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“Não vejo o PSDB integrado ao governo”, afirma Tasso Jereissati

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Jereissati defende que o partido deva se afastar de “visões de extrema-direita” e diz que a única afinidade entre tucanos e bolsonaristas é a econômica

Tasso Jereissati: o senador tucano mantém postura de oposição ao governo Bolsonaro (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Brasília – No ano passado, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) liderou um movimento para que o seu partido desembarcasse da gestão de Michel Temer. Agora, em meio à aproximação entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), e o presidente Jair Bolsonaro, o tucano volta a defender que o partido deva se afastar “de visões de extrema-direita” presentes no Palácio do Planalto.

Para Jereissati, a única afinidade entre tucanos e bolsonaristas é na política econômica, em prol da reforma da Previdência. “Eu não enxergo o PSDB totalmente integrado ao governo, até pelas diferenças que nós temos. A grande afinidade que nós temos é em relação à política econômica”, afirmou Jereissati em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Neste ponto, o senador disse que “nunca houve um momento tão propício” no Senado para a aprovação da reforma e que entre os senadores tucanos existe “a convicção” sobre uma reforma “imediata” e “de certa profundidade”.

O que o sr. achou da eleição para a Mesa do Senado? Houve desgaste de imagem da Casa?

Foi o ápice do desgaste, mas o ponto mais alto da crise do Senado foi necessária para a ruptura com o passado. Com certeza, foi um espetáculo degradante, que desnudou alguns personagens para o Brasil, mas foi um momento em que foi rompido o predomínio de um grupo depois de quase 30 anos. Acho que consolidou o fim do monopólio desse grupo no Senado durante esses anos.

Preocupa o fato de o novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ter o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, como padrinho?

Ele, com certeza, teve o apoio do ministro Onyx, mas a teia de compromissos que ele firmou aqui dentro do Senado vai dar a independência que ele necessita e, com certeza, quer.

O governo tem condições de aprovar uma reforma da Previdência no Senado?

O governo sozinho não tem essa maioria no Senado. O governo, inclusive, é muito heterogêneo, tem alas diferentes e visões diferentes. É difícil você quantificar. Agora, nunca houve um momento tão propício dentro do Senado para fazer essas reformas. Não podemos desperdiçar essa oportunidade.

Na gestão Temer, o PSDB ficou dividido sobre proposta de reforma da Previdência. E agora?

É uma boa vontade unânime aqui dentro do PSDB do Senado. Evidentemente que tem pontos aqui e ali, ninguém é unânime em todos os pontos. Mas a convicção de que tem de haver uma reforma da Previdência, de certa profundidade e imediata, isso é unânime dentro do partido aqui no Senado.

Qual será a posição do PSDB em relação ao governo? No ano passado, o sr. defendeu desembarcar da gestão Temer e, este ano, Doria tem se movimentado em direção ao governo…

Não enxergo o PSDB integrado totalmente no governo, até pelas diferenças que nós temos, que eu já fiz referência. A grande afinidade que nós temos é em relação à política econômica. Mas, com certeza, estamos bastante afastados de visões de extrema-direita que estão sendo externadas aí por alguns grupos.

Como o sr. avalia o primeiro mês de gestão do governo Bolsonaro?

É muito cedo, temos um pouco mais de um mês com um presidente afastado por uma cirurgia, internado num hospital. Evidentemente, há uma falta de organização no governo ainda. Não dá para identificar para onde o governo vai, porque tem muito bate-cabeça entre as próprias lideranças que dão apoio ao governo. Há grupos diferentes dentro do governo: um grupo ligado a fulano, um grupo ligado a sicrano. Há impressão de que esses grupos não se entendem. Mas acho que naturalmente, com o tempo e a consolidação do governo, essas coisas vão tendo maior organicidade. Eu não digo (que o governo precisa) acelerar, mas ter uma coordenação, ter uma organicidade desses diferentes grupos.

Na Câmara, por exemplo, o líder do governo está sendo muito questionado. Aqui no Senado, ainda não definiram isso…

Faz parte dessa aparente desorganização do governo hoje.

Como o sr. avalia a política externa do governo nesse período?

Algumas declarações do ministro (Ernesto Araújo) não só me preocupam, me cheiram a delírio, altamente fora do mundo terrestre. Evidente que estamos (o PSDB) completamente afastados da linha que ele diz, do que ele pensa. O problema não é só a imagem externa arranhada. O País está sendo levado ao ridículo. É uma visão inclusive diferente da visão do (ministro da Economia) Paulo Guedes, que é totalmente globalista. O ministro das Relações Exteriores é oposto de tudo isso. Vejo com o mesmo rigor e espanto as declarações da ministra (da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves). Algumas, eu não quero nem comentar.

Qual será a posição do sr. na eleição do PSDB?

Eu defendo renovação. Tem de vir um nome ajustado a essa renovação. E que tenha liberdade, independência para liderar essa visão de futuro que o partido vai ter. Volto a defender uma autocrítica. O partido tem de rever, assumir os erros do passado e assumir o compromisso com a sociedade de não aceitar conviver com esses erros.

O Doria é essa nova cara?

O governador João Doria é uma das caras do partido. Tivemos também a eleição do Anastasia (como vice-presidente do Senado), que é um nome relativamente novo, vem de uma outra geração, já é muito respeitado no Senado e no Brasil. E outros também: o Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, é uma esperança que a gente tem, uma cara nova, ideias novas.

Fonte Exame

 

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Maia acredita que reforma tributária será aprovada até o final do ano

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O presidente da Câmara destacou, no entanto, que a mudança no sistema de cobrança de impostos, que deve levar a uma unificação de pelo menos parte dos tributos, não significa que haverá uma redução nos valores pagos atualmente

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse hoje (16), que acredita que é possível aprovar um projeto de reforma tributária, ou no Senado ou na Câmara, até o final do ano. “Até o fim do ano pelo menos [será aprovado] em uma das duas casas”, ressaltou em evento promovido pelo Grupo Líderes Empresariais (Lide).
O presidente da Câmara destacou, no entanto, que a mudança no sistema de cobrança de impostos, que deve levar a uma unificação de pelo menos parte dos tributos, não significa que haverá uma redução nos valores pagos atualmente. “Se a cada R$ 100 do governo federal, R$ 94 é despesa obrigatória, como é que você vai reduzir a carga tributária do governo federal? Agora, simplificar, vai gerar um grande crescimento econômico. Esse crescimento econômico vai gerar um aumento de arrecadação. Um aumento da contratação, da geração de emprego”.
Maia prevê que haverá disputa, especialmente dos setores que são menos tributados, em relação ao modelo de simplificação que será adotado. “Um sistema em que alguns setores pagam impostos, e outros não, na hora que você simplifica, você não está só simplificando, você está dentro do sistema organizando para que todos paguem com a mesma regra, com a mesma alíquota”, disse.
Na avaliação do presidente da Câmara, a reforma tributária é fundamental para consolidar os avanços realizados com a reforma da Previdência. “O Brasil não vai crescer só com a [reforma] previdenciária. O Brasil precisa se modernizar. O Brasil precisa modernizar o sistema tributário, da gestão dos recursos humanos do Estado, do sistema previdenciário. Mais segurança jurídica para que a gente tenha menos demanda para o Judiciário”, disse.
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Governo gaúcho e BNDES dão primeiro passo para vender estatal de energia

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Em julho, assembleia gaúcha autorizou governo a privatizar a CEEE, a Sulgás e a Companhia Riograndense de Mineração

Eduardo Leite: governador do Rio Grande do Sul quer privatizar estatais estaduais para resolver problemas fiscais (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), Gustavo Montezano, disse que o banco vai assinar nesta sexta-feira, 16, com o governo gaúcho o estudo de modelagem para a venda da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).

Segundo ele, o processo de privatização deve levar de 12 a 24 meses. O BNDES, também avançará com a modelagem da concessão de rodovias que cortam o Rio Grande do Sul, disse o presidente do banco.

Em julho, Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou três projetos de lei que autorizam o governo a privatizar três empresas: a CEEE, a Sulgás e a Companhia Riograndense de Mineração (CRM). O valor de mercado da companhia elétrica não foi revelado.

Na entrevista, Montezano destacou o papel do banco de fomento ao micro e pequeno empreendedor, ao contrário da estratégia anterior de incentivar grandes empresas, as que eram chamadas de “grandes campeãs nacionais” nos governos do PT, o que ele considera ter sido um “vertiginoso fracasso, uma transferência de renda do trabalhador para grandes empresários”.

O presidente do BNDES citou novas linhas para agricultores e caminhoneiros, que, segundo ele, devem começar na semana que vem no novo formato, que já está aprovado.

Ele explicou que é uma linha para manutenção do veículo, de até R$ 100 mil por caminhoneiro em sete anos e dois anos de carência. “Não é só a taxa que é importante, mas prazo também”, enfatizou.

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Bolsonaro vai ouvir ministros antes de decidir sobre abuso de autoridade

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Presidente afirmou que projeto deve chegar em suas mãos na semana que vem

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou, nesta quinta-feira (15), que só vai decidir se veta ou não trechos do projeto sobre abuso de autoridade, aprovado na última quarta-feira (14)pela Câmara dos Deputados, depois de ouvir a opinião de seus ministros. Ele evitou sinalizar se existe ou não uma tendência dentro do governo, mas admitiu que as autoridades, às vezes, costumam exagerar.

“Vai chegar nas minhas mãos na semana que vem. E vamos ouvir os ministros, como é de praxe, e, de acordo com a orientação deles, a gente toma uma decisão”, declarou o presidente. “Logicamente, você não pode cercear os trabalhos das instituições, não pode cercear. Mas a pessoa tem que ter responsabilidade quando faz algo, que é dever teu, mas tem que fazer baseado na lei. Tem que fazer o que tem que ser feito de acordo com a lei”, continuou.

Bolsonaro lembrou que foi acusado de apologia ao estupro, além de ser alvo de processos por racismo e quase réu por crime ambiental. Por isso, segundo ele, é importante determinar algumas regras.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou que ninguém é a favor de abusos, mas que o projeto precisa ser bem analisado para verificar se não pode prejudicar a atuação de juízes, procuradores e policiais. Ele também disse que a análise do texto aprovado pela Câmara será feita com “cuidado e respeito ao Congresso Nacional.”

Próximos passos

Como o texto já havia sido aprovado pelo Senado Federal em 2017, seguirá da Câmara direto para a sanção de Bolsonaro. Ele pode assiná-lo exatamente como veio ou vetar partes ou o projeto como um todo. Em caso de veto, ele poderá ser derrubado por deputados e senadores.

 

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