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Patente de remédio para hepatite C barra produção de genérico nacional

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O Instituto Nacional da Propriedade Industrial autorizou a patente do Sofosbuvir, retroviral fabricado pela farmacêutica americana Gilead Sciences

São Paulo — O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu nesta terça-feira (18) a patente do medicamento Sofosbuvir para a farmacêutica Gilead Sciences.

Com a decisão, a fabricação de genéricos para tratar a hepatite C pela Farmanguinhos-Fiocruz, que já estava autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), fica parada. Agora, apenas a companhia americana poderá vender o remédio no país.

A produção nacional do sofosbuvir genérico geraria uma economia de 1 bilhão de reais ao Ministério da Saúde. Em agosto deste ano, o ministério publicou que o tratamento de 84 dias com o medicamento da indústria privada custa 6,9 mil dólares por paciente.

O INPI afirmou que aprovou a patente para apenas uma molécula do Sofosbuvir feita pela Gilead. “No pedido inicial havia 126 reivindicações referentes a várias moléculas”, disse por nota.

Segundo o órgão, vinculado ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a decisão se baseou nos critérios técnicos previstos na Lei da Propriedade Industrial.  Além disso, diz que os interessados podem recorrer por meio de processo de nulidade da patente.

O instituto cita ainda que África do Sul, Colômbia, União Europeia, Estados Unidos, Índia, Japão e Rússia já concederam patentes semelhantes à que foi deferida agora.

Já a Farmanguinhos-Fiocruz afirmou que recebeu com surpresa a notícia da autorização da patente e que “com a produção do genérico, o custo do medicamento seria de um quarto do valor praticado pela indústria estrangeira.”

Procurada, a Gilead Sciences disse que o “sofosbuvir propiciou uma revolução no tratamento da doença e é importante dizer que inovação e propriedade intelectual são essenciais para que continuemos a investir em pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos, resultando na melhoria de vida dos pacientes.”

Acrescentou, ainda, que a empresa está comprometida em fornecer medicamentos inovadores e economicamente sustentáveis para o país. Além de reforçar o compromisso de apoiar o governo brasileiro no projeto de eliminação da doença.

Em nota, o Conselho Nacional de Saúde afirmou que em 2017 já havia solicitado ao INPI que “levasse em consideração os interesses da saúde pública para que o medicamento pudesse ser produzido no país.”

De acordo com o presidente do conselho, Ronald Ferreira dos Santos, a decisão do INPI pode afetar gravemente o combate à doença no Brasil. “Estamos mobilizando os recursos políticos, técnicos e jurídicos para preservar o interesse da saúde pública do povo brasileiro“, disse em entrevista a EXAME.

Ativistas criticam patente

A organização Médicos Sem Fronteiras emitiu um comunicado nesta terça-feira sobre a “equivocada decisão do INPI de conceder a patente do medicamento à empresa Gilead Sciences.”

De acordo com a ong, atualmente há cerca de 700 mil pessoas com hepatite C que não têm acesso ao tratamento por conta do alto custo. Agora, a farmacêutica “terá o monopólio do sofosbuvir, controlando o preço do medicamento e limitando o acesso à cura da hepatite C.”

Já a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids também se manifestou contra a concessão da patente. “A decisão é desastrosa, porque consolida o monopólio da farmacêutica e inviabiliza a compra da versão genérica brasileira, muito mais barata”.

Afirmou, ainda, que a patente pode significar que o Brasil não conseguirá expandir o tratamento da hepatite C para todas as pessoas que precisam e não conseguirá cumprir com compromissos internacionais assumidos, tais como a erradicação da doença até 2030.

Hepatite

A hepatite é uma inflamação do fígado que pode ser causada por vírus ou pelo uso de alguns remédios, álcool e outras drogas. Em alguns casos, a doença não apresenta nem sintomas.

As hepatites virais são inflamações causadas por vírus que são classificados por letras do alfabeto em A, B, C, D e E.

No Brasil, mais de 70% (23.070) dos óbitos por hepatites virais são decorrentes da Hepatite C, seguido da Hepatite B (21,8%) e A (1,7%). Em 2017, foram registrados 40 mil novos casos de hepatite viral.  O tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS.

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Saúde

Anvisa suspende a fabricação e venda de tônico capilar contra calvície

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Loção contra queda de cabelo foi suspensa por não cumprir com o que é prometido no rótulo, segundo a entidade

Ao contrário do que afirma rótulo, loção não estimula crescimento capilar, segundo Anvisa (Foto: Luciano Munhoz/SAÚDE é Vital)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a fabricação, distribuição, divulgação, comercialização e o uso do produto Sanctio Tônico Capilar, da marca brasileira Yeva Cosmetiques. Estamos falando de uma loção contra queda de cabelo e calvície produzida pela Laccos Indústria de Cosméticos Ltda.

A suspensão ocorreu devido à fabricação e venda do tônico estarem em desacordo com o registro da Anvisa. O cosmético, que promete reduzir e prevenir a queda dos fios, contém em seu rótulo a frase “Estimula o crescimento capilar”. Porém, após análise em testes de eficácia, foi constatado que ele não cumpre essa função, segundo a entidade.

A notificação determina que a empresa recolha o estoque existente no mercado. A orientação do órgão é de que os consumidores entrem imediatamente em contato com o serviço de atendimento ao cliente da marca e do fabricante para que sejam instruídos a respeito da retirada e substituição dos produtos.

SAÚDE entrou em contato com a Yeva para ouvir o posicionamento da marca, mas ainda não tivemos resposta. Fonte: Saúde

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Saúde

Um tomatinho turbinado com muito licopeno

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A famosa versão grape do vegetal ganhou uma variedade com doses extras dessa substância, relacionada a menor risco de câncer e envelhecimento precoce

Cientistas brasileiros criaram um tomatinho turbinado (Foto: Carlos Cubi/SAÚDE é Vital)

De acordo com o pesquisador Leonardo Boiteux, da Embrapa Hortaliças, o licopeno seria o mais poderoso dos antioxidantes naturais – isso significa que ele anula a ação de radicais livres, moléculas por trás do envelhecimento precoce e até do câncer. Só que há fortes indícios de que sua ação depende da dosa diária de ingestão. Logo, quanto mais, melhor. Foi daí que surgiu a ideia de desenvolver um tomate grape, aquele pequenino, com um teor elevado do nutriente.

E deu certo, viu?! “Conseguimos quase quadruplicar o valor encontrado nas variedades tradicionais”, comemora Boiteux. O novo tomatinho, batizado de BRS Zamir, exibe outro atrativo: o sabor. “Ele tem uma doçura acentuada, mas não chega a ser enjoativo”, analisa o pesquisador. Boiteux garante que apenas dez frutos já proporcionam a dose mínima indicada de licopeno para o corpo.

Essa versão do tomate foi criada a partir do cruzamento natural de versões com bastante licopeno. Não se trata, portanto, de um alimento transgênico. E um recado: apesar de parecidos, os tomates grape e cereja são tipos distintos do fruto.

BRS Zamir: chega a concentrar até 144 microgramas de licopeno por grama do fruto.

Produção caprichada

Não é só o consumidor que sairá ganhando com o surgimento do BRS Zamir. O produtor também encontra vantagens ao apostar nele.

De acordo com Boiteux, enquanto uma penca do grape normal dá cerca de 12 a 14 tomatinhos, a da nova variedade gera 75 frutos. “Trata-se de uma ótima opção para a agricultura familiar”, comenta. Para completar, dura 18 dias numa boa. Fonte: Saúde

 

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Saúde

Festas de fim de ano: dicas para não engordar (e aproveitar os cardápios)

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Subir na balança ao menos duas vezes por semana e ficar longe da mesa de comida depois de se servir estão entre as orientações

Ceia de Natal (iStock/Getty Images)

Quando chega o final do ano, muitas pessoas se preocupam com as calorias extras que vão ganhar diante de tantas tentações saborosas das festas. Para resolver esse pequeno impasse, um estudo publicado na revista British Medical Journal revelou algumas medidas para evitar o ganho de peso: se pesar regularmente e realizar atividade física suficiente para se livrar dos quilinhos extras. As recomendações são importantes porque, de acordo com a pesquisa, uma pessoa ganha em média entre 360 gramas a 1 quilo por ano – grande parte corresponde ao período festivo.

Felizmente, se as orientações foram seguidas, é possível perder cerca de 500 gramas. “Qualquer ganho de peso está associado a um risco aumentado para a saúde. A quantidade de peso evitada através dessas intervenções pode ser considerada pequena, mas na ausência delas, em 10 anos esse peso pode ser suficiente para impulsionar uma epidemia de obesidade”, alertou Amanda Farley, principal autora do estudo, à CBS News.

O que fazer?

Para realizar o experimento, os pesquisadores recrutaram 272 adultos – a maioria mulheres – com pesos variados e idade média de 44 anos; eles foram divididos em dois grupos e acompanhados por 45 dias durante os períodos festivos de 2016 e 2017. No primeiro grupo, chamado de grupo de intervenção, os voluntários foram encorajados a se pesar pelo menos duas vezes por semana e refletir sobre o número mostrado pela balança; eles também receberam dicas de como gerenciar o peso.

Além disso, os participantes ganharam uma lista que informava quanta atividade física deveria ser feita de acordo com o tipo de alimento e bebida consumidos ao longo das festas. Entre os alimentos notificados estava uma fatia de bolo (que corresponde a 18 minutos de corrida) e uma taça pequena de vinho ( que requer 33 minutos de caminhada). Já o segundo grupo – grupo de controle – recebeu um folheto que falava sobre o estilo de vida saudável, mas não receberam instruções específicas.

Ao final do acompanhamento, a equipe descobriu que aqueles no grupo de controle ficaram alguns quilos mais pesados enquanto as pessoas que receberam mais aconselhamento sobre se pesar regularmente e gastar as calorias ganhas não registraram esse aumento de peso. Para garantir um resultado mais preciso, os cientistas ainda fizeram ajustes para outros fatores que poderiam interferir no peso:o resultado ainda mostrou uma diferença de quase meio quilo entre os dois grupos.

“Sabemos que muitas pessoas ganham peso no Natal e muitas vezes não perdem completamente. Isso pode afetar negativamente a saúde ao longo do tempo. Através do estudo, descobrimos que algumas estratégias simples nessa época do ano impedem que isso aconteça”, comentou Amanda.

Sempre se pese

Outra pesquisa, realizada pela da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, também encontrou benefícios para indivíduos que costumam se pesar com frequência. O estudo, que envolveu mais de 1.000 participantes, mostrou que aqueles que se pesam várias vezes por semana apresentavam maior perda de peso durante o ano. Já quem evitava a balança – ou o faz apenas um vez por semana – não perdem peso.

Para os pesquisadores, quando uma pessoa mantém o hábito de se pesar, ela consegue ser mais responsável em relação ao próprio peso. “[A balança] nos lembra de comer alimentos saudáveis e ficar longe dos doces tentadores do escritório, além de observar calorias e tamanho das porções, porque sabemos que vai ter que se pesar no dia seguinte”, explicou a nutricionista Martha McKittrick à CBS.

A especialista ainda comentou que subir na balança regularmente de fato ajuda muitos indivíduos a manter o foco, no entanto, quando verificar o peso é um fator desmotivante, não é recomendado fazê-lo. O mesmo vale para pessoas que sofrem com distúrbios alimentares já que isso pode tornar a compulsão por evitar calorias ainda mais grave.

Seja moderado

Segundo Nancy Farrell, da Academia de Nutrição e Dietética dos Estados Unidos, recomendou que as pessoas comam refeições leves e regulares nos dias que precedem as festividades (inclusive nos dias das festas), pois isso ajuda a evitar a ingestão exagerada de comida. A recomendação é ainda mais significativa para quem costuma passar o dia de fome no Natal e Ano Novo para “caber mais” na hora da ceia.

Outra dica de Nancy é manter-se longe da mesa de comidas, especialmente as mais tentadoras, e verificar quais são os alimentos mais saudáveis do cardápio. “Afaste-se da mesa de bufê ou das bandejas de comida para evitar a tentação de ficar beliscando. Além disso, sente-se ao lado de pessoas que comem de forma saudável; elas vão ajudá-lo a permanecer no caminho certo dos seus objetivos de saúde”, concluiu. Fonte: Portal Veja

 

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