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Quase 5 meses após megaoperação na Cracolândia, unidades de atendimento para usuários estão fechadas

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Locais foram inaugurados como pilares da política de tratamento de drogas da Prefeitura. Entre justificativas estão a construção de prédios habitacionais e danos no telhado de uma unidade após forte chuva.

Tenda do projeto Redenção, quando foi inaugurada, e, quase cinco meses depois, um terreno baldio (Foto: Paulo Toledo Piza e Paula Paiva Paulo/G1)

Tenda do projeto Redenção, quando foi inaugurada, e, quase cinco meses depois, um terreno baldio (Foto: Paulo Toledo Piza e Paula Paiva Paulo/G1)

Quase cinco meses após a Prefeitura e o governo do estado realizarem uma megaoperação na Cracolândia, parte das unidades de atendimento aos usuários de drogas mantidas pelo município no local estão fechadas ou operando parcialmente.

Algumas foram inauguradas como pilares da política de tratamento de drogas da gestão do prefeito João Doria (PSDB) -que, na ocasião da operação, afirmou que a Cracolândia tinha acabado. Entre elas estão as unidades do Atende (Atendimento Diário Emergencial) e a tenda do Redenção, na Rua Helvétia, responsável pela recepção e triagem de dependentes para internação.

Entre as justificativas para o fechamento estão a necessidade de construir prédios habitacionais e danos no telhado de uma unidade após forte chuva.

A poucos metros do fluxo (como é chamada a principal concentração de usuários, localizada na Alameda Cleveland com a Rua Helvétia), as unidades de atendimento mais próximas dos dependentes estão fechadas. A Prefeitura de São Paulo diz que o terreno pertence à Parceria Público Privada (PPP) de Habitação e que “serviços estão temporariamente suspensos”.

Também na Rua Helvétia, a tenda do projeto Recomeço, da gestão Geraldo Alckmin, do governo do estado, está fechada com um tapume. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, “houve redução na demanda da tenda, o que evidencia a reorganização dos fluxos”. “Comparando-se o balanço de atendimentos de maio e setembro, houve uma queda de 30% no mês passado – de 953 para 642 triagens na tenda”, diz a nota (leia mais abaixo).

Tenda do projeto Recomeço, do governo do estado, está fechada com tapume. Local foi inaugurado em 2014 (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Tenda do projeto Recomeço, do governo do estado, está fechada com tapume. Local foi inaugurado em 2014 (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

O fechamento destes locais mudou a cara da região, onde antes se via a presença maior de profissionais da saúde e da assistência social.

Pequenos grupos de usuários também passaram a se concentrar no entorno, como na Rua Barão de Piracicaba e na Avenida Júlio Prestes.

Após a intensificação das revistas pessoais e das operações rotineiras de limpeza, feitas pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) com apoio da Polícia Militar, funcionários da assistência social relatam uma maior dificuldade ao abordar os usuários, que estão mais arredios.

Na manhã desta terça-feira (10), a reportagem do G1 flagrou um conflito entre usuários e a Polícia Militar após a operação de limpeza. Bombas de gás foram lançadas contra usuários, que, na fuga, roubaram pedestres que estavam na Praça Júlio Prestes.

Procurada, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) disse que duas pessoas foram presas em flagrante. “Um homem foi detido com drogas na Alameda Barão de Piracicaba, após a PM ser chamada para prestar apoio durante um confronto entre Guardas Municipais e usuários. Foi necessário uso moderado da força para conter o tumulto. Ninguém ficou ferido,” diz a nota. A PM disse ainda que uma mulher também foi presa na praça por suspeita de tráfico e encaminhada ao Denarc.

A Secretaria de Segurança Urbana, pasta vinculada à Prefeitura e responsável pela GCM, disse que durante a ação desta terça não houve registro de confronto envolvendo guardas e usuários.

Atende 2, serviço mais próximo ao atual fluxo de usuários, está fechado (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Atende 2, serviço mais próximo ao atual fluxo de usuários, está fechado (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Veja a situação de cada equipamento de assistência social da Cracolândia:

– ATENDE 1:

Com as chuvas da semana passada, o local teve a cobertura danificada após uma ventania e o espaço de convivência foi interditado. A entrega de almoço e o pernoite funcionam normalmente.

