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Onda fitness movimenta US$2 bi no Brasil e só cresce. Veja como aproveitar

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Diante das incertezas do cenário econômico brasileiro, negócios ligados ao setor fitness se reinventam para manter protagonismo

Cau Saad, personal trainer: o investimento de 180 000 reais para abrir um estúdio próprio foi recuperado em oito meses | Foto: Germano Lüders 28/01/2019 (Germano Lüders/VOCÊ S/A)

Os números mais recentes da Organização Mundial da Saúde sobre sedentarismo no Brasil são alarmantes: 47% da população não pratica o mínimo de atividade física recomendado pela instituição para manter-se saudável — 150 minutos por semana.

Se por um lado a informação é preocupante, por outro soa como música para um importante segmento da economia, o fitness. Embora ruim, a estatística demonstra um enorme potencial para quem atua nesse mercado.

Quando alguém decide adotar um estilo de vida mais saudável, não são beneficiadas apenas as academias. Diversos negócios saem ganhando, como os de nutrição esportiva (suplementos), tecnologia (monitores de condicionamento), moda (roupas e tênis para malhar) e até beleza (cosméticos específicos para esportistas).

Hoje, a indústria de atividades físicas movimenta 2,1 bilhões de dólares no Brasil — a receita é a maior da América Latina e a terceira das Américas. É verdade que, no ano passado, o país deixou o ranking dos dez que mais lucram com o fitness. Mas isso não significa que não haja oportunidades no setor, pelo contrário.

De acordo com o levantamento de 2018 da IHRSA, associação internacional de fomento ao universo de saúde e exercícios, há mais de 34 500 academias no Brasil, o que nos torna o segundo país do mundo com maior concentração de estabelecimentos do tipo, atrás apenas dos Estados Unidos. Juntos, esses espaços somam 9,6 milhões de clientes  apenas Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido têm números maiores no mundo.

O que está ocorrendo, diante do novo padrão de economia da classe média brasileira, é uma adaptação dos negócios, com maior diversificação.

Uma das mudanças mais significativas que o mercado enfrentou para se adequar à recessão foi o surgimento das academias de baixo custo. Franquias como Smart Fit e Bluefit, as duas maiores do segmento, consolidaram-se como modelo de negócio e já representam 13% das instituições de ginástica no país.

Com mensalidades que custam em média 100 reais e estrutura enxuta, elas seguem crescendo. A Smart Fit, que acaba de bater a marca de 2 milhões de clientes em mais de 550 unidades na América Latina, vem aumentando a oferta de aulas em suas unidades, com destaque para a dança.

Já a Bluefit fechou o ano com faturamento de 100 milhões de reais e planeja chegar a uma centena de endereços em 2019, além de expandir para a Argentina e a Colômbia.

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Enquanto isso, as mega academias, como Bodytech, Bio Ritmo e Companhia Athletica, objetos de desejo dos malhadores até metade dos anos 2000, reinventam-se para enfrentar a concorrência.

“As escolas de nicho, especializadas numa modalidade [como os estúdios de bike e corrida indoor, pilates, funcional, lutas e boxes de crossfit], muitas delas cobrando por aulas avulsas ou créditos-aula em vez de mensalidade, além das de baixo custo, tiraram muita gente das grandes e se tornaram uma fatia importante do mercado”, diz Raul Abissambra Filho, diretor executivo da Fitness Brasil.

Para ele, quem se mantém nas academias convencionais é sobretudo o público com poder aquisitivo maior, que aposta nelas até como um lugar para fazer networking e conhecer pessoas interessantes.

Mas a academia não é a escolha principal de quem faz atividade física — essa é a preferência de 28% dos praticantes, de acordo com números da IHRSA. A maior parte (41%) malha ao ar livre. Caminhada e corrida são as modalidades mais populares.

De alguns anos para cá, atividades de todo tipo, como funcional, ioga, dança e luta, também passaram a reunir grupos em parques, praças, escadarias, terraços de shopping e até helipontos nos fins de semana. E aí moram algumas boas oportunidades.

A personal trainer paulistana Cau Saad, de 39 anos, já tinha mais de 15 anos de uma carreira bem-sucedida como treinadora de atletas e endinheirados em São Paulo e nos Estados Unidos quando explodiu em 2013 com o circuito de treinamento funcional externo, que acabou virando seu principal produto.

A onda fitness que se espalhava pelas redes sociais à época ajudou, mas a formação sólida, a criatividade, o fôlego inesgotável e o talento empreendedor da profissional foram determinantes para que em pouco tempo as aulas-evento, com inscrições por volta de 80 reais na época, formassem fila de espera.

Três anos depois, Cau abriu as portas do estúdio próprio, o Instituto Cau Saad, nos Jardins, na capital paulista. O investimento de 180 000 reais foi recuperado em oito meses.

Hoje, além de oferecer sessões individuais, pelas quais cobra 250 reais a hora, a personal virou grife: fatura com linhas assinadas de acessórios de ginástica e sucos funcionais, além de manter contrato de exclusividade com marcas de tênis e roupas esportivas, das quais também recebe por postagens nas redes sociais e palestras.

As aulas ao ar livre abertas ao público ainda acontecem, mas com inscrições gratuitas, porque os patrocínios e as parcerias acabam cobrindo os gastos. A equipe dela hoje soma pelos menos 34 pessoas, entre professores e profissionais das áreas de finanças, assessoria de imprensa e assistência pes­soal.

Até o marido deixou o emprego como corretor de soja para integrar o time como administrador do negócio fitness. “Nada foi planejado, fui me adaptando à medida que as coisas foram acontecendo. E estou só começando”, diz Cau.

Olho no futuro

Um fator considerado relevante para esse segmento é o envelhecimento da população. O aumento da expectativa de vida dos brasileiros — hoje de 76 anos, segundo o IBGE — vem influenciando a área fitness.

Métodos e rotinas de treinamento focados em força, mobilidade e equilíbrio, visando a saúde, a autonomia e a prevenção de acidentes entre o público mais velho, são as principais tendências apontadas pelo American College of Sports Medicine (ACSM).

A população acima de 60 anos representa hoje 13% dos brasileiros, e a estimativa é que alcance 32% até 2060. Se malhadores idosos não chegam a 10% do público nas academias convencionais, na B-Active eles são maioria: 70%.

A rede, hoje com duas unidades próprias e dez franquias distribuídas entre São Paulo e Distrito Federal, nasceu há 15 anos como academia terapêutica voltada para a terceira idade.

Ali, não há velhinhos fazendo hidroginástica ou alongamento, e sim musculação e treinamento funcional focados no envelhecimento saudável ou em programas de prevenção e reabilitação de cirurgias ortopédicas.

Todos os atendimentos (cerca de 150 por dia em cada unidade) são acompanhados por fisioterapeutas especializados na faixa etária. Equipamentos, pisos e acessibilidade também foram pensados para a segurança e o conforto dos clientes.

Renata Chaim, Gisele Violim e Corina Godoy Cunha, da Pink Cheeks: faturamento de 3,8 milhões de reais com maquiagem para esportistas | Germano Lüders

O idealizador do negócio, o médico do esporte Benjamin Apter, viu o faturamento aumentar cerca de 80% nos últimos três anos. A procura por interessados em abrir uma franquia também cresceu — o investimento total sai por 770 000 reais, com retorno em dois anos, em média.

Mas Benjamin se mantém exigente na seleção de parceiros. “Além de necessidades físicas especiais, o idoso tem um comportamento de consumo próprio, quer ser bem tratado e é menos tolerante a erros, até por questão de saúde”, diz.

Manter o modelo de unidades pequenas e próximas do consumidor que pode pagar pelo serviço é outra preocupação que orienta a expansão da rede. A mensalidade média para treinar duas vezes por semana na capital paulista é de 500 reais. Em dez anos, Benjamin pretende ter 200 unidades da B-Active.

Os fabricantes de equipamentos de ginástica estão igualmente de olho nessa fatia do mercado e trabalham para desenvolver produtos que atendam às demandas dos mais maduros.

Recentemente, a norte-americana Life Fitness somou a seu portfólio os equipamentos da Scifit, marca de aparelhos adaptados para o público idoso.

“Eles têm design e ergonomia pensados para facilitar a acessibilidade [entrar e sair da máquina], trabalham grupos musculares sensíveis nessa faixa etária [como quadris e joelhos] e possuem níveis de resistência que permitem prática e evolução segura nos treinos”, afirma Pedro Goyn, diretor-geral da marca para a América Latina.

Entre os produtos há esteiras, bicicletas ergométricas, elípticos e aparelhos para trabalho localizado das partes superior e inferior do corpo.

Outro destaque da área é a tecnologia. O uso de dispositivos associados à rotina de atividade física está no topo da lista de tendências fitness elaborada anualmente pelo ACSM.

Relógios e pulseiras inteligentes (que registram dados de treino e saúde, como comportamento do sono e nível de açúcar no sangue) e fones de ouvido sem fio representam quase 95% do mercado de wearables (tecnologia vestível), de acordo com o International Data Corporation (IDC), que analisa as novidades tecnológicas.

E a procura por eles continuará subindo pelo menos até 2022, quando deverão atingir a marca de 190 milhões de unidades. “As pessoas querem, cada vez mais, monitorar o próprio rendimento”, diz Eduardo Netto, diretor técnico da rede de academias Bodytech.

Uma pequena prova disso é o sucesso do uso da gamificação nas aulas coletivas das academias. Ao sincronizar o dispositivo no pulso com um software de treinamento, o aluno acompanha em tempo real os próprios dados de treino (como velocidade, frequência cardíaca, gasto calórico) em um painel, o que ajuda a criar um ambiente de interação, competição e compartilhamento que pode ser estimulante para a experiência e o resultado da malhação. Alguns programas permitem montar times entre academias e treinar online com praticantes até fora do país.

Cosméticos para atletas

Foi a partir da dificuldade em encontrar produtos de beleza que atendessem às necessidades que tinham antes, durante e depois dos treinos de corrida que as amigas (e hoje sócias) Corina Godoy Cunha, Renata Chaim e Gisele Violim resolveram criar a própria marca de cosméticos para esportistas.

“Corina tinha melasma e queria um filtro que durasse na pele e não escorresse nem ardesse os olhos. Gisele sofria com bolhas nos pés, e eu tinha muitas assaduras. Não conseguíamos ficar satisfeitas com os itens que encontrávamos aqui e trazíamos muita coisa de fora”, diz Renata.

Foram pelo menos três anos de protótipos, erros e testes entre amigos e família até o lançamento da primeira linha da Pink Cheeks, em 2013, que contava com filtro solar, bastão antiassaduras, creme relaxante para pernas, lenços umedecidos e fluido que não deixa o cabelo embaraçar.

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A aceitação não foi imediata, até pela falta de marcas de beleza esportivas. Mas as redes sociais e a postagem de um dos produtos por uma influenciadora respeitada no meio da corrida fez o estoque esgotar no mesmo dia.

Daí, o trio ganhou fôlego para se estruturar de acordo com a profissão que cada uma exercia na época: Corina, farmacêutica, ficou responsável pelo desenvolvimento dos produtos; Renata, publicitária, pelo marketing; e Gisele, administradora, pelas áreas comercial e administrativa.

As vendas, inicialmente pelo e-commerce próprio e participação com estande em alguns eventos de corrida, ganhou reforço de cerca de 300 consultoras. Cinco anos depois, os produtos também estão em megastores como Decathlon e Centauro, além de lojas esportivas de nicho, redes de farmácias e lojas online de beleza.

O portfólio aumentou: são 60 itens, incluindo a linha de maquiagem Sport, lançada em 2017. No mesmo ano, a empresa foi destaque como marca indie na feira In-Cosmetics América Latina e, em 2018, ganhou o prêmio da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) na categoria melhor filtro solar.

A produção, antes terceirizada, agora tem indústria própria, em Leme, no interior de São Paulo, onde tudo começou. Em 2018, a Pink Cheeks alcançou faturamento de 3,8 milhões de reais e projeta aumento de 40% neste ano, com ampliação e lançamentos de linhas, como a unissex.

Se a área de beleza ainda engatinha no quesito fitness, a de suplementos esportivos já saiu das fraldas faz tempo. É a terceira maior do mundo e movimenta acima de 2 bilhões de reais, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos Nutricionais e Alimentos para Fins Especiais (Brasnutri) e da Associação Brasileira das Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri).

Das categorias de produtos, as proteínas respondem por 65% do consumo no país, seguidas pelos aminoácidos e energéticos (15% cada um) e hipercalóricos (5%).

Mariane Morelli, Alberto Moretto e Carlos Philipe Moretto, sócios da Supley: previsão de crescimento de 10% em 2019 | Ricardo Benichio

Segundo especialistas do setor, estima-se que só 10% das pessoas que praticam exercícios regularmente sejam adeptas desses suplementos. Há, portanto, espaço para crescer.

Na tentativa de abocanhar novos consumidores, a indústria não perde tempo. Aposta, entre outras coisas, na snackfication (em que as pessoas comem refeições fracionadas e saudáveis ao longo do dia), tida como a principal tendência de alimentação para 2019 pela consultoria internacional Euromonitor, e na onda vegana e natural, com produtos sem ingredientes de origem animal nem itens artificiais, como adoçantes, corantes e conservantes.

Além de já existirem empresas com DNA 100% vegano no setor de suplementação, como a recém-criada Mother e a W Vegan, as grandes vêm colocando em seu portfólio itens com esse perfil, com proteínas derivadas de ervilha, ­arroz e batata.

Uma delas é a Max Titanium, do laboratório brasileiro Supley. No primeiro semestre do ano passado, a fabricante comprou a Probiótica, então líder no segmento. Com isso, passou a ser a maior companhia de suplementos da América Latina, com 25% de participação no mercado e faturamento anual de 250 milhões de reais.

Alberto Moretto, CEO da Supley, aposta em lançamentos saudáveis, com foco no público fit­ness. A previsão de crescimento para 2019 é de 10%, bem acima do que projetam economistas para o Brasil. O país, com sorte, avançará 2,5%. Haja fôlego.

 

Fonte Exame

 

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Saúde

Pesquisadores da UFRJ anunciam que descobriram vírus mayaro no estado do Rio

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Espécie de ‘primo’ de chikungunya, ele provoca reações semelhantes, como dores de cabeça, febres e intensas dores articulares que podem se prolongar por muitos meses.

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciaram a descoberta do vírus mayaro, no Estado do Rio.

O vírus é uma espécie de ‘primo’ da chikungunya e provoca as mesmas reações nos pacientes: febres e intensas dores musculares e articulares que podem se se prolongar por muitos meses. De forma semelhante ao que transmite a febre amarela, o mayaro é um vírus que, pelo menos até agora, existia apenas em áreas silvestres amazônicas. A notícia foi antecipada pelo jornal O Globo.

No entanto, sua presença no estado do Rio não surpreendeu os cientistas da UFRJ – há quase quatro anos, eles já alertavam sobre a possibilidade da existência do vírus em território fluminense, por meio de uma adaptação ao ambiente urbano.

“Recebíamos amostras de sangue de pessoas atendidas pelo SUS com sintomas de chikungunya. Ao fazermos os testes para essa doença, os resultados de algumas delas eram sempre negativos. Como os indivíduos infectados apresentavam dores musculares muito fortes, bastante parecidas com as provocadas pela chikungunya, começamos a desconfiar da presença do mayaro no Rio. Agora, depois da pesquisa, podemos afirmar que ele está aqui”, explicou um dos responsável pela descoberta, o coordenador da Rede Zika da UFRJ, Rodrigo Brindeiro.

A pesquisa apontou que três moradores de Niterói, na Região Metropolitana, foram contaminados com o vírus mayaro. Segundo os pequisadores, nenhum deles viajou até a Amazônia.

“Ou seja, ficou claro que o mosquito florestal Haemogogos – principal vetor de transmissão do vírus – havia chegado ao Rio e se adaptado ao ambiente urbano”, explicou Brindeiro.

Ainda segundo a pesquisa, com o passar do tempo, o mayaro pode se adaptar ainda mais e também ser transmitido tanto pelo Aedes aegyptiquanto pelo pernilongo – Culex – bastante comum no RJ, o que, segundo os pesquisadores, pode aumentar o risco de epidemia.

“No que diz respeito aos sintomas, o mayaro provoca reações físicas semelhantes ao chikungunya. Porém, no que se refere ao combate ao vírus, é importante que as vigilâncias epidemiológicas do Estado e das cidades saibam que começamos a lidar com um novo vírus”, disse.

Ministério da Saúde desconhece casos

Em nota, o Ministério da Saúde informou que não foi notificado sobre a descoberta e que não tem registros de casos no Brasil:

O Ministério da Saúde informa que não há registro recente de casos da febre Mayaro no país, nem registro da doença no estado do Rio de Janeiro. Contudo, a pasta ressalta que o diagnóstico de Mayaro pode ser confundido com o de chikungunya. É importante destacar que as informações concedidas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tratam-se de ‘casos’ identificados em atividade de pesquisa, realizada no ano de 2015. Além disso, a pasta não foi notificada (conforme portaria de notificação compulsória) formalmente pelo pesquisador para avaliação de risco e eventuais medidas de controle, caso se justifiquem, já que são de competência do Sistema Único de Saúde (SUS).

Vale destacar que, até o momento, não há registro de casos da Febre Mayaro pela transmissão do Aedes aegypti. Os casos detectados pelos serviços de saúde do Brasil são esporádicos, ocorrem em área de mata, rural ou silvestre (não há casos urbanos) e afetam pessoas que adentraram espaços onde têm macacos e vetores silvestres. Na América do Sul, a doença tem sido associada ao ciclo do vírus da Febre Amarela (Haemagogus janthinomys como vetor primário).

O vírus Mayaro é considerado endêmico na região Amazônica, que envolve os estados das regiões Norte e Centro-Oeste. Entre dezembro/2014 e janeiro/2016, foram confirmados 86 casos da doença no país nos estados de Goiás (76), Pará (1) e Tocantins (9). O Ministério da Saúde mantém monitoramento permanente e atua com apoio do Centro de Proteção dos Primatas Brasileiros (ICMBio), Instituto Evandro Chagas (IEC) e o Centro Nacional de Primatas (CENP).

Atualmente, não existe terapia específica ou vacina. Os pacientes devem permanecer em repouso, acompanhado de tratamento sintomático, com analgésicos e/ou drogas anti-inflamatórias, que podem proporcionar alívio da dor e febre. Os sintomas são muito parecidos com os da dengue e/ou chiKungunya. Começa com uma febre inespecífica e cansaço, sem outros sinais aparentes. Logo após podem surgir manchas vermelhas pelo corpo, acompanhadas de dor de cabeça e dores nas articulações. Os olhos podem também ficar doendo e em alguns casos reporta-se intolerância à luz. As dores e o inchaço das articulações podem ser mais limitantes e durar meses para passar. A diferenciação se dá por exames laboratoriais específicos e que podem apontar o diagnóstico correto. Não há óbitos associados ou registrados ao Mayaro no Brasil.

