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Quase 5 meses após megaoperação na Cracolândia, unidades de atendimento para usuários estão fechadas

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Locais foram inaugurados como pilares da política de tratamento de drogas da Prefeitura. Entre justificativas estão a construção de prédios habitacionais e danos no telhado de uma unidade após forte chuva.

Tenda do projeto Redenção, quando foi inaugurada, e, quase cinco meses depois, um terreno baldio (Foto: Paulo Toledo Piza e Paula Paiva Paulo/G1)

Tenda do projeto Redenção, quando foi inaugurada, e, quase cinco meses depois, um terreno baldio (Foto: Paulo Toledo Piza e Paula Paiva Paulo/G1)

Quase cinco meses após a Prefeitura e o governo do estado realizarem uma megaoperação na Cracolândia, parte das unidades de atendimento aos usuários de drogas mantidas pelo município no local estão fechadas ou operando parcialmente.

Algumas foram inauguradas como pilares da política de tratamento de drogas da gestão do prefeito João Doria (PSDB) -que, na ocasião da operação, afirmou que a Cracolândia tinha acabado. Entre elas estão as unidades do Atende (Atendimento Diário Emergencial) e a tenda do Redenção, na Rua Helvétia, responsável pela recepção e triagem de dependentes para internação.

Entre as justificativas para o fechamento estão a necessidade de construir prédios habitacionais e danos no telhado de uma unidade após forte chuva.

A poucos metros do fluxo (como é chamada a principal concentração de usuários, localizada na Alameda Cleveland com a Rua Helvétia), as unidades de atendimento mais próximas dos dependentes estão fechadas. A Prefeitura de São Paulo diz que o terreno pertence à Parceria Público Privada (PPP) de Habitação e que “serviços estão temporariamente suspensos”.

Também na Rua Helvétia, a tenda do projeto Recomeço, da gestão Geraldo Alckmin, do governo do estado, está fechada com um tapume. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, “houve redução na demanda da tenda, o que evidencia a reorganização dos fluxos”. “Comparando-se o balanço de atendimentos de maio e setembro, houve uma queda de 30% no mês passado – de 953 para 642 triagens na tenda”, diz a nota (leia mais abaixo).

Tenda do projeto Recomeço, do governo do estado, está fechada com tapume. Local foi inaugurado em 2014 (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Tenda do projeto Recomeço, do governo do estado, está fechada com tapume. Local foi inaugurado em 2014 (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

O fechamento destes locais mudou a cara da região, onde antes se via a presença maior de profissionais da saúde e da assistência social.

Pequenos grupos de usuários também passaram a se concentrar no entorno, como na Rua Barão de Piracicaba e na Avenida Júlio Prestes.

Após a intensificação das revistas pessoais e das operações rotineiras de limpeza, feitas pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) com apoio da Polícia Militar, funcionários da assistência social relatam uma maior dificuldade ao abordar os usuários, que estão mais arredios.

Na manhã desta terça-feira (10), a reportagem do G1 flagrou um conflito entre usuários e a Polícia Militar após a operação de limpeza. Bombas de gás foram lançadas contra usuários, que, na fuga, roubaram pedestres que estavam na Praça Júlio Prestes.

Procurada, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) disse que duas pessoas foram presas em flagrante. “Um homem foi detido com drogas na Alameda Barão de Piracicaba, após a PM ser chamada para prestar apoio durante um confronto entre Guardas Municipais e usuários. Foi necessário uso moderado da força para conter o tumulto. Ninguém ficou ferido,” diz a nota. A PM disse ainda que uma mulher também foi presa na praça por suspeita de tráfico e encaminhada ao Denarc.

A Secretaria de Segurança Urbana, pasta vinculada à Prefeitura e responsável pela GCM, disse que durante a ação desta terça não houve registro de confronto envolvendo guardas e usuários.

Atende 2, serviço mais próximo ao atual fluxo de usuários, está fechado (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Atende 2, serviço mais próximo ao atual fluxo de usuários, está fechado (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Veja a situação de cada equipamento de assistência social da Cracolândia:

– ATENDE 1:

Com as chuvas da semana passada, o local teve a cobertura danificada após uma ventania e o espaço de convivência foi interditado. A entrega de almoço e o pernoite funcionam normalmente.

O Atende 1 foi a primeira unidade de Atendimento Diário Emergencial a ser inaugurado, no dia 9 de junho, no estacionamento da sede da Guarda Civil Metropolitana, na Rua General Couto de Magalhães.

Estrutura foi danificada após chuvas da semana passada. Pernoite e almoço funcionam normalmente (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Estrutura foi danificada após chuvas da semana passada. Pernoite e almoço funcionam normalmente (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

– ATENDE 2:

Serviço que funcionava mais próximo ao atual fluxo de usuários, na Rua Helvétia, está fechado. A prefeitura disse que o local foi fechado porque o terreno pertence à Parceria Público Privada (PPP) de Habitação e o equipamento “está sendo realocado” e os “serviços estão temporariamente suspensos para reforma da estrutura, que será reaberto nos próximos dias”. No entanto, não detalha o dia nem onde será o novo Atende 2.

Segundo relatos de funcionários, o equipamento está fechado há pelo menos duas semanas após o roubo de fiações e canos. A prefeitura não confirma o roubo.

O local foi inaugurado no dia 29 de junho. O espaço era equipado com 68 jogos de beliches e quatro camas de solteiro. Havia oito banheiros, divididos em masculinos e femininos e duas baterias de chuveiros elétricos, também divididos por gênero, no total de 20 cabines para banho. Eram servidas 500 refeições diariamente: 200 cafés da manhã, 100 almoços e 200 jantares.

– ATENDE 3:

O último a ser inaugurado, dia 13 de julho, na Rua General Rondon, é o único que funciona normalmente. Foi aberto após a prefeitura se comprometer com os moradores da região de que a duração neste endereço seria de no máximo de 120 dias.

– CAPS Redenção:

A tenda do projeto Redenção foi um dos primeiros equipamentos de saúde a ser instalado após a megaoperação policial na Cracolândia. Inaugurada dia 26 de maio, a tenda abrigava o contêiner intitulado de “Unidade Avançada” CAPSADIII, um Centro de Atenção Psicossocial, com a promessa de receber os usuários que queriam voluntariamente se internar. A estrutura contava com uma equipe multidisciplinar, com dois psiquiatras de plantão 24 horas.

Caps funcionava com uma equipe multidisciplinar, com dois psiquiatras de plantão 24 horas (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Caps funcionava com uma equipe multidisciplinar, com dois psiquiatras de plantão 24 horas (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Agora, o local abriga um terreno baldio e sujo. A prefeitura disse que o atendimento do CAPS passou a funcionar em frente ao local anterior, “sem prejuízo dos atendimentos”, no espaço que antes funcionava o programa Braços Abertos, da gestão Hadad. A prefeitura disse ainda que a tenda foi desmontada porque também pertencia ao terreno da PPP de Habitação.

Terreno onde ficava tenda do Redenção agora está vazio e sujo (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Terreno onde ficava tenda do Redenção agora está vazio e sujo (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Prefeitura disse que CAPS passou a funcionar, 'sem prejuízo dos atendimentos', em antiga tenda do programa Braços Abertos (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Prefeitura disse que CAPS passou a funcionar, ‘sem prejuízo dos atendimentos’, em antiga tenda do programa Braços Abertos (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

– Projeto Recomeço:

A tenda do projeto Recomeço foi fechada, segundo funcionários que preferem não se identificar, após ação da GCM no local, no dia 28 de setembro. Segundo relatos dos profissionais, usuários invadiram a tenda para se abrigar da ação da polícia, e guardas-civis lançaram bombas de gás no local, com os profissionais de saúde dentro.

A Secretaria Estadual da Saúde não confirma e disse que a tenda “foi implantada como estrutura temporária para dar suporte ao Cratod e à Unidade Recomeço, durante a implantação desta última”. Informou ainda que “houve redução na demanda da tenda, o que evidencia a reorganização dos fluxos”.

O serviço de atendimento do Recomeço está sendo realizado no prédio do projeto, ao lado da tenda fechada com tapume.

– Centro Emergencial Prates:

À época da megaoperação, o Centro Emergencial Prates foi um dos escolhidos para receber os acolhidos da região da Cracolândia. Vans levavam ao menos duas vezes ao dia, da tenda na Rua Helvétia para o Centro emergencial, usuários que buscavam almoço ou pernoite. Em uma ocasião, a comida estava estragada.

O Centro Emergencial oferecia 300 vagas extras, além das 300 fixas. A Prefeitura informou que as vagas extras foram abertas para a Operação Baixas Temperaturas e “funcionou durante a vigência do plano – 17 de maio a 17 de setembro”.

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Comércio do Rio aumenta gastos com segurança no 1º trimestre

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Feita junto a 500 lojistas, a pesquisa mostra que 120 dos entrevistados já tiveram seus estabelecimentos assaltados, furtados ou roubados

O aumento da violência no Rio de Janeiro levou o comércio varejista a gastar R$ 450 milhões com segurança, de janeiro a março deste ano, um crescimento de 20% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Os dados são do Centro de Estudos do Clube dos Diretores Lojistas do Rio (CDLRio), que divulgou hoje (22) a pesquisa Gastos com Segurança em estabelecimentos comerciais. Segundo o levantamento, o aumento dos investimentos se deu com a contração de vigilantes e seguro, e a compra equipamentos eletrônicos, grades, blindagens de portas e reforço de vitrines.

Feita junto a 500 lojistas, a pesquisa mostra que 120 dos entrevistados já tiveram seus estabelecimentos assaltados, furtados ou roubados, representando um aumento de cerca de 15% em relação aos primeiros três meses do ano passado.

O comércio varejista gastou R$ 280 milhões em segurança privada e vigilantes; R$ 150 milhões em equipamentos de vigilância eletrônica e R$ 20 milhões com gradeamento, blindagens, reforços de portas e de vitrines e com seguros.

Na avaliação do presidente do Clube dos Diretores Lojistas, Aldo Gonçalves, os gastos com segurança parecem mais um tributo pago pelos lojistas “já massacrados pelo peso da burocracia e da alta carga tributária”.

“A violência urbana na cidade do Rio de Janeiro vem prejudicando bastante o comércio já afetado pelo quadro econômico do país e, em especial, pela crise do Estado do Rio, que tem influído profundamente no comportamento do consumidor que, por um lado, fica com medo de sair de casa e, por outro, reduz seus gastos.”

Para Gonçalves, “não é sem razão que mais de 9.100 estabelecimentos comerciais fecharam suas portas na cidade, entre janeiro e dezembro de 2017. O número é 31,7% maior do que em igual período de 2016. Em todo o estado, foram fechados mais de 21 mil estabelecimento, um crescimento de 26,5% em relação a igual período de 2016”.

Além de lamentar o aumento da violência e dos gastos com segurança, o presidente da CDLRio, afirmou que os R$ 450 milhões gastos com segurança poderiam ser investidos na ampliação dos negócios, como na abertura de novas lojas, reformas e treinamento de pessoal, gerando mais emprego e renda para o setor e para o estado com arrecadação.

“Esperamos que a intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro traga de volta a paz ao nosso estado”, disse Aldo Gonçalves.

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Justiça autoriza uso de R$ 17,9 mi da Lava Jato para escolas do Rio

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Pelo acordo, os recursos devem ser utilizados exclusivamente na execução de obras e melhoria de infraestrutura das escolas públicas estaduais

São Paulo – A Justiça Federal autorizou o uso de R$ 17,9 milhões recuperados pela Operação Lava Jato para reforma de escolas no Rio. Em fevereiro, a Procuradoria, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Ministério da Educação, a Secretaria de Estado de Educação do Rio e a Procuradoria-Geral do Estado assinaram termo de cooperação técnica que estabeleceu os critérios de aplicação dos recursos.

As informações foram divulgadas pela Assessoria de Comunicação Social da Procuradoria no Rio.

Pelo acordo, os recursos devem ser utilizados exclusivamente na execução de obras e melhoria de infraestrutura das escolas públicas estaduais. Um diagnóstico da rede estadual de ensino, realizado pelo projeto MPEduc, executado em parceria com o Ministério Público Estadual, revelou que entre outros problemas, a deficiência da estrutura física é um desafio que se apresenta em pelo menos 64% das 1.221 unidades escolares mapeadas no Rio de Janeiro.

“A decisão do juízo da 7.ª Vara Federal Criminal é histórica e materializa a destinação para a educação valores arrecadados em processos relacionados ao combate à corrupção”, disse o procurador da República Sérgio Pinel.

As escolas beneficiadas devem constar de uma relação elaborada pela Secretaria Estadual de Educação, em ordem de prioridade, assim como as respectivas intervenções, a previsão de custo e da quantidade de alunos beneficiados.

O projeto básico de cada obra deverá ser apresentado em 60 dias a partir da assinatura do termo e a licitação realizada em até 30 dias após a liberação do recurso.

Toda a execução das obras, bem como as respectivas prestações de contas serão acompanhadas pelo FNDE através de sistema eletrônico já existente, porém adaptado para essa finalidade, não afastando, contudo, a competência dos demais órgãos de controle para tanto.

Também assinaram o termo de cooperação técnica como intervenientes o Tribunal Regional Federal da 2ª Região, a Procuradoria Regional da República da 2.ª Região e o Ministério Público do Estado do Rio. Como testemunhas, vão assinar o documento os procuradores da República e os promotores de Justiça que integram o projeto Ministério Público pela Educação (MPEduc).

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Em 20 estados, caminhoneiros protestam contra aumento da gasolina

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O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, e o presidente da Petrobras, Pedro Parente, rechaçaram mudanças na política de preços dos combustíveis

São Paulo – Em segundo dia de manifestações contra o aumento do diesel, caminhoneiros interditam parcialmente estradas do País. Até o fim da manhã desta terça-feira, 22, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou mais de 150 pontos de protesto em 19 Estados.

Minas Gerais é o mais afetado com 31 trechos interditados. Em São Paulo, caminhoneiros protestam na Marginal Tietê, além de trechos na Dutra e na Régis Bittencourt.

Nesta terça-feira, o Ministério da Fazenda, Eduardo Guardia, recebeu o presidente da Petrobras, Pedro Parente, e o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, para encontrar uma forma de evitar oscilações frequentes nos preços dos combustíveis.

Franco e Parente rechaçaram mudanças na política de preços da Petrobras, que anunciou uma redução dos preços da gasolina e do diesel para esta quarta-feira, 23.

Enquanto a situação permanece indefinida, os caminhoneiros seguem com manifestações em estradas de todo o País. Em São Paulo, os motoristas protestam na Marginal Tietê, ocupando totalmente a pista local.

Na Régis Bittencourt, são três trechos parados: km 279 (Embu das Artes), km 67 (Campina Grande do Sul) e km 477 (Jacupiranga). Na Dutra, caminhoneiros seguem com protestos iniciados na segunda-feira, 21, na altura de Pindamonhangaba e Lorena.

No Rio de Janeiro, caminhões transitam pelo centro da capital no início da tarde a partir da avenida Presidente Vargas, no sentido Candelária, causando lentidão no trânsito local. A Companhia de Engenharia do Tráfego (CET-RIO) monitora a situação.

Em Minas Gerais, que registra 29 trechos interditados em estradas federais, o trânsito segue bloqueado apenas para veículos de carga. A Polícia Rodoviária Federal acompanha a situação, que afeta trechos da Fernão Dias.

Segundo a Arteris, concessionária que administra a via, os acostamentos permanecem bloqueados, mas não há pontos de congestionamento na rodovia.

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