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Fazer uma hora de exercício por semana previne a depressão

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Segundo estudo, os sedentários eram 44% mais propensos a ter depressão, em comparação com os que praticavam atividade física regularmente

Fazer apenas uma hora de exercício físico por semana, independentemente da intensidade, pode ajudar a prevenir a depressão. É o que revela uma pesquisa publicada na última edição do periódico científico American Journal of Psychiatry. 

Os pesquisadores examinaram os dados de quase 34 000 adultos noruegueses sem sintomas de ansiedade e depressão. Eles foram acompanhados durante um período de 11 anos. O estudo foi liderado por Samuel Harvey, do Black Dog Institute,  um grupo sem fins lucrativos com sede na Austrália, que oferece apoio a pessoas com transtornos do humor.

De acordo com os resultados, as pessoas sedentárias eram 44% mais propensas a ter depressão, em comparação com aquelas que faziam pelo menos uma hora de atividade por semana.

O estudo não conseguiu provar uma relação de causa e efeito entre o exercício e o risco de depressão, mas os autores dizem que os resultados indicam para esse cenário — especialmente porque foram controlados outros fatores potenciais, incluindo idade, gênero, apoio social, tabagismo, consumo de bebida alcoólica e índice de massa corporal.

Prevenção

Pesquisas anteriores já apontavam que a atividade física regular pode ajudar a prevenir e a tratar a depressão. “Sabemos há algum tempo que o exercício desempenha um papel no tratamento de sintomas de depressão, mas esta é a primeira vez que podemos quantificar o potencial preventivo da atividade física em termos de redução de futuros casos de depressão”, disse Harvey.

“Essas descobertas são excitantes porque mostram que mesmo uma quantidade relativamente pequena de exercícios – a partir de uma hora por semana – pode oferecer proteção significativa contra a depressão”.

A depressão é um transtorno muito comum, afetando cerca de 6% dos brasileiros. No mundo, calcula-se que mais de 300 milhões de pessoas vivem com o transtorno.

Os tratamentos para a depressão geralmente envolvem medicação, psicoterapia e terapia cognitivo comportamental — ou uma combinação dessas abordagens. Em relação ao exercício físico, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física por semana de intensidade moderada a alta para manter a saúde geral.

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Depressão pós-parto: remédio inédito está próximo da aprovação

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Estudo publicado no The Lancet mostrou redução nos sintomas da doença em mulheres que consumiram o composto inovador

A depressão pós-parto é um transtorno de humor que pode ser desencadeado por flutuações hormonais relacionados à gravidez. Ainda que pouco divulgada, a condição afeta uma em cada quatro brasileiras, segundo estudo publicado em 2016 no periódico Journal of Affective Disorders.

Estimativas conservadoras mostram que 11% das mulheres ficam deprimidas em algum momento do primeiro ano de maternidade; outros colocam o índice em  25%. Mais: menos de 15% das mães que apresentaram sintomas de depressão pós-parto receberam ajuda de fato.

A condição é frequente e acontece devido a diversas mudanças hormonais comuns no período de gravidez — entre as quais sabe-se que os níveis de progesterona e alopregnanolona mudam substancialmente, aumentando em até 30 vezes sua quantidade e retornando rapidamente aos níveis normais no momento do parto.

Entre tais hormônios, a alopregnanolona — também sintetizada por células cerebrais, incluindo neurônios que desencadeiam estresse — tem efeitos diretos sobre os chamados receptores GABA — o principal neurotransmissor inibidor no sistema nervoso central dos mamíferos, responsável pelo importante papel na regulação da excitabilidade neuronal ao longo de todo o sistema nervoso.

Quando os níveis de alopregnanolona caem drasticamente após o parto, as células nervosas que contêm GABA demoram um pouco para se ajustarem à tal diminuição. Por isso, acredita-se que esse atraso possa desencadear sintomas depressivos em algumas mulheres.

Recentemente, porém, a respeitada revista científica inglesa The Lancetanunciou os resultados sobre o estudo de um novo medicamento aprovado para tratar a depressão pós-parto chamado Brexanolona. Os pesquisadores descobriram que a ingestão do composto ao longo de 60 horas foi capaz de diminuir a atividade da alopregnanolona, ​​permitindo que o cérebro se ajuste mais gradualmente a seu mecanismo de ação.

