Nossa rede

Saúde

Cientistas por trás de revolução contra o câncer levam o Nobel de Medicina

Publicado

dia

Os pesquisadores abriram as portas para uma nova estratégia de combate a tumores, que usa o próprio sistema imunológico como arma: a imunoterapia

Entre tantas notícias que todo mundo quer dar no universo da saúde, a da descoberta da cura do câncer está entre as principais. Ainda não chegamos lá, mas os avanços nessa área são notórios. Prova disso é que o Nobel de Medicina de 2018 ficou com dois cientistas que, em trabalhos separados, pavimentaram o caminho para a imunoterapia moderna, uma forma diferente de combater a doença.

Segundo comunicado oficial da Academia Sueca, James P. Alisson, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, estudou uma proteína que funciona como uma espécie de freio do nosso sistema imunológico. Ele notou, então, o potencial de liberar esse breque e, assim, permitir que nossas defesas consigam atacar o tumor. Foi esse o ponto de partida para ele desenvolver uma nova abordagem contra o câncer.

Em paralelo, o pesquisador Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto, no Japão, encontrou uma proteína nas células imunológicas. E, após uma análise minuciosa, também percebeu que ela funcionava como um freio, mas a partir de outro mecanismo de ação.

Assim, tanto Alisson como Honjo deixaram claro que diferentes estratégias para soltar esses freios podem ser usadas no tratamento contra tumores – afinal, ao impedir essa situação, o sistema imunológico atua sem entraves. Em resumo, as drogas usadas aqui não miram o câncer, mas ajudam as nossas próprias defesas a detectá-lo e agredi-lo. “As descobertas dos dois laureados constituem um marco na luta contra essa doença”, reforçou a Academia Sueca.

Comentário

Saúde

Mortalidade infantil é três vezes maior entre bebês com microcefalia

Publicado

dia

Médicos e familiares apontam como causa a falta de centros de reabilitação e de preparo das equipes de saúde para cuidar deles

 

Edmar Melo/JC Imagem/Agência Estado

Maria Vitória foi um dos primeiros bebês a nascer com microcefalia associada ao zika no Brasil, em setembro de 2015. Ainda na maternidade, no Recife, ela foi abandonada. A mãe biológica, pobre e cuidando de outro filho com deficiência, concluiu que não teria condições de ficar com a pequena e a colocou para adoção. Depois de sete meses vivendo em um abrigo, a menina foi adotada pela dona de casa Kely Romualdo de Oliveira, de 37 anos. A história de Maria Vitória, que parecia mudar de rumo com a chegada de uma nova família, foi breve. Com 1 ano e 9 meses, ela morreu vítima de uma infecção generalizada, após falhas na assistência médica.

Maria Vitória é uma das 218 crianças que nasceram com a chamada síndrome congênita do zika (que inclui microcefalia e outros problemas motores e cognitivos) e morreram entre novembro de 2015, quando a epidemia passou a ser oficialmente notificada, e julho de 2018, último dado disponível.

Considerando apenas crianças mortas antes de completarem o primeiro ano de vida, foram 188 óbitos, o equivalente a 5,82% de todos os 3.226 bebês que tiveram o diagnóstico de microcefalia associada ao zika confirmado no período. O índice é três vezes maior do que o observado na população em geral. Em 2016, o porcentual de bebês mortos antes do primeiro ano de vida foi de 1,27% sobre todos os nascimentos no país.

Além da gravidade do quadro de saúde dessas crianças, a falta de centros de reabilitação e de preparo das equipes de saúde para cuidar delas são apontadas por médicos e familiares como causas para o alto índice de mortes. “Minha filha começou com uma infecção urinária, a médica não quis dar antibiótico e mandou ela de volta para casa. Ela piorou. Quando voltou ao hospital, não tinha vaga na UTI. Ela acabou evoluindo para infecção generalizada e morreu”, conta a mãe de Maria Vitória.

“É tão difícil entender esse desprezo com os nossos filhos. Todo mundo sabe que eles precisam de um cuidado especial, que têm a saúde mais frágil, mas parece que fazem pouco caso. Eu acho que, se ela tivesse tido uma melhor assistência, ainda estaria aqui”, lamenta a mãe.

Coordenadora do setor de infectologia pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), no Recife, e uma das primeiras especialistas a identificar o aumento de casos de microcefalia no estado, Maria Ângela Rocha destaca que a maioria das mortes de crianças com microcefalia é por infecções, sobretudo respiratórias, e esse risco poderia ser reduzido se os bebês tivessem acesso a terapias de estimulação precoce. “Essas crianças têm dificuldades para engolir. Se não fazem acompanhamento com fonoaudiólogos e fisioterapeutas, têm facilidade para broncoaspirar líquidos e alimentos e formar secreção, o que pode levar a infecções”, explica a médica.

Terapias
Os dados do próprio Ministério da Saúde mostram que, passados três anos do início do surto, somente 35,3% dos bebês confirmados com síndrome congênita do zika estão passando por terapias de estimulação precoce.

Para Germana Soares, presidente da União de Mães de Anjos (UMA), associação que reúne familiares de crianças com a má-formação, a falta de recursos e o despreparo está em todos os níveis. “Começa pela atenção primária, que não sabe receber uma criança com deficiência. Nos hospitais, não sabem como proceder no socorro a uma criança assim. E a falha também ocorre quando não é oferecida assistência multidisciplinar”, diz. “Parece que os governos não querem gastar dinheiro com essas crianças porque acham que elas não são reabilitáveis, mas eles se esquecem que reabilitação não é só para sentar, andar, é para que elas possam ter qualidade de vida”, reclama.

Diretora do departamento de ações programáticas do Ministério da Saúde, Thereza de Lamare afirma que o governo federal aumentou o número de centros especializados em reabilitação, mas que conhecer as particularidades de uma síndrome tão nova e ofertar assistência às famílias que vivem longe dos grandes centros ainda são desafios. “Como é algo que foi descoberto em 2015, ainda estamos aprendendo sobre como cuidar da melhor forma. Essas crianças nascem com uma série de condições associadas. Precisamos nos apropriar disso e melhorar o cuidado”, diz.

Ela ressalta, no entanto, que acredita que o índice de crianças que têm acesso a terapias de estimulação precoce é maior do que os números oficiais. “Pelo que conversamos com os estados e municípios, os índices são maiores, mas precisamos de um sistema que nos informe isso em tempo real.”

Nordeste
Ao contrário do que foi prometido pelo Ministério da Saúde em 2015, nenhum centro de reabilitação novo foi aberto na região nordeste desde o início do surto de microcefalia associada ao zika. A região concentra 63,7% de todos os casos de síndrome congênita confirmados no país nos últimos três anos.

Onze novos centros foram prometidos, mas, até agora, somente unidades já existentes foram credenciadas ou ampliadas pelo ministério para atender as crianças com a má-formação.

Segundo a pasta, 54 unidades foram habilitadas no nordeste como Centros Especializados em Reabilitação (CERs). A habilitação inclui ações de ampliação, adequação de equipes multiprofissionais, compra de novos equipamentos ou reformas. Em todo o país, o número de CERs credenciados foi de 89 no período

De acordo com Thereza de Lamare, do ministério, mesmo que os serviços já existissem, eles passaram a ofertar mais serviços para a população de crianças com microcefalia.

 

Ver mais

Saúde

Álcool e gestação: nada a ver! Vamos mudar o final desta novela!

Publicado

dia

O cérebro do feto é o órgão mais suscetível aos efeitos da exposição pré-natal ao álcool

A média de consumo das grávidas pesquisadas foi de 163,7g de álcool nos nove meses de gestação

A Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), pouco conhecida dos brasileiros é uma das principais causas de anomalias fetais.

No capítulo da última quinta-feira 11 de outubro, na véspera do “Dia das Crianças”, a novela “Segundo Sol”, da Rede Globo, exibiu uma cena em que a personagem “Rosa” (Letícia Colin), grávida, para em um boteco durante a noite e começar a beber até desmaiar.

Na novela, o “porre” parece não ter tido nenhuma consequência para a saúde da gestante e do feto. Mas na vida real a situação é bem mais complicada e pode ter consequências irreversíveis. Estamos falando da Síndrome Alcoólica Fetal(SAF), pouco conhecida dos brasileiros, mas uma das principais causas de anomalias fetais, com repercussões para a vida toda, principalmente para quem sofreu os efeitos do “porre” passivamente, ou seja, o feto, mas também para toda a família e a sociedade.

A ingestão de álcool na gravidez coloca o feto e o futuro indivíduo em alto risco!

O álcool é historicamente reconhecido como um potente agente causador de ruptura do desenvolvimento normal do embrião e do feto. Ele compromete o fluxo sanguíneo para a placenta, além de circular livremente por todos os compartimentos líquidos do corpo, fazendo com que na gestação o líquido amniótico permaneça impregnado de álcool, e assim, a concentração de álcool é a mesma na gestante e no feto.

Para o feto ainda pior, pois este possui metabolismo e mecanismos de desintoxicação mais lentos que os de um indivíduo adulto. O cérebro do feto é o órgão mais suscetível aos efeitos da exposição pré-natal ao álcool, uma vez que todos os trimestres da gestação são críticos para o seu desenvolvimento. Em 1973, a SAF foi definida do ponto de vista médico como uma condição irreversível caracterizada por anomalias craniofaciais típicas, deficiência de crescimento intra e extrauterino, disfunções do sistema nervoso central (incluindo anormalidades neurológicas, alterações comportamentais, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e deficiência intelectual) além de várias malformações associadas, principalmente cardíacas, oculares, renais e de coluna vertebral.

Como evitar que seu filho tenha SAF?

Em primeiro lugar é importante alertar para o fato de que 50% das gestações não são planejadas. Assim, quando a mulher vem a saber que está grávida, já está na quarta ou quinta semana de gestação, o que eleva a possibilidade de exposição fetal ao álcool mesmo nas mulheres que compreendem os riscos da ingestão de álcool na gravidez.

Portanto, é recomendado que as mulheres em idade reprodutiva que ingerem bebidas alcoólicas ocasionalmente ou habitualmente, conversem sempre com o(a) ginecologista sobre o assunto, e peçam orientação sobre métodos anticoncepcionais, no intuito de evitar gestações não planejadas. É fundamental suspender a ingestão de álcool não só quando uma gravidez está confirmada, mas em qualquer suspeita de gravidez.

Qual a dose mínima de ingestão de álcool segura na gestação?

Até o momento não foi estabelecida nenhuma dose segura para ingestão de álcool durante a gestação, em nenhum período da mesma. Existem casos em que um único drinque levou a SAF. Na dúvida se uma dose pequena pode ou não ser inócua, a recomendação mundial é que mulheres em idade fértil que estejam planejando engravidar, ou aquelas que já estejam grávidas, se abstenham completamente da ingestão de álcool, em qualquer quantidade, em qualquer etapa da gestação.

Há riscos para a própria gestante que ingere álcool?

Sim, o consumo de álcool também traz problemas à própria gravidez, com elevação do risco de abortos, descolamento prematuro de placenta, hipertonia uterina e parto prematuro. Em sua tese de mestrado a Psicóloga Sheila Carla de Souza, orientada pelo Médico Geneticista Decio Brunoni, investigou em um município da Grande São Paulo, 71 gestações de 16 mulheres alcoolistas, e detectou 3 filhos nascidos mortos, 4 abortos espontâneos, e 5 abortos provocados.

Claro que a maioria das mulheres que ingerem álcool na gestação não são alcoolistas, e, portanto, o reconhecimento do perfil de mulheres que fazem uso inadequado do álcool durante a gestação deveria ser utilizado para priorizar ações de educação em saúde voltadas para parcela da população mais vulnerável. Além disso, considerando que o risco de repetição de SAF em futuras gestações da mesma gestante é em torno de 50 a 75%, identificar consumo abusivo de álcool entre mulheres em idade fértil é muito importante como medida de prevenção de novos casos de SAF em futuras gestações.

Como reconhecer SAF após o nascimento?

Na prática médica, identificar com segurança que os problemas de saúde de uma pessoa são consequências da SAF não é uma tarefa fácil, em especial quando as mães não informam que ingeriram bebida alcoólica na gestação ou quando consideram que a ingestão de dose pequena nem precisaria ser mencionada aos médicos.

Quando uma pessoa com SAF apresenta sinais físicos, entre eles retardo de crescimento e peso, microcefalia, fissuras palpebrais estreitas, filtro nasal longo, sulco nasal liso e lábio superior fino, um médico especializado consegue fazer o diagnóstico de SAF, mesmo que não haja uma história clara de ingesta de álcool pela mãe quando gestante. Porém a maior parte dos indivíduos com SAF não apresenta estes sinais físicos, mas sim as consequências a médio e longo prazo sobre o comportamento e a inteligência.

Os sinais e sintomas da SAF são variados (‘espectro”), desde sinais sutis e inespecíficos, até óbitos fetais e quadros devastadores. Estão dentro do espectro das consequências da SAF muitos indivíduos com déficits intelectuais, com coeficiente de inteligência médio na faixa limítrofe, deficiências em diferentes componentes da função executiva e da atenção, deficiências no processamento de informações e no processamento numérico, deficiências no raciocínio espacial, na memória visual, na linguagem e nas funções motoras. Como se não bastassem tão amplas e severas consequências, recai sobre a mãe, os afetados e seus familiares a espada cruel da estigmatização.

Tendo a SAF ocorrido, é fundamental, ao invés de simplesmente “carimbar” o paciente com o diagnóstico de SAF, iniciar um processo amplo e multidisciplinar de intervenção precoce, no intuito de melhorar a performance cognitiva e comportamental do indivíduo, tentando o melhor ajuste possível dentro da família, na escola, e junto a sociedade.

Quando as anomalias congênitas, incluindo a SAF, serão finalmente consideradas um problema de saúde pública prioritária no brasil?

Há 20 anos, as Anomalias Congênitas passaram a ser a segunda maior causa de mortalidade infantil no Brasil. Desde 2015, as Anomalias Congênitas correspondem à principal causa de morte infantil nos estados das regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste — com exceção de Minas Gerais e Goiás, onde ocupam o segundo lugar. No Norte já é a principal causa de mortalidade infantil em Amazonas e Rondônia, e segunda maior causa nos outros estados. No Nordeste já é a principal causa de mortalidade infantil em Pernambuco e Paraíba, e segunda maior causa nos outros estados.

Some-se as dificuldades de gestão da Saúde, culturais e diagnósticas, ao fato que dados epidemiológicos sobre a SAF e outras anomalias congênitas no Brasil são pouco confiáveis, e pode-se compreender que devem existir em nosso país muito mais casos de SAF do que se imagina. Um trabalho recente coordenado pela Médica Geneticista e pesquisadora Debora Gusmão Melo, demonstrou mais uma vez que no Brasil os riscos de SAF são alarmantes!

A pesquisadora e seu grupo entrevistaram 818 gestantes no município de São Carlos, localizado no centro geográfico do Estado de São Paulo. Aplicando um questionário para identificar o padrão de consumo alcoólico das mulheres, identificaram 7,3% das gestantes como consumidoras de álcool. No estudo de São Carlos, 107 gestantes convidadas recusaram-se a participar, o que representou uma frequência de não consentimento de 11,6%.

As recusas foram principalmente atribuídas a cansaço, dores relacionadas ao puerpério e ocupação com atividades maternas, no entanto, é possível que também tenham colaborado para uma menor prevalência de consumo de álcool na amostra investigada. As mulheres temem a falta de sigilo, o estigma do diagnóstico de alcoolista e até mesmo repercussões legais como a perda da guarda dos filhos. A pesquisa identificou que as mulheres mais susceptíveis ao consumo de álcool na gravidez são aquelas sem companheiro fixo.

Outros estudos realizados no Brasil, com diferentes metodologias e em outras localidades, estimam a frequência de consumo de álcool ainda maior, em torno de 10% a 40% das gestantes!!

A SAF é totalmente prevenível e considerada a principal causa de deficiência intelectual e comportamental em humanos!

Como trata-se de uma condição totalmente evitável, e que já é considerada a principal causa de deficiência intelectual e comportamental em humanos, preveni-la, sem sombra de dúvida, seria a estratégia mais eficiente e menos cara, visto que por envolver atendimento médico, psicológico, social e ações legais, o cuidado com os indivíduos com SAF implica em custos muito elevados para o sistema de saúde, para as famílias e para a sociedade em geral.