Considerando que o horário de maior atividade do vetor primário (Haemagogus janthinomys) se dá entre 9 e 16 horas, recomenda-se evitar exposição em áreas de mata, sobretudo desprotegido, durante esse período. Uso de roupas cumpridas e uso de repelentes podem ajudar a evitar o contato com o vetor e diminuir o risco de infecção.

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Saúde

Psicodélicos podem ser tratamento alternativo para o alcoolismo

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Segundo novo estudo, 83% dos participantes que usavam psicodélicos em casa relataram uma redução significativa no desejo de beber

Segundo a OMS, 237 milhões de homens e 46 milhões de mulheres pelo mundo sofram de transtornos relacionados ao alcoolismo. (Thinkstock/VEJA/VEJA)

Nos últimos anos, os cientistas vêm investigando o potencial terapêutico de psicodélicos, como LSD e cogumelos mágicos, para uma série de condições psicológicas, incluindo depressão e transtorno do estresse pós traumático(TEPT). Os resultados encontrados até agora têm indicado a eficácia desse método alternativo. Agora, estudo publicado no Journal of Psychopharmacologyaponta que essas substâncias também podem ser eficientes no tratamento do alcoolismo. Segundo os pesquisadores, 83% dos participantes que usavam psicodélicos em casa relataram uma redução significativa no desejo de consumir bebida alcoólica.

Os pesquisadores destacaram que ainda não foi possível explicar os mecanismos biológicos e neurológicos do por que isso acontece. No entanto, uma das possíveis explicações para o resultado reside no fato de que as drogas psicodélicas entram em contato com os receptores de serotonina – também conhecido como hormônio do bem-estar – e essa interação desencadeia a redução dos desejos de alguma forma. A equipe ressaltou, no entanto, que as evidências não devem ser encaradas como uma maneira de curar o problema.

Outro estudo, publicado em 2018, na revista Frontiers of Pharmacology, havia indicado que o uso de psicodélicos com acompanhamento psicoterapêutico tinha se mostrado seguro e eficaz no tratamento do alcoolismo.

O estudo

Para chegar a estes resultados, os pesquisadores da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, conduziram uma pesquisa online para investigar pessoas diagnosticadas com transtornos relacionado ao alcoolismo que haviam reduzido a ingestão de bebidas alcoólicas após utilizar drogas psicodélicas.

Do total de 343 participantes que responderam aos questionários, 38% relataram ter diminuído o consumo de álcool através do uso de LSD, enquanto 36% afirmaram que a psilocibina (composto ativo dos cogumelos mágicos) proporcionou efeito similar. Ao todo, 83% dos participantes pareciam ter maior controle sobre os desejos relacionados ao vício com o uso de psicodélicos. A equipe ainda descobriu uma correlação entre a intensidade da natureza mística e espiritual proporcionada pela experiência psicodélica e a melhora dos sintomas do alcoolismo. A razão para estes resultados permanece desconhecida.

Ainda assim, os novos resultados apontam para o potencial terapêutico dos psicodélicos. Segundo os pesquisadores, os achados ressaltam a necessidade de investigar essas substâncias mais de perto para compreender sua atuação como tratamento alternativo para diversas condições psicológicas.

Alcoolismo

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo excessivo de álcool pode trazer sérias consequências para a saúde física e mental, além de ser responsável por 3 milhões de mortes por ano. A entidade estima que 237 milhões de homens e 46 milhões de mulheres pelo mundo sofram de transtornos relacionados ao alcoolismo.

Já o Ministério da Saúde ressalta que o consumo excessivo de álcool pode comprometer o fígado (cirrose, hepatite alcoólica e câncer de fígado), o estômago (gastrite), o pâncreas (pancreatite) e os nervos (neurite). O alcoolismo ainda está relacionado a maioria dos acidentes de trânsito, violência doméstica, badernas e comportamentos anti-sociais.

Portanto, se achar que tem o problema e deseja parar de beber, procure ajuda de um profissional de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, oferece atendimento gratuito nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) espalhados por todo o país.

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Saúde

Capital paulista tem primeiro caso autóctone de sarampo desde 2015

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Antes da confirmação do caso autóctone, a secretaria havia divulgado somente três casos mas cuja infecção ocorreu na Noruega, em Malta e em Israel

Sarampo: desde 2015, São Paulo não tinha registro de circulação do vírus internamente (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

São Paulo — A Prefeitura de São Paulo confirmou nesta semana o primeiro caso autóctone (de transmissão interna) de sarampo em quatro anos na cidade. Desde 2015 o município não tinha registro de circulação do vírus internamente. Foram confirmados ainda outros quatro casos importados da doença, além dos três anteriormente divulgados. Há ainda 92 casos suspeitos em investigação. Nenhuma morte foi registrada.

Antes da confirmação do caso autóctone, a secretaria havia divulgado somente três casos diagnosticados na cidade mas cuja infecção ocorreu na Noruega, em Malta e em Israel.

O registro autóctone aumenta o nível de alerta porque é o primeiro indício de que o vírus já pode estar circulando na cidade. O caso foi inicialmente relatado em documento publicado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria Estadual da Saúde na última semana e confirmado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) na segunda-feira, 13.

Segundo o CVE, o paciente é um professor universitário de 48 anos, que foi hospitalizado mas que “evolui para cura”.

Já os quatro novos casos importados da doença também confirmados nesta semana ocorreram todos na mesma família. Os pacientes, com idades entre 12 e 42 anos, moram na mesma casa que o doente infectado em Israel.

Embora a transmissão intrafamiliar tenha ocorrido já em São Paulo, a secretaria informou que, pelos critérios epidemiológicos do Ministério da Saúde, os casos foram considerados importados por estarem relacionados a uma infecção importada localizada (a de Israel).

Tanto no caso autóctone quanto nos importados, os pacientes não eram vacinados contra o sarampo, de acordo com o documento do CVE.

Além dos oito registros na capital paulista, 20 infecções já haviam sido confirmadas em Santos, na Baixada Santista, todas decorrentes de um surto que atingiu o navio MSC Seaview em fevereiro. Do total de vítimas no cruzeiro, 17 eram tripulantes, dois eram passageiros e um era profissional de saúde. Todos passam bem.

Bloqueios

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo informou que, sempre que identificados casos suspeitos, a vigilância epidemiológica desenvolve ações de vacinação no entorno do local de notificação para evitar o contágio, mesmo antes de receber os resultados dos exames conclusivos.

“Imediatamente após a notificação do caso suspeito, sempre realizamos vacinação dentro dos ambientes que a pessoa frequentou, como residência, local de trabalho, escola. Se aparecem indícios mais fortes de confirmação, partimos para a realização de bloqueio vacinal em um raio de oito quarteirões desses locais”, explica Rosa Maria Dias Nakazaki, diretora da divisão de vigilância epidemiológica da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) da SMS.

De acordo com Rosa, 20 mil pessoas foram vacinadas nas ações de bloqueio realizadas a partir dos oito casos confirmados na cidade. A diretora informou que a secretaria não divulga em quais regiões da cidade foram registrados os casos confirmados, mas reafirmou a necessidade de a população buscar a imunização diante do possível retorno da circulação do vírus.

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, está disponível na rede pública gratuitamente e deve ser tomada em duas doses, aos 12 e aos 15 meses de idade. Adultos que não se vacinaram ou que não têm certeza se foram imunizados quando crianças podem procurar os postos também. “Como é uma doença de transmissão por vias respiratórias, altamente contagiosa, estamos permanentemente em alerta para que as pessoas se vacinem”, ressaltou Rosa.

 

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