O Atende 1 foi a primeira unidade de Atendimento Diário Emergencial a ser inaugurado, no dia 9 de junho, no estacionamento da sede da Guarda Civil Metropolitana, na Rua General Couto de Magalhães.

Estrutura foi danificada após chuvas da semana passada. Pernoite e almoço funcionam normalmente (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Estrutura foi danificada após chuvas da semana passada. Pernoite e almoço funcionam normalmente (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

– ATENDE 2:

Serviço que funcionava mais próximo ao atual fluxo de usuários, na Rua Helvétia, está fechado. A prefeitura disse que o local foi fechado porque o terreno pertence à Parceria Público Privada (PPP) de Habitação e o equipamento “está sendo realocado” e os “serviços estão temporariamente suspensos para reforma da estrutura, que será reaberto nos próximos dias”. No entanto, não detalha o dia nem onde será o novo Atende 2.

Segundo relatos de funcionários, o equipamento está fechado há pelo menos duas semanas após o roubo de fiações e canos. A prefeitura não confirma o roubo.

O local foi inaugurado no dia 29 de junho. O espaço era equipado com 68 jogos de beliches e quatro camas de solteiro. Havia oito banheiros, divididos em masculinos e femininos e duas baterias de chuveiros elétricos, também divididos por gênero, no total de 20 cabines para banho. Eram servidas 500 refeições diariamente: 200 cafés da manhã, 100 almoços e 200 jantares.

– ATENDE 3:

O último a ser inaugurado, dia 13 de julho, na Rua General Rondon, é o único que funciona normalmente. Foi aberto após a prefeitura se comprometer com os moradores da região de que a duração neste endereço seria de no máximo de 120 dias.

– CAPS Redenção:

A tenda do projeto Redenção foi um dos primeiros equipamentos de saúde a ser instalado após a megaoperação policial na Cracolândia. Inaugurada dia 26 de maio, a tenda abrigava o contêiner intitulado de “Unidade Avançada” CAPSADIII, um Centro de Atenção Psicossocial, com a promessa de receber os usuários que queriam voluntariamente se internar. A estrutura contava com uma equipe multidisciplinar, com dois psiquiatras de plantão 24 horas.

Caps funcionava com uma equipe multidisciplinar, com dois psiquiatras de plantão 24 horas (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Caps funcionava com uma equipe multidisciplinar, com dois psiquiatras de plantão 24 horas (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Agora, o local abriga um terreno baldio e sujo. A prefeitura disse que o atendimento do CAPS passou a funcionar em frente ao local anterior, “sem prejuízo dos atendimentos”, no espaço que antes funcionava o programa Braços Abertos, da gestão Hadad. A prefeitura disse ainda que a tenda foi desmontada porque também pertencia ao terreno da PPP de Habitação.

Terreno onde ficava tenda do Redenção agora está vazio e sujo (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Terreno onde ficava tenda do Redenção agora está vazio e sujo (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Prefeitura disse que CAPS passou a funcionar, 'sem prejuízo dos atendimentos', em antiga tenda do programa Braços Abertos (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Prefeitura disse que CAPS passou a funcionar, ‘sem prejuízo dos atendimentos’, em antiga tenda do programa Braços Abertos (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

– Projeto Recomeço:

A tenda do projeto Recomeço foi fechada, segundo funcionários que preferem não se identificar, após ação da GCM no local, no dia 28 de setembro. Segundo relatos dos profissionais, usuários invadiram a tenda para se abrigar da ação da polícia, e guardas-civis lançaram bombas de gás no local, com os profissionais de saúde dentro.

A Secretaria Estadual da Saúde não confirma e disse que a tenda “foi implantada como estrutura temporária para dar suporte ao Cratod e à Unidade Recomeço, durante a implantação desta última”. Informou ainda que “houve redução na demanda da tenda, o que evidencia a reorganização dos fluxos”.

O serviço de atendimento do Recomeço está sendo realizado no prédio do projeto, ao lado da tenda fechada com tapume.

