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Consumo de álcool é um dos principais fatores de risco para o suicídio

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Aproveite o Setembro Amarelo, o mês de prevenção ao suicídio, para conhecer o estudo brasileiro que reforça o elo entre esse problema e bebidas alcoólicas

O suicídio é um tema que, apesar de delicado, merece ser discutido. Até porque em 90% dos casos ele pode ser prevenido. Pensando nisso, pesquisadores da Universidade São Paulo (USP) estudaram um fator bastante associado a esse problema: o consumo de álcool.

Eles analisaram os exames toxicológicos de 1 700 pessoas que se mataram entre 2011 e 2015 na cidade de São Paulo. Os dados foram coletados do Instituto de Medicina Legal.

Resultado: 30,2% das amostras acusava algum grau de teor alcoólico no sangue. Entre os homens, a porcentagem chegou a 34,7%. Ou seja, aproximadamente um terço das pessoas que tiraram a própria vida havia ingerido pelo menos alguns goles momentos antes desse ato.

Um dos líderes do estudo, Raphael Eduardo Marques Gonçalves afirma que o objetivo era problematizar essa associação para que mais pesquisas sejam realizadas, principalmente na área de saúde mental. “Queremos auxiliar na elaboração e implantação de estratégias preventivas e, assim, reduzir o número de suicídios e dos custos relacionados”, completa o perito criminal da Polícia Técnico-Científica de São Paulo.

O perfil das vítimas

De acordo com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a principal causa de suicídio no Brasil são os transtornos afetivos (cerca de 36%), como depressão e ansiedade. Em segundo lugar (23%) está a dependência por substâncias psicoativas, a exemplo das bebidas alcoólicas.

“O álcool modifica o funcionamento mental de quem o consome. Os indivíduos ficam desinibidos e perdem o senso crítico e a capacidade de julgamento”, justifica o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, coordenador Nacional da Campanha Setembro Amarelo, o mês de prevenção ao suicídio. Fora isso, o abuso dessa e de outras drogas é frequentemente vinculado a situações de fragilidade social, que também predispõem a atitudes extremas.

No trabalho da USP, a maior parte dos casos de suicídio corresponde a adultos jovens: 49% possuíam entre 25 e 44 anos. E, dentro dessa faixa etária, mais de 61% dos episódios foram atrelados ao consumo de álcool.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 11 mil indivíduos tiram suas vidas todos os anos. Entre brasileiros de 15 a 29 anos, é a quarta principal causa de morte.

FONTE: Portal M de Mulher

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Dengue triplica em fevereiro, em São Paulo. Saiba como ajudar no combate

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Com as novas informações sobre o aumento de casos de dengue, é importante seguir as recomendações do Ministério da Saúde

(nickylarson974/Getty Images)

Segundo dados divulgados pela Secretária de Estado da Saúde, o número de infectados pela dengue em São Paulo triplicou desde o fim de janeiro. Os números são referentes às duas primeiras semanas de fevereiro.

Na primeira coletânea de dados, em janeiro, foram confirmados 4.595 casos da doença. Duas semanas depois, o número de diagnósticos aumentou para 13.472. O surto se concentra principalmente na região noroeste do estado, que registra 66% das ocorrências, tendo as cidades de Bauru, Andradina e Araraquara como focos.

Esses números são cinco vezes maiores que os registrados no mesmo período do ano passado, mas o recorde é do ano de 2015, em que foram diagnosticados 709.445 casos, sendo 41.844 apenas em janeiro.

O Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo informa que, porser uma doença sazonal, é comum que a quantidade de infectados aumente durante o verão, principalmente quando há muita chuva, uma vez que o calor e a umidade são favoráveisà proliferação do mosquito Aedes aegypti, que também é transmissor de zika e chikungunya. Além disso, muitos especialistas consideram a dengue uma doença cíclica, com aumento do número de casos a cada 3 ou 4 anos.

Dicas do Ministério da Saúde para combater o Aedes aegypti: 

  • Manter bem tampado tonéis, caixas e barris de água;
  • Lavar semanalmente com água e sabão tanques utilizados para armazenar água;
  • Manter caixas d’agua bem fechadas;
  • Remover galhos e folhas de calhas;
  • Não deixar água acumulada;
  • Encher pratinhos de vasos com areia até a borda ou lavá-los uma vez por semana;
  • Trocar água dos vasos uma vez por semana;
  • Colocar lixos em lixeiras fechadas;
  • Fechar bem os sacos de lixo e não deixar ao alcance de animais;
  • Manter recipientes vazios que estão do lado de fora com a boca para baixo;
  • Guardar pneus em locais cobertos;
  • Fazer sempre manutenção de piscinas;
  • Tampar ralos;
  • Colocar areia nos cacos de vidro de muros ou cimento;
  • Tampar e verificar semanalmente os vasos sanitários externos;
  • Limpar com frequência a bandeja do ar-condicionado;
  • Esticar bem as lonas que cobrem materiais de construção para não acumular água.

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Saúde

8 passos para transformar exercícios físicos em hábito

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Escolha seu objetivo e capriche no foco!

(Westend61/Getty Images)

Cansada de tentar adotar um estilo de vida mais equilibrado? Começar por metas reais é um caminho com maior chance de sucesso. Acredite: dá para colocar mais movimento no dia a dia e se alimentar melhor sem pirar.

Confira alguns desafios que podem te ajudar a ter uma vida mais fitness:

Praticar atividade física regularmente

(ThinStock/Getty Images/CLAUDIA)

Por que vale a pena: Não é segredo que fazer exercícios ajuda a controlar o peso e reduz o risco de várias doenças. “Além disso, libera serotonina, substância que melhora o humor e a qualidade do sono e diminui o stress”, explica o educador físico Bruno Mendes, de Brasília.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 150 minutos de atividade física por semana – 30 minutos por dia, de segunda a sexta-feira. Se esse é todo o tempo que você tem, aposte suas fichas no HIIT, treino que intercala curtos períodos de alta intensidade com descansos rápidos (como tiros na esteira de 30 segundos alternados com um minuto de caminhada). “Assim, você mantém o metabolismo acelerado e queima calorias ao longo do dia sem ter de passar horas malhando”, diz Bruno.

Como o método não exige aparelhos (você pode fazer sequências de polichinelo, agachamento, flexão de braço, pular corda…), dá para treinar em casa e ainda economizar o tempo de deslocamento até a academia.

Comece por aqui: Não consegue reservar nem meia hora do seu dia? Use a rotina para sair da inércia. “Atividade física é todo movimento que gasta mais energia do que estar parada”, afirma Bruno.

Sendo assim, vale pedalar até o trabalho, trocar o elevador pelas escadas, ir a pé até a farmácia, brincar de bola com sua filha, passear com o cachorro, varrer o chão ou, simplesmente, subir o som e dançar no meio da sala. Somando tudo isso, fica mais fácil cumprir a meta diária de 30 minutos.

Preparar o próprio jantar

(maroke/ThinkStock)

Por que vale a pena: Cozinhar dá mais trabalho do que pedir delivery, mas você escolhe o que vai na receita. Assim, controla a quantidade de óleo e sal e pode optar por ingredientes de qualidade e temperos naturais, bem mais saudáveis que aqueles cheios de sódio de alguns restaurantes.

Comece por aqui: Abasteça o freezer. Faça uma compra maior e prepare sopas, legumes no vapor, porções de arroz integral e frango desfiado. Esses alimentos, congelados, duram até três meses. Seu trabalho vai ser escolher o menu, descongelar e lavar salada para complementar a refeição.

Falta criatividade? “Junte o frango com queijo cottage e recheie uma crepioca. Faça uma bela omelete com os legumes cozidos ou ainda refogue-os com o arroz. Fica uma delícia”, ensina a nutricionista e personal chef Yasmin Gonzalez, do Rio de Janeiro.

Trace uma meta possível. Prepare o jantar duas vezes na semana e depois vá aumentando para três, quatro. Quem sabe você não se empolga e estende o desafio para o almoço.

Cortar industrializados

(Seksak Kerdkanno / EyeEm/Getty Images)

Por que vale a pena: Atire o primeiro pacotinho quem nunca matou a fome com biscoito ou batatinha chips em um dia corrido. Mas fazer isso com frequência pode mexer com os ponteiros da balança. “Não se trata de calorias. Esses alimentos carregam aditivos químicos capazes de inflamar as células, que ficam com o funcionamento comprometido. Além do mais, por causa da adição de açúcar, são altamente viciantes”, alerta a nutricionista Danielle Barioni, de Londrina (PR).

Comece por aqui: Elimine apenas os ultraprocessados – aqueles totalmente industrializados e que contêm pouco ou nenhum ingrediente in natura, como refrigerantes e alguns salgadinhos. Refeições prontas e alguns snacks empacotados podem permanecer na dieta; basta ter moderação.

Prefira as marcas com fórmulas mais naturais (leia o rótulo!) e fique de olho na quantidade de aditivos e de açúcar – ingrediente muitas vezes disfarçado com o nome de glicose, glucose, dextrose, maltodextrina ou xarope de milho.

Se os petiscos saudáveis pesarem no bolso, compre castanhas e frutas secas a granel e porcione em saquinhos para lanche. Como nada disso estraga logo, dedique-se a esse processo uma vez por mês e guarde na gaveta do trabalho ou no porta-luvas do carro. Deixe opções industrializadas para quando não tiver alternativa.

Promover fortalecimento muscular

(Westend61/Getty Images)

Por que vale a pena: Levantar peso não é tarefa apenas para musas fitness. “O treino de força é importante para qualquer pessoa porque a musculatura bem preparada protege as articulações e dá suporte para que você realize atividades cotidianas, evitando muitos problemas de saúde”, diz o educador físico André Hauer, de Curitiba.

Comece por aqui: Evite cair no tédio variando as séries de exercícios e repetições. “Peça para o professor responsável pelo seu treino criar adaptações que combinem com seu gosto”, indica André. Ele pode trocar as máquinas por pesos livres ou intercalar com atividades cardiorrespiratórias, como pular corda, durante os intervalos.

“Fazer os exercícios em forma de circuito também deixa a sessão mais dinâmica”, sugere André. Para isso, você emenda uma série de cada exercício ao outro sem pausa.

Se a sala de musculação não for sua praia mesmo, experimente modalidades que levam a um resultado parecido. Pilates, crossfit, funcional e ballet fitness são ótimas opções.

Beber 2 litros de água

(seb_ra/ThinkStock)

Por que vale a pena: Não é balela: a desidratação afeta reações importantíssimas no organismo, como a transformação de alimentos em energia, a eliminação de toxinas e a regulagem de temperatura. “O líquido ainda ajuda na formação do bolo fecal e pode ser a solução para a prisão de ventre, que faz muitas mulheres sofrer”, explica a nutricionista Danielle.

Comece por aqui: Ouvimos muito falar nos 2 litros, mas a regra não é para todos. A quantidade de água a ser ingerida depende do seu peso corporal. “Calcule 30 mililitros por quilo, o que dá 1,8 litro para quem pesa 60 quilos, por exemplo. Em dias muito quentes e nos treinos mais intensos, consuma um pouco mais”, orienta Danielle.

Se você costuma perder a conta ou não cumpre a meta do dia por preguiça de andar várias vezes até o bebedouro, deixe à mão uma garrafa grande, para ter de reabastecê-la menos vezes. Existem também aplicativos que ajudam na contagem e ainda avisam a hora ideal para o próximo gole.

Acordar cedo para treinar

(PeopleImages/Getty Images)

Por que vale a pena: Todo mundo precisa de uma folga do treino para que o corpo se recupere. Mas ficar o fim de semana todo no sofá (e petiscando) coloca seus objetivos em risco, além de dificultar a volta à rotina saudável na segunda-feira.

Comece por aqui: O exercício de sábado ou domingo não deve ter cara de obrigação. “Busque atividades que sejam eficientes e também prazerosas”, sugere Bruno. Opte por atividades ao ar livre. Em vez de correr na esteira, vá para o calçadão ou caminhe em um parque.

Ande de bicicleta ou junte-se a uma aula de ioga coletiva na praça. Convidar as amigas garante que o programa seja animado. Uma alternativa divertida é aproveitar esse dia mais leve para conhecer novas modalidades, principalmente as de estúdios que vendem sessões avulsas, tendência no universo fitness.

Comer mais frutas e legumes

(marilyna/ThinkStock)

Por que vale a pena: Os vegetais são nossa principal fonte de micronutrientes. “Eles possuem vitaminas do complexo B, sem as quais não conseguimos metabolizar a gordura. E, quando faltam minerais como sódio e potássio, o trabalho dos músculos fica comprometido”, diz a nutricionista Danielle.

As frutas, os legumes e as hortaliças ainda carregam fibras, que regulam o intestino e aumentam a saciedade. A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de 400 gramas de vegetais por dia.

Comece por aqui: Inclua uma fruta no café da manhã e outras duas diferentes entre as refeições. “Prática, a banana é um curinga. Mexerica separada em gomos ou uvas funcionam como snack”, sugere Danielle. No almoço e no jantar, preencha 50% do prato com vegetais.

Mais estratégias para colaborar com a meta: palitinhos de cenoura e pepino acompanhados de homus na happy hour e pera assada com um quadradinho de chocolate amargo como opção de sobremesa.

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Adolescentes: como está a alimentação dos jovens no Brasil?

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O prato dos adolescentes anda cada vez mais desequilibrado, deixando-os na mira de doenças da pesada. Veja como alterar o rumo dessa história

Estudo brasileiro revela que 84% dos adolescentes abusam do sódio, mineral cujo excesso faz a pressão arterial decolar (Ilustração: Davi Augusto/SAÚDE é Vital)

Na adolescência, há indícios de que mudanças no cérebro são responsáveis por deixar os jovens destemidos. Pois a coragem típica dessa fase parece sumir na hora das refeições, quando uma folha de alface gera mais pavor do que escalar uma árvore. Pelo menos é o que dá para presumir a partir de dados divulgados nos últimos tempos, como um grande levantamento feito com 75 mil brasileiros de 12 a 17 anos, em escolas públicas e privadas. O estudo, batizado com a sigla Erica, revela que apenas um em cada três adolescentes coloca salada no prato. Pior: só um em cinco ingere pelo menos uma fruta ao dia.

Os profissionais de saúde enfrentam as consequências dos maus hábitos no dia a dia. “Entre crianças e adolescentes, a incidência de obesidade cresce exponencialmente, e em todas as classe sociais”, afirma Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. “Há 40 anos, atendíamos um adolescente obeso a cada 100. Hoje, são de seis a oito”, estima.

Números da Organização Mundial da Saúde refletem essa realidade. Em 1975, calcula-se que 11 milhões de adolescentes eram obesos. Em 2016, o número saltou para 124 milhões.

A infância é um período determinante na aquisição de hábitos à mesa. Mas mesmo aquela criança que venerava brócolis pode virar o adolescente que rejeita qualquer vegetal. Não há uma explicação biológica para isso, mas, sim, comportamental: é nessa fase da vida que os filhos ganham mais independência, fazem refeições longe dos pais e recebem dinheiro para escolher o que vão comer.

Mesmo que os pais enxerguem essas questões, não adianta somente tentar mudar o adolescente: é necessário dar o exemplo. Toda a família deve se propor a ingerir menos industrializados e mais vegetais, além de criar horários fixos para as refeições (nada de comer só quando a fome bater ou na frente da TV).

A programação completa inclui passeios que agitem o corpo, como uma ida ao parque no fim de semana. “Isso é muito mais efetivo para combater a obesidade do que apenas proibir o consumo de alguns itens”, garante Segal.

Quanto mais cedo a família se unir em torno dessa agenda saudável, melhor. “É logo no início da puberdade que o corpo, em transformação, refaz sua disposição de adipócitos, as células acumuladoras de gordura. Por isso, o sobrepeso e a obesidade nessa fase geram dificuldade para emagrecer ao longo de toda a vida”, alerta a endocrinologista Isabela Bussade, do Rio de Janeiro.

O que precisa aparecer menos na alimentação da moçada

Ultraprocessados e fast-food: biscoitos, bolinhos prontos, macarrão instantâneo, chips… Esses itens são lotados de sódio, açúcar, gorduras, aditivos, e por aí vai. Quanto menos deles, melhor. Pizza e hambúrguer também devem ficar para ocasiões pontuais — e não para o dia a dia.

Doces: eles causam picos de açúcar no sangue e, por isso, o excesso eleva o risco de diabetes. “Deixe os doces para o fim de semana e, sempre que possível, prefira os de frutas. Chocolate amargo também é uma boa opção”, ensina Samanta Brito, nutricionista da Estima Nutrição, em São Paulo.

Bebidas açucaradas: muitos pais caem na pegadinha de cortar o refrigerante e liberar sucos e chás de caixinha. Só que esses líquidos também podem reunir boas doses de açúcar. Não dá para beber de forma desenfreada. Chás feitos com ervas e frutas in natura são escolhas mais acertadas.

O que os adolescentes devem comer com frequência

Comida caseira: nessa fase, proteínas de alta qualidade e micronutrientes são determinantes para o desenvolvimento da molecada. “Não há nada como arroz, feijão e uma grande variedade de vegetais para suprir essa necessidade”, avisa Cátia Ruthner, nutricionista do W Spa, no Rio de Janeiro.

Frutas: ignoradas pelos jovens, elas são abastecidas de fibras, vitaminas e minerais. “Introduza aos poucos. Vale até vitamina e suco natural”, sugere Samanta. O melhor cenário, porém, é o do consumo do alimento em sua forma original. Que tal uma bela salada de frutas turbinada com aveia ou sementes?

Água: a falta do líquido (puro, e não dentro de refris e afins) abala várias funções do organismo. Se o adolescente toma pouca água, incentive o hábito de ter sempre uma garrafinha por perto. Tudo bem saborizá-la com pedaços de limão, abacaxi, laranja, canela, gengibre e folhas de hortelã.

Sem falar na influência dos amigos. Quem vai optar por salada quando a turma toda vai de fast-food? Por isso é essencial manter o equilíbrio nas refeições em família”, diz a nutricionista Renata Faria Amorim, da All Clinik, no Rio de Janeiro.

A profissional alerta sobre o papel da escola nesse cenário. Mesmo que as cantinas não possam vender tranqueiras — alguns estados têm leis para regulamentar isso —, biscoitos, doces e bebidas açucaradas são as estrelas nos intervalos. E proibir não é solução definitiva.

Uma pesquisa feita pela marca Capricho e pela área de Inteligência de Mercado do Grupo Abril, com 1 724 garotas — 1 046 delas com 14 a 17 anos —, mostra que 34% não resistem a um docinho. Elas poderiam sucumbir menos a essas gulodices caso tivessem aulas que ensinassem por que outras opções são mais vantajosas, por exemplo. “É preciso conscientizar”, resume Adriano Segal, diretor de Psiquiatria e Transtornos Alimentares da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Hábitos preocupantes dos jovens, registrados em novos estudos

Prato sem cor: menos de 40% dos jovens incluem verduras e hortaliças nas refeições, que acabam pobres em micronutrientes e ricas em carboidratos e gordura.

Doçura demais: enquanto 40% dos jovens comem algum doce todo dia, menos de 20% ingerem frutas, que têm açúcar natural, vitaminas, minerais e fibras.

Energia poupada: só três em cada dez brasileiros entre 10 e 18 anos não são sedentários — isto é, fazem uma hora de atividade física cinco dias por semana.

Pais de castigo?

Mas é em casa que está o principal gargalo. Inclusive, para os experts, é quase impossível falar da dieta dos adolescentes sem dar um puxão de orelha nos adultos.

“A maioria dos pais tem dificuldade em reconhecer as deficiências alimentares dos filhos porque eles próprios apresentam esses maus hábitos. Só que não os percebem como um problema”, analisa Julia Bittencourt, psicóloga especialista em terapia familiar, no Rio de Janeiro.

Há outro empecilho que está literalmente em nossas mãos: celulares. As horas ativas dos adolescentes não param de despencar, já que as atividades físicas foram substituídas por jogos e interações nos smartphones.

Magreza não é sinônimo de saúde

Que fique claro: a luta com a balança não deve ter motivação estética. As doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão e diabetes, já são as principais causas de morte na população brasileira — e elas têm íntima relação com a obesidade.

“Com o estudo Erica, pudemos perceber que esses quadros têm início na infância e na adolescência”, observa a nutricionista Amanda de Moura, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Iesc) da Universidade Federal do Rio de Janeiro e uma das responsáveis pelo levantamento.

Mas o peso está longe de ser o único indicativo de saúde. Sabe aquele adolescente que come só porcaria e é magrinho? Pois ele não está isento de riscos. “Esse jovem pode esconder um acúmulo de gordura nos órgãos”, avisa Isabela.

Fora que o consumo excessivo de açúcares e gorduras causa um desgaste no pâncreas e em outros cantos desde muito cedo. “Cerca de metade das crianças com colesterol ou triglicérides elevados terá doença cardíaca na vida adulta”, alerta Zilli. A hora de mudar esse futuro é agora.

Não há um corpo ideal – e focar nisso é um perigo

Na pesquisa da Capricho, 36% das garotas de até 14 anos relataram já ter encarado o jejum intermitente. E 76% fizeram, fazem ou pretendem fazer dieta para emagrecer. “Qual padrão de beleza é esse que deixa mais de 70% das nossas meninas desconfortáveis com a própria imagem?”, questiona Gabriela Malzyner, psicóloga da Clínica de Estudos e Pesquisas em Psicanálise da Anorexia e Bulimia, em São Paulo.

Ela defende a conscientização de que ser saudável não significa ter um certo formato de corpo. “A dieta não pode gerar insatisfação corporal constante nem isolamento social”, frisa. Até porque isso abre brecha para transtornos sérios, capazes de abalar a saúde e a qualidade de vida dos jovens.

Fonte Saúde

 

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