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É possível comer massa sem culpa (e sem ganhar peso)

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Novos estudos revelam que o macarrão não faz você engordar – basta seguir alguns truques para deixar essa refeição devidamente equilibrada

Símbolo dos carboidratos, a macarronada, em seus mais diversos estilos e molhos, vem despertando pavor de um monte de gente preocupada com a forma física. Dá até impressão de que as massas são uma nova receita na história da humanidade… E um prato cheio para o mundo ficar obeso.

Mas façamos justiça: o alimento tem origem das mais antigas e não há registro de que tenha engordado as populações que o abraçaram em sua cozinha. E não foram poucas, viu? Se há divergências em relação ao berço da massa, não sobram dúvidas de que ela virou um sucesso em vários países. Prova disso é que esse tipo de prato costuma ser visto como porto seguro em viagens internacionais, quando deparamos com cardápios exóticos.

Há quem diga que os louros de sua popularização devem ir para o navegador veneziano Marco Polo (1254-1324), que teria levado a receita à Itália após suas andanças na China, lá por 1271. Outros relatos apontam que o macarrão tem mesmo é DNA árabe, mas foi na Sicília, no sul da Bota, que ele se consagrou.

Para a Organização Internacional de Pasta, a teoria mais forte remonta à civilização etrusca, que viveu em solo italiano muito antes – as descrições rondam o século 8 a.C. Esse povo aparentemente já moía diversos cereais e grãos e, aí, os misturava à água. Depois, o preparo era cozido.

Com todo esse histórico, não causa espanto a afeição dos europeus, especialmente dos italianos, pelas massas. Ora, elas inclusive integram, em porções modestas, a dieta mediterrânea, reconhecida estudo após estudo como uma das mais saudáveis do mundo. Logo, embora macarrão e companhia ofertem muito carboidrato, o suposto inimigo da dieta, não há razão para pânico ou cortes radicais.

“Sou francesa com descendência italiana. Então posso dizer: não tem essa de comer massa só no fim de semana”, diz a nutricionista Sophie Deram, doutora pela Universidade de São Paulo. E grandes pesquisas fazem coro à expert.

As pesquisas a favor do macarrão

O estudo mais novo, pasme, não vem da Itália. Ele é do St. Michael’s Hospital, no Canadá. Os cientistas fizeram o que no meio chamam de uma meta-análise. Traduzindo: eles revisaram uma porção de pesquisas de peso sobre o assunto. “Todo trabalho desse tipo tem uma relevância bastante importante”, comenta a nutricionista Maristela Strufaldi, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Na investigação canadense, foram contempladas 32 pesquisas, envolvendo dados de quase 2 500 pessoas. Em comum, elas priorizavam a massa em vez de outras fontes de carboidratos (arroz, batata, pão…). Mas isso dentro de uma dieta de baixo índice glicêmico, ou seja, que não deixa o açúcar disparar no sangue – situação que leva a uma enxurrada de eventos indesejáveis no organismo. Em outras palavras, essas pessoas seguiam hábitos bacanas à mesa.

Os autores perceberam, então, que as massas não contribuíram para o ganho de quilos extras nem o acúmulo de gordura no corpo. Surpreendentemente, identificaram até uma ligeira associação com a perda de peso. “Isso traz à tona a questão de que consumir macarrão dentro de uma dieta saudável não necessariamente atrapalha o emagrecimento”, avalia a nutricionista Clarissa Fujiwara, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Outra análise graúda que reforça essa conclusão foi conduzida no Neuromed – Istituto Neurologico Mediterraneo Pozzilli – claro que os italianos não podiam ficar de fora, né? Nela, os estudiosos apuraram peso, altura e circunferência da cintura e do quadril de nada menos que 23 366 pessoas.

Os dados finais mostraram, então, um resultado semelhante ao da revisão canadense: comer massa não fez o ponteiro da balança saltar. Pelo contrário. Incluída dentro das necessidades calóricas de cada indivíduo, a receita favoreceu uma composição corporal saudável. Além disso, tirar proveito das massas foi associado à ingestão de mais alimentos bem-vindos, como tomate, azeite, cebola e alho.

Carboidrato não é inimigo da saúde

Repare que, em ambas as pesquisas, as massas faziam parte de um contexto alimentar balanceado. Algo que, vamos combinar, não é a coisa mais comum nos últimos tempos. “O padrão dietético da modernidade é muito baseado em itens processados e ultraprocessados, cheios não só de carboidratos mas também de gorduras e aditivos. Sem falar na epidemia de sedentarismo”, contextualiza Maristela. Essa conjunção de elementos – e não só a ingestão isolada de carboidratos – é que põe a cintura em risco.

Mas é inegável que o nutriente preponderante nas massas anda com a reputação mais abalada do que outros ingredientes. Para a nutricionista e mestre em ciências Mariana Del Bosco, que atua em São Paulo, isso começou na década de 1970, quando se interpretou que o carboidrato teria papel-chave no ganho de peso por ser convertido rapidamente em glicose.

Entenda: nessa situação, produzimos mais insulina, o hormônio que libera a entrada do açúcar nas células com a finalidade de gerar energia. Só que, fora do compasso, a insulina também tem a fama de incitar o acúmulo de gordura.

Contudo, se consumido em proporções adequadas, o carboidrato não causa esse furdunço todo. Fora que ninguém encara um prato de macarrão puro, sem molho algum. E quando agregamos outros nutrientes no prato, como a gordura do pesto ou a proteína da carne do bolonhesa, naturalmente a glicose proveniente da massa será liberada de forma mais lenta. “Com isso, evitamos os picos de insulina”, explica Maristela.

Confusão desfeita, contraindicado mesmo é cortar o carboidrato de forma brutal. “É como tirar a gasolina do corpo”, compara Sophie. Para ter ideia, recomenda-se que suas fontes representem de 50 a 60% das nossas necessidades calóricas diárias. “Agora, é fato que a população em geral está extrapolando nesse nutriente. Lá atrás, quando as gorduras entraram na mira, as pessoas acabaram migrando para o carboidrato”, ressalta a especialista.

Ao consultar um nutricionista, é compreensível, então, que ele limite mais aquilo que surge em excesso no dia a dia. Logo, massas, arroz, pão e batata sobressaem. “Daí, as pessoas têm a sensação de que só os carboidratos engordam. Mas é a redução calórica total que leva à perda de peso”, afirma o nutricionista Marcus Vinicius Lucio dos Santos, professor do Centro Universitário São Camilo, na capital paulista.

Soa contraditório falar em equilíbrio ao descobrirmos que na pesquisa canadense os voluntários comiam, em média, 3,3 porções de massa por semana. Mas veja: cada porção era equivalente a meia xícara de chá de macarrão cozido. “Será que é essa a quantidade que as pessoas imaginam ao montar o prato do domingo?”, provoca Mariana. Segundo a nutricionista, um grande deslize cometido por aqui é considerar o espaguete (ou penne, fusilli…) como prato único, o que eventualmente termina em repetições e exagero.

“Se pensarmos em uma dieta mediterrânea típica, a refeição principal é composta por uma ampla gama de vegetais e um prato de proteína e carboidrato, que pode ser a massa”, descreve Mariana. Então, para não exceder no macarrão (priorizando somente um nutriente), o conselho é não se esquecer da salada, que fornece um monte de vitaminas e minerais, e também de uma fonte proteica magra – carne, frango ou peixe.

É óbvio que ninguém precisa se martirizar quando bater a vontade de comer somente macarrão. “Se for de vez em quando, não tem problema”, tranquiliza Sophie. Uma boa pedida para aprimorar a receita é ir além dos molhos branco e vermelho.

