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Descoberta de Caronte, maior lua de Plutão, completa 40º aniversário

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O astrônomo James Christy fez a descoberta sem querer no Observatório Naval dos EUA, no dia 22 de junho de 1978

CARONTE, A LUA DE PLUTÃO (FOTO: NASA)

Aquele 22 de junho era mais um dia comum de trabalho do astrônomo James Christy no Observatório Naval dos EUA. Ele coletava informações para calcular de forma mais precisa a órbita de Plutão quando notou em meio às imagens granuladas do telescópio uma pequena protuberância em um dos lados do que ainda era considerado um planeta de nosso sistema solar.

Apesar de parecer pequeno na imagem, de perto deveria ser algo gigantesco. De duas uma: ou se tratava de uma montanha com milhares de quilômetros de altura ou um satélite em órbita síncrona, ou seja, que acompanha o movimento de rotação.

Christy vasculhou os arquivos de imagens do observatório e encontrou mais casos em que Plutão parecia estranhamente alongado. Ele mediu o ângulo onde os alongamentos apareceram, enquanto seu colega Robert Harrington calculou qual seria a resposta “se o alongamento fosse causado por um satélite em órbita”. Na mosca.

Para ter certeza, fizeram mais uma confirmação no telescópio do Observatório Naval e, em 2 de julho, que mostraram que o alongamento se tratava definitivamente de um satélite. Eles anunciaram sua descoberta ao mundo cinco dias depois. Isso foi há 40 anos, e o 22 de junho de 1978, entrou para a história como o dia da descoberta de Caronte, a maior lua de Plutão.

A DUPLA DINÂMICA: CARONTE E PLUTÃO (FOTO: NASA)

O nome foi uma homenagem de James a sua esposa, Charlene, conhecida pelos amigos como “Char”. O nome virou Charon, em inglês.  “Vários maridos prometem as suas esposas a lua”, disse Charlene Christy. “Mas Jim (apelido de James) realmente entregou”.

Mas James não sabia se o nome seria aceito, e resolveu pesquisar. Descobriu que “Charon”, ou Caronte em português, era o nome do barqueiro mitológico que carregava almas através do rio Aqueronte, um dos cinco rios míticos relatados pelo filósofo grego Platão.

Novas descobertas
Por muitos anos acreditava-se que Charon, a maior das cinco luas de Plutão, se tratava de uma grande e monótona bola rochosa cheia de crateras. Até julho de 2015, quando a sonda New Horizons passou a “apenas” 29 mil quilômetros do satélite e revelou uma paisagem coberta de montanhas gigantes, cânions imensos, uma estranha calote polar, variações de cor da superfície e deslizamentos de terra.

O SOL E CARONTE VISTOS A PARTIR DA SUPERFÍCIE DE PLUTÃO, A UMA DISTÂNCIA MÉDIA DE 5,91 BILHÕES DE QUILÔMETROS DO SOL. ELE PODE TER SIDO REBAIXADO, MAS NOS NOSSOS CORAÇÕES PLUTÃO SERÁ SEMPRE O NONO PLANETA DO SISTEMA SOLAR (FOTO: RON MILLER | DIVULGAÇÃO)

Imagens em alta resolução do hemisfério de Charon voltado para Plutão mostraram um cinturão de fraturas e desfiladeiros que se estendem por mais de 1.600 quilômetros em toda a face de Charon. Quatro vezes mais longo que o Grand Canyon, e duas vezes mais profundo, essas falhas e canhões indicam uma reviravolta geológica titânica no passado de do satélite.

“Provavelmente tinha um oceano sob sua superfície, e quando o oceano congelou, o gelo se expandiu e quebrou a superfície ”, disse Cathy Olkin, cientista do projeto New Horizons. “Essa é uma descoberta importante, especialmente à luz do crescente interesse científico nos mundos oceânicos no sistema solar”.

Uma característica especialmente interessante é a coloração polar avermelhada de Charon. O gás metano escapa da atmosfera de Plutão e fica “preso” pela gravidade da lua e congela na superfície fria e gelada do pólo de Charon. O processamento químico pela luz ultravioleta do Sol transforma o metano em hidrocarbonetos mais pesados e, eventualmente, em materiais orgânicos avermelhados, chamado tolina.

Todo esse conhecimento só aconteceu devido à descoberta de Christy.  “A importância da descoberta de Caronte realmente não pode ser subestimada”, disse Alan Stern, pesquisador principal da New Horizons. “Nós devemos uma grande dívida de gratidão a Jim Christy por sua descoberta histórica.”