A fase I do estudo mostrou que sete, de 10 mulheres dez mulheres tratadas com a droga tiveram remissão completa dos sintomas, em comparação com 1 em cada 10 mulheres que receberam placebo.Também notaram que os benefícios da droga ainda eram evidentes 30 dias após o parto.

A fase II do estudo consistiu em um acompanhamento de quatro mulheres com depressão pós-parto grave tratada com Brexanolone. Os resultados foram surpreendentes: todos os casos atingiram remissão total dos sintomas depressivos.

Já a fase III e última do estudo está sendo conduzida, com 120 participantes portadores da doença. Os resultados devem sair ainda no primeiro semestre deste ano. Isso daria à ciência uma nova ferramenta para ajudar as mulheres com depressão grave após o parto. Além disso, iria introduzir uma nova classe de compostos (esteroides neuroativos) para pesquisa como possíveis tratamentos para outros distúrbios psiquiátricos.

O composto Brexanolona também está na fase III de estudos com pessoas epiléticas refratárias, ou seja, portadores de convulsões graves que não respondem aos tratamentos disponíveis no mercado.

Se o tratamento se mostrar eficaz em condições neurológicas severas, assim como casos de depressão grave, pode-se dizer que haverá uma nova era da medicina a um passo para a descoberta de procedimentos pelos quais a função cerebral poderia ser regulada em uma ampla gama de doenças neuropsiquiátricas.

Com Huffington Post 

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Ômega-6 afastaria o diabetes

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Essa gordura não tão festejada parece ter agora motivos para se gabar contra a glicemia alta. Será que ela ajuda no tratamento?

Uma revisão australiana de 20 estudos englobando dados de 39 740 pessoas concluiu que, quanto maior o consumo de ácido linoleico (uma versão do ômega-6), menor o risco de encarar o diabetes tipo 2. Já o ácido araquidônico, substância originada a partir dessa gordura – e muito associada a processos inflamatórios -, não traria riscos nem benefícios nesse contexto.

Para o nutricionista Dennys Cintra, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os achados devem ser vistos com cautela. Encontrado nos óleos de milho e girassol, o ômega-6 é essencial para o organismo.

“Só que, por ser mais comum na natureza que o ômega-3, é mais fácil sofrer pelo excesso do que pela falta dele”, diz. Aliás, é isso o que costuma ocorrer por aqui – e o resultado é inflamação. “No estudo, o ômega-6 pode ter entrado no lugar da gordura saturada, cujo excesso é prejudicial”, raciocina Cintra.

Os diferentes ômegas

Ômega-3: é reconhecido pela ação anti-inflamatória. Chia, linhaça, nozes, óleo de canola e peixes de água fria são as principais fontes.

Ômega-6: o ideal seria ingerir três partes dele para uma de ômega-3. Mas estima-se que chegamos a 50 partes para uma, o que contribuiria para estados inflamatórios.

Ômega-9: outra gordura com habilidade para barrar inflamações. Está no azeite de oliva, no óleo de canola, no abacate e no amendoim.

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Febre amarela: a doença e a vacina

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A febre amarela é uma doença causada por vírus, transmitida por mosquito e muitas vezes mortal. Mas pode ser prevenida com uma vacina

A FEBRE AMARELA é uma doença causada por vírus, transmitida por mosquito, muitas vezes mortal e na sua forma grave apresenta disfunção hepática, falência renal, distúrbios de coagulação e choque.

O vírus da febre amarela

O vírus da febre amarela é da família Flaviviridae, um grupo de tamanho pequeno (40-60 nm), com replicação no citoplasma das células infectadas. Por tratar-se de um soro-tipo único e antigenicamente conservado, a vacina protege contra todas as amostras do vírus.

Através do nível de sequência nucleotídea distinguem-se os seus sete maiores genótipos: os representantes do oeste da África (2 genótipos), da central-leste da África e Angola (3 genótipos) e da America do Sul (2 genótipos). A maioria dos primatas não humanos são susceptíveis a infecção e algumas especies desenvolvem manifestações clínicas.

Transmissão

Cada fêmea de mosquito inocula aproximadamente de 1.000 a 100.000 partículas virais durante a picada; a partir das células dendríticas iniciam a replicação, espalhando-se pelos canais linfáticos e linfonodos regionais, alcançando diversos órgãos através da disseminação pelo sangue. Durante a fase virêmica (3-6 dias) a infecção pode ser transmitida a partir de nova picada de mosquito.

A doença aparece de forma abrupta após 3-6 dias da picada do mosquito infectado e se caracteriza em três estágios clássicos: período de infecção, período de remissão e período de intoxicação.