– Centro Emergencial Prates:

À época da megaoperação, o Centro Emergencial Prates foi um dos escolhidos para receber os acolhidos da região da Cracolândia. Vans levavam ao menos duas vezes ao dia, da tenda na Rua Helvétia para o Centro emergencial, usuários que buscavam almoço ou pernoite. Em uma ocasião, a comida estava estragada.

O Centro Emergencial oferecia 300 vagas extras, além das 300 fixas. A Prefeitura informou que as vagas extras foram abertas para a Operação Baixas Temperaturas e “funcionou durante a vigência do plano – 17 de maio a 17 de setembro”.

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Motoristas de vans escolares fazem protestos em São Paulo

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Motoristas de vans escolares e pais de alunos da Rede Municipal de Ensino realizam protesto em São Paulo (SP), na manhã desta quinta-feira (7), contra atrasos no pagamento dos motoristas e também a falta de Transporte Escolar Gratuito (TEG)

Motoristas de vans escolares gratuitas da Prefeitura de São Paulo fazem manifestação, na manhã desta quinta-feira, 7, em vários locais da cidade. Os perueiros que atendem ao programa Transporte Escolar Gratuito (TEG) solicitam às autoridades nova licitação do serviço com contratação de carros por fretamentos e não por crianças.

Segundo Donay Neto, Presidente do Sindicato dos Transportes Escolares do Estado de São Paulo, houve queda no número de usuários do transporte escolar gratuito. “Na gestão passada o número de alunos que usavam o transporte escolar chegou a 100 mil, hoje temos 60 mil crianças”, disse.

Desde às 7h, grupos motoristas de vans escolares se dirigiam à Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, na zona oeste, onde pretendiam se concentrar.

As vans trafegam a 10 km/h em fila por avenidas como Radial Leste, Aricanduva, Dalila, Nações Unidas, Jornalista Roberto Marinho e Avenida senador Teotônio Vilela para chamar a atenção da população para a questão.

De acordo Donay Neto, após a concentração na Praça Charles Miller, os motoristas sairão em carreata para o Viaduto do Chá, no centro, sede da Prefeitura de São Paulo.

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PF investiga contratos de R$ 300 milhões da UFSC

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Dois dos servidores investigados teriam movimentado cerca de R$ 300 milhões em contratos na coordenação de projetos e convênios entre os anos de 2010 a 2017

A Polícia Federal, em trabalho com a Controladoria-Geral da União e o Tribunal de Contas da União, abriu nesta quinta-feira, 7, a Operação Torre de Marfim. A ação tem como objetivo apurar aplicação irregular de verbas públicas federais destinadas a projetos de pesquisa desenvolvidos por Fundações de Apoio da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Esta é a segunda vez este ano que os negócios da UFSC ficam sob suspeita. Em setembro, a PF esteve na Universidade, no âmbito da Operação Ouvidos Moucos, para apurar esquema que supostamente desviou recursos de cursos de Educação a Distância (EaD).

Em nota, a PF informou que cerca de 90 policiais federais e servidores do TCU e da CGU cumprem 20 mandados judiciais expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal em Florianópolis, sendo 14 mandados de busca e apreensão e 6 mandados de condução coercitiva. Os mandados estão sendo cumpridos em Florianópolis e Balneário Camboriú.

As investigações da Torre de Marfim tiveram início em 2014 a partir de uma comunicação feita pelo gabinete da reitoria da UFSC. Instruída com nota técnica e relatórios elaborados pela CGU, o documento analisava aparentes irregularidades em projetos de pesquisa desenvolvidos com uso verbas públicas federais firmados em 2003 e 2004.

Segundo a PF, dentre as irregularidades, os investigadores encontraram indícios de contratações de serviços sem licitação prévia, pagamentos realizados a empresas pertencentes a gestores de projetos, que estariam vinculadas a servidores da Universidade ou das Fundações de Apoio e até mesmo pagamentos efetuados a empresas fantasmas.

Dois dos servidores investigados teriam movimentado cerca de R$ 300 milhões em contratos na coordenação de projetos e convênios entre os anos de 2010 a 2017. Durante este período foram identificadas diversas irregularidades quanto à execução orçamentária apontando para o desvio de verbas públicas e para a prática de outros crimes licitatórios.

Também chamou atenção dos investigadores, de acordo com a PF, um contrato questionado pelo TCU, no qual um servidor aposentado da universidade, que também foi gestor do projeto e teve sua própria empresa contratada por cerca de R$ 20 milhões, sem licitação.

Os investigados responderão, na medida de suas participações, por crime licitatório, peculato, e lavagem de dinheiro, bem como por atos de improbidade administrativa.

A operação tem por objeto investigar um conjunto de irregularidades na administração de recursos educacionais com verbas federais. A PF informou que “antes de serem levadas à apreciação do Ministério Público e do Poder Judiciário, essas irregularidades foram auditadas pelos órgãos de controle CGU e TCU”.

“As auditorias geraram recomendações solicitando a correção de práticas administrativas que poderiam levar ao mau uso do dinheiro público, o que não foi atendido pelos administradores”, diz a nota.

A UFSC, segundo informações da CGU, é a entidade recordista em recomendações para correção de irregularidades no Estado de Santa Catarina, com cerca de 120 recomendações, quase o dobro do segundo colocado.

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Selfies de policiais com Rogério 157 serão investigadas

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Reprodução. Policial tira selfie ao lado de Rogério 157

Criaram polêmica nas redes sociais as selfies que policiais tiraram ao lado de Rogério 157. O próprio delegado da 12ª DP, Gabriel Ferrando, aparece em algumas, apesar de ter dito reprovar a atitude. Em outra foto, uma policial está quase apoiada no ombro do traficante. Ambos sorriem – é possível até ver as algemas nos pulsos do preso.

O secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, disse que os agentes serão investigados. “Houve euforia dos policiais, mas é possível que se tenha passado do ponto”, disse. Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, foi preso nesta quarta-feira, 6, em uma operação conjunta das forças de segurança que atuam no Rio. O traficante era um dos criminosos mais procurados no Estado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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UFMG tem dia de protestos após condução coercitiva de reitor

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A operação investiga se ocorreram desvios de recursos para o Memorial da Anistia Política do Brasil

Professores fizeram uma vigília de protesto contra a condução coercitiva, ocorrida quarta-feira, do reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Jaime Arturo Ramirez, pela Polícia Federal (PF) na Operação Esperança Equilibrista. O reitor deixou a delegacia e foi recebido pelos docentes. A operação investiga se ocorreram desvios de recursos para o Memorial da Anistia Política do Brasil.

Além de Ramirez, também foram encaminhados à delegacia a atual vice-reitora e reitora eleita para assumir em 2018, Sandra Goulart Almeida; a vice-reitora entre 2006 e 2010, Heloísa Starling; a vice-reitora entre 2010 e 2014, Rocksane Norton; e Alfredo Gontijo de Oliveira, presidente da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), que viabiliza e dá apoio a projetos da universidade.

Durante o dia, entidades representativas de estudantes, docentes e servidores técnicos-administrativos da UFMG se mobilizaram contra a operação. Uma manifestação teve início na entrada da delegacia. Os participantes classificaram a operação como “ataque à democracia” e “criminalização da educação”. Às 17h, membros da comunidade acadêmica também realizaram uma assembleia no gramado em frente ao edifício da reitoria, no campus Pampulha.

O Sindicato dos Professores da UFMG (ApuBH) disse em nota que as conduções coercitivas causam “estranhamento a forma como a operação foi conduzida pela Polícia Federal que, antes de notificar a UFMG, nos parece ter informado à imprensa, transformando a ação em um espetáculo midiático, a exemplo do que ocorreu em Santa Catarina”, em menção ao suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Ele se matou ao se atirar do quarto piso do Beiramar Shopping, em Florianópolis. O reitor estava afastado de suas funções e era alvo na Operação Ouvidos Moucos.

A ação da PF também foi criticada por 11 ex-reitores e ex-vice-reitores da UFMG que publicaram uma nota. “Repudiamos o uso de medida coercitiva quando sequer foi feita uma intimação para depoimento, em claro descumprimento ao disposto nos artigos 201, 218 e 260 do Código de Processo Penal. (…) A UFMG e seus dirigentes sempre se pautaram pelo respeito à lei e pelo cumprimento de decisões judiciais”.

A instituição recebeu ainda notas de apoio de reitores de outras universidades federais, como a de São João del Rei e do Paraná. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes) colocou sua assessoria jurídica à disposição da UFMG.

Operação

As ordens judiciais foram expedidas dentro da Operação Esperança Equilibrista, que apura possíveis desvios de recursos destinados às obras do Memorial da Anistia Política. De acordo com a PF, até o momento teriam sido gastos mais de R$ 19 milhões no projeto – tanto em pesquisas de conteúdo quanto em obras -, mas o único produto aparente é um dos prédios anexos ainda inacabado. “Do total repassado à UFMG, quase R$ 4 milhões teriam sido desviados por meio de fraudes em pagamentos realizados pela Fundep, contratada para pesquisas de conteúdo e produção de material para a exposição de longa duração. Os desvios até agora identificados teriam ocorrido por meio de pagamentos a fornecedores sem relação com o escopo do projeto e de bolsas de estágio e de extensão”, informou em nota.

Idealizada em 2008, a implantação do memorial envolve a reforma de um edifício da universidade e a construção de dois anexos, nos quais seriam estruturados um local adequado para armazenamento do acervo e uma sede para a Comissão da Anistia, vinculada ao Ministério da Justiça. O projeto envolve uma exposição voltada para a preservação e para a difusão da memória política dos períodos de repressão. A UFMG detém um vasto acervo científico e acadêmico sobre o tema da anistia, sobretudo por meio do Projeto República, grupo de pesquisa conduzido pela professora de história Heloisa Starling, que foi vice-reitora entre 2006 e 2010 e também foi alvo de condução coercitiva. O projeto obteve financiamento do Ministério da Justiça.

Nas investigações, a PF conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU). Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e oito de condução coercitiva. O nome da operação foi batizado com um trecho de O Bêbado e o Equilibrista, música de João Bosco e Aldir Blanc que faz referência aos anistiados.

UFMG

Em nota, a UFMG informou que não pode se manifestar sobre os fatos que motivam a investigação em curso por se tratar de apuração que tramita em sigilo. “Dada a transparência com que lida com as questões de natureza institucional, a UFMG torna público que contribuirá, como é sua tradição, para a correta, rápida e efetiva apuração do caso específico”, acrescenta o texto.

Por sua vez, a Fundep disse que gerencia os recursos dos projetos de acordo com as ordenações dos respectivos coordenadores e em conformidade com normas dos órgãos financiadores e com a legislação vigente. “No âmbito do projeto Memorial da Anistia, a Fundação desconhece as inconformidades apontadas e iniciou a apuração dos pontos questionados. A Fundep prestou informações e disponibilizou documentações requeridas pela Operação. Com experiência sólida de mais de 40 anos de atuação, a Fundep sempre manteve sua postura de transparência e colaboração e segue à disposição dos órgãos de fiscalização e controle”, registra.

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Chega ao fim 1ª fase da reforma do Museu da Língua Portuguesa

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Fachada recuperada e o relógio que voltará a funcionar na manhã de hoje servem como recado público: o museu voltar

A fuligem nos corredores, o vazio nos espaços antes ocupados por exposições e o vaivém de operários são a intermitente cicatriz que remete ao incêndio de grandes proporções.

 Mas a fachada recuperada e o relógio que voltará a funcionar na manhã de hoje servem como recado público: o Museu da Língua Portuguesa vai voltar.

Quase dois anos após a tragédia de 21 de dezembro de 2015, quando o fogo destruiu suas instalações, deixou um morto e causou sua interdição, a instituição que ocupa parte do histórico prédio da Estação da Luz comemora o fim da primeira das três etapas previstas de recuperação. Fachadas e esquadrias estão novas em folha.

“Oitenta operários participaram dessa fase”, diz a arquiteta Ana Flávia Costa Rolim. Na tarde desta terça-feira, 5, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo teve acesso exclusivo ao local e conferiu os resultados. As 230 esquadrias estão todas recuperadas e já protegidas por um tapume de madeirite para que não sejam danificadas nos trabalhos de recuperação da cobertura.

“85% delas foram restauradas, em parte com madeiramento calcinado por causa do incêndio”, conta Ana Flávia. “O restante não pôde ser recuperado e precisou ser refeito.”

Restauro feito ali dentro mesmo. “Para este trabalho, montamos uma verdadeira oficina no canteiro de obras”, relata a engenheira Graciele Aniceto.

Apesar de a fachada estar pronta, os tapumes e a tela que protegem o prédio não serão retirados ainda. “É preciso manter a proteção no decorrer dos trabalhos”, diz Regina Ponte, coordenadora da unidade de Preservação do Patrimônio Museológico da Secretaria Estadual de Cultura.

Foi preocupação semelhante, aliás, que manteve o imponente relógio do alto da torre desligado desde a tarde do incêndio. O aparelho não foi danificado durante o incidente.

Optou-se, entretanto, pela sua retirada para que nenhum risco houvesse de que os trabalhos de recuperação da torre interferissem em seu funcionamento.

“Então aproveitamos para fazer manutenção e restauro”, conta Regina. Na manhã de hoje, seus ponteiros voltarão à ativa e poderão novamente ser vistos em seus mostradores de 4,4 metros de diâmetro.

A segunda etapa dos trabalhos de recuperação já começou em setembro. Cerca de 60 operários dedicam-se à recuperação dos torreões, restauro dos pátios e reconstrução da cobertura do edifício – que cedeu com o incêndio.

Para isso, uma oficina de carpintaria foi montada e é ali que toda a estrutura dessa cobertura vem sendo preparada.

Apesar de recuperar a mesma volumetria da construção anterior, será uma modernização. Isso porque, graças a uma combinação entre peças de madeira, cabos de aço e revestimento de zinco, a configuração interior será mais ampla e contemporânea.

Pelo organograma, os trabalhos desta fase só serão concluídos em julho. Aí deve ser iniciada a etapa final: o restauro do interior do prédio. “Em paralelo, o plano museológico já está sendo feito”, antecipa a coordenadora Regina.

Essa sincronia é necessária para que os planos sejam cumpridos, ou seja, o novo Museu da Língua Portuguesa abra suas portas, renascido das cinzas e modernizado, até o fim de 2019.

O custo total dessa reconstrução é de R$ 65 milhões. A iniciativa privada bancou R$ 36 milhões e o restante será custeado graças à indenização do seguro contra incêndio.

Sustentabilidade

A ideia de reaproveitar o madeiramento tem função histórica e ambiental. O material, peroba-do-campo rosa e amarela, era datado de 1946. Além disso, o museu quer obter o selo Leed, certificação internacional para construções sustentáveis.

Se o projeto for executado conforme previsto, a instituição receberá a classificação prata. Isso porque os trabalhos preveem reaproveitamento de material, uso de madeira certificada, redução de consumo de energia, coleta de água de chuva e gestão de resíduos.

Nos dez anos em que esteve em funcionamento, o Museu da Língua Portuguesa recebeu 4 milhões de visitantes. Em 2015, mesmo ano que houve o incêndio, havia sido eleito pelo site Trip Advisor como um dos três melhores da América Latina. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Eduardo Cunha não desiste e pede para sua ação seguir no Rio

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Habeas corpus no STJ

Os advogados de Eduardo Cunha fizeram misérias para tentar levar os processos a que ele responde para a Justiça no Rio. Sem sucesso. Mas ele não desiste

Nesta segunda (04), a defesa entrou com um habeas corpus no STJ em que apresenta o mesmo pleito, sob alegação de que parte dos fatos que ensejaram as acusações ocorreram no Rio.

Ele pede ainda a anulação da sessão em que o Tribunal Regional Federal no Rio estabeleceu que o caso deveria ficar a cargo de Justiça em Curitiba.

A chance de Cunha conseguir o que deseja é próximo de zero.

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