Nossa rede

Saúde

Legislação sobre agrotóxicos pode mudar e trazer mais riscos aos pequenos

Publicado

dia

Da gestação à vida adulta, entenda o que essa história tem a ver com a saúde da família — e o que pode ser feito a respeito.

Na última semana, uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 6299/02, também chamado de “PL do veneno”, que muda a fiscalização e controle dos agrotóxicos usados na agricultura do Brasil. O projeto, em tramitação desde 2002, altera pontos importantes da lei que regula o uso dos fertilizantes e pesticidas, e é visto pelos especialistas como um retrocesso que pode ameaçar a saúde dos brasileiros.

“O Brasil é hoje campeão no consumo de agrotóxicos no mundo e a fiscalização que existe já não funciona como deveria”, comenta Aristides de Faria Júnior, ginecologista e  homotoxicologista do Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), em São Paulo. “Se pensa em melhorar a produtividade, mas não nas consequências”, completa. De fato, o país lidera o ranking da utilização destes produtos, com um consumo que chega a 5 litros por pessoa ao ano.

Para virar lei, o PL precisa ainda ser votado pelo plenário da Câmara, mas as críticas a ele vêm de instituições importantes como o Instituto Nacional do Câncer, Organização Mundial de Saúde e Fiocruz, e apontam para um afrouxamento das regras. De acordo com o documento, o uso de novos agrotóxicos poderia ser feito só com a autorização do Ministério da Agricultura. Hoje é preciso passar pelo Ministério da Saúde e do Meio Ambiente e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que se posiciona contra a PL.

Além disso, somente produtos de risco “inaceitável” para a saúde não poderão mais ser utilizados. O ponto dos especialistas é que, mesmo sem a nova lei, diversos dos agrotóxicos, inclusive utilizados hoje, tem efeitos agudos se aplicados da maneira incorreta, como intoxicações pontuais no campo, e crônicos, como o risco de câncer a longo prazo. E uma possível flexibilização dessa regulamentação poderia intensificar esses possíveis riscos.

Para o bebê

Em regiões agrícolas, o uso indiscriminado de agrotóxicos e a contaminação do meio ambiente provocada pelo manuseio incorreto desses produtos são estudados por sua ligação com o aumento de malformações congênitas, como deformações nos ossos e músculos e nos órgãos reprodutores dos pequenos. A suspeita é antiga, e reforçada por um levantamento feito pela Fiocruz em zonas rurais do Paraná.

“A placenta é um filtro maravilhoso, mas mesmo assim algumas toxinas ingeridas pela mãe, como a dos agrotóxicos, podem passar para o bebê pela corrente sanguínea”, comenta Júnior. Além das alterações físicas, alguns compostos, como o clorpirifós, utilizado hoje no Brasil e nos Estados Unidos, são atualmente investigados por seus potenciais danos na formação do cérebro dos bebês e até ao desenvolvimento de autismo.

Em Tomé, comunidade do interior do Ceará onde os pesticidas são aplicados por avião — prática proibida na União Europeia desde 2009 — a puberdade precoce, quando o corpo começa a amadurecer sexualmente antes do tempo, agora é relativamente comum. Como apurou a ONG Repórter Brasil, na pequena localidade há meninas de um ano já apresentando sinais de crescimento das mamas.

Para os pais

O efeito pode ser danoso antes mesmo da gestação acontecer. Um estudo do ano passado da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que mulheres que consumiam mais frutas e legumes contaminados por agrotóxicos tinham menores taxa reprodutivas.

outro trabalho, conduzido pela mesma instituição, encontrou a associação entre agroquímicos ingeridos por meio da comida pelos homens e uma redução da qualidade do sêmen. Vale destacar que até agora as evidências dizem mais sobre os efeitos do contato direto, que ocorre nas plantações. Ainda são necessários mais estudos para entender o impacto da dieta rica em agroquímicos.

Mas as suspeitas crescem, sem dúvidas, e mobilizam as entidades científicas. Em sessão da comissão especial da câmara que trabalha na direção oposta, em uma política nacional de redução do uso de agrotóxicos, Márcia Scarpa, pesquisadora do Instituto Nacional do Câncer, destacou que esta categoria está ligada ao câncer, com destaque para os tumores de mama, próstata e cérebro, além do linfoma não Hodgkin.

O que pode ser feito à respeito

Há um limite de tolerância do organismo para processar as toxinas do corpo. Por isso, enquanto a legislação não muda, o que dá para fazer é fortalecer o organismo. “A má nutrição, por exemplo, piora o preparo da mãe para isso”, comenta Júnior, que destaca que no Brasil grande parte das gestações é não planejada. Assim, não é possível garantir, por exemplo, que os níveis de ácido fólico, que protege contra os efeitos dos pesticidas, estejam adequados.

