Nossa rede

Saúde

Proteína liberada por exercícios melhora memória em animais com Alzheimer

Publicado

dia

Além disso, protege os neurônios e facilita a comunicação entre eles, o que também favorece a memória

Mutação do gene TREM2, que ajuda nas respostas do sistema imunológico, é mais frequente em idosos com Alzheimer (Miguel Medina/AFP/AFP/AFP)

A ideia de que fazer atividade física pode proteger o cérebro contra Alzheimer acaba de ganhar um reforço científico de peso. Um trabalho liderado por pesquisadores brasileiros revelou que uma proteína liberada após a realização de exercícios atua no cérebro protegendo os neurônios e facilitando a comunicação entre eles, o que acaba por favorecer a memória, normalmente a primeira coisa afetada pela doença.

Os resultados, publicados nesta segunda-feira, 7, na revista Nature Medicine, foram obtidos somente em camundongos, mas abrem uma porta para uma nova linha de investigação para terapias em humanos. Os pesquisadores, liderados pelo neurocientista Sergio Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, descobriram que o hormônio irisina, liberado pelos músculos após a realização da atividade física — e que já era conhecido por atuar em outros órgãos —, chega ao cérebro. No entanto, descobriram que o próprio cérebro também produz a substância quando os animais se exercitam.

No estudo, camundongos modificados geneticamente para desenvolver uma condição semelhante ao Alzheimer foram submetidos a uma hora de natação por dia, ao longo de cinco semanas, ou receberam doses de irisina manipulada em laboratório.

“Os animais com modelo da doença não têm memória, são incapazes de aprender tarefas. Com o tratamento isso volta. Eles ficavam indistinguíveis dos animais normais. Observamos em 100% deles que a irisina, além de ser boa para a memória, evita a degeneração dos neurônios dos camundongos — tem um efeito neuroprotetor e fortalece as sinapses. Ou seja, permite que o cérebro funcione”, disse Ferreira.

Em outra etapa da pesquisa, o grupo, que teve colaboração de cientistas americanos e canadenses, observou uma quantidade reduzida de irisina no cérebro e no liquor de pacientes humanos com Alzheimer, na comparação com pessoas saudáveis. A mesma deficiência foi observada nos camundongos estudados com modelo da doença.

Tratamento

“Isso não quer dizer, no entanto, que o tratamento testado nos animais teria o mesmo efeito em humanos”, pondera o neurocientista. Com base nas pesquisas, não é possível estabelecer ainda, por exemplo, com qual quantidade ou intensidade de atividade física seria possível produzir irisina aos níveis protetores para o cérebro.

“Tem muita coisa na ciência que funciona em camundongos mas que não funciona no ser humano. Não sabemos se a irisina tem o mesmo papel no cérebro da gente. A proteína nunca tinha sido estudada no cérebro antes desse trabalho”, afirma Ferreira.

“Mas o que nosso estudo sugere é que, futuramente, se os benefícios da irisina forem replicados para humanos, ela poderia ser adotada em uma espécie de reposição hormonal, como se faz com insulina para diabéticos”, diz Ferreira. Para o pesquisador, como a doença atinge pessoas mais velhas, a atividade física serviria como prevenção, mas não como tratamento.

“É um trabalho que revela também como é estratégico investir nesse tipo de pesquisa, ainda mais no Brasil, onde a população vem envelhecendo rapidamente”, defende Ferreira. “Os idosos são cada vez mais numerosos e mais velhos. Já passa de 1 milhão o número de pessoas com Alzheimer no Brasil, e isso pode triplicar em alguns anos. Se não tiver políticas muito claras, o país vai sofrer um baque muito forte, não só familiar, social, mas também econômico”, completa o neurocientista. Fonte: Portal Veja

Comentário

Saúde

A relação entre diabetes e gordura no fígado

Publicado

dia

Também chamada de esteatose hepática, a gordura no fígado afeta muitos diabéticos. Nosso colunista conta o que é bom contra esse problema direto dos EUA

O fígado do diabético comumente é afetado pela esteatose hepática. (Ilustração: Erika Onodera/SAÚDE é Vital)

Parece incrível, mas a maioria dos pacientes com diabetes tipo 2 também sofrem com a gordura no fígado (chamada pelos médicos de esteatose hepática). Não por menos, essa relação foi um dos grandes destaques do Congresso da Associação Americana de Diabetes, que eu acompanhei do começo ao fim em San Francisco.

No vídeo abaixo, eu listei os problemas que a gordura no fígado pode causar nos diabéticos. E, acima de tudo, o que a ciência tem feito para evitá-la ou ao menos controlar seus estragos. Confira!

Ver mais

Saúde

Ministério da Saúde reforça necessidade da doação de sangue no frio

Publicado

dia

O inverno no Brasil está associado a uma queda nos estoques de sangue doado

Os estoques de sangue doado costumam cair no inverno. (Foto: GI/Getty Images)

 

Dezesseis brasileiros em cada mil são doadores de sangue, o que representa 1,6% do total da população. A estimativa é de que 66% dessas doações sejam espontâneas, ou seja, de pessoas que buscam os centros de doação voluntariamente. A média de doações no país está dentro da meta da Organização Mundial de Saúde (OMS), que preconiza que entre 1% e 3% dos habitantes de um país sejam doadores de sangue

Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos anos, as taxas de doação ficaram estáveis, o que demonstra uma conscientização da população. No entanto, o governo reforça que é necessário fortalecer as ações que estimulam a doação voluntária para manutenção dos estoques no país.

Em especial no inverno e feriados prologados, períodos em que se tem uma baixa de estoque de sangue, é preciso ampliar as ações para levar o público aos hemocentros “Nesses momentos, as pessoas mudam suas rotinas, viajam ou aproveitam para descansar. Então é importante fazer a doação de sangue antes de viajar ou de curtir o feriado”, diz o ministro interino.

Segundo o último balanço do Ministério da Saúde, em 2017, foram coletadas 3,4 milhões de bolsas de sangue e realizadas 2,8 milhões de transfusões. Desse total, 34% correspondem à doação de reposição – quando o indivíduo doa para atender à necessidade de um paciente específico. Foi por esse motivo que a farmacêutica, Priscila Drumond Alves Moreira, 37 anos, que mora em Belo Horizonte, fez sua primeira e única doação de sangue em novembro de 2016.

“Foi por causa da minha avó que teve uma fratura, precisava de cirurgia e foi pedido doação. Antes disso, tinha tentado doar e tinha me sido dito que eu não poderia por ter tomado medicação anticonvulsivante na infância. Apesar dessa restrição fui ao Hemominas e eles falaram que o protocolo mudou e que eu poderia doar”, conta Priscila.

A família da médica Roberta Catarfina, 37 anos, que mora em Brasília, conseguiu levar 29 pessoas aos bancos de sangue em São Paulo após a sobrinha Bruna, de 6 anos, passar por uma cirurgia. Das pessoas que compareceram ao chamado, 23 estavam aptas a fazer a doação. Agora ela se prepara para repetir a campanha a pedido do hemocentro por causa do baixo estoque nessa época do ano.

“Achei uma atitude de nobreza de sentimento, que às vezes nem mesmo o doador imagina que seja tão importante. Sabendo das dificuldades de sair de casa, trabalho, compromissos e doar algo que, realmente, pode salvar vidas e fazer a diferença pra alguém que nem conhece. Fiquei surpresa porque a maioria a gente nem conhecia e foi lá doar”, diz Roberta.

Recomendação para doar sangue

Pessoas com mais de 16 anos (até os 18 com autorização do responsável) e até 69 anos que pesam no mínimo 50 quilos e em bom estado de saúde são potenciais doadores. A recomendação é para que o doador esteja descansado, não tenha ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação e não esteja de jejum.

Homens podem fazer quatro doações anuais e mulheres, três. O intervalo mínimo deve ser de dois meses para o sexo masculino e de três para o feminino.

Segundo o Ministério, a doação é segura e todo o sangue coletado é testado para HIV, Hepatite C e B, respeitando a “janela imunológica” dessas doenças – aquele tempo em que o vírus já está presente no doador, mas ainda não é possível sua detecção. Por isso, o processo que antecede a doação é composto por entrevista em que é avaliado o estado de saúde do paciente.

“Durante a entrevista, que é sigilosa, é avaliado o estado de saúde do doador, visando à proteção de sua saúde e da saúde do receptor”, diz o coordenador-geral de Sangue e Hemoderivados, do Ministério da Saúde, Flávio Vormittag.

O país possui 32 hemocentros coordenadores e outros 2 066 serviços de coleta ligados ao Sistema Único de Saúde. Em 2018, foram investidos R$ 1,3 milhão em qualificação de profissionais, modernização e fornecimento de medicamentos para a rede. Para este ano o mesmo valor está previsto para investimentos nos serviços da rede de coleta de sangue.

Ver mais

Saúde

DF: 37,6 mil pessoas estão na fila da consulta para cirurgia vascular

Publicado

dia

Segundo a Defensoria Pública do Distrito Federal, existem 17.221 pedidos de ressonância ainda sem resposta

Milhares de brasilienses enfrentam uma longa fila para exames de ressonância magnética e consultas vasculares na rede pública do Distrito Federal. Segundo a Secretaria de Saúde, atualmente, existem 54.899 solicitações pendentes. Por um lado, 37.678 pessoas aguardam o diagnóstico de um cirurgião vascular. Ao mesmo tempo, existem 17.221 pedidos de ressonância sem resposta. Ao longo desse calvário, pacientes esperam por um, dois, até mesmo cinco anos.

A aposentada Auricéia Sampaio, de 46 anos, viveu a angustia da fila. A moradora do Paranoá enfrenta um câncer e, no fim de 2018, precisou pedir um exame de ressonância para mapear o melhor caminho para a quimioterapia. Havia o risco de metástase e, sem conseguir um horário, recorreu à Defensoria Pública do DF. No entanto, mesmo com a judicialização do caso, não recebeu atendimento. Sem opções, decidiu partir para o tratamento químico “às cegas”.

A ressonância saiu apenas no final da quimioterapia. Agora, Auricéia enfrenta um novo desafio: precisa fazer um exame de cintilografia para saber se a doença chegou aos ossos. Segundo a aposentada, as filas da saúde são revoltantes. “É uma situação horrível. As pessoas se sentem lesadas, porque temos nossos direitos e não conseguimos fazer pelo menos um exame, um tratamento digno”, desabafou.

Francisco Dutra/ Metrópoles

Segundo o coordenador do Núcleo de Saúde da Defensoria, Ramiro Sant’Ana, as filas para ressonância se estendem por até dois anos. O exame é fundamental para casos de ortopedia e tratamento de câncer. De acordo com o defensor, a espera por consultas para cirurgia vascular chega até cinco anos. Mesmo nos casos de pacientes em situação de urgência, classificados com risco amarelo, a fila chega a um ano. O procedimento é necessário para resolver desde varizes até trombose, além de acidente vascular cerebral (AVC).

“Basicamente, é uma negativa de acesso. Dizer a uma pessoa que uma consulta vai acontecer em um, dois, três, cinco anos é dizer não a ela efetivamente”, criticou. Segundo Sant’Ana, muitos tratamentos estão parados pela falta de diagnóstico, seja da ressonância ou de consulta vascular. “Isso é completamente inaceitável. Ninguém aceitaria entrar para uma fila de um exame, de uma consulta, que passe dos 60, 90 dias”, argumentou.

Neste contexto, o defensor ressaltou que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determina os prazos para o tratamento na iniciativa privada. O limite de espera para consulta é de 14 dias úteis. Exames para diagnóstico devem ser feitos em 10 dias. “Para lidar com essa possibilidade de tratamento diferente, mas ainda assim dar alguma dignidade para os pacientes do SUS, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) orientou os magistrados do Brasil para que considerem excessiva a espera a partir de 100 dias para consultas e exames e 180 dias para cirurgias”, ponderou.

Para tentar resolver esse problema crônico, que vem se acumulando a cada governo, a Defensoria Pública entrou com duas ações civis públicas coletivas na Justiça. Os processos cobram o mapeamento com detalhes de cada fila. Além disso, recomendam a regularização do sistema de atendimento, planejando e reforçando a rede pública para lidar com o desequilíbrio entre a oferta e a demanda dos atendimentos.

“Não dá para pedir para resolver a demanda reprimida sem antes fechar o problema que vem alimentando esse depósito de gente”, justificou. Na sequência, as peças solicitam ações para acabar com as filas. “A gente pede que o tempo máximo espera seja de 10 dias para exames e 14 para consultas. Ou que, na pior das hipóteses, se atribua os prazos do CNJ”, completou. A Justiça não concedeu tutela de urgência para as ações, mas a ainda não julgou o mérito das causas.

Na avaliação da especialista em Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) Carla Pintas, o governo deveria fazer uma inspeção da lista. Segundo ela, a Secretaria de Saúde precisa calcular quantos casos estão repetidos e quantos deixaram de existir. “Certamente, a fila está superestimada. É preciso limpá-la. E não adianta pensar em fazer um mutirão. Isso pode parecer bom para a opinião pública, mas vai gerar pouca resolutividade dos problemas dos pacientes”, sugeriu.

Segundo Carla Pintas, o GDF deveria remanejar as filas entre as regionais de Saúde para racionalizar o fluxo de atendimentos. Esse movimento foi iniciado na gestão passada, mas não foi bem recebido pelos servidores. “Temos que lembrar que a Secretaria de Saúde zerou recentemente outras filas, como o caso das mamografias”, contou. A especialista destacou que a regulação da atenção especializada, como são os casos da ressonância e das consultas vasculares, é um dos principais desafios do SUS. Nesse sentido, destacou que, apesar do drama da fila, a rede precisa atender os casos de urgência do dia a dia.

Do ponto de vista do presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Farid Buitrago Sánchez, a situação é inaceitável. “Não é razoável a pessoa esperar dois anos por uma ressonância”, pontuou. De acordo com o médico, a crise crônica das filas só será sanada quando o GDF reforçar a rede pública com pessoal, infraestrutura, insumos e equipamentos. “Não adianta simplesmente comprar um equipamento de ressonância novo. Se o governo fizer isso vai deixar o aparelho encaixotado em um corredor”, destacou.

Procurada pelo Metrópoles, a Secretaria de Saúde informou apenas os números atualizados das filas. A pasta não quis se pronunciar sobre o problema nem apontar as soluções.

 

 

Ver mais
Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade