurante ou prestador de serviços está divulgando boas práticas neste momento, bom sinal.

Organize as compras e reduza ao essencial o número de saídas, entregas e visitas de pessoas de fora. Programe-se para ter comida, remédios e artigos de primeira necessidade em casa, mas evite o exagero e o desperdício.

Precisa que alguém monte o berço do seu filho que vai nascer? Estourou um cano e não pode aguardar para que o reparo seja feito? Não se desespere. Evitar obras e visitas no momento é o recomendado, mas algumas são emergenciais e necessárias. Use o bom senso e cuide para que elas se deem de forma segura.

Se você morar em prédio e precisar fazer uma obra em sua unidade privativa, informe-se com o síndico do condomínio as regras a serem adotadas para uso do espaço em comum neste momento de pandemia. Cuide para que o prestador de serviço circule o mínimo possível por espaços coletivos e adote as medidas de higiene e outros cuidados para manter todos em segurança.

Se o prestador de serviço visitante estiver com sintomas gripais, não prossiga com a visita. Para pessoas sem sintomas, ofereça a higienização das mãos com água e sabão ou álcool em gel e permita o acesso.

Evite proximidade menor que um metro do colaborador.

Tanto para compras como para contratação de serviços, dê preferência ao pagamento prévio, pelo aplicativo ou site. Se não houver esta possibilidade, pagar com cartão é melhor que em dinheiro.

Ao receber produtos em casa, evite contato com o entregador. Se houver um local em que ele possa deixar as compras para que depois você pegue, melhor. Alguns aplicativos de entrega têm oferecido esta opção de distanciamento do cliente.

Estudos apontam para risco mínimo de contaminação de superfícies como de correspondências e de jornais impressos, por seu papel poroso. Especialistas recomendam os mesmos cuidados do cotidiano, como lavar as mãos com água e sabão após a leitura do jornal.

Lave frutas, legumes e verduras, pois você não sabe como eles foram manipulados. Lave-os, um a um, em água corrente e depois deixe-os de molho em uma solução de hipoclorito.

Se você não tem certeza dos cuidados de seu preparo e manipulação por parte do fornecedor, evite pedir refeições com alimentos crus e mal cozidos. Não é para tirar saladas cruas do cardápio, mas se você não pode prepará-las em casa, é bom certificar-se de que houve atenção em sua elaboração.

Em caso de delivery de refeições, higienize a embalagem externamente e a coloque sobre uma superfície limpa. Lave as mãos com água e sabão, tire o alimento de sua embalagem original e o coloque em outra, de casa. Descarte a embalagem original em um lixo bem lacrado e lave as mãos novamente, antes de se alimentar.

Fontes: Cristiane Almeida, chefe do Serviço de Nutrição do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), e Paulo Santos, médico infectologista

 
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Saúde

Pesquisadores da Unb sequenciam genoma do coronavírus

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Avanço foi possível a partir de amostra fornecida por paciente de laboratório particular de Brasília. Sequenciamento em várias regiões do país pode revelar mutações do vírus.

Imagem de microscópico mostra o novo coronavírus, responsável pela doença chamada Covid-19 — Foto: NIAID-RML/AP

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) sequenciaram um genoma do novo coronavírus. O avanço foi possível por meio de uma amostra fornecida por um laboratório particular da capital, com autorização do paciente infectado.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o procedimento já havia sido feito. No entanto, de acordo com o virologista e pesquisador da Unb, Bergmann Ribeiro, é importante sequenciar o vírus em várias regiões porque existe a possibilidade de que ele seja diferente.

“O vírus pode sofrer mutações, e através do sequenciamento é possível mapear essas modificações”, afirma o pesquisador.

Bergmann, o biomédico Ikaro Alves e os virologias Tatsuya Nagata e Fernando Lucas trabalharam no sequenciamento. A pesquisa foi uma parceria entre a universidade pública e o laboratório Sabin, que cedeu uma amostra de um paciente infectado.

A descoberta foi concluída na última segunda-feira (30). Antes, a Unb só tinha acesso a uma pequena parte do genoma, cerca de 1%.

“Agora fica mais fácil para os pesquisadores traçarem um perfil do vírus e entender o comportamento dele em ação, disseminação e letalidade. Também é possível começar pesquisas em busca de uma droga que ataque o vírus”, afirma Bergmann.

“Futuramente, essas conclusões podem ajudar nas ações de prevenção.”

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Saúde

Plasma sanguíneo de pacientes curados pode ser usado contra covid-19

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A transfusão de plasma sanguíneo de pacientes curados do coronavírus pode ser utilizada no tratamento de pessoas contagiadas pelo novo coronavírus

Coronavírus: transfusão de plasma sanguíneo pode curar pneumonia (Pixabay/Reprodução)

De acordo com uma nova pesquisa, é possível utilizar o plasma sanguíneo de pacientes que foram curados do novo coronavírus para tratar indivíduos infectados. O estudo foi liderado pelo professor David Tappin, pesquisador da Universidade de Glasgow, na Escócia, e realizado em parceria com a agência europeia Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde, no Reino Unido.

O objetivo foi desenvolver um tratamento experimental para verificar se, utilizando o sangue de pessoas consideras imunes ao covid-19, seria possível curar a pneumonia de pacientes. Chamado de plasma convalescente, este seria transferido para pacientes que estão em unidades de terapia intensiva, UTI, pela pneumonia, para tentar reduzir o número de usuários nessas condições.

Tappin foi chamado pelo Instituto para realizar dois ensaios clínicos, que devem envolver tanto os pacientes como os que tiveram contato próximo com os infectados. O projeto surgiu devido ao fato de que pessoas que foram consideradas curadas do covid-19 apresentam anticorpos em seu sistema sanguíneo, o que demonstra que são imunes ao vírus.

Sendo assim, a intenção é encontrar, entre os curados, indivíduos hiperimunes, cujo sangue apresenta uma quantidade maior de anticorpos e, consequentemente o tratamento possui mais chances de dar certo. A doação de sangue é voluntária, e os pacientes estão sendo considerados pelos órgãos de financiamento médico local.

Segundo Tappin, é preciso que os testes comecem urgentemente: “A inicialização precisará ser mais rápida do que o normal, com a maioria dos outros testes geralmente levando meses ou anos para obter aprovações e começar”, disse, em nota. “Os ensaios precisam ser realizados, caso contrário, não saberemos se essa intervenção é eficaz e vale a pena. Pode não ser o ideal, ou pode funcionar, por exemplo, para conter o desenvolvimento da infecção pelo Covid-19 em contatos como profissionais de saúde e suas famílias, mas talvez não seja tão eficaz para tratar pacientes gravemente enfermos sob ventilação”, completou o líder da pesquisa.

Recentemente, a agência federal Food and Drug Administration, nos Estados Unidos, aprovou o uso de plasma sanguíneo em pacientes. Em seguida, cerca de 100 laboratórios começaram a produzir plasma convalescente para pacientes em UTI, o que fez com que o Reino Unido seguisse o mesmo caminho.

O professor Arturo Casadevall, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, comentou, em nota ao jornal britânico The Guardian, que infusões de anticorpos podem ser eficazes quando realizadas com antecedência, para garantir que o vírus não cause danos graves.

“Se você olhar para a história, isso tem boas chances de funcionar. Mas é um novo vírus e com um novo vírus que você não conhece até saber. Os chineses estão usando e estão apresentando bons resultados, mas precisa ser testado. Isso não é uma panacéia ou uma cura milagrosa; é algo para tentar implementar para ver se podemos ajudar a conter a epidemia”, disse o pesquisador.

Até o momento, o tratamento foi realizado e aprovado na China – mas o estudo contou com apenas 5 pacientes. Os pesquisadores ressaltaram que é necessário testar o tratamento em um número maior de infectados, para que este possa começar a ser oferecido aos indivíduos.

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Saúde

Gigante do tabaco quer criar vacina contra coronavírus com biotecnologia

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Grupo British American Tobacco (BAT) anunciou que uma de suas filiais está trabalhando em uma imunização para covid-19

Vacina: imunização para a covid-19 ainda pode levar 18 meses para chegar ao mercado, segundo a OMS (Javier Zayas Photography/Getty Images)

Maior empresa de tabaco do planeta, o grupo British American Tobacco (BAT) anunciou nesta quarta-feira, 1º, que está utilizando uma de suas filiais para o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus. O plano é utilizar folhas de tabaco para criar uma forma de imunização.

Com sede em Londres e avaliada em 65,5 bilhões de libras esterlinas, a companhia é mais conhecida por deter os direitos de marcas como Lucky Strike, Dunhill e Pall Mall, além de ser acionista majoritária da empresa brasileira Souza Cruz.

Conforme reportado pela AFP, todo o processo está sendo concentrado na empresa americana Kentucky BioProcessing, especializada em biotecnologia e que já trabalhou no desenvolvimento de um tratamento contra o ebola.

Utilizando folhas de tabaco, processo comum na indústria farmacêutica, a companhia clonou uma parte sequencial do vírus e agora trabalha na criação de uma molécula que poderia gerar os anticorpos necessários para combater a doença.

O desenvolvimento da vacina já começou e está em fase pré-clínica. Nessa etapa, o antídoto ainda não foi testado em seres vivos e aguarda autorização de órgãos de saúde. A expectativa da BAT é que isso ocorra em breve. A empresa espera produzir até 3 milhões de doses semanais da vacina.

Esse cenário, porém, é improvável. Mesmo que recentemente Estados Unidos e Israel tenham começado a testar vacinas em humanos, a Organização Mundial da Saúde já se manifestou que uma vacina para prevenir a covid-19 poderia levar 18 meses para chegar ao mercado.

“Acreditamos que temos feito um avanço significativo com nossa plataforma tecnológica de folha de tabaco e estamos dispostos a trabalhar com os governos e todas as partes envolvidas para ajudar a vencer a guerra contra a covid-19”, afirmou David O’Reilly, diretor de pesquisa científica da BAT para a AFP.

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