Sintomas

O período de infecção caracteriza-se por viremia de 3-4 dias, febre, mal estar geral, dor de cabeça, fotofobia, dor lombo-sacra, mialgia, anorexia, náuseas, vômitos, irritabilidade e convulsões. São sinais e sintomas inespecíficos, indiferenciáveis de outras infecções agudas.

O período de remissão ocorre após pelo menos 48 horas da infecção aguda e é definido pela diminuição dos sintomas, em especial a febre. O paciente se recupera. Aproximadamente 15% dos indivíduos infectados com o vírus da febre amarela evoluem para o terceiro estágio da doença.

O período de intoxicação ocorre de 3-6 dias após o início da doença, estabelecendo-se pelo retorno da febre, prostração, náuseas, vômitos, dor epigástrica, icterícia, oliguria e disfunção sanguínea. A viremia termina e surgem os anticorpos no sangue. Esta fase evolui para a disfunção e, na sequência, falência de vários órgãos e sistemas em decorrência elevado nível de citoquinas inflamatórias liberadas no sangue.

Diagnóstico

O diagnóstico laboratorial da febre amarela é realizado por exames sorológicos (ELISA), detecção do genoma viral através da “polymerase chain reaction” (PCR), isolamento do vírus, histopatologia e imuno-histoquímica de material biopsiado ou necropsiado.

A presença do anticorpo IgM, em uma única amostra de sangue resulta em diagnóstico presuntivo da doença; a confirmação só é estabelecida após o aumento de títulos de anticorpos da classe IgG obtidos de amostras pareadas de sangue colhidas na fase aguda e na convalescença da doença.

Os testes rápidos incluem os exames de PCR para detectar o genoma viral no sangue e nos tecidos e o exame sorológico para identificar o anticorpo IgM. O teste de amplificação isotermal – RT-LAMP tem se mostrado promissor.

O diagnóstico diferencial envolve várias doenças dependendo da fase evolutiva. São exemplos: hepatites virais, influenza, dengue, malária, leptospirose, febre Q e outras moléstias virais que causam hemorragia (vírus marburg, vírus ebola, febre lassa).

Tratamento

O tratamento consiste em medidas de suporte de vida. Não há medicamentoanti-viral específico. O benefício do uso de globulina hiperimune ou anticorpo monoclonal ainda é incerto.

Vacina

A vacina com vírus vivo atenuado contra a febre amarela foi desenvolvida em 1936. Existem seis tipos manufaturados de vacinas no mundo, com uma produção anual estimada de 70-90 milhões de doses.

A Organização Mundial de Saúde mantém estocadas seis milhões de doses para casos emergenciais. Três milhões foram usadas em Angola, em 2016. Pelo baixo estoque e pela apreensão da febre amarela se espalhar para outros países, especialmente a Ásia, a OMS considerou e aprovou o uso fracionado (1/5) doses (0,1 ml sub-cutâneo) em condições emergenciais.

O risco estimado de doença e de morte por febre amarela em pacientes não vacinados que viajem para áreas endêmicas é alto (1/1000 e 1/5000, respectivamente).

Em 2015, o Comitê Consultivo de Práticas de Imunização dos Estados Unidos da América (Acip) recomendou que a dose única é adequada e suficiente para viajantes. Em julho de 2016, a Assembléia da OMS removeu a necessidade da dose de reforço das normas internacionais de saúde.

A opção brasileira pela dose fracionada da vacina da febre amarela deveu-se a uma necessidade circunstancial, mas foi respaldada por órgãos internacionais e baseada em trabalhos científicos de repercussão mundial. O estudo brasileiro com a dose de 0,1 ml concluiu que a eficácia é semelhante a dose de 0,5 ml e a durabilidade de proteção é no mínimo de oito anos.

Embora a doença represente um grande problema para a saúde pública nacional, pesquisadores avançam em descobertas, como o entendimento dos corredores ecológicos estabelecidos pela Vigilância Epidemiológica e pela Superintendência de Campanhas e Endemias do Estado de São Paulo com a consequente indicação preventiva de vacinas, a pesquisa de novas drogas viricidas específicas e a realização inusitada de transplante de fígado para o tratamento da hepatite fulminante causada pelo vírus da Febre Amarela.

Referência consultada – UpToDate – Jan 2018
Autores – Thomas P Monath, Martin S Hirsch, Elinor L Baron

 

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