Outras medidas podem ser tomadas na alimentação diária, como preferir alimentos orgânicos, que por definição não podem ser cultivados com químicos. Como nem sempre eles estão acessíveis, lavar em água corrente ajuda a retirar o excesso dos agrotóxicos que está no exterior dos vegetais, processo que pode ser realizado ainda com a ajuda de escovinhas e um pouco de detergente. O bicarbonato de sódio, segundo uma pesquisa publicada no Journal of Agricultural and Food Chemistry, é eficaz para remover alguns pesticidas comuns nas frutas.

Comentário

Saúde

Novo estudo pode decepcionar entusiastas da vitamina D

Publicado

dia

Pesquisa com mais de 25 mil pessoas não encontrou resultados significativos

São Paulo – Considerada uma grande aliada recente nos cuidados com a saúde, a vitamina D é vendida como um suplemento capaz de fortalecer os ossos, prevenir obesidade, diabetes e até evitar ataques cardíacos e doenças auto-imunes. Uma pesquisa recente, publicada no anuário da Associação Americana do Coração, pode decepcionar os entusiastas dos altos potenciais da vitamina D.

Há algum tempo, os pesquisadores já sabem que passar um longo período com níveis baixos de vitamina D no sangue pode aumentar os riscos de ataque cardíaco, derrame, insuficiência cardíaca e batimento cardíaco irregular, conhecido como fibrilação atrial.

Uma equipe da Escola de Medicina de Harvard decidiu testar o efeito do aumento dos níveis da vitamina no sangue por meio de suplementação e concluiu que não há diferença significativa na redução do risco de câncer ou ataque cardíaco entre quem costuma ingerir vitamina D por suplementos e quem permanece apenas com a alimentação regular.

O estudo clínico, chamado VITAL, acompanhou mais de 25 mil homens (com mais de 50 anos) e mulheres (com mais de 55) por seis anos. Um grupo ingeriu suplementos de vitamina D diariamente, e o outro era administrado com pílulas de efeito placebo. Ao longo do acompanhamento, 396 participantes que tomavam vitamina D tiveram ataque cardíaco, derrame ou morte por doença cardiovascular, e 793 foram diagnosticados com algum tipo de câncer invasivo (como mama, próstata e colorretal). Já no grupo do placebo, 409 tiveram doenças do coração e 824 desenvolveram um câncer invasivo.

O ligeiro aumento do número de casos no segundo grupo não é significativo para afirmar que a vitamina D tenha algum efeito nas doenças analisadas. Embora estudos anteriores já comprovem esse resultado, a nova pesquisa traz uma análise em escala bem mais ampla.

Falta de vitamina D indica saúde pobre no geral

Um segundo estudo, conduzido na Nova Zelândia e publicado em outubro, investigou os efeitos da vitamina na saúde dos ossos, como a prevenção de fraturas e melhoria da densidade óssea. Os resultados também mostraram que a suplementação não é capaz de apresentar diferenças positivas.

O que parece acontecer, segundo os pesquisadores ligados ao tema, é que a baixa de vitamina D em um organismo indica apenas que uma pessoa está em um estado de saúde que exige atenção. Adotar uma alimentação balanceada e manter a saúde estável ainda parece ser a melhor maneira de prevenir problemas.

Fonte: Portal Exame

 

Ver mais

Saúde

Grupo de médicos cubanos luta na Justiça por trabalho no Brasil

Publicado

dia

Grupo de ao menos 150 médicos do programa moveu ações contra o Ministério da Saúde, o governo cubano e a Organização Panamericana de Saúde

Profissionais cubanos do Mais Médicos participam de palestra na Bahia

Especialistas do Mais Médicos (foto de arquivo): com a decisão de Cuba de sair do programa, mais profissionais devem tentar permanecer no Brasil.

Pelo menos 150 médicos cubanos desertores do programa federal lutam na Justiça para poder clinicar no Brasil de forma independente, fora do acordo entre Brasil e Cuba, ganhando salário integral. Esse grupo de profissionais moveu ações contra o Ministério da Saúde, o governo cubano e a Organização Panamericana de Saúde (Opas), segundo o advogado André de Santana Corrêa, que defende os estrangeiros.

Ele diz que, com a decisão de Cuba de sair do Mais Médicos, mais profissionais devem tentar permanecer no Brasil. “Desde ontem (anteontem, quarta-feira, 14), recebi muitas ligações de interessados em entrar com processo para ficar no Brasil”, afirmou.

De acordo com o advogado, o principal argumento usado é o respeito ao princípio da isonomia. “Por que eles recebem um salário menor que os outros estrangeiros se fazem exatamente o mesmo trabalho que os outros médicos?”, questionou o defensor.

Do total de ações movidas por ele, cinco já tiveram liminares favoráveis aos médicos. “O problema é que quando chega nas instâncias superiores, indeferem porque sabem que causaria colapso econômico ao governo ter que pagar o salário integral a todos os médicos”, disse.

O cubano R. abandonou o programa em 2017 e foi um dos que entraram na Justiça para tentar trabalhar como médico fora do acordo de cooperação. “Não achava justo ficarmos apenas com 25% do salário. Além disso, casei com uma brasileira e tive um filho. Queria continuar aqui”, disse ele, que hoje vive em um município da região Norte. Enquanto espera a resposta judicial, sobrevive com a renda de um pequeno comércio que montou na cidade com a esposa.

R. diz que, por ter abandonado o programa, é considerado um desertor pelo governo cubano e está impedido de entrar em seu país pelos próximos oito anos. “Tenho um filho lá e não posso visitá-lo nem tenho condições financeiras para trazê-lo”, contou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Ver mais

Saúde

Saiba por que músicas natalinas podem prejudicar sua saúde mental

Publicado

dia

As canções de Natal podem ser um lembrete constante dos problemas de fiM de ano, como gasto com presentes e dívidas

O período das festas de fim de ano – Natal e Ano-Novo –  é quando fazemos um balanço da vida, pensamos nos momentos felizes com pessoas queridas e planejamos o futuro. Para algumas pessoas, essa é a época favorita do ano, especialmente por causa dos presentes e das reuniões familiares. As músicas natalinas também fazem parte do pacote especial uma vez que estimulam a nostalgia e despertam para o clima festivo.

Entretanto, segundo especialistas, a repetição incessante das canções de Natalcomo Bate o Sino, Então é Natal, Noite Feliz, We Wish You A Merry Christmas” e o clássico Jingle Bells, pode ser prejudicial à saúde mental. O contato repetitivo com essas músicas pode gerar aborrecimentos, tédio e até angústia.

“Acho que no começo a música natalina é boa, nostálgica e me deixa no espírito natalino. Mas depois ela fica velha e pode parecer uma estratégia comercial para me estimular a comprar até não restar mais um centavo no meu bolso”, comentou a escritora americana Shana McGough à rede americana NBC.

Nem tudo é festa

A explicação para esse fenômeno está na supersaturação do cérebro, que fica exausto de receber as mesmas informações (nestes caso, as mesmas músicas) o tempo todo. Isso dificulta a capacidade de concentração, já que remete constantemente ao Natal e aumenta dificuldade de pensar em outro assunto que não esteja relacionado a esse momento.

Além disso, apesar de o Natal ser um período feliz e de confraternização, o evento também pode trazer à mente os gastos extras com presentes, festas e viagens, assim como as obrigações que virão no início do próximo ano (IPTU, IPVA, etc).

Essas inquietações despertadas pelas músicas festivas podem reforçar o stressem vez de aliviá-lo. “Indivíduos que já estão estressados por causa das preocupações de final de ano, pensando em dinheiro, viagem ou encontrar parentes, podem considerar as músicas como uma notificação indesejada”, disse Victoria Williamson, da Universidade de Londres, na Inglaterra, à NBC.

Uma pesquisa realizada pelo Consumer Reports descobriu que 23% dos entrevistados temiam canções natalinas, enquanto 37% das pessoas pensavam nas dívidas que iriam adquirir. Os dados ainda mostraram que 12% das pessoas detestavam o “ter que ser legal” durante as festas de final de ano – sensação estimulada não só pelas festividades, mas pelas melodias que pregam a afeição, a generosidade e amor ao próximo, por exemplo.

A notícia também é ruim para os lojistas: o ritmo musical constante pode atrapalhar o rendimento dos funcionários e irritar os consumidores, especialmente se as canções mais aceleradas tendem a afastar os clientes. “Certos tipos de música são mais eficazes do que outros. Melodias lentas desaceleram os consumidores, o que significa que eles permanecerão nas lojas por mais tempo”, explicou Eric Spangenberg, professor de marketing, à NBC.

Fadiga sensorial

Ouvir as mesmas músicas natalinas durante toda a temporada pode induzir à fadiga sensorial, causada pelo excesso de informações visuais e auditivas. Apesar de ser um problema que afeta especialmente o cérebro, promovendo stress, os sinais também podem ter manifestações físicas, como dores de cabeça, desconforto gástrico, diarreia, constipação, perda de apetite e insônia. Para evitar essas consequências, tente não exagerar na playlist natalina.

No caso do comércio, que precisa chamar a atenção do consumidor, os especialistas sugerem variar a lista de reprodução e manter o volume sob controle. Também é possível investir em aromas, como pinheiro e canela, que despertam o olfato e ajudam a conjurar emoções felizes.

Fonte Portal Veja

Ver mais
Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade