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Vegetação nativa em propriedades rurais rende ao Brasil R$ 6 tri ao ano

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Pesquisa elaborada por mais 400 cientistas brasileiros calculou o valor de serviços atrelados à conservação da natureza

Meio ambiente: “A vegetação nativa não é um impedimento ao desenvolvimento social e econômico”, diz pesquisador (Ricardo Funari/Getty Images)

Os 270 milhões de hectares de vegetação nativa preservados em propriedades rurais – entre áreas desprotegidas e de Reserva Legal – rendem ao Brasil R$ 6 trilhões ao ano em serviços ecossistêmicos, como polinização, controle de pragas, segurança hídrica, produção de chuvas e qualidade do solo.

O cálculo foi publicado na revista Perspectives in Ecology and Conservation e endossado por 407 cientistas brasileiros, de 79 instituições de pesquisa.

“O artigo tem o objetivo de mostrar que preservar a vegetação nativa não é um impedimento ao desenvolvimento social e econômico, e sim parte da solução. É um ativo para o desenvolvimento sustentável do Brasil, de uma forma diferente do que foi feito na Europa há 500 anos – quando o nível de consciência ambiental era diferente”, disse Jean Paul Metzger, do Departamento de Ecologia da Universidade de São Paulo (USP) e primeiro autor do artigo.

O trabalho usou estudos de valoração de serviços ecossistêmicos e aplicou esses valores aos 270 milhões de hectares de vegetação nativa dos biomas brasileiros. Essas estimativas estão consolidadas e vêm sendo aplicadas há anos, inclusive pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês).

“Esse artigo é importante, pois reúne um conjunto sólido de informações para rebater argumentos que, embora não tenham fundamento, são usados como justificativa para alterações no Código Florestal e nas exigências sobre Reserva Legal”, disse Carlos Joly, coordenador do Programa BIOTA-FAPESP e um dos cientistas que endossam o artigo.

Joly afirma ser importante ressaltar que Reserva Legal e Área de Preservação Permanente têm papel complementar. “Uma não substitui a outra. A Reserva Legal tem uma importância para a manutenção ou restauração de serviços ambientais. Elas são essenciais não só para a questão da biodiversidade, mas também para a proteção e permeabilidade do solo, recarga de aquíferos, proteção de recursos hídricos, estoque de carbono e para manter a população de polinizadores, que é de interesse do próprio agricultor”, disse Joly.

No Brasil, o tamanho da área que deve ser preservada como Reserva Legal varia de acordo com a região: 80% no caso da vegetação florestal da Amazônia, 35% na transição entre Amazônia e Cerrado e 20% nas demais regiões como Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa. Atualmente, a área de Reserva Legal representa quase um terço de toda a vegetação nativa do país.

“O Brasil preserva bastante, tem mais de 60% de cobertura de vegetação e tem uma legislação rigorosa. Se olharmos o ranking do Banco Mundial, estamos na trigésima posição, atrás da Suécia e Finlândia, com cerca de 70%. Mas é preciso chamar a atenção de que preservar não é ruim”, disse Metzger.

O artigo foi elaborado em resposta ao Projeto de Lei n° 2362, de 2019, apresentado no Senado Federal. O texto, posteriormente retirado pelos autores, pretendia alterar ou eliminar a exigência de Reserva Legal. Uma versão do artigo em português será levada ao Congresso e apresentada aos deputados, senadores e auxiliares técnicos.

Se o projeto de lei fosse aprovado, uma área de 270 milhões de hectares de vegetação nativa poderia ser perdida, sendo 167 milhões em áreas de Reserva Legal, que se somariam aos 103 milhões atualmente não protegidos pela Lei de Proteção da Vegetação Nativa (conhecida como Novo Código Florestal), nem como Reserva Legal, nem como Área de Proteção Permanente (por não serem margem de rio, topo de morro, área de encosta e outros ecossistemas considerados sensíveis).

Perde-se dinheiro

Um dos argumentos apresentados no artigo é o impacto de polinizadores na produtividade das lavouras de café. “Um estudo realizado pelo nosso grupo mostrou que a produção dos frutos de café é maior com a presença de abelhas, e que isso representa um ganho de R$ 2 bilhões a R$ 6 bilhões por ano no Brasil. Sem o trabalho das abelhas, continuaria tendo produção de café, mas 20% menor”, disse Metzger.

O serviço de polinização, no entanto, ocorre apenas em áreas adjacentes à vegetação natural, geralmente a uma distância inferior a 300 metros, o que exige a criação de interfaces entre culturas agrícolas e mata nativa.

É importante saber que todo ecossistema tem um ponto de equilíbrio. Não adianta perder um Cerrado inteiro para plantar soja e ficar sem esses serviços. Essa é a base da Reserva Legal”, disse Paulo Artaxo , membro da coordenação do Programa FAPESP de Mudanças Climáticas Globais, que também endossa o artigo.

“Quem tem uma visão de curto prazo, como parte do agronegócio, pensa em três ou quatro anos de lucro pessoal, e depois o país fica com um prejuízo enorme. Essa filosofia tem de acabar e o artigo deixa isso bem claro”, disse Artaxo.

O artigo Why Brazil needs its Legal Reserves (doi: 10.1158/0008-5472.CAN-19-0490), de Jean Paul Metzger, Mercedes M.C. Bustamante, Joice Ferreira, Geraldo Wilson Fernandes, Felipe Librán-Embid, Valério D. Pillar, Paula R. Prist, Ricardo Ribeiro Rodrigues, Ima Célia G. Vieira, Gerhard E. Overbeck, pode ser lido em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S253006441930118X#bib0625.

 

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Economia

Dólar tem forte queda e se aproxima da casa dos 4 reais com reabertura

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Desemprego nos Estados Unidos fica mais de dois terços abaixo do esperado; no Brasil, produção industrial supera expectativas

Dólar: moeda americana caminha para desvalorização superior a 4% na semana (Paul Yeung/Bloomberg/Getty Images)

O dólar retomou sua trajetória de queda frente ao real, nesta quarta-feira, 3, com a manutenção do otimismo global sobre as reaberturas e após a divulgação de dados econômicos, que vieram melhores do que se esperava. Às 12h20, o dólar comercial caía 3,5% e era vendido por 5,027 reais. O dólar turismo, com menor liquidez, recua 5,1%, cotado a 5,23 reais.

Assim como na sessão anterior, o real volta a ser a moeda que mais ganha força nesta sessão, entre as principais divisas emergentes. “Aqui é exagera na ida e exagera na volta também”, comentou Vanei Nagem, analista de câmbio da Terra Investimentos. Segundo ele, há espaço para a moeda chegar entre 4,70 reais e 4,80 reais, cotação que considera mais compatível com o contexto atual.

Entre os fatores locais que ajudam o real a se fortalecer estão a menor tensão política, após o presidente Jair Bolsonaro participar da posse do ministro Alexandre de Moraes como membro efetivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os dados da indústria que vieram acima melhores do que o esperado. Em abril, a produção industrial brasileira caiu 27,2% na comparação anual, enquanto o mercado esperava uma queda de 33,1%.

Para Sidnei Nehme, economista e diretor executivo da corretora de câmbio NGO, a intensa depreciação do dólar está associado ao arrefecimento da tensão política no país, mas ainda não uma tendência de queda sustentável. “O real que vinha mantendo comportamento adverso às demais moedas emergentes frente ao dólar, finalmente, assumiu a tendência de seus pares (…), que assim corrigiu, inclusive, as distorções anteriores”, afirmou em relatório.

Embora a dólar tenha se aproximado da casa dos 4 reais, Fabrizio Velloni, chefe da mesa de câmbio e sócio da Frente Corretora, vê uma maior dificuldade para a moeda americana romper os 5 reais. “É uma espécie de barreira psicológica”, disse. Para isso, segundo ele, precisaria haver uma melhor perspectiva de recuperação da economia interna, que, inevitavelmente, passaria pela queda do número de casos e mortes pelo coronavírus covid-19. Na véspera, o país voltou a registrar recorde de mortes pela doença. Ao todo, já são 31.199 óbitos e 555.393 casos confirmados, de acordo com o Ministério da Saúde.

Nesta manhã, também foi divulgada a variação dos empregos privados dos Estados Unidos. Os números, apresentados pelo instituto ADP apontam para a perda de 2,76 milhões de postos de trabalho em maio. Embora ainda evidencie os impactos negativos do coronavírus, os dados serviram de grande alívio para o mercado, que projetava perdas de 9 milhões de postos. Os dados da ADP servem como uma prévia dos payroll, que será divulgado na sexta-feira.

Os dados de emprego também vieram melhores do que o projetado na zona do Euro. Por lá, a taxa de desemprego de abril ficou em 7,3% ante uma expectativa de 8,2%. Os 31,9 pontos do índice de gerente de compra (PMI, na sigla em inglês) composto da região, referente ao mês de maio, também ficou acima do esperado, embora ainda abaixo dos 50 pontos que dividem a expansão da contração da atividade.

Apesar do bom humor do mercado, principalmente com relação às bolsas de valores, o dólar tem um dia misto frente às moedas emergentes, se desvalorizando frente ao real e ao peso mexicano, mas ganhando força contra o rublo russo, a lira turca e a rúpia indiana.

Na última sessão, o dólar comercial teve sua maior queda contra o real em dois anos e fechou em 5,210 reais.

 

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Economia

Ibovespa sobe mais de 2% supera os 93 mil com otimismo sobre reabertura

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Dados econômicos melhores do que as projeções de mercado endossam tom positivo

Bolsa: rali das reaberturas continua (d3sign/Getty Images)

A bolsa brasileira voltou a apresentar forte valorização, nesta quarta-feira, 3, puxada pelo bom humor global com as reaberturas e com dados econômicos positivos no radar dos investidores. Às 11h18, o Ibovespa, principal índice de ações, subia 2,4% e marcava 93.235,66 pontos.

Em meio ao otimismo generalizado, parte do mercado acredita que o Ibovespa possa voltar aos patamares do início do ano, mesmo com a economia mais fraca no mundo. Para William Teixeira, diretor de renda variável da Messem Investimentos, há espaço para a bolsa chegar no zero a zero, desde que não tenha uma segunda onda de contaminação em países onde já há o maior controle sobre a doença. “A bolsa deve precificar rapidamente melhora da economia”, disse.

Nesta manhã, os dados de desemprego dos Estados Unidos, divulgada pelo Instituto ADP, melhorou ainda mais o ânimo do mercado ao ficar mais de dois terços abaixo das projeções. De acordo com o ADP, em maio, o setor privado do país perdeu 2,76 milhões de postos de trabalho ante uma expectativa de perda 9 milhões de postos. Os dados são conhecidos como “prévia” do payroll, que será divulgado nesta sexta.

“O ADP melhor [que o esperado] deu um ‘plus’ no movimento de alta”, comentou Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. Segundo ele, a velocidade da recuperação da bolsa pode não ser sustentável. “De repente, depois de 3 ou 4 dias de alta, a bolsa vira sozinha, naquela de que ‘virou porque tinha que virar’.”

Embora o momento seja atípico até para os mais experientes, Vieira acredita que ainda dá para “surfar nessa onda”. “Tudo depende de cautela para saber a hora de entrar e de sair”, disse.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 avança pelo quarto pregão consecutivo e caminha para sua sétima alta em oito pregões. O tom positivo ocorre mesmo em meio uma série de protestos desencadeada após a morte do cidadão negro George Floyd por agentes da polícia de Minneapolis.

Apesar da turbulência social que o país vive, Vieira não acredita que as manifestações tenham algum impacto sobre o preço dos ativos, a menos que ocorra uma “disrupção” dos protestos, que levasse à impossibilidade de locomoção (como invasão de aeroportos) ou a uma escalada da violência.

No cenário interno, repercutem positivamente os dados da indústria brasileira, que foram melhores do que a expectativa. Em abril, a produção industrial recuou 27,2% na comparação anual ante uma perspectiva de queda de 33,1%.

Os índices de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto de maio também ficaram acima dos registrados em abril no mundo inteiro, sugerindo que o pior cenário econômico já ficou para trás. “O mercado está olhando para frente. Não tem como correr uma maratona olhando para o pé”, comentou Vieira.

Destaques

Na bolsa, ativos ligados a reabertura das economias lideram as altas da sessão. Na ponta do índice, voltam a figurar as ações da agência de turismo CVC, que disparam 12,9%. Na última sessão, o ativo subiu 20%. Os papéis das companhias aéreas GOL e Azul também apresentam boa performance, subindo 11,7% e 8,5%, respectivamente.

“Gol e Azul estão com planos de retomada de voos. Elas também podem ganhar market share com outras empresas do setor passando por maiores dificuldades, como a Avianca [colombiana] e a Latam”, afirmou Teixeira.

Entre as varejistas, as maiores valorizações são de empresas mais voltadas ao comércio físico, como as de vestuário. No Ibovespa, os papéis da Hering avançam 7%, enquanto os da Renner, 3,7%. Fora do índice, as ações da Marisa sobem 7,8% e da Guararapes (da marca Riachuelo), 5%.

Com grande peso no Ibovespa, os grandes bancos também apresentam forte movimento de recuperação, com a expectativa de que a inadimplência seja menor do que a projetada pelas companhias. Bradesco, Banco do Brasil e Santander sobem cerca de 5% e o Itaú, 3,7%.

“Deve ter um número menor de empresas quebrando. Então, o setor financeiro começa a reagir a isso.  Se as provisões não se concretizarem nos próximos trimestres, o dinheiro volta para o caixa em forma de lucro”, disse Teixeira.

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Economia

Com reformas, PIB pode surpreender, diz economista-chefe do Bradesco

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Para Fernando Honorato, dólar alto pode ser uma oportunidade para atrair investimento estrangeiro, mas agenda de reformas deve ser retomada

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Economia

Preços caem e São Paulo tem deflação pelo segundo mês

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Com a queda de maio, o IPC-Fipe passou a acumular ligeira deflação de 0,05% no acumulado dos primeiros cinco meses de 2020

Loja: resultado de maio ficou dentro das estimativas de 11 instituições de mercado consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de recuo de 0,31% a baixa de 0,19% (Amanda Perobelli/Reuters)

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, registrou deflação de 0,24% em maio, reduzindo o ritmo de queda em relação aos declínios de 0,30% registrado em abril e de 0,38% observado na terceira quadrissemana do mês passado, segundo dados publicados hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O resultado de maio ficou dentro das estimativas de 11 instituições de mercado consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de recuo de 0,31% a baixa de 0,19%, mas acima da mediana, de -0,28%.

Com a queda de maio, o IPC-Fipe passou a acumular ligeira deflação de 0,05% no acumulado dos primeiros cinco meses de 2020. Já no período de 12 meses até maio, o índice registrou alta de 2,38%.

No último mês, quatro dos sete componentes do IPC-Fipe caíram com menor intensidade ou subiram com mais força. Foi o caso de Habitação (de -0,51% em abril para -0,12% em maio), de Transportes (de -1,78% para -1,23%), de Despesas Pessoais (de -1 57% para -0,83%) e de Educação (de 0,02% para 0,03%).

Por outro lado, os itens Alimentação (de 1,26% em abril para 0 66% em maio) e Saúde (de 0,44% para 0,18%) desaceleraram, enquanto o de Vestuário ampliou deflação (de -0,01% para -1 22%).

Veja abaixo como ficaram os componentes do IPC-Fipe em maio:

  • Habitação: -0,12%
  • Alimentação: 0,66%
  • Transportes: -1,23%
  • Despesas Pessoais: -0,83%
  • Saúde: 0,18%
  • Vestuário: -1,22%
  • Educação: 0,03%

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Economia

Aos trancos e barrancos, reabertura da economia avança no Brasil

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Distrito Federal, Salvador e Rio de Janeiro criam regras de funcionamento para diversos serviços

A woman walks her dog on the first day of beaches reopening for sports only amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak, at Copacabana beach in Rio de Janeiro, Brazil June 2, 2020. REUTERS/Pilar Olivares (Pilar Olivares/Reuters Brazil)

Uma nova etapa da reabertura da economia avança em cidades e regiões brasileiras nesta quarta-feira (03), um dia após o país ultrapassar a marca de 30 mil mortes pelo novo coronavírus.

No Distrito Federal, parques e igrejas de grande porte poderão voltar a funcionar para esportes com base em um decreto do governador Ibaneis Rocha. O Parque da Cidade, o maior do estado, ainda não entra nessa fase.

Equipamentos de ginástica, bebedouros e banheiros seguem interditados, assim como restaurantes e outros estabelecimentos comerciais e áreas internas destinadas a atividades coletivas. Máscaras e distanciamento social serão obrigatórios.

No caso das igrejas, a reabertura vale só para aquelas onde há capacidade para mais de 200 pessoas, mas com exigência de fileiras alternadas, cadeiras demarcadas e garantia de distanciamento entre os fiéis. Não poderão entrar aqueles maiores de 60 anos, menores de 12 ou que estão no grupo de risco, e a temperatura deve ser tirada na entrada para barrar quem tiver febre.

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Economia

Produção industrial no Brasil cai 18,8% em abril, diz IBGE

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Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção caiu 27,2 por cento

Produção industrial no Brasil cai 18,8% em abril, diz IBGE

A produção industrial brasileira registrou queda de 18,8 por cento em abril na comparação com o mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção caiu 27,2 por cento. As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de queda de 29,2 por cento na variação mensal e de 33,1 por cento na base anual

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