“Dá para apostar em um alho e óleo com escarola e um pouco de parmesão. Fica uma delícia”, sugere José Barattino, chef-executivo do Eataly, shopping gastronômico de São Paulo. E inúmeros outros vegetais combinam com o tal alho e óleo. Vai do gosto do freguês. Se preferir uma massa recheada, o chef destaca uma maneira clássica italiana de degustá-la: só na manteiga, com um tiquinho de sal.

Para Cláudio Zanão, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), um fator que impede o salto no consumo de massas por aqui é justamente nossa resistência em inovar. “Nem eu aguento comer espaguete à bolonhesa todo dia”, brinca. Ele não cita a categoria à toa: temos à disposição 60 tipos diferentes de macarrão, mas o espaguete é, de longe, o mais amado pelo brasileiro. Portanto, entre formatos e variedades de molhos, temos muito a experimentar.

E sem paranoia. Ora, tem coisa mais prática do que cozinhar uma massa? Bastam 15 minutos e ela está pronta. Isso faz da receita uma mão na roda para aquela hora em que sempre ouvimos ser proibido comer carboidrato: o jantar. “Isso já é tratado como mito. Estudos mostram que consumir o nutriente à noite não afeta o peso”, avisa a nutricionista Marcela Tardioli, da Abimapi. Mas é bom evitar abusos – independentemente do prato – para não dificultar a digestão.

Marcus Vinicius lembra ainda que nesse horário a resistência à insulina tende a ser maior: “Por isso, especialmente os diabéticos devem moderar”. Falando neles… “Esses pacientes não precisam excluir as massas da rotina”, declara Maristela. De novo, a palavra de ordem é bom senso. E jamais se esquecer de agregar à massa fontes de fibras, gorduras benéficas e proteínas de qualidade.

A única variedade que faz os experts torcerem o nariz é a massa instantânea, de apelo entre os pequenos. “A quantidade de sódio e de óleo nesses produtos é equivalente a mais de um dia de necessidade de um adulto. Para criança, é muito pior”, aponta Virgínia Weffort, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

No aperto, até dá para melhorar seu perfil com um molho caseiro. Mas, se puder, opte pela massa tradicional. Até porque esse é um vasto universo – e livros, programas e sites de receitas, assim como tradições familiares, são um passaporte para explorá-lo.

Como fazer o macarrão perfeito

  • Use água em abundância. Recomenda-se 1 litro por 100 gramas de massa.
  • Para comportar tudo isso, a melhor panela é aquela em formato de caldeirão.
  • Coloque sal (tem que ficar parecida à água do mar). Para hipertensos, vale moderar!
  • Não há necessidade de usar azeite ou outros óleos na massa durante o cozimento. Isso pode prejudicar a aderência do molho depois.
  • Tire no ponto certo: o macarrão tem que estar cozido, mas firme no dente.
  • Não precisa lavar a massa em água corrente depois de cozida.

O jeito certo de guardar

Se não preparar o pacote inteiro de macarrão, fique atento às instruções da embalagem em relação ao modo de conservá-lo. Segundo a nutricionista Jaqueline Mathias, da Equilibrium e consultora da marca Adria, o fundamental é deixá-lo bem fechado e em local fresco.

Caso decida colocar a massa em um recipiente de vidro, por exemplo, ela orienta anotar a data de validade em uma etiqueta – assim, você não perde essa informação tão importante. “Se comprar massa fresca, ela deve ser mantida refrigerada”, ressalta Marcela, da Abimapi.

Ranking de consumo (em volume)

 Itália

 Estados Unidos

 Brasil

  • Esses alimentos estão presentes em 99,6% dos lares brasileiros.
  • Mas, ao avaliar a ingestão por habitante no mundo, estamos na 15ª posição.
  • Cada brasileiro come, em média, 5,8 kg de massa por ano.
  • Na Itália, são 26 kg de massa por pessoa ao ano.

Fonte: Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi)

O gosto dos brasileiros

  • O Norte e o Nordeste formam a macrorregião que mais come macarrão no Brasil, com 37% do volume total.
  • Em seguida, aparecem o Sul (15,2%), Leste e interior do Rio de Janeiro (13%), Grande São Paulo (10,5%), interior de São Paulo (10%), Grande Rio de Janeiro (8,2%) e, por fim, Centro-Oeste (6,2%).
  • Dentre os 60 tipos disponíveis no mercado, o espaguete se destaca como o mais querido, com 64% da preferência nacional.
  • O fusilli ocupa o segundo lugar de popularidade por aqui, mas muito distante, com 15% da preferência. É seguido por penne, com 3,5%, e lasanha, com 2%.

Fontes: Abimapi; Fabiana Araújo, gerente de marketing da Barilla no Brasil; e Clarissa Hiwatashi Fujiwara, Nutricionista do Departamento de Nutrição da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica – ABESO

Uma refeição barata

  • 1 kg de macarrão, depois de cozido, resulta em 2 kg de massa.
  • Somando o molho, temos uma receita de 2,4 kg.
  • Isso dá um belo prato de 300 g para cada integrante de uma família de 8 pessoas.
  • O prato sai, em média, por R$1,80
  • Para cada 100 g de massa, o recomendado é utilizar 100 g de molho.

Fonte: Claudio Zanão, presidente-executivo da Abimapi

Comentário

Saúde

Número de mamografias realizadas pelo SUS é o menor dos últimos cinco anos

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Segundo um estudo, só 24,1% das mulheres que deveriam realizar esse exame de fato se submeteram a ele. O que estaria acontecendo no Brasil?

O exame mais comum para detectar o câncer de mama está sendo pouco empregado no nosso país. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia revela que, entre as 11,5 milhões de mamografias que deveriam ser em 2017, apenas 2,7 milhões de fato foram realizadas (ou 24,1%).

Como os cientistas chegaram ao total de exames esperados em 2017? Eles primeiro somaram o número de mulheres entre 50 e 69 anos, faixa etária em que o Instituto Nacional de Câncer (Inca) preconiza a utilização da mamografia. Aí o dividiram por dois, uma vez que o rastreamento para essa população deve ser feito a cada dois anos de acordo com as diretrizes do nosso país. Os experts ainda incluíram na conta uma estimativa de brasileiras que deveriam repetir o teste por terem sido anteriormente diagnosticadas com alguma alteração.

Feito isso, bastou buscar a quantidade de mamografias realizadas pelo SUS para concluir que elas representaram apenas 24,1% do total esperado. Esse é o menor índice dos últimos cinco anos e está bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A dificuldade para agendar e realizar a mamografia ainda é o principal motivo para o baixo número de exames”, afirma o mastologista Ruffo de Freitas Junior, coordenador do estudo, em comunicado à imprensa. “Isso, claro, além da triste realidade encontrada em hospitais com equipamentos quebrados e falta de técnicos qualificados para operá-los”, arremata.

Segundo o presidente da SBM, Antônio Frasson, houve um sucateamento do sistema público em relação ao diagnóstico precoce de câncer de mama. Veja: o mesmo estudo mostra que o governo federal investiu apenas 122,8 milhões de reais dos 510,7 milhões previstos para atender ao número adequado de mulheres.

Frasson explica que esse obstáculo do acesso não se restringe aos exames de rastreamento, mas também ao próprio tratamento, o que desmotiva as pessoas. “A dificuldade que as pacientes enfrentam para serem tratadas no sistema público é muito grande. E eu imagino que não seja algo específico do câncer de mama”, opina.

Segundo ele, é importante cobrar o governo por melhorias. “Não apenas a SBM, mas a sociedade no geral deve pressionar através de grupos de voluntariado e ONGs para que o acesso aos exames aconteça naturalmente, e não com tanta dificuldade”, alerta.

A pesquisa – e o câncer de mama no Brasil

Como os dados que sustentam esse trabalho foram extraídos do Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) do DATASUS, os exames feitos pela rede privada ficaram de fora. É possível, portanto, que o cenário seja um pouco menos dramático do que o pintado por esse levantamento.

De qualquer jeito, a pesquisa em questão calculou inclusive as piores regiões do Brasil quando o assunto é realizar mamografias. São elas: Rondônia, Distrito Federal e Amapá.

Esperava-se que 76,9 mil mulheres em Rondônia se submetessem a esse exame. Entretanto, foram registradas somente 5,7 mil (7,4%) em 2017. No Distrito Federal, foram apenas 5 mil exames (3,1%), ante um potencial total de 158,7 mil. O Amapá, por sua vez, contabilizou 260 mamografias no SUS (1,1%) – o ideal seria ficar na casa dos 24 mil.

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor maligno mais comum entre as mulheres no Brasil e no planeta, ficando só atrás do de pele. De acordo com o Inca, ele responde por cerca de 28% dos casos novos todo ano.

O presidente da SBM reforça que valorizar o diagnóstico precoce torna o tratamento mais eficaz e barato. “Existe uma relação direta entre chance de cura e tamanho de tumor”, afirma.

Mais: ele conta que o tamanho médio dos cânceres de mama rastreados pelos médicos na rede privada é menor que o encontrado na rede pública de saúde. “Isso indica que, quando as pessoas têm melhor acesso, os tumores são menores e a chance de cura é maior”.

A falta de informação

Além da dificuldade de acesso, o medo do tratamento e a dor causada pela compressão das mamas durante o exame são motivos que afastam as mulheres da mamografia. Para Frasson, esses problemas se resolvem com informação.

Até porque há boas notícias: hoje em dia o tratamento contra o câncer é altamente personalizado – e envolve menos reações adversas do que antes. Fora isso, a cirurgia de reconstrução dos seios já está disponível nos hospitais públicos.

Quanto aos incômodos do exame, não dá pra negar que eles existem. Acontece que a compressão garante muito mais nitidez ao resultado. É uma dor que passa e que pode evitar um problemão mais pra frente.

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Saúde

Ozonioterapia pode ser utilizada como tratamento experimental, diz CFM

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Apesar das críticas, a ozonioterapia já é oferecida pelo SUS como tratamento alternativo

ozonioterapia – tratamento alternativo que utiliza a aplicação de uma mistura dos gases oxigênio e ozônio com finalidade terapêutica – foi aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) como procedimento experimental, podendo ser realizado em caráter de estudo. A aprovação acontece depois que a Comissão para Avaliação de Novos Procedimentos em Medicina analisou mais de 26.000 trabalhos sobre a técnica mediante pedido da Associação Brasileira de Ozonioterapia (Aboz).

Segundo o CFM, a definição da permissão em caráter experimental se deve ao fato de ainda serem necessários mais estudos sobre a terapia para determinar a eficiência e segurança do tratamento, assim como a melhor dosagem e meios de aplicação.

A entidade ainda determinou que as pesquisas só podem ser realizadas mediante anonimato e sigilo dos indivíduos que se submeterem à prática, além de oferecer de suporte médico em casos de efeitos adversos. Outra condição é não haver cobrança do tratamento em qualquer uma das etapas do estudo.

A determinação do CFM visa reforçar a proibição de prescrições médicas para procedimentos fora dos padrões estabelecidos pela entidade.

 

Ozonioterapia

A ozonioterapia surgiu na Europa e vem sendo usada como terapia complementar para tratar diversas doenças, como herpes, hepatite, hérnia de disco e acidente vascular (AVC), sendo associada a medicação prescrita por especialistas. A técnica pode ser aplicada por diversas vias de administração, como endovenosa, retal, intra-articular, local, intervertebral, intraforaminal, intradiscal, epidural, intramuscular e intravesical.

Apesar de já estar sendo amplamente praticada fora do Brasil, a prática tem recebido muitas críticas, especialmente depois que o projeto de lei nº 227/2017 começou a tramitar no Congresso Nacional para autorizar a prescrição da ozonioterapia como tratamento complementar em todo o país. Em nota pública, 55 entidades médicas e científicas repudiaram a decisão, salientando que a modalidade terapêutica carrega riscos e pode comprometer a saúde dos pacientes. Diante dos protestos, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a medida.

No entanto, em março, o Ministério da Saúde anunciou que o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilizaria novos tratamentos alternativos nas Práticas Integrativas e Complementares, entre elas a ozonioterapia; entre as outras 28 modalidades oferecidas na rede pública apenas duas são reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina: a homeopatia e acupuntura.

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Saúde

Ovário artificial poderá ajudar mulheres com câncer que desejam ter filhos

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Congresso apresenta primeiros resultados positivos da técnica que, apesar de estar longe de virar realidade, já é promissora. Entenda como funciona.

Retirar o ovário é uma etapa comum do tratamento de mulheres com tumores nesse órgão, sem contar que a própria quimioterapia pode impedir que o local se regenere, impossibilitando uma gestação. Para contornar a infertilidade que acompanha estes casos, há alguns anos nasceu a técnica de criopreservação, que ainda é experimental, e consiste em congelar uma parte do tecido ovariano e a reinserir na mulher quando o tratamento acabar.

O problema é que a malignidade do tecido, ou o seu potencial para virar câncer, pode sobreviver ao congelamento, e a preservação dos óvulos, que é uma opção mais estabelecida e simples para esses casos, nem sempre pode ser feita. Agora, cientistas dinamarqueses anunciaram um ovário artificial que demonstrou suportar a vida dos folículos, estruturas que liberam o óvulo para que ele seja fecundado e gere um bebê.

O trabalho foi apresentado esta semana no 34º Encontro Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), em Barcelona, pelo Rigshospitalet’s Laboratory of Reproductive Biology, da Dinamarca. A premissa tem ares de ficção científica. “Um ovário feito com bioengenharia poderia permitir o crescimento de folículos anteriormente congelados em um novo tecido, livre de malignidades”, explicou Susanne Pors, pesquisadora do Rigshospitalet’s e autora do trabalho no material de divulgação.

Entenda como foi feito o ovário

Os pesquisadores utilizaram amostras de células foliculares e tecido do ovário colhidas das mulheres antes que elas recebessem o tratamento para câncer. Depois, o tecido foi submetido a um procedimento que “descelulariza” a área – ou seja, mata as células vivas presentes para que o tecido vire apenas uma espécie de forma ou plataforma para um novo órgão se desenvolver.

O resultado é uma base sem células, chamada de matriz extracelular, que é uma promessa da bioengenharia já estudada para outros lugares do corpo. Neste caso, as células foliculares foram inseridas na matriz extracelular ovariana, que já continha nutrientes e estruturas do ovário e poderia simular o ambiente onde os folículos cresceriam e alcançariam a fase antral, quando estão prontos para funcionar.

“Descobrimos então que as células ovarianas e os folículos primários foram capazes de recelularizar o tecido in vitro, migrando para a matriz e repovoando-a”, explicou Susanne. Os transplantes do tecido em roedores, que foram feitos após essa etapa de cultivo, mostraram que o ovário artificial suportou o crescimento dos folículos primários.

Limitações

Ainda é muito cedo para especular se ou quando a técnica poderá ser aplicada em humanos. Primeiro, é preciso avaliar a qualidade do funcionamento dessa estrutura. “A biologia nos sugere que os óvulos dentro dos folículos interagem intrinsecamente com seu entorno e com as células ovarianas. Folículos que crescem sem essas células de suporte poderiam ter seu desenvolvimento prejudicado”, comentou Ying Cheong, professor de Medicina Reprodutiva da Universidade de Southampton, nos Estados Unidos, após assistir a palestra.

Ou seja, trata-se de uma possibilidade para um futuro distante, que exige mais estudos in vitro duradouros e, depois, in vivo, em animais e humanos.

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