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Bolsonaro planeja acelerar concessões, afirma general

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Segundo o general Ferreira, a privatização da Eletrobrás e de suas coligadas será levada adiante num eventual governo; Petrobras seria mantida

Brasília – A lista de prioridades do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, prevê que as concessões no setor de infraestrutura sejam aceleradas e intensificadas. O plano de privatização da Eletrobrás seria mantido, mas a Petrobrás e “tudo o que for estratégico” não entrariam nesta lista, permanecendo sob a tutela do governo.

Estatais como a Valec, da área de ferrovias, e a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que realiza estudos para concessões, teriam suas estruturas reavaliadas, podendo até serem fechadas, em um processo de enxugamento e corte de curtos. Na Amazônia, estudos de hidrelétricas que foram arquivados, como as polêmicas usinas no Tapajós, retornariam à mesa de negociação. Na arena ambiental, Ibama e Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) seriam integrados em um único órgão.

Essas medidas estão sendo costuradas pelo núcleo duro da campanha de Bolsonaro, área que está sob o comando de Oswaldo de Jesus Ferreira, general que, do ano passado para cá, tem se convertido em um segundo “Posto Ipiranga” do candidato do PSL – forma como o economista Paulo Guedes, coordenador do programa econômico, passou a ser chamado, inclusive pelo próprio Bolsonaro.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Ferreira falou sobre os principais planos e medidas que estão sendo analisadas pela cúpula para a área de infraestrutura, caso seu candidato suba a rampa do Palácio do Planalto em janeiro. Ferreira, que até 2017 era Chefe do Departamento de Engenharia e Construção (DEC) e não conhecia Bolsonaro, diz que aceitou a “missão” do capitão reformado do Exército após “ser convidado para mudar o Brasil”.

Energia

Segundo Ferreira, a privatização da Eletrobrás e de suas coligadas será levada adiante num eventual governo Bolsonaro, apesar de toda a resistência do Congresso em acatar a proposta e do próprio candidato já ter sinalizado que a ideia não lhe desce bem. A Petrobrás, no entanto, seria mantida nas mãos do governo. “Tudo o que é estratégico será mantido, como nossos campos de petróleo e gás”, disse o general. Nesta semana, Bolsonaro disse que “nem passa por nossa cabeça a palavra privatização” de empresas estratégicas, como Furnas, Caixa e BB.

Sobre energia, Ferreira declarou que continuaria a apostar em hidrelétricas, além das fontes eólica e solar. O planejamento inclui a retomada das discussões dos projetos no Rio Tapajós, que foram arquivados pelo Ibama por obstáculos com questões indígenas e ambientais. Ferreira garantiu ainda que a usina nuclear de Angra 3 teria de ser concluída, apesar do alto custo do projeto, avaliado em R$ 17 bilhões. “Seria muito desperdício desistir do projeto, isso afetaria toda a cadeia do setor. Tem de concluir o que começou.”

Logística

Nas ferrovias, o plano das tradings de grãos de levar adiante a proposta de construir a Ferrogrão, entre Mato Grosso e Pará, é visto com ceticismo pela equipe de Bolsonaro. A avaliação é de que a construção enfrenta resistência ambiental e que o projeto prioritário para o escoamento agrícola deve ser a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que corta o Mato Grosso, ligando-se à Ferrovia Norte-Sul. Na área de transportes, a cúpula de infraestrutura entende ainda que a Valec poderia ser extinta ou absorvida pelo Ministério dos Transportes, enquanto a EPL poderia ter seus estudos incorporados pelo BNDES.

Na área de rodovias, a prioridade seria concluir a BR-163, no Pará, e a BR-319, entre Porto Velho e Manaus. Ferreira disse que, a despeito da aproximação do eventual governo Bolsonaro com militares, o departamento de engenharia do Exército não teria sua atuação ampliada, mantendo-se com perfil limitado para, apenas, “adestrar” seus soldados. “O Exército não vai competir com setor privado.”

Meio ambiente

Ibama e ICMBio seriam um mesmo órgão, ou seja, toda a parte de proteção de unidades de conservação federal voltaria a ser função do Ibama. A área de licenciamento ambiental passaria por uma mudança profunda, com uma estrutura de funcionamento similar à da Advocacia Geral da União (AGU): servidores do Ibama seriam enviados para diversos órgãos, para cuidar de licenciamentos ambientais específicos.

O general garantiu ainda que, a despeito do interesse do agronegócio na região amazônica, não seria permitida a expansão da produção de soja, milho e cana na região. “Sou um desenvolvimentista, não um ambientalista. Mas a Amazônia não é para isso. Seria uma grande burrice.”

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Emprego, PIB, bolsa e câmbio: quanto ainda pode piorar?

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Ontem, o índice Ibovespa fechou na menor pontuação do ano, negociado a 90.024 pontos, e o dólar atingiu o maior valor desde outubro, acima dos 4 reais

Bolsa de Nova York: o pessimismo tomou conta de investidores | (Bolsa/Divulgação)

A pior semana do ano para o mercado de capitais brasileiro termina com reiteradas dúvidas sobre o desempenho da economia em 2019. A grande questão nas mesas de negociação é até onde a sucessão de más notícias na política pode levar a bolsa e o câmbio.

Ontem, o índice Ibovespa fechou na menor pontuação do ano, negociado a 90.024 pontos, numa queda de 1,75%. O dólar, por sua vez chegou superou os 4 reais pela primeira vez desde abril. Após a euforia de janeiro e fevereiro, quando ficou perto dos 100.000 pontos, o Ibovespa chega ao final de maio com uma alta acumulada de apenas 2,4%.

Não há clareza sobre até onde as duas variáveis podem chegar, mas já há certeza de que o ano será muito mais difícil do que se previa. A conjunção de fatores que reforça o pessimismo é conhecida. Combina as manifestações estudantis contra cortes na educação, a incapacidade de negociação com o Congresso e o avanço das investigações contra o filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flávio. Ontem, o presidente trouxe a crise para dentro de seu gabinete ao pedir que o Ministério Público venha “para cima” dele, e não de seu fiho.

Mas há outra leva de preocupações no radar. Apesar de o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter afirmado ontem que a Câmara e o Senado podem aprovar a reforma da Previdência em 60 dias, o recesso para as festas juninas deve dificultar ainda mais a articulação. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, já há uma movimentação em curso para substituir o líder do governo na Câmara, o inepto Major Vitor Hugo.

E há uma crescente preocupação sobre o próprio poder de a aprovação da nova Previdência inverter uma tendência de deterioração na economia. Ontem o IBGE apontou que o desemprego no estado de São Paulo chegou a 13,5%. O Banco Central admitiu a decepção com o resultado da economia, enquanto o banco BNP Paribas jogou a previsão de crescimento da economia para baixo de 1% em 2019.

 

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Guedes diz nos EUA que reforma pode ser aprovada em 60 dias

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Ministro também criticou o alto nível de gastos com o pagamento de juros e, segundo ele, o País gasta US$ 100 bilhões por ano “sem poder sair da pobreza”

Paulo Guedes: “Isso vai ser maravilhoso, vai mudar totalmente a perspectiva do País” (Ricardo Moraes/Reuters)

São Paulo – O ministro da Economia, Paulo Guedes, acredita que é possível aprovar a reforma da Previdência no Congresso em 60 dias. O prazo foi mencionado por Guedes em evento nos Estados Unidos.

Na viagem, ele teria conversado por telefone com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), sobre um calendário de votação da proposta.

“Isso vai ser maravilhoso, vai mudar totalmente a perspectiva do País”, disse o ministro, na cerimônia de entrega do prêmio Personalidade do Ano pela Câmara de Comércio Brasil – EUA, que homenageou o presidente Jair Bolsonaro, em Dallas (Texas).

Com a reforma, o Brasil deve atingir o saneamento fiscal no horizonte de 10 a 15 anos e retomar o crescimento econômico, afirmou Guedes. Ele criticou o alto nível de gastos com o pagamento de juros. Segundo o ministro, o País gasta US$ 100 bilhões por ano “sem poder sair da pobreza”.

No evento, um almoço preparado para cerca de cem empresários, Guedes também citou empresas como Banco do Brasil, Bank of America (BofA) e Merrill Lynch, além de Embraer e Boeing, ao falar sobre oportunidades econômicas envolvendo companhias dos dois países.

O ministro disse ainda que Bolsonaro vai unificar a América Latina com uma economia de mercado, diferentemente da esquerda, “que procurou unificar a América Latina com ideias obsoletas”.

Mais realista a respeito da tramitação da proposta, Maia afirmou que mantém o calendário original proposto. Ele prevê a aprovação da reforma da Previdência no plenário da Câmara em julho, pouco antes do recesso parlamentar. Só então, a proposta segue para tramitação no Senado.

Por se tratar de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), a reforma da Previdência precisa passar por duas votações na Câmara e duas no Senado. Para aprová-la, é preciso obter votos favoráveis de três quintos dos parlamentares em plenário – 308 na Câmara e 49 senadores. A votação é nominal. Até agora, porém, a reforma só passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e, agora, tramita na Comissão Especial da Casa. A reforma foi enviada pelo governo ao Congresso há quase três meses, no dia 20 de fevereiro.

Prazo. O relator da reforma na Comissão Especial da Câmara, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), afirmou que tem como meta apresentar seu relatório “no máximo” até a segunda semana de junho. Em entrevista à GloboNews, Moreira observou que a proposta está no período de recebimento de emendas e que ainda será realizada uma série de audiências públicas para debater aspectos específicos do texto.

Para Moreira, o governo “tem dado caneladas desnecessárias”, que podem atrapalhar a tramitação do texto. Entretanto, ressaltou que a reforma da Previdência é prioritária e que há compromisso e consenso em torno dessa agenda. Nesse sentido, Moreira disse que é preciso “blindar” a proposta e “despi-la” de questões partidárias.

Sobre o cronograma da PEC, o relator está alinhado com Maia dizendo que a meta é votá-la na Câmara antes do recesso parlamentar (em julho).

 

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Economia

Dólar fecha acima de R$4 e Ibovespa tem forte queda

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Dólar à vista fechou em alta de 1,01%, a R$ 4,0366 na venda e Ibovespa caiu 1,75%, a 90.024,47 pontos

Real teve o pior desempenho entre 33 pares do dólar (Thomas Trutschel/Getty Images)

São Paulo — Uma série de ordens para zerar perdas catapultou o dólar para cima dos R$ 4 nesta quinta-feira (16), no maior patamar desde antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, em meio à piora no clima político local.

A divisa doméstica teve o pior desempenho entre 33 pares do dólar. O dólar à vista fechou em alta de 1,01%, a R$ 4,0366 na venda.

É o maior nível de fechamento desde 28 de setembro passado, quando terminou em R$ 4,0371. Na máxima desta quinta, a cotação bateu R$ 4,0425, com valorização de 1,16%. Na B3, o dólar futuro subia 0,85%, a R$ 4,0420.

Ibovespa

O Ibovespa fechou em forte queda nesta quinta-feira, quase perdendo o nível de 90 mil pontos e descolado de bolsas no exterior. O movimento foi pressionado por ruídos políticos que alimentaram preocupações sobre a tramitação da reforma da Previdência, em um ambiente com atividade econômica já debilitada no país.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,75 por cento, a 90.024,47 pontos, fechando no menor nível do ano. O volume financeiro somou 17,3 bilhões de reais.

Investidores já começam a enxergar potenciais novos atrasos no andamento da reforma da Previdência diante de investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro e protestos em várias cidades do país na véspera contra bloqueio de recursos para a educação.

“Isso tumultua o processo”, afirmou o chefe da mesa de renda variável do BTG Pactual digital, Jerson Zanlorenzi. No entanto, ele não observou ainda nenhum evento que considere um “divisor de águas”, capaz de dizimar expectativas de aprovação da reforma, que a equipe do banco espera para julho.

Zanlorenzi chamou a atenção para o efeito negativo na economia decorrente desse atraso. “Os empresários estão receosos de tomar risco”, afirmou.

A pauta macroeconômica tem desapontado sucessivamente, com o dado mais recente, o IBC-BR do Banco Central, espécie de sinalizador do PIB, mostrando retração no primeiro trimestre do ano, enquanto economistas têm cortado seguidamente as projeções para o crescimento em 2019.

O cenário externo também se complicou, conforme a reviravolta nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China adicionou temores sobre os potenciais efeitos no ritmo da economia global, que também passa por processo de desaceleração.

Nesta quinta-feira, contudo, Wall Street fechou no azul, encontrando suporte em resultados corporativos, notadamente os números do Walmart e da Cisco Systems, além de dados melhores sobre novas moradias nos EUA. O S&P 500 avançou 0,9 por cento.

“As tensões seguem elevadas, e poucos avanços foram feitos desde a semana passada. Enquanto a situação perdurar, a percepção de risco global deve permanecer alta”, disse a XP em nota a clientes.

Destaques

– VALE caiu 3,2%, revertendo ganhos de boa parte da sessão quando acompanhou papéis de mineradoras em pregões europeus. A Vale comunicou o Ministério Público de Minas Gerais nesta quinta-feira que o talude de mina em Barão de Cocais pode se romper a partir de domingo, podendo ocasionar a ruptura também da Barragem Sul Superior.

– ITAÚ UNIBANCO PN recuou 1,3% e BRADESCO PN perdeu 1,2%, reflexo do sentimento mais negativo no país, com BANCO DO BRASIL cedendo 3,1%.

– PETROBRAS PN encerrou em baixa de 2,4%, mesmo com a elevação dos preços do petróleo no mercado internacional, também afetada pelo clima adverso nos negócios.

– EMBRAER caiu 3,9%, no segundo pregão seguido de queda forte, após divulgar na quarta-feira que ampliou o prejuízo no primeiro trimestre, reflexo da queda na receita causada por menos entregas de aviões no período.

– GOL recuou 7,4% com alta do dólar frente ao real e delação premiada de sócio da companhia envolvendo pagamento de propinas a políticos. No setor, AZUL caiu 3,8%.

– ULTRAPAR cedeu 4,5%, entre as maiores quedas após mostrar recuo no desempenho operacional no primeiro trimestre, embora o lucro tenha disparado devido à fraca base de comparação e a melhores resultados financeiros.

– MARFRIG saltou 7,9%, após reverter prejuízo e fechar o primeiro trimestre com lucro, apoiada sobretudo em melhores preços nas operações da América do Norte. As ações do setor de proteínas têm se beneficiado de expectativas de demanda maior devido ao surto de febre suína africana na China. JBS subiu 3,1% e BRF avançou 1,7%.

 

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