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Mudança climática ameaça duas das sete geleiras do Equador

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A questão preocupa os especialistas porque afetaria o ecossistemas, reguladores de água e a umidade no país

Equador: mudanças climáticas podem dar fim às geleiras do país (Dave Lonsdale/Creative Commons)

Quito – O Equador pode perder duas de suas sete geleiras nos próximos anos devido ao aquecimento global, uma circunstância que preocupa os especialistas porque afetaria o ecossistema de locais ermos, reguladores de água e a umidade no país.

A ameaça mais iminente está sobre as geleiras de Carihuairazo, na província da Chimborazo, e de Iliniza sul, entre as de Pichincha e Cotopaxi.

“Estimativas globais apontam para um aumento da temperatura de 1,5 graus e se estima que o padrão não mudará nos próximos 12 anos”, disse à Agência Efe Estefanía Ávalos, subsecretária de Mudança Climática do Ministério de Meio Ambiente do Equador (MAE).

Este aumento já gerou “evidências notáveis” em nível geral, mas segundo outro analista, Bolívar Cáceres, do Instituto Nacional de Meteorologia e Hidrologia (Inamhi), a ameaça é iminente.

O Equador conta com sete geleiras: Antisana, Cotopaxi, Chimborazo, Cayambe, as Ilinizas (norte e sul), El Altar e Carihuairazo, todas elas situadas em crateras vulcânicas que são afetadas pelo efeito estufa.

No caso de Carihuairazo, 96% da superfície geleira derreteu, razão pela qual pode desaparecer em apenas cinco anos, segundo Cáceres, enquanto em Iliniza sul não há uma projeção exata, mas o degelo também foi notório.

“Até o final de 2018, foi registrada (em nível nacional) uma perda de 53% de cobertura geleira na média”, destacou o especialista, que adverte que é difícil prever o futuro das geleiras porque as condições meteorológicas são aleatórias.

“Há modelos que indicam que poderiam desaparecer no final de 2100, mas são só modelos. Nos Andes, as geleiras não desaparecerão totalmente, mas reduzirão de maneira dramática”, considerou Cáceres sobre a situação regional.

O efeito de degelo é mais notório nas duas mencionadas porque estão situadas a uma altitude inferior à linha “de equilíbrio”, altura média necessária para que as geleiras possam se regenerar.

Essa linha está localizada a 5.120 metros de altitude, motivo pelo qual estas geleiras estão em “estado de perda e não existe recuperação”.

O Carihuairazo está a 5.025 metros, e o Iliniza, a 4.750, o que acentua a ameaça.

O glaciólogo, que está há mais de 30 anos estudando ambas as elevações, assegura que o retrocesso da geleira é um fenômeno natural que sempre existiu, no entanto, nos últimos 20 anos aumentou de maneira dramática pela atividade humana e pelas mudanças na climatologia e na temperatura mundial.

No Equador, os picos com maior cobertura geleira são o Antisana, situado a 5.704 metros e o Cayambe, a 5.790.

Na situação das geleiras equatorianas, a localização geográfica é “estratégica” porque reúne “circulação atmosférica do Pacífico” e também “umidade da Amazônia”, explica Rubén Bazantes, glaciólogo da Universidade Politécnica Nacional.

Esta localização provoca fortes precipitações que chegam a seis mil milímetros por ano e faz com que o comportamento das geleiras equatorianas seja diferente ao de outras da cordilheira dos Andes.

A regeneração ou retrocesso da geleira dependerá de se a circulação atmosférica no Pacífico gerar fenômenos como o El Ninõ (corrente seca que gera retrocesso) ou El Niña (corrente fria-úmida, que gera precipitações e expansão do nevado).

Além de seu tamanho, as autoridades seguem com muita atenção as consequências secundárias do degelo, porque estas geleiras são autênticos reguladores hídricos.

Apesar de no Equador as geleiras não serem em absoluto um recurso indispensável para o fornecimento atual de água à população (fornecem apenas 2% às cidades vizinhas), o desaparecimento poderia afetar o fornecimento no futuro.

Outra das consequências que mais preocupa os especialistas é a extinção de espécies e plantas autóctones nos locais ermos equatorianos e a chegada de espécies invasoras como consequência de uma mudança de ecossistema.

O desaparecimento de geleiras é um fenômeno mundial, com a diferença – segundo Bolívar – que no Equador e na Colômbia as superfícies geleiras são pequenas e o impacto no ecossistema pode ser, portanto, “mais notório”.

Fonte Exame

 

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Superlua ainda poderá ser vista hoje em alguns pontos do planeta

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Espetáculo encanta e provoca uma série de interpretações populares a partir dos apelidos dados ao fenômeno

Fenômeno da Superlua ocorre quando ela parece estar maior por causa da aproximação com a Terra (Pavel Mikheyev/Reuters)

O fenômeno da Superlua – quando ela parece estar maior por causa da aproximação com a Terra – pode ser visto ainda hoje (20) em alguns lugares do planeta, segundo a Nasa, a agência espacial norte-americana. O espetáculo encanta e provoca uma série de interpretações populares a partir dos apelidos dados ao fenômeno.

Na década de 1930, a Superlua foi identificada e ganhou outros nomes, como Lua do Corvo, Lua da Crosta, Lua do Seiva e Lua do Açúcar.

Os nomes foram dados a partir da observação de que nesse período havia cobertura de neve sobre a vegetação em determinadas áreas do s Estados Unidos, daí também a alusão ao açúcar. Lua do Corvo foi um nome dado pelos indígenas norte-americanos.

A Nasa informa ainda que a partir de 9 de março de 2019, o sol nascerá mais cedo, e assim prosseguirá até outubro, no mais tardar novembro.

Fonte exame

 

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Terra está mais verde hoje do que há 20 anos graças a estes dois países

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Surpreendentemente, Índia e China, nações mais populosas do globo, lideram processo de “esverdeamento” da Terra, mostra novo estudo da Nasa

Mais verde: projeto de reflorestamento em Sichuan, na China. (Eye Ubiquitous/UIG/Getty Images)

São Paulo – Em meio a tantos problemas ambientais que assolam a Terra, um estudo da agência espacial americana, Nasa, traz um dado, no mínimo, curioso: o Planeta está mais verde atualmente do que há 20 anos. E isso graças, principalmente, a dois países, China e Índia.

Segundo o estudo, a área global de cobertura folhosa aumentou em 5% desde o início dos anos 2000 em todo o mundo, uma área equivalente à da floresta amazônica.

As nações mais populosas do mundo respondem por um terço das novas florestas, plantações e outros tipos de vegetação observadas globalmente desde 2000.

Os resultados, publicados na revista Nature Sustainability, mostram que a China sozinha representa um quarto desse incremento de cobertura verde, igual ao observado na Rússia, nos EUA e no Canadá no mesmo período de tempo.

Por lá, 42% desse efeito vem principalmente dos ambiciosos programas de plantio de árvores, parte de um esforço nacional para reduzir a erosão do solo, poluição do ar e mudanças climáticas no país. Outros 32% provêm do cultivo intensivo de culturas alimentares.

A Índia, por sua vez, responde por 6,8% do aumento líquido de área verde global, segundo o estudo, com 82% desse incremento oriundo de plantios agrícolas e menor contribuição das florestas (4,4%). Os pesquisadores observam que a área de terra usada para cultivar na China e na Índia não mudou muito desde o início dos anos 2000. No entanto, ambos os países aumentaram consideravelmente o plantio de cultivos alimentares para atender à demanda de suas populações crescentes.

Há motivos para comemorar já que o Planeta está mais verde?

Calma lá. A pesquisa da Nasa mostra que esforços humanos sistemáticos de conservação podem recuperar áreas verdes que foram destruídas. Porém, algumas áreas de ecossistemas são insubstituíveis. Colocar a baixo uma floresta e depois trabalhar para recuperá-la não culminará necessariamente no retorno ao cenário inicial.

Além disso, os pesquisadores ressaltam que o ganho de áreas verdes ao redor do mundo não necessariamente compensa a perda de vegetação natural em regiões de rica biodiversidade, como o Brasil e a Indonésia. Há consequências para a sustentabilidade e a biodiversidade nesses ecossistemas que vão além do simples aspecto verde da paisagem.

Para o estudos, os pesquisadores utilizaram dados de duas décadas de registros de satélites, que incluem o uso do sensor MODIS (Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer), carro-chefe do programa Sistema de Observação Terrestre (EOS) da Nasa.

Uma vantagem do MODIS é a cobertura intensiva que fornece no espaço e no tempo. Seus sensores capturaram até quatro fotos de quase todos os lugares da Terra, todos os dias, nos últimos 20 anos.

Fonte Exame

 

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