A mensagem é clara: No que se refere a ingestão de álcool, não existe dose segura, nem momento de gestação seguro, ou tipo de bebida alcoólica segura durante a gravidez ou quando a mulher está tentando ficar grávida ou em idade reprodutiva sem uso de anticoncepção. Simples assim. Na dúvida, em prol do feto!!!

O importante papel das sociedades de especialidades médicas e da mídia na educação em saúde no Brasil

Cientes do grave problema de saúde pública que é a SAF, de que os gestores de Saúde ainda não conseguiram visualizar o tamanho deste problema, e de que ao contrário de outras drogas a ingestão de álcool é lícita no Brasil, várias Sociedades de Especialidades Médicas vem fazendo seu papel na luta contra a SAF, com brilhantismo e união.

A Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a Sociedade de Pediatria de São Paulo e a Sociedade Brasileira de Pediatria, uniram forças e lançaram em parceria a segunda edição do livro “Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido”. O objetivo da publicação foi atualizar para os médicos de todo o Brasil as informações mais recentes sobre a SAF.

Para conscientizar a população sobre os riscos da ingestão de álcool durante a gravidez, a Sociedade Brasileira de Pediatria divulgou um mês atrás uma série de vídeos informativos em alusão ao Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcóolica Fetal, lembrado em 9 de setembro.

A iniciativa faz parte da campanha “Gravidez Sem Álcool”, iniciada pela Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e promovida nacionalmente pela Sociedade Brasileira de Pediatria, desde 2017. Fundado em 1990, o SIAT ( Sistema Nacional de Informação sobre Agentes Teratogênicos) é um projeto público do Departamento de Genética e do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Presta atendimento de altíssima qualidade e confiabilidade, gratuito, tanto para a comunidade como para profissionais da área médica. O site gravidez-segura.org é mantido pelo SIAT, e a página sobre SAF pode ser acessada em http://gravidez-segura.org/alcool.php.

Já a Sociedade Brasileira de Genética Médica e Molecular, alerta e preocupadíssima com a mensagem subliminar errada que a cena da novela pode passar (“os efeitos de um “porre” em uma mulher grávida se encerram quando os efeitos do álcool cessam em quem ingeriu”), imediatamente lançou esta semana uma Nota de esclarecimento à população, em seu site e em suas redes sociais.

Os materiais educativos das Sociedades de Especialidades já foram e serão vistos e lidos por centenas, talvez milhares de pessoas. Porém a novela das 21 horas da Rede Globo é tradicionalmente o programa de maior Ibope na Televisão brasileira. O capítulo no qual a gestante se embriagou foi visto por cerca de 26 milhões de pessoas em 9,3 milhões de lares…

“Segundo Sol” ainda tem quatro semanas para chegar ao fim. O último capítulo será exibido no dia 9 de novembro, e a Rede Globo ainda tem tempo de usar o seu enorme potencial de alcançar a casa de milhões de futuras gestantes, e passar a mensagem correta. Será que o filho da personagem “Rosa” vai nascer com a Síndrome Alcoólica Fetal, e então milhões de brasileiros passarão a compreender o perigo da ingestão de álcool na gravidez? Ou será que o filho da personagem vai nascer saudável, sinalizando que a ingestão de bebida alcoólica na gestação é inócua? A novela logo acaba, mas no dia seguinte a vida real continua!

Salmo Raskin

Quem faz Letra de Médico

Adilson Costa, dermatologista
Adriana Vilarinho, dermatologista
Ana Claudia Arantes, geriatra
Antonio Carlos do Nascimento, endocrinologista
Antônio Frasson, mastologista
Artur Timerman, infectologista
Arthur Cukiert, neurologista
Ben-Hur Ferraz Neto, cirurgião
Bernardo Garicochea, oncologista
Claudia Cozer Kalil, endocrinologista
Claudio Lottenberg, oftalmologista
Daniel Magnoni, nutrólogo
David Uip, infectologista
Edson Borges, especialista em reprodução assistida
Fernando Maluf, oncologista
Freddy Eliaschewitz, endocrinologista
Jardis Volpi, dermatologista
José Alexandre Crippa, psiquiatra
Ludhmila Hajjar, intensivista
Luiz Rohde, psiquiatra
Luiz Kowalski, oncologista
Marcus Vinicius Bolivar Malachias, cardiologista
Marianne Pinotti, ginecologista
Mauro Fisberg, pediatra
Miguel Srougi, urologista
Paulo Hoff, oncologista
Raul Cutait, cirurgião
Roberto Kalil, cardiologista
Ronaldo Laranjeira, psiquiatra
Salmo Raskin, geneticista
Sergio Podgaec, ginecologista

Fonte: Portal Veja

 

Ver mais

Saúde

A ligação escondida entre antibióticos para animais e doenças humanas

Publicado

dia

Descobrir a origem de infecções alimentares com maior precisão pode se tornar mais fácil

Carne de frango: 4.325 l / kg

São Paulo – O uso de antibióticos na alimentação de animais criados para o consumo humano é controverso. Ao longo das últimas décadas, algumas bactérias comuns em aves e ruminantes desenvolveram resistência aos medicamentos usados para combatê-las e puderam voltar a causar doenças em seus hospedeiros. Humanos que ingerem esses alimentos contaminados estariam, portanto, sujeitos a desenvolver infecções uma vez que o alimento fosse absorvido pelo organismo, certo?

O senso comum, neste caso, não podia ser comprovado pela ciência. Agora, um novo estudo da Sociedade Americana de Microbiologia dá mais um passo para demonstrar que bactérias resistentes podem ser transmitidas de animais para humanos por meio do consumo de carne contaminada, além de fornecer um modelo de como sistemas de vigilância poderiam impedir a transmissão de bactérias desde sua origem nas fazendas.

Bactérias resistentes podem ser rastreadas desde a origem

Estudos que ligam a presença de antibióticos na dieta dos animais ao desenvolvimento de infecções nos humanos que as consomem não são totalmente aceitos na comunidade científica. A maioria tem caráter observacional e não permitia apresentar provas concretas de que haveria uma relação direta com problemas de saúde em pessoas.

A pesquisa recente, coordenada pelos microbiólogos Cindy Liu e Lance Prince, realizou uma investigação profunda no genoma da adaptação bacteriana na alimentação de animais e humanos. Com isso, foi possível comprovar que um antibiótico “X” dado ao animal “Y” deu origem à bactéria “Z” e causou a doença “D” no humano que consumiu aquela carne. Antes da pesquisa, o rastreamento de todo o processo não podia ser dado como certo, apesar das suspeitas.

Para os testes, foram analisadas amostras de carne vendidas na cidade de Flagstaff, no Arizona, e amostras de fezes e urina de pacientes em hospitais locais. A ideia era fazer uma linha do tempo que possibilitasse criar relações entre carne contaminada e o surgimento de doenças.

Infecções urinárias são motivo de atenção

O alvo do estudo foi um grupo específico de E. coli chamado EXPEC (E. colipatogênica extra-intestinal, em relação a sua capacidade de sair do intestino e causar infecções em outras partes do organismo). A porta de entrada das EXPECs é geralmente a bexiga, então infecções urinárias costumam ser um sinal de alerta para esse tipo de doença.

Resistente aos antibióticos comumente administrados, esse tipo de infecção urinária pode se deslocar até os rins e cair na corrente sanguínea. As EXPECs podem causar doenças ainda mais graves que infecções alimentares e podem levar a choque sépticos ou até mesmo à morte.

Um dos focos do estudo foram as bactérias do tipo H22, que carregavam marcadores genéticos indicando que já tinham estado presentes em aves antes de se adaptarem ao organismo humano. A escolha se mostrou reveladora, já que o H22 geralmente não é alvo de análises oficiais dos órgãos de controle americanos.

“Acho que esta é a primeira vez que podemos realmente estabelecer a direção da transmissão”, disse Price em entrevista à revista Wired. “Isso mostra claramente que as pessoas estão recebendo infecções urinárias de E. coli originárias de aves domésticas.”

Para gerar soluções mais práticas à rotina dos consumidores de carne, o resultado da pesquisa de Liu e Price precisa ser aliado a um refinamento do sistema de controle atual, que ainda tem acesso limitado à origem do ambiente onde os animais nascem e são criados, criando um sistema de monitoramento realmente eficiente que garanta uma alimentação mais segura.

Fonte: Portal Exame

 

Ver mais
Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade