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Câncer de mama em mulheres jovens: verdades e mitos

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No Brasil, em mulheres com menos de 35 anos, a incidência da doença está entre 4% e 5% dos casos

Saúde – Câncer de mama (iStock/Getty Images)

A cada ano, aproximadamente 60 mil brasileiras são diagnosticadas com câncer de mama. Apesar de existir uma maior propensão ao desenvolvimento da doença entre mulheres com mais de 50 anos, o aumento na incidência de câncer de mama entre mulheres mais jovens nos últimos anos tem chamado a atenção. No Brasil, em mulheres com menos de 35 anos, a incidência hoje está entre 4% e 5% dos casos, faixa etária em que historicamente apenas 2% dos casos eram observados.

Este fenômeno está sendo observado não apenas no Brasil, mas também em vários outros países, em fase de desenvolvimento. Aspectos associados aos fatores de risco, que têm relação com estilo de vida, se veem mais presentes: menor número de filhos, gestação mais tardia, alimentação inadequada, associados à correria do dia a dia, podem estar influenciando esta mudança de aparecimento de tumores de mama em mulheres mais jovens.

Tipos de tumores

Sabe-se que o câncer de mama é uma doença muito variada, com alguns subtipos e perfis, com agressividade diversa e requerendo tratamento individualizado. É comum ouvirmos pessoas dizerem que os tumores em mulheres mais jovens são sempre mais agressivos, porém, isso não é uma verdade absoluta. Ainda que mais raros, existem tumores de crescimento lento em pacientes jovens e casos agressivos ocorrendo em mulheres mais velhas.

O que acontece é que a frequência de tumores mais agressivos é maior entre as mulheres mais jovens. Por estarem fora do grupo de rastreamento (exame periódico com objetivo de detectar os tumores precocemente) e pela maior recorrência de tumores mais agressivos, o diagnóstico é, em média, feito em um estágio mais avançado quando comparado às mulheres que têm um diagnóstico mais tardio.

Tratamento

Existem algumas outras particularidades a serem consideradas ao se diagnosticar câncer de mama em uma paciente jovem: maior risco de lesões mamárias difusas e de que a paciente seja portadora de mutação genética que predispõe ao câncer.

Tratamentos cirúrgicos mais extensos ou tratamentos mais agressivos não devem ser indicados pelo simples fato de estarmos diante de uma paciente mais jovem. Características do tumor e da paciente devem ser avaliados conjuntamente para individualizar o tratamento. Ao contrário do que muitos pensam, as jovens podem ser submetidas à cirurgia conservadora (retirada apenas do tumor com margens de segurança) associada à radioterapia ao invés de mastectomia, sem prejuízo do tratamento oncológico.

Reserva-se a mastectomia – que pode ou não incluir a preservação do mamilo – para situações especiais, como a presença de lesão grande em relação ao volume da mama, nódulos extensos e difusos, pacientes portadoras de mutações genéticas ou casos em que há contraindicação à radioterapia.

Impacto do tratamento

Para qualquer tipo de tratamento, sequelas devem sempre ser levadas em consideração e na faixa etária mais jovem isso não é diferente. Na verdade, após ficarem curadas do câncer, essas mulheres conviverão por muitos anos com as possíveis consequências do tratamento. Tratamentos como alguns tipos de quimioterapia podem, por exemplo, comprometer a fertilidade de mulheres que ainda pretendem ter filhos. É fundamental que sejam aconselhadas sobre as formas de preservar a fertilidade para retomar o planejamento da maternidade após o término do tratamento do câncer.

Outro exemplo são tratamentos que agem como anti-hormônio (comumente chamados de hormonioterapia) e que podem causar ou exacerbar sintomas similares à menopausa, podendo comprometer sua qualidade de vida.

O tratamento para o câncer de mama, para todas as pacientes – independentemente da idade, se pauta na individualização. Devemos ter o cuidado em usar os eficientes recursos disponíveis para tratar o tumor, sem que o tratamento seja mais prejudicial que a própria doença.

Doutor Antonio Frasson

Quem faz Letra de Médico

Adilson Costa, dermatologista
Adriana Vilarinho, dermatologista
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Fonte Veja

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Mayaro, um vírus da Amazônia, pode estar circulando no Rio de Janeiro

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O vírus transmitido por um mosquito é conhecido como primo da chikungunya e tem sintomas muito parecidos.

(Nechaev-kon/Getty Images)

Na semana passada, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) afirmaram que o vírus mayaro foi encontrado no estado. O ponto é que o mayaro, transmitido pelo mosquito florestal Haemogogos, estava localizado apenas nas áreas silvestres amazônicas. Até que três moradores de Niterói foram diagnosticados com a doença, sendo que nenhum havia viajado.

O vírus é conhecido como primo da chikungunya, provocando reações bem parecidas – febre alta, dores de cabeça, musculares e nas articulações que se prolongam por meses. O tratamento também é similar: repouso e cuidados sintomáticos (analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios).

Essas semelhanças intrigam os cientistas em relação ao diagnóstico, já que 20% dos casos com suspeita de chikungunya relatados esse ano no estado não tiveram confirmação, o que leva a crer que poderia tratar-se de mayaro.

A hipótese levantada pelos cientistas é de que o vírus esteja se adaptando ao ambiente urbano. E isso fica ainda mais preocupante pois eles acreditam que a adaptação ainda possa permitir que o vírus seja transmitido pelo Aedes aegyptiquanto e pelo pernilongo Culex.

O Ministério da Saúde diz que desconhece os casos.

 

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Dieta balanceada reduziria risco de morte por câncer de mama

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Para chegar a essa conclusão, pesquisa seguiu quase 50 mil mulheres por aproximadamente 20 anos

Em estudo, melhorar a dieta reduziu o risco de morte por câncer de mama (Foto: Dercílio/SAÚDE é Vital)

Comer de maneira saudável pode diminuir a probabilidade de morte por câncer de mama em até 21%. É o que indica um estudo robusto que será apresentado na edição deste ano do congresso da Asco, a Associação Americana de Oncologia Clínica, um dos eventos mais importantes do mundo sobre a doença.

O trabalho começou em 1993 e envolveu 48 835 mulheres que já tinham passado pela menopausa, com idades entre 50 e 79 anos. Elas foram divididas em dois grupos. Um seguiu uma dieta normal, com uma ingestão de gordura que representava 32% ou mais das calorias diárias, e o outro reduziu esse índice para 25% ou menos e incluiu no mínimo uma porção de legumes, verduras, frutas e grãos no cardápio diário.

As participantes que passaram pela intervenção alimentar adotaram o plano por cerca de oito anos. Depois disso, todas continuaram sendo acompanhadas – até agora, são 19,6 anos de seguimento. Pouco mais de três mil casos de câncer de mama foram diagnosticados no período. E o risco de morrer por conta dele foi 21% menor no time que comeu melhor.

Trabalho sólido

O número de participantes e o tempo de acompanhamento corroboram a relevância do achado, que reforça a influência da alimentação no combate ao câncer. “Esse estudo acrescenta mais uma evidência na lista de efeitos positivos semelhantes para vários tipos de câncer”, declarou a presidente da Asco, Monica M. Bertagnolli, em comunicado à imprensa.

Batizada de Women’s Health Initiative (Iniciativa pela Saúde da Mulher, em tradução livre), a investigação foi custeada pelo governo norte-americano e continua em andamento, com o objetivo de descobrir como prevenir males que afetam mulheres na pós-menopausa. Além do câncer de mama, entram na lista tumores colorretais, doenças cardiovasculares e osteoporose. Ou seja, mais novidades devem surgir daí nos próximos anos.

Pós-menopausa e câncer de mama

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o risco para desenvolver tumores nas mamas aumenta nessa fase graças a alguns fatores: parar de menstruar após os 55 anos; fazer reposição hormonal, especialmente por mais de cinco anos; e apresentar obesidade ou sobrepeso. Entre o grupo que comeu melhor na pesquisa norte-americana, houve uma queda de 3% no peso corporal.

Apesar de esse emagrecimento não ter impactado tanto na mortalidade, é fato que o excesso de peso está ligado ao câncer (e não só ao de mama). Para ter ideia, caso a incidência de obesidade siga crescendo, estima-se que o quadro poderá causar 500 mil casos extras de tumores ao ano pelas próximas duas décadas só nos Estados Unidos.

Um segundo estudo chegou até a mostrar que a alimentação pode ser ainda mais decisiva para mulheres com câncer de mama pós-menopausa que apresentam componentes da síndrome metabólica – entre eles estão circunferência abdominal elevada, hipertensão, diabetes e colesterol alto. Todos são ligados ao aumento de peso. Para evitar a situação, um dos caminhos é comer melhor.

O bacana é que a dieta considerada equilibrada não é coisa de outro mundo. Bastaria reduzir o consumo de gorduras no dia a dia – e, ao colocá-las na rotina, o ideal é privilegiar as versões insaturadas, encontradas nos peixes, nas oleaginosas e em certos óleos vegetais, como o azeite de oliva. Fora isso, é preciso incluir mais vegetais na dieta.

Comer ao menos cinco porções de frutas, legumes e verduras ao dia, aliás, já é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde para diminuir o risco de uma série de doenças, incluindo certos tipos de câncer.

 

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Saúde

Governo altera estrutura de combate à Aids no Ministério da Saúde

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Entre outras mudanças, o departamento focado em DSTs passa a ser responsável por políticas contra tuberculose e hanseníase

O governo alterou a estrutura do departamento do Ministério da Saúde responsável pelas ações de combate ao HIV/Aids e a outras doenças sexualmente transmissíveis (Thinkstock/VEJA/VEJA)

Em decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, o governo alterou a estrutura do departamento do Ministério da Saúde responsável pelas ações de combate ao HIV/Aids e a outras doenças sexualmente transmissíveis. O órgão tem atuação histórica na luta contra a doença e sua política é considerada modelo para outros países por ações como a oferta gratuita de tratamentos antirretrovirais para todos os portadores do vírus.

Em decreto do último dia 17, assinado por Bolsonaro e pelos ministros Paulo Guedes (Economia) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde), o governo alterou o nome do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais para Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis., rebaixando a área de HIV/Aids a uma coordenação.

Colocou ainda sob responsabilidade do departamento outras duas doenças não relacionadas ao contágio sexual: tuberculose e hanseníase. Antes, essas patologias ficavam sob o guarda-chuva do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis.

Segundo ONGs, associações e especialistas que atuam na área, as mudanças podem enfraquecer a política de combate à Aids ao reduzir a importância do tema e dilui-lo em um departamento com diferentes demandas. Um dos temores é que o departamento tenha que desenvolver ações para duas novas doenças sem ter incremento no orçamento.

“Não é uma mera questão burocrática. A gente tinha no departamento um modelo de combate à Aids focado em dois pilares: corpo técnico especializado e participação da sociedade civil. Quando você dilui ou sobrecarrega essa estrutura, o risco é imenso pois perde-se o caráter de relevância e excepecionalidade que essa doença exige”, diz Mario Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

A diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) afirmou, em nota, que “vê com preocupação” a mudança. “Enquanto muitos países, a exemplo dos Estados Unidos, divulgam políticas para eliminar a transmissão do HIV nos próximos 10 anos, estamos vivenciando um retrocesso no Brasil”, declarou.

Em nota conjunta, seis coletivos e associações de ONGs que lutam contra a Aids afirmaram que a decisão é preocupante porque tira o protagonismo do tema dentro do ministério. Eles criticam ainda o fato de não terem sido consultados nem comunicados sobre as mudanças, mesmo tendo participado de reunião com o ministério há um mês.

“O marco simbólico de ter uma estrutura de governo voltada para o enfrentamento a Aids é indicativo da importância que se dá à epidemia”, afirmam as entidades. “Esse decreto acaba com uma experiência democrática de governança de uma epidemia baseada na participação social e na intersetorialidade. Prova disso é que há pouco mais de um mês, nas reuniões da Comissão Nacional de IST, HIV/AIDS e Hepatites Virais (CNAIDS) e da Comissão Nacional de Articulação com Movimentos Sociais (CAMS), absolutamente nada se falou sobre o decreto e nenhum esclarecimento foi prestado sobre suas potenciais consequências”, ressaltaram as associações no documento.

Assinaram a nota a Articulação Nacional de Luta contra a Aids (ANAIDS), a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), o Fórum de ONGs AIDS/SP (FOAESP), o Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS/RS (GAPA/RS), o Grupo de Incentivo à Vida (GIV) e a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS.

O youtuber e comunicador sobre educação sexual e prevenção combinada Lucas Raniel, do canal Falo Memo, classificou como “negligência” a falta de transparência sobre o decreto. “Tenho certeza que se isso tivesse sido divulgado anteriormente, com um debate com organizações, institutos e entidades, esse decreto não teria sido publicado como foi”, afirma Raniel. “Nós, que vivemos com HIV, a partir do momento que Bolsonaro entrou no poder, esperávamos que [o departamento] pudesse sofrer alguma mudança, mas não imaginávamos que fosse tão rápida”, declarou.

Segundo o youtuber, a mudança pode abrir caminho para um possível enfraquecimento do programa de prevenção e combate ao HIV.”Não que vá faltar exames ou medicação, mas com o tempo, os profissionais podem ser menos treinados, menos remunerados. Tudo pode ficar mais difícil, mais demorado e vai enfraquecendo um sistema que deveria ser fortalecido.”

Justificativas

Questionado sobre as mudanças, o Ministério da Saúde informou que a estrutura da pasta foi reformulada “visando maior integração entre as áreas e a otimização das ações de assistência e promoção à saúde, combate e prevenção de doenças, incluindo as transmissíveis”. Disse ainda que “a estratégia de resposta brasileira ao HIV/Aids não será prejudicada com a reestruturação” e que “a intenção é trabalhar com as doenças mais comuns nas populações com maior vulnerabilidade e com os mesmos condicionantes sociais”.

A pasta deu como exemplo dessa necessidade de integração a relação entre HIV e tuberculose. “As pessoas vivendo com HIV, por exemplo, têm maior risco de desenvolver a tuberculose, além de ser um fator de maior impacto na mortalidade nesses casos. Também é comum que o diagnóstico da infecção pelo HIV seja feito durante a investigação/confirmação da tuberculose”, afirmou.

Sobre a questão financeira, a pasta disse que o orçamento para combate ao HIV/Aids, ISTs e hepatites virais vem crescendo ao longo dos últimos anos, tendo passado de R$ 1,7 bilhão em 2018 para R$ 2,2 bilhões neste ano. O ministério não informou, no entanto, se esse orçamento será reajustado considerando as duas novas demandas do departamento: tuberculose e hanseníase.

 

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