Nossa rede

Ciência

Saiba como a dengue pode aumentar imunidade contra Zika

Publicado

dia

Pesquisa feita com 1,4 mil pessoas mostra que pessoas com dengue produzem anticorpos que impendem que o vírus Zika desencadeie uma infecção

O mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue e da zika (Alvin Baez / Reuters/Reuters)

Um grupo internacional de pesquisadores, entre eles brasileiros de diversas instituições, identificou novas evidências de que uma infecção prévia pelo vírus da dengue pode gerar imunidade contra o vírus causador da Zika. A conclusão foi apresentada em um estudo publicado na quinta-feira na revista Science. De acordo com o trabalho, o organismo de quem já teve dengue produziria anticorpos capazes de impedir que o vírus Zika penetre nas células e desencadeie uma infecção.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores usaram dados de um amplo estudo envolvendo 1.453 moradores da favela de Pau de Lima, localizada em Salvador, na Bahia. Sabe-se que aquela comunidade convive com o vírus da dengue há pelo menos 30 anos e foi uma das principais áreas afetadas pelo Zika na epidemia de 2015.

Amostras de sangue coletadas antes, durante e depois de a epidemia se instalar na região foram submetidas a um ensaio para medir a resposta de um anticorpo produzido pelo sistema imune, a imunoglobulina G3 (IgG3), contra a NS1, proteína do Zika encontrada na corrente sanguínea logo nos primeiros dias após a infecção.

Os pesquisadores encontraram sinais de IgG3 em 73% das amostras colhidas em outubro de 2015, no auge da epidemia de Zika na região. Isso sugere que as pessoas em Pau de Lima tiveram bastante contato com o vírus transmissor da doença à época. Algumas, no entanto, não foram infectadas. Os pesquisadores, então, analisaram as amostras de sangue colhidas antes do início do surto de Zika, em março de 2015. Ao analisá-las, identificaram que alguns indivíduos tinham níveis bem elevados de anticorpos contra o vírus da dengue.

Os resultados levaram os pesquisadores a inferir que múltiplas exposições ao vírus da dengue teriam protegido as pessoas contra o Zika. “Nossos achados sugerem que cada duplicação dos níveis de anticorpos contra dengue corresponde a uma redução de 9% no risco de infecção pelo Zika”, explica o médico brasileiro Ernesto Azevedo Marques, do Departamento de Microbiologia e Doenças Infecciosas da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo na Science.

O trabalho também envolveu a participação de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e de São José do Rio Preto (Famerp), em São Paulo, além do Departamento de Medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco e da Flórida, ambas nos Estados Unidos. O grupo da Famerp contou com apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático e de um Auxílio à Pesquisa em Políticas Públicas para o SUS.

Marques esclarece que os dois vírus integram a família dos flavivírus e são geneticamente muito semelhantes. Por causa dessa semelhança, pensava-se que a infecção prévia por dengue pudesse gerar quadros mais graves de febre Zika, parecidos com os que ocorrem na dengue hemorrágica, quando a pessoa que já havia tido a doença é infectada por outro subtipo do vírus.

“Nesses casos, os anticorpos que o sistema imune produz da primeira vez contra um dos subtipos do vírus da dengue — são quatro no total — não neutralizam os outros de modo eficiente”, afirma o brasileiro, que também é pesquisador associado do Instituto Aggeu Magalhães da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Recife, Pernambuco. “No caso da dengue, a infecção por um subtipo gera uma reação cruzada contra as outras variedades do vírus, o que pode facilitar a sua entrada nas células do sistema de defesa, nas quais ele se reproduz, aumentando o número de suas cópias e a gravidade da infecção.”

Do mesmo modo, imaginava-se que a imunização parcial que favorece o agravamento da dengue também pudesse facilitar a infecção por Zika. O virologista Maurício Lacerda Nogueira, professor da Famerp e um dos autores do trabalho, lembra que no início da epidemia vários estudos in vitro demonstraram que os anticorpos antidengue facilitariam a infecção por Zika por meio de um mecanismo chamado facilitação mediada por anticorpos (ADE, na sigla em inglês). “Esse mecanismo seria responsável por quadros de febre Zika mais graves”, destaca Nogueira, que coordenou um estudo publicado em 2017 na Clinical Infectious Diseases que indicou que, em seres humanos, uma infecção prévia por dengue não leva necessariamente a um quadro mais grave de Zika. Ambos são transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti.

Segundo Nogueira, agora, no estudo publicado na Science, não apenas foi demonstrado que o fenômeno ADE não ocorre, como que as pessoas que haviam se infectado pela dengue e desenvolveram altos níveis de anticorpos nem sequer se contaminaram pelo Zika durante o surto de 2015.

No estudo, os pesquisadores também identificaram contrastes epidemiológicos dentro da própria comunidade. Em algumas áreas de Pau de Lima, todos os moradores se contaminaram com o vírus Zika. Em outras, nenhum caso foi registrado. “Ainda não sabemos como foi a dinâmica da epidemia na região nordeste como um todo”, comenta Marques. Também não se sabe o efeito de uma infecção prévia pelo vírus da dengue nos casos de infecção por Zika em gestantes. “Existem estudos em andamento investigando essa questão”, diz.

O artigo científico, assinado por Rodriguez-Barraquer, Isabel et al. “Impact of preexisting dengue immunity on Zika virus emergence in a dengue endemic region”, foi publicado na revista Science. v. 363, n. 6427, p. 607-10. fev. 2019.

Fonte Exame

 

Comentário

Ciência

No avesso da razão

Publicado

dia

A ciência comprova cada vez mais o aquecimento global — e que sua origem está nas atividades industriais. Mas ainda há quem negue isso, como Trump

Quem esteve vivo em 2018 nem precisou atentar às variações bruscas do clima para perceber que algo está saindo do controle. Houve furacões devastadores na Carolina do Norte e na Califórnia, nos Estados Unidos. Também na Califórnia, houve incêndios terríveis que transformaram as matas em selvas de fogo. Houve enchentes especialmente violentas no Japão. Houve uma seca brutal entre março e setembro em toda a Europa. O sertão nordestino sofreu as consequências da pior seca da história, que afetou quase 15 milhões de brasileiros — pela fome, pela falta de água, pelo desemprego.

Os ventos, as águas e a luz do Sol — todas essas expressões tão bem­-vindas da natureza — estão apenas respondendo, de modo particularmente agressivo e extremado, ao que todo mundo já sabe: o planeta Terra está ficando cada vez mais quente. Até os que desprezam as mudanças climáticas sabem que o aquecimento global está aí para qualquer um ver e comprovar. O que os cientistas já estão fartos de concluir — e os negacionistas ainda insistem em negar — é que o aquecimento global não é um ciclo natural e inevitável, mas uma decorrência direta da ação humana.

Na primeira semana de fevereiro, a Nasa, a agência espacial americana, divulgou dados que mostram o nível do aquecimento global: 2018 foi o quarto ano mais quente desde o fim do século XIX, precisamente desde 1880. E quais foram os três anos mais quentes que 2018? Ei-los: 2015, 2016 e 2017 (veja o gráfico acima). A sequência é inquestionável para demonstrar que a mudança climática está aí. Mas, como se isso não bastasse, outros três centros de pesquisa chegaram à mesma conclusão. São eles: a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, o Met Office, da Inglaterra, e a Organização Meteorológica Mundial, órgão da ONU. No dia do anúncio da Nasa, o climatologista britânico Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais, que analisa mês a mês as temperaturas na superfície terrestre e nos mares, declarou o seguinte, com base nas informações coletadas em 6 300 pontos do planeta: “Não estamos mais falando de uma situação na qual o aquecimento global é algo do futuro. Ele está aqui, e agora”.

Os dados mostram que, de 1880 para cá, a temperatura média mundial subiu cerca de 1 grau. As evidências de que esse aquecimento é um resultado da ação humana são ratificadas pela história. De 1880 em diante, com o crescente consumo de combustíveis fósseis, como o carvão e, principalmente, o petróleo, a temperatura começou a subir gradualmente. Desconfiados de que essa elevação não teria ocorrido apenas quando a medição começou a ser feita, os cientistas passaram a pesquisar o que houve antes de 1880. Concluíram que a variação do clima se deu com a chegada da Revolução Industrial, na Europa do século XVIII, quando a mão humana começou, de fato, a interferir na natureza. Na primeira fase, de 1760 a 1830, o carvão era o combustível da vez. Na segunda fase, de 1870 até a I Guerra, o petróleo tornou-se prevalente — e a temperatura subiu ao sabor dessas inovações industriais.

A despeito dessa constatação histórica, há ainda uma boa parcela de indivíduos que insiste em negar que a humanidade tenha qualquer responsabilidade pelas mudanças climáticas do planeta. Trata-se, enfim, de uma autêntica onda de negacionismo. Nos Estados Unidos, um levantamento conduzido em 2018 pelo Instituto Gallup revelou que 55% dos americanos não veem o aquecimento global como uma ameaça. Para o coordenador do programa de Comunicação sobre Mudanças Climáticas da Universidade Yale, Anthony Leiserowitz, essas conclusões mostrariam que eles “acreditam que se trata de um problema distante”. A mesma pesquisa também revelou que, entre os leigos que aceitam que há, sim, aquecimento global, 64% creem que o fenômeno tem a ver com a atividade humana. Entre os cientistas, esse número sobe para 97%.

(Aliás, no fim do ano passado saiu um novo estudo que demonstra que o aquecimento global não está nada distante de nós, embora seja difícil perceber algumas de suas impensáveis consequências. A mais recente descoberta é que a população de insetos está caindo em razão do aquecimento global. Na vida cotidiana, ninguém percebe o declínio de insetos, mas o fenômeno afeta radicalmente toda a cadeia alimentar de uma floresta.)

CALOR INTENSO - Incêndios tomaram a Califórnia em 2018 (Mark Ralston/AFP)

A alta porcentagem dos chamados “céticos” explica o sucesso do discurso de políticos que igualmente desacreditam das razões das mudanças climáticas. “O conceito de aquecimento global foi criado por e para os chineses para tornar a produção dos EUA não competitiva”, escreveu no Twitter, ainda em 2012, Donald Trump. Após ser eleito, em 2016, o republicano mudou um pouco sua linha de raciocínio. Agora, afirma acreditar que o planeta possa estar se aquecendo, mas não atribui isso ao progresso industrial. “Não acho que seja uma invenção. Porém eu não sei se foi causado pelo homem”, disse ele em entrevista à TV CBS, em outubro. Pouco mais de um ano antes, em junho de 2017, Trump anunciara a retirada dos EUA do Acordo de Paris.

Firmado em 2015, o acordo é o mais relevante tratado climático global e a maior esperança de conter a catástrofe. Foi aprovado por 195 países, inclusive EUA e Brasil. Ele define que devem ser realizadas medidas de prevenção, como a substituição de fontes fósseis de energia pelas fontes limpas, a redução do desmatamento e o desenvolvimento de métodos sustentáveis de agricultura. O objetivo é evitar que o aumento da temperatura no mundo ultrapasse 2 graus ainda neste século, em comparação aos níveis anteriores a 1880. Para chegar a essa meta, cada nação tem seus próprios objetivos a cumprir.

No ano passado, na esteira de Trump, o então candidato Jair Bolsonaro, avesso às preocupações ambientais, afirmou que também excluiria o Brasil do Acordo de Paris. Depois de sua eleição, a promessa sofreu resistência não só de ambientalistas como também de ruralistas, receosos de sanções econômicas — sobretudo da Europa — que poderiam advir de tal atitude. Bolsonaro, por ora ao menos, recuou, e o país continua no acordo. “Sou defensor do meio ambiente, mas dessa forma xiita, como acontece, não”, afirmou o presidente em dezembro, sem definir o que vem a ser “defesa xiita”. O assunto permanece como um nó górdio dentro do governo, tanto que, na semana passada, veio a público que a Abin, a agência secreta brasileira, andou bisbilhotando a movimentação do clero da Igreja Católica, que se prepara para um encontro sobre a Amazônia em Roma, em outubro. O governo teme que o encontro acabe servindo para criticar sua política ambiental — o que é muito provável que aconteça dado o histórico de Bolsonaro quando o assunto é índio, quilombola ou floresta.

O economista americano Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia em 2008, argumenta que o negacionismo das mudanças climáticas segue os passos de outras tentativas históricas de não aceitar conclusões científicas. Em artigo publicado no jornal The New York Times, Krugman utilizou como um de seus exemplos as campanhas — encampadas pela indústria do cigarro — que em meados do século passado tentavam convencer o público de que o tabaco não faria mal à saúde, ao contrário do que começava a apontar a medicina. Passados mais de sessenta anos do momento descrito, sabe­-se que a ciência venceu. É de esperar que o mesmo ocorra em relação ao aquecimento global.

Fonte Exame

 

Ver mais

Ciência

Técnica brasileira visa transplante de órgãos de porcos para humanos

Publicado

dia

Para reduzir a fila de transplante de órgãos, pesquisadores apostam na modificação de porcos para tornar seus órgãos compatíveis com o organismo humano

Xenotransplante: porcos modificados para esse fim são criados em países como Alemanha e Estados Unidos (Torwai Suebsri / EyeEm/Getty Images)

A possibilidade de reduzir ou mesmo acabar com a fila de transplante de órgãos no Brasil pode se tornar uma realidade por meio do xenotransplante.

Assim é chamado o transplante de órgãos entre duas espécies diferentes – nesse caso o Sus scrofa domesticus e o Homo sapiens, porco e homem.

A iniciativa foi apresentada no primeiro dia da FAPESP Week London, que ocorre de 11 a 12 de fevereiro de 2019.

“Os órgãos dos suínos são muito semelhantes aos de humanos, mas se fossem transplantados hoje seriam rejeitados. A ideia é modificá-los para que se tornem compatíveis com o organismo humano”, disse Mayana Zatz, professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e pesquisadora responsável pelo estudo.

A coordenação científica é do IB-USP, no âmbito do Centro de Pesquisa do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.

As outras instituições associadas são o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e o Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (InCor).

O projeto é uma parceria da farmacêutica EMS e FAPESP, no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE). É coordenado pelo professor Silvano Raia, da Faculdade de Medicina da USP. Raia foi o primeiro médico a realizar um transplante de fígado com doador cadáver na América Latina e o primeiro transplante com doador vivo no mundo.

Atualmente, porcos modificados para esse fim são criados em países como Alemanha e Estados Unidos, com resultados promissores de transplantes de seus órgãos em macacos.

Segundo a geneticista, três genes que provocam a rejeição são bem conhecidos. Desativando-os por meio da técnica de edição gênica conhecida como Crispr-Cas9, é possível fazer com que o sistema imunológico humano não rejeite os órgãos.

O soro do sangue desses porcos será testado com o de pessoas que estão na fila de transplante de rim, a fim de verificar a presença de anticorpos que possam rejeitar os órgãos suínos na população brasileira.

As amostras fazem parte da soroteca do Laboratório de Imunologia do InCor, dirigido pelo médico Jorge Kalil, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos responsáveis pelo projeto. Atualmente, mais de mil amostras de soro de pacientes candidatos a transplante de rim que têm rejeição a qualquer rim humano compõem a soroteca.

Simultaneamente, Kalil e a professora Maria Rita Passos-Bueno, do IB-USP e também pesquisadora do projeto, vão desenvolver novos protocolos de acompanhamento de futuros pacientes transplantados, a fim de monitorar no sangue o surgimento de anticorpos que possam causar rejeição.

O Brasil ocupa a segunda colocação em número absoluto de transplantes, atrás apenas dos Estados Unidos. No entanto, a fila de espera por órgãos ultrapassou 41 mil inscritos em 2016. O transplante de rim é o que apresenta a maior discrepância entre número de pacientes na fila de espera e procedimentos realizados: foram 5.592 transplantes para 24.914 inscritos. Em 2017, 1.716 pacientes morreram enquanto esperavam por um rim.

“Trata-se de desenvolver um produto de base biotecnológica nacional, cujo objetivo final será prover à população em fila de espera para transplantes uma alternativa terapêutica viável e definitiva, que pode encurtar o sofrimento do paciente e seus familiares”, disse Zatz à Agência FAPESP.

Hoje, mesmo transplantes entre humanos exigem que o transplantado tome medicamentos imunossupressores, alguns para o resto da vida, a fim de combater a rejeição. No caso dos que precisam de transplante de rim, há ainda um custo elevado em hemodiálise daqueles que esperam por um novo órgão.

A fase inicial do projeto tem duração prevista de três anos e prevê ainda compatibilizar aspectos éticos, religiosos e legais do xenotransplante, pela criação de uma cátedra sobre o assunto no Instituto de Estudos Avançados.

Fabricação de órgãos

Durante sua palestra, Zatz apresentou ainda os resultados mais recentes da criação de órgãos a partir de células-tronco. Como parte do trabalho de doutorado de Ernesto Goulart, de pós-doutorado de Luiz Caires e de Luciano Abreu Brito – todos com bolsa da FAPESP –, fígado e artéria hepática de ratos foram criados usando células-tronco de um mesmo animal.

A aorta e o fígado de ratos foram descelularizados, ou seja, foram removidas todas as células por ácidos especiais, restando apenas um suporte (scaffold) formado por colágeno. Células-tronco de humanos foram colocadas nesses suportes e se reprogramaram em células hepáticas e de aorta, criando novos órgãos.

Futuramente, essa pode ser uma solução para pessoas que precisam de transplante de órgãos. Por serem feitos com células do próprio paciente, estes não estariam sujeitos a rejeição pelo organismo.

Zatz apresentou ainda outras possibilidades de uso da genética para um envelhecimento saudável, como a medicina P4 (preditiva, preventiva, personalizada e participativa). Por meio da análise do perfil genético do paciente, é possível saber quais doenças a pessoa pode vir a desenvolver. Com isso, pode-se preveni-las e mesmo participar do tratamento junto com o médico.

“A partir de estudos de milhares de pessoas no mundo inteiro que têm doenças, comparando com pessoas saudáveis, podemos derivar o que chamamos de riscos poligênicos, que são as chances aumentadas de ter diabetes, problemas cardíacos, hipertensão, câncer, entre outras. Essas doenças dependem muitos dos genes, mas também do ambiente”, disse Zatz.

A pesquisadora apresentou ainda o projeto 80+, que sequenciou o genoma de 1.324 pessoas com mais de 60 anos para entender como os que permanecem saudáveis depois dos 80, ou mesmo depois dos 100 anos de idade, diferem dos demais e quais desses fatores podem ser aplicados para a população como um todo. Atualmente existem cerca de 500 mil pessoas acima de 100 anos no mundo.

Ver mais

Ciência

EUA querem que espaço seja “campo de batalha”, diz China

Publicado

dia

Reação chinesa vem após os EUA anunciarem a criação de uma Força Espacial. ” Isto leva à militarização e põe em perigo o espaço exterior”, disse o chanceler

NASA: imagem da superfície da Terra (AFP/Nasa/Michael Benson/AFP)

Pequim – A China acusou nesta terça-feira os Estados Unidos de querer transformar o espaço em um “campo de batalha”, depois que o Pentágono divulgou ontem um relatório que incluía a China como possível adversário no domínio do espaço.

“Recentemente, os Estados Unidos definiram o espaço exterior como um campo de batalha e anunciaram a criação de uma Força Espacial. Isto leva à militarização e põe em perigo o espaço exterior”, afirmou em entrevista coletiva a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Hua Chunying.

Sob o título “Desafios à Segurança no Espaço”, o relatório elaborado pela Agência de Inteligência do Departamento de Defesa dos EUA inclui Pequim na lista de quatro possíveis rivais que Washington deveria enfrentar em caso de um ataque que colocasse em perigo seus recursos espaciais.

Em referência a tal documento, Hua ressaltou que contém “alegações infundadas”, além de representar um “pretexto” da parte americana para “construir sua força militar” no espaço exterior.

“Se os Estados Unidos estão realmente preocupados com a segurança espacial, deveriam trabalhar com a China” para favorecer “o controle armamentista no espaço, ao invés de fazerem o contrário”, ressaltou a funcionária.

Por outro lado, Hua qualificou de injustas as declarações efetuadas ontem em Budapeste, na Hungria, pelo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que pediu que os países da Europa Central resistam à influência da Rússia e da China, pois estes países “não compartilham os princípios de liberdade”.

“Os Estados Unidos fazem o possível para fabricar acusações desse tipo e assim prejudicar as relações da China com outros países. Uma ação assim não é justa nem moral, e não corresponde com a posição dos Estados Unidos como potência”, opinou Hua.

Fonte Exame

 

Ver mais
Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade