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Saúde

Pesquisadores divulgam doença genética pouco conhecida

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Mais de 2 mil pessoas que se identificam como pacientes fazem parte do grupo brasileiro

Um grupo de estudiosos da hemocromatose hereditária não se restringiu apenas aos trabalhos em laboratório e foi a locais estratégicos para orientar sobre a condição, caracterizada pelo excesso de ferro no sangue. O trabalho de divulgação na internet, em bancos de sangue e nas ruas foi apresentado durante a 33ª Reunião Anual da Federação das Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), realizada em Campos do Jordão de 2 a 6 de setembro, com apoio da FAPESP.

O grupo brasileiro de hemocromatose hereditária, criado em 2013, faz parte da Haemochromatosis International (HI), idealizada pelo hepatologista e pesquisador francês Pierre Brissot. O criador da rede brasileira é também o atual presidente da HI, Paulo Caleb Santos, professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Atualmente, mais de 2 mil pessoas que se identificam como pacientes fazem parte do grupo brasileiro, composto ainda de familiares e pesquisadores.

“A hemocromatose hereditária tem sintomas muito diversos, como fadiga, dor abdominal, artrite, que podem ser confundidos com outras doenças. Quando não é tratada, pode gerar problemas mais graves, como cirrose hepática, impotência, diabetes e cardiopatias”, disse Santos à Agência FAPESP.

O tratamento mais seguro e eficaz é a flebotomia terapêutica (“sangria”), que é a retirada de sangue regularmente. A prática é feita em hospitais e bancos de sangue.

Não por acaso, esses locais são alguns dos focos do grupo brasileiro durante a Semana Mundial da Hemocromatose, que em 2018 ocorreu de 4 a 10 de junho, e que contou com uma ação no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

“A ideia é orientar profissionais da saúde, inclusive dos bancos de sangue, sobre a doença, para que eles repassem aos pacientes que ela não causa grandes incômodos se o tratamento for feito corretamente”, disse Santos.

A hemocromatose hereditária está associada principalmente ao gene HFE, mas também pode estar ligada a mutações em outros genes. O teste genético pode ser feito sob indicação de um médico. O grupo tem apoio institucional do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Para saber mais sobre a doença e os grupos, acesse: http://www.hemocromatosehereditaria.com e http://haemochromatosis-international.org/.

*Este conteúdo foi originalmente publicado no site da Agência Fapesp

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Saúde

Secretaria de Saúde confirma caso de sarampo no Distrito Federal

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Trata-se do primeiro caso confirmado em Brasília desde 2013. O paciente é um adolescente de 16 anos que viajou a Manaus em julho. Ele foi tratado e não corre risco

Foto: Divulgação

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal confirmou, nesta quinta-feira (4/10), o primeiro caso de sarampo em Brasília desde 2013.

O paciente infectado é um adolescente de 16 anos, que passou as férias de julho em Manaus com a família. De acordo com a subsecretária da Vigilância em Saúde, Maria Beatriz Ruy, assim que ficou doente, o menino procurou uma unidade de saúde na capital amazonense, foi medicado e, depois, dispensado.
Quando retornou a Brasília, ainda com os sintomas, o adolescente voltou a procurar atendimento médico, e houve notificação de suspeita de sarampo. A confirmação de que o adolescente realmente estava com a doença foi feita na terça-feira (2/10), pelo laboratório da FioCruz do Rio de Janeiro.
“A família do adolescente também passou atendimento, mas sem suspeitas da doença. Apenas a mãe dele foi vacinada, porque tinha recebido, até então, uma dose da vacina”, diz a subsecretária.
Maria Beatriz explica ainda que pessoas de 12 meses a 29 anos têm que ter duas doses da vacina. Pessoas de 30 a 49 precisam de uma dose. Já a partir dos 50 anos, provavelmente, a pessoa já tenha tido a doença ou até mesmo contato com ela. Logo, não há riscos.

Situação no país

O sarampo é uma doença altamente contagiosa e transmissível. Se não tratada logo, pode matar ou deixar graves sequelas, como surdez e deficit neurológico severo.
Até o último dia 1º, 1.935 casos de sarampo foram confirmados no Brasil, sendo 1.525 no Amazonas e 330 em Roraima. O Amazonas contabiliza ainda 7.873 casos em investigação e Roraima, 101. Casos isolados foram registrados em São Paulo (3), no Rio de Janeiro (18), Rio Grande do Sul (33), em Rondônia (3), Pernambuco (4), Pará (14), Distrito Federal (1) e Sergipe (4).
Balanço divulgado na quarta-feira (3/10) pelo Ministério da Saúde aponta que, na campanha de imunização deste ano, 97,7% das crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos foram vacinadas contra o sarampo, enquanto 97,9% receberam a dose contra a poliomielite. Até o momento, 15 estados atingiram a meta de 95% de cobertura para as duas vacinas.
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Saúde

Cientistas por trás de revolução contra o câncer levam o Nobel de Medicina

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Os pesquisadores abriram as portas para uma nova estratégia de combate a tumores, que usa o próprio sistema imunológico como arma: a imunoterapia

Entre tantas notícias que todo mundo quer dar no universo da saúde, a da descoberta da cura do câncer está entre as principais. Ainda não chegamos lá, mas os avanços nessa área são notórios. Prova disso é que o Nobel de Medicina de 2018 ficou com dois cientistas que, em trabalhos separados, pavimentaram o caminho para a imunoterapia moderna, uma forma diferente de combater a doença.

Segundo comunicado oficial da Academia Sueca, James P. Alisson, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, estudou uma proteína que funciona como uma espécie de freio do nosso sistema imunológico. Ele notou, então, o potencial de liberar esse breque e, assim, permitir que nossas defesas consigam atacar o tumor. Foi esse o ponto de partida para ele desenvolver uma nova abordagem contra o câncer.

Em paralelo, o pesquisador Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto, no Japão, encontrou uma proteína nas células imunológicas. E, após uma análise minuciosa, também percebeu que ela funcionava como um freio, mas a partir de outro mecanismo de ação.

Assim, tanto Alisson como Honjo deixaram claro que diferentes estratégias para soltar esses freios podem ser usadas no tratamento contra tumores – afinal, ao impedir essa situação, o sistema imunológico atua sem entraves. Em resumo, as drogas usadas aqui não miram o câncer, mas ajudam as nossas próprias defesas a detectá-lo e agredi-lo. “As descobertas dos dois laureados constituem um marco na luta contra essa doença”, reforçou a Academia Sueca.

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Saúde

Adolescentes que fumam e bebem têm prejuízos à saúde já aos 17 anos, aponta estudo

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Fumar e beber leva ao enrijecimento de artérias ainda quando se é bem jovem. GETTY IMAGES

Adolescentes que bebem e fumam já têm danos perceptíveis em suas artérias aos 17 anos de idade, concluiu um estudo.

Testes conduzidos por pesquisadores da Universidade College London e da Universidade de Bristol, ambas no Reino Unido, mostraram que há um enrijecimento das artérias por conta desses hábitos quando ainda se é bem jovem.

Este efeito está ligado a um aumento do risco de problemas cardíacos e em vasos sanguíneos, como AVC e infarto, em idade mais avançada.

Publicada no periódico científico European Heart Journal, a pesquisa também detectou, contudo, que as artérias dos adolescentes voltaram ao normal quando eles pararam de fumar e beber.

Problemas arteriais precoces

Os cientistas estudaram dados coletados entre 2004 e 2008 de 1.266 pacientes que participaram do Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC), que reuniu informações de saúde de 14,5 mil famílias de Bristol, na Inglaterra

Os participantes detalharam seus hábitos em relação ao tabaco e à bebida aos 13, 15 e 17 anos, e exames foram realizados para verificar se havia ocorrido algum enrijecimento arterial.

Foi informado, por exemplo, quantos cigarros já se havia fumado na vida e a idade em que se começou a beber álcool, além da frequência e intensidade com que faziam isso.

Entre aqueles que haviam fumado mais de cem cigarros até o momento dos testes ou que consumiam mais de dez doses de álcool nos dias em que bebiam havia uma maior incidência de enrijecimento das artérias do que entre participantes que tinham fumado menos de 20 cigarros durante a vida ou tomavam menos de duas doses nos dias em que consumiam álcool.

“Beber e fumar na adolescência, mesmo em níveis inferiores àqueles informados em estudos com adultos, está associado a enrijecimento arterial e à progressão da arterioesclerose”, diz o autor principal do estudo, John Deanfield, do Instituto de Ciência Cardiovascular da Universidade College London.

“No entanto, também descobrimos que, se adolescentes param de fumar ou beber durante a adolescência, suas artérias retornam ao normal, indicando que há a chance de preservar a saúde arterial ainda quando se é jovem.”

Marietta Charakida, que participou da pesquisa, explica que o dano aos vasos sanguíneos por conta destes hábitos “se dá ainda em um momento precoce da vida”. “Quando se faz as duas coisas juntas, os prejuízos são ainda maiores”, diz Charakida.

“Ainda que estudos mostrem que adolescentes vêm fumando menos nos últimos anos, nossos resultados indicam que aproximadamente um a cada cinco fuma aos 17 anos. Em famílias em que os pais são fumantes, há maior probabilidade de adolescentes fumarem.”

Fumo em queda e bebida em alta entre adolescentes no Brasil

No Brasil, estima-se que 18,5% dos adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos, ou 1,8 milhão de jovens, já experimentaram cigarro, de acordo com um estudo divulgado em 2016.

A pesquisa Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes, feita pelo Ministério da Saúde e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com outras 33 instituições de ensino superior, consultou 75 mil adolescentes de 1.251 escolas públicas e privadas em 124 municípios do país, por meio de questionários e exames.

Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionConsumo de bebida alcóolica vem aumentando entre adolescentes brasileiros

Em 2009, um outro estudo, a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, apontou que 24% dos adolescentes tinham fumado pelo menos uma vez, o que indica que o número de fumantes neste grupo pode estar em queda. No entanto, o público-alvo desta pesquisa tinha entre 13 e 15 anos.

Ao mesmo tempo, o consumo de bebida alcóolica vem aumentando entre adolescentes, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, divulgada em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O trabalho mostrou que 55,5% dos 2,6 milhões de estudantes que estavam no último ano do ensino fundamental já haviam bebido alguma vez na vida, um crescimento em relação ao levantamento de 2012, quando 50,3% estudantes disseram já ter feito isso. E 21,4% dos participantes do estudo mais recente tiveram algum episódio de embriaguez na vida.

Breno Caiafa, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro (SBACV-RJ), diz que a queda no número de fumantes jovens é fruto de um trabalho intenso de conscientização sobre os malefícios do tabaco nos últimos anos, mas avalia que o mesmo esforço não tem sido feito com o álcool.

“Isso merece um cuidado maior do governo. Hoje, as campanhas dizem ‘se beber, não dirija’, mas não falam para não beber. As empresas de bebidas vão continuar a fazer propaganda livremente se não forem pressionadas, como ocorreu com o fumo”, afirma Caiafa.

“Estudos mostram que beber moderadamente até pode fazer bem, mas o álcool não deixa de ser uma droga e, se consumido em excesso, gera alterações hepáticas e ganho de peso, enrijece as artérias e aumenta as chances de um AVC. Se tem esses efeitos, precisa ser controlado. O álcool talvez esteja sendo subestimado.”

‘Sinal encorajador’

Caiafa avalia que o estudo britânico traz novidades ao mostrar o impacto do álcool e da bebida ainda na juventude. “Já sabíamos dos efeitos negativos a médio e longo prazo, mas não a tão curto prazo”, diz.

Ele explica que esses hábitos danificam a parede das artérias, gerando uma lesão à camada interna dos vasos, o que leva à formação de placas, provocando um enrijecimento e estreitamento arterial e, como consequência, há um aumento da pressão sanguínea.

“O estudo mostrou que essa inflamação diminui quando a pessoa para de fumar e beber e que o organismo se recupera, mas é preciso cuidado, porque, se a obstrução estiver em estágio avançado, dificilmente vai regredir.”

Metin Avkiran, diretor médico associado da British Heart Foundation, organização que financiou parte da pesquisa, diz que o fato dos danos poderem ser revertidos é um “sinal encorajador”.

“Parar de fumar é a melhor decisão que você pode tomar para proteger seu coração. E, se você bebe, não o faça de forma excessiva e siga as recomendações (das agências de saúde)”, afirma.

“Nunca é tarde demais para fazer mudanças que podem acabar salvando sua vida.”

* Com reportagem de Rafael Barifouse, da BBC News Brasil em São Paulo

 

 

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