Nossa rede

Ciência

Substitutos do açúcar podem não ajudar tanto na perda de peso e na saúde

Publicado

dia

Revisão dos estudos produzidos até hoje sugere que resultados são inconclusivos

. (ThinkStock/Reprodução)

São Paulo – Os substitutos do açúcar são amplamente comercializados há anos como grandes aliados na perda de peso e melhoria dos índices de saúde. Sejam artificiais, como o aspartame e a sacarina, ou naturais, como a estévia, seu uso é associado à adição de pouca ou nenhuma caloria à dieta, o que automaticamente traria benefícios ao organismo. Uma nova pesquisa, porém, sugere que talvez seja cedo demais para tirar essas conclusões.

Publicado na última quarta-feira (2), o estudo de revisão conduzido por pesquisadores europeus fez uma ampla avaliação das pesquisas produzidas até hoje sobre os benefícios dos substitutos do açúcar. A conclusão é que não há “evidências convincentes” de benefícios importantes para a saúde e perda de peso no uso dos produtos.

Durante a revisão, a equipe considerou uma série de indicadores de saúde, incluindo peso corporal, índice de massa corporal (IMC), níveis de açúcar no sangue, comportamento alimentar, doenças cardíacas e câncer, segundo o site LiveScience.

Resultados inconclusivos

Grande parte das pesquisas que compararam os efeitos do açúcar com os dos adoçantes não geraram grandes diferenças nos níveis de saúde. Embora alguns estudos tenham sugerido uma ligeira melhoria no IMC e nos níveis de glicose no sangue entre pessoas que usaram substitutos do açúcar, a qualidade das evidências era baixa, segundo os coordenadores da revisão.

O principal resultado do estudo é que as pesquisas realizadas até agora carecem de rigor científico, tendo sido realizadas com amostras pequenas demais ou em períodos curtos de tempo. São necessárias, segundo os cientistas, pesquisas maiores realizadas em períodos mais longos para tirar conclusões precisas sobre o benefício das substâncias.

As informações levantadas ajudarão a informar as diretrizes futuras da Organização Mundial da Saúde sobre os adoçantes sem açúcar. Fonte: Portal Exame

 

Comentário

Ciência

Estamos ficando sem café

Publicado

dia

Maioria das espécies silvestres está em perigo de extinção ameaçando a produção comercial

Café recém cosechado em Yayu, no sudoeste de Etiópia, a terra do ‘Arabica’. ALAN SCHALLER/UNION HAND-ROASTED COFFEE

A maioria das espécies silvestres de café corre o risco de desaparecer nas próximas décadas. De algumas só restam três ou quatro plantas e de outras não há notícias há quase um século. Uma das ameaçadas é a Coffea arabica, da qual procede a maior parte das variedades cultivadas. Ainda que somente três espécies tenham interesse comercial hoje, a extinção de somente uma das demais ameaça o futuro tanto do café silvestre como do cultivado.

Quase 100% dos 10 milhões de toneladas de café em grão que serão colhidas nessa temporada são arabica e robusta (Coffea robusta). Há uma terceira espécie (Coffea liberica) que é consumida em diversas partes da África, mas seu principal valor no cultivo do cafeeiro é como enxerto no rizoma das outras duas espécies. Na natureza, entretanto, há muito mais café. Que se saiba, existem pelo menos 124 espécies silvestres de Coffea. E a maioria não é originária das terras úmidas da Etiópia. Estão em Serra Leoa, no extremo ocidental do continente africano, até no Estado de Queensland no leste da Austrália.

Agora, pesquisadores do Real Jardim Botânico de Kew (Reino Unido) determinaram o estado em que se encontram todas as espécies silvestres conhecidas de café. Os resultados, baseados em uma década de expedições, acabam de ser publicados na Science Advances. Das 124 espécies, 75 estão ameaçadas (60%), de acordo com os critérios estabelecidos pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

“Entre as espécies ameaçadas de extinção estão aquelas com potencial para ser usadas no cultivo e desenvolvimento dos cafés do futuro”

AARON DAVIS, REAL JARDIM BOTÂNICO DE KEW

A porcentagem de ameaçadas sobe até 70% se for descontado do total as quase vinte espécies das quais não existem dados confiáveis. De 14 não há informação recente, em boa parte pelas guerras que impediram seu estudo. De algumas, há mais de um século não se têm notícias e de cinco, todas asiáticas, só existem provas nos herbários ocidentais. Do total, 13 estão em perigo crítico de extinção e somente 35 foram catalogadas como não ameaçadas. Ainda que o risco exista em toda a distribuição geográfica do café silvestre, o drama se concentra em Madagascar, com 43 espécies ameaçadas, Tanzânia, com 12, e Camarões, com sete.

“Entre as espécies ameaçadas de extinção estão aquelas com potencial para ser usadas no cultivo e desenvolvimento dos cafés do futuro”, diz o responsável pela pesquisa do café em Kew e principal autor do estudo, Aaron Davis. Não se trata somente de que salvar uma espécie do desaparecimento seja um valor em si mesmo, é que, ainda sem ter interesse comercia hoje, muitas delas podem contribuir com resistência a doenças e ser capazes de enfrentar as cada vez mais complicadas condições climáticas. “O aproveitamento e desenvolvimento dos recursos do café silvestre podem ser determinantes à sustentabilidade a longo prazo do café”, afirma Davis.

Os autores do estudo classificaram todas as espécies em três grupos de acordo com sua atual previsível relevância futura ao cultivo comercial do café. Em um primeiro grupo colocaram as parentes silvestres do arabica, do robusta e do liberica, além do Coffea eugenioides, antecessor do primeiro. Sua proximidade genética com as espécies comerciais as transformam em reservas vitais à renovação de seu acervo genético. Em um segundo grupo incluíram 38 espécies que, mesmo sem hibridar naturalmente com as comerciais, podem trazer melhoras em resistência, aromas, rendimento… mediante as modernas técnicas agronômicas. No último grupo estão 82 espécies sem interesse comercial agora, ainda que possam ser aproveitáveis graças à engenharia genética.A principal espécie ameaçada, do primeiro grupo, é a arabica, base do cultivo do café. Do segundo grupo, existem outras 23 espécies em perigo. E do restante, outras 51 espécies. Para compreender o alcance desses números e porcentagens, podem ser comparados com o estado geral da conservação das plantas. Enquanto no conjunto do reino vegetal, somente 22% das espécies estão ameaçadas, o estão quase três de cada quatro espécies de café.

Entre as causas há uma natural e o restante de origem humana. A primeira é a própria rigidez biológica do café. Apesar das variedades comerciais estarem presentes em todas as regiões tropicais do planeta, a maioria das espécies silvestres estão em faixas geográficas reduzidas e localizadas, muito adaptadas às condições locais. Por isso, perturbações humanas como a perda do habitat, o avanço da agricultura e efeitos da mudança climática como a redução da temporada de chuvas e o aumento dos dias de calor, estão afetando a resiliência dos cafezais silvestres.

“No café a questão é crítica. Só existem duas espécies utilizadas comercialmente e dessas somente uma pequena parte da variabilidade genética é utilizada”, diz o diretor do Centro Nacional de Pesquisas de Café da Colômbia (Cenicafe), Álvaro León Gaitán, não relacionado a esse estudo. “O problema é que na medida em que as condições de cultivo mudam, é preciso trocar as plantas e a pouca diversidade genética utilizada nas variedades comerciais não dá para selecionar novos tipos de plantas”, afirma. Por isso a importância das espécies silvestres, que podem ter genes com respostas a esses problemas. “No caso do arabica, entretanto, as florestas naturais da Etiópia e do Sudão do Sul nas quais a espécie se originou foram se degradando, de modo que é preciso recorrer às coleções de germoplasma coletadas nos anos 60”, diz o responsável do Cenicafe.Mas o problema da conservação in situse agrava porque muitas das espécies silvestres não têm cópias de respaldo fora. Boa parte da biodiversidade vegetal (e animal) possui estratégias de conservação ex situ. Nos jardins botânicos criados no século XIX, herbários e bancos de sementes e germoplasma, em vários locais do planeta estão guardados recursos da maioria das plantas de interesse aos humanos. Mas enquanto 71% dos 63 principais cultivos humanos contam com alguma cópia de segurança, isso ocorre com somente um terço das espécies de café.

“Ao contrário do feijão e do milho, a viabilidade das sementes de café se reduz significativamente se elas são secas e congeladas (o embrião morre)”, diz a pesquisadora do Global Crop Diversity Trust, Nora Castañeda, autora do estudo com os 63 principais cultivos. “Por isso, é preciso contar com outras alternativas para conservação desses recursos genéticos, como os bancos de germoplasma de campo, cultivos in vitro, criopreservação, parques naturais e até nas próprias fazendas dos produtores”, afirma a cientista colombiana. O objetivo da organização internacional, com sede em Bonn (Alemanha) é preservar a diversidade de cultivos para proteger a segurança alimentar mundial.

Para Castañeda, os resultados do estudo (em que não interveio) são um reflexo do estado de vulnerabilidade da vida silvestre no planeta em geral. “Não deixa de surpreender, entretanto, que os parentes do café se encontrem dentro do grupo de plantas com maior risco de extinção e que, além disso, são vulneráveis pois não recebem ações concretas para sua conservação”, diz por e-mail. Em 2017, em colaboração com o World Coffee Research, sua organização publicou uma estratégia global para a conservação do café. Estimaram que seria preciso investir apenas 25 milhões de dólares (94 milhões de reais) para “conservar em perpetuidade recursos genéticos do café que nesse momento se encontram em coleções chave”, afirma a cientista colombiana. Fonte: Portal El País

Ver mais

Ciência

Com participação de brasileiro, cientistas simulam buraco negro

Publicado

dia

O físico Maurício Richartz, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), é um dos autores do artigo, produzido pelo grupo de Silke Weinfurtner

(Physical Review Letters/Reprodução)

Certos fenômenos que ocorrem em buracos negros, mas não podem ser observados diretamente nas investigações astronômicas, podem ser estudados por meio de simulações em laboratório. Isso se deve a uma analogia peculiar entre processos característicos de buracos negros e processos hidrodinâmicos. O denominador comum de uns e outros é o fato de as propagações de ondas se darem de forma bastante similar.

Essa possibilidade é explorada em um novo artigo publicado na Physical Review Letters. O físico Maurício Richartz, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), é um dos autores do artigo, produzido pelo grupo de Silke Weinfurtner, da School of Mathematical Sciences da University of Nottingham, no Reino Unido. O trabalho teve apoio da FAPESP por meio do Projeto Temático “Física e geometria do espaço-tempo”, coordenado por Alberto Vazquez Saa.

“Embora este estudo seja inteiramente teórico, temos feito também simulações experimentais no laboratório de Weinfurtner. O equipamento é, basicamente, um grande tanque de água, com dimensões de 3 metros por 1,5 metro. O tanque dispõe de um ralo no centro e de um aparato de bombeamento, que reintroduz a água que escoa. Isso possibilita que o sistema atinja um ponto de equilíbrio, no qual a quantidade de água que entra iguala a quantidade de água que sai. Dessa forma, conseguimos simular um buraco negro”, disse Richartz à Agência FAPESP.

O pesquisador explicou como isso é possível. “A água ganha velocidade à medida que escoa. Quanto mais próxima do ralo, mais rapidamente ela flui. Então, quando produzimos ondas na superfície da água, passamos a ter duas velocidades importantes: a velocidade de propagação das ondas na água e a velocidade de escoamento da água como um todo”, disse.

“Longe do ralo a velocidade das ondas é muito maior do que a velocidade do fluido. Por isso, as ondas podem se propagar em qualquer direção. Perto do ralo, porém, a situação muda: a velocidade do fluido torna-se muito maior do que a velocidade das ondas. E isso faz com que a onda seja arrastada pelo fluido, mesmo que ela se propague em sentido contrário. Dessa forma, é possível produzir, em laboratório, um simulacro do buraco negro”, prosseguiu.

No buraco negro astrofísico real, a atração gravitacional captura a matéria e impede o escape de qualquer tipo de onda – mesmo das ondas luminosas. No simulacro hidrodinâmico, são as ondas na superfície do fluido que não conseguem escapar do vórtice que se forma.

Em 1981, o físico canadense William Unruh descobriu que a similaridade dos dois processos, o do buraco negro e o hidrodinâmico, constitui mais do que uma simples analogia. De fato, feitas algumas simplificações, as equações que descrevem a propagação de uma onda nas vizinhanças do buraco negro tornam-se rigorosamente iguais às equações que descrevem a propagação da onda na água que escoa pelo ralo.

É isso que legitima investigar, no processo hidrodinâmico, fenômenos característicos de buracos negros. No novo estudo, Richartz e colaboradores estudaram o relaxamento de um simulacro de buraco negro hidrodinâmico fora do equilíbrio, levando em conta fatores que haviam sido ignorados até então. O fenômeno estudado é, em alguns aspectos, semelhante ao processo de relaxamento de um buraco negro astrofísico real que emite ondas gravitacionais após ser criado pela colisão de dois outros buracos negros.

“Uma análise cuidadosa do espectro das ondas revela as propriedades do buraco negro, como o momento angular e a massa. Em sistemas gravitacionais mais complexos, o espectro pode depender de mais parâmetros”, descreve o artigo publicado em Physical Review Letters.

Vorticidade

Um parâmetro geralmente ignorado nos modelos mais simples – e que foi considerado no estudo – é a vorticidade. Trata-se de uma grandeza empregada em mecânica dos fluidos para quantificar a rotação de regiões específicas do fluido em movimento.

Se a vorticidade é nula, a região simplesmente acompanha o movimento do fluido. Porém, se a vorticidade não é nula, além de acompanhar o fluxo, ela também rotaciona em torno de seu próprio centro de massa.

“Nos modelos mais simples, geralmente se assume que a vorticidade no fluido seja igual a zero. Isso é uma boa aproximação para regiões do fluido situadas longe do vórtice. Mas, para regiões próximas do ralo, já não é uma aproximação tão boa, porque, neste caso, a vorticidade se torna cada vez mais importante. Então, uma das coisas que fizemos em nosso estudo foi incorporar a vorticidade”, disse Richartz.

Os pesquisadores buscaram entender como a vorticidade influencia o amortecimento das ondas durante a propagação. Quando um buraco negro real é perturbado, ele emite ondas gravitacionais que oscilam com uma certa frequência. A amplitude das ondas decai exponencialmente com o tempo. O conjunto de ressonâncias amortecidas que descreve como o sistema excitado é levado de volta ao equilíbrio é caracterizado, tecnicamente, por um espectro de modos quase-normais de oscilação.

“Em nosso trabalho, investigamos como a vorticidade influencia os modos quase-normais no análogo hidrodinâmico do buraco negro. E nosso principal resultado foi o fato de termos encontrado algumas oscilações que decaem muito lentamente, isto é, que permanecem ativas por muito tempo, e que ficam localizadas espacialmente nas proximidades do ralo. Essas oscilações já não constituem modos quase-normais, mas um outro padrão denominado estados quase-ligados”, disse Richartz.

Um desenvolvimento futuro da pesquisa é produzir experimentalmente esses estados quase-ligados em laboratório.

O artigo Black Hole Quasibound States from a Draining Bathtub Vortex Flow (doi: https://doi.org/10.1103/PhysRevLett.121.061101), de Sam Patrick, Antonin Coutant, Maurício Richartz e Silke Weinfurtner, está publicado em:https://journals.aps.org/prl/abstract/10.1103/PhysRevLett.121.061101. O texto também pode ser lido emhttps://arxiv.org/pdf/1801.08473v2.pdf.

Fonte: Portal Exame

 

Ver mais

Ciência

Próxima Lua de Sangue será visível no Brasil apenas em 2022

Publicado

dia

Segundo o Observatório Nacional, o próximo eclipse total da Lua está previsto para 2021, mas não será visível em todo o território nacional

Eclipse: quem conseguiu ficar acordado na madrugada desta segunda-feira (21) assistiu a um espetáculo raro da astronomia (Jean-Paul Pelissier/Reuters)

Quem conseguiu ficar acordado na madrugada desta segunda-feira (21) assistiu a um espetáculo raro da astronomia, o eclipse total de uma superlua. O fenômeno começou por volta da 1h30 de hoje, quando a Lua começou a entrar na sombra da Terra e teve início o eclipse parcial.

Pouco depois das 2h30 começou o eclipse total, ou seja, a chamada Lua de Sangue, que é quando o satélite está completamente na sombra da Terra e adquire uma cor avermelhada. O fenômeno durou aproximadamente uma hora.

Segundo a pesquisadora do Observatório Nacional Josina Nascimento, o próximo eclipse total da Lua está previsto para 2021, mas não será visível em todo o território nacional e em todas as suas fases.

A próxima Lua de Sangue visível para os brasileiros ocorrerá somente em 16 de maio de 2022, segundo a previsão dos pesquisadores. Fonte: Portal Exame

 

Ver